Reaprendendo a Amar
20 Clareando Memórias: A Evolução de Sakura - parte I
Notas iniciais
Ando apressada, estou quase atrasada.
Saí do hospital mais tarde do que havia planejado e agora preciso correr para casa. Ele chegará hoje a noite.
Assim que chego, já subo para meu quarto, ouvindo minha mãe vindo da sala atrás de mim.
—Filha, está tudo bem?
Deixo minha bolsa cair ao lado da cama e começo a me despir, soltando meu cabelo.
—Está sim, mãe. Só preciso de um banho, estou com muito calor. — respondo um pouco alto enquanto entro no meu banheiro.
—Quando você chega afoita desse jeito é sinal de que alguém virá te visitar escondido. — ouço minha mãe falando do quarto.
—Mãe!
—Sakura, querida, eu e seu pai sabemos o que acontece debaixo do nosso teto. — ela responde com bom humor.
—Mãe, por favor!
Sasuke adquiriu o costume de vir me visitar assim que chega de uma missão, seja na minha sala no hospital ou no meu quarto na casa dos meus pais, desde quando retornou a Konoha pela segunda vez. Ele até se viu obrigado a conhecê-los mês passado, pois a vila toda já estava falando sobre o "menino Uchiha" e a "pupila da Godaime" estarem passando tanto tempo juntos, o que chegou ao ouvido dos senhores Haruno. Minha mãe não parava de encher meu saco, dizendo que estava um pouco preocupada, pois as pessoas começaram a falar de um jeito estranho sobre nós dois, diziam que eu estava sendo usada e que Sasuke claramente não tinha sentimentos por mim, apenas se aproveitava dos meus.
Conversinha de gentinha amargurada, mas que começaram a influenciar meus pais.
Depois de Sasuke ter aceitado meu pedido de passar um dia com minha família, as aflições de minha mãe parecem ter sido apaziguadas. Ele sempre foi mesmo terrivelmente charmoso, nem mesmo Kizashi e Mebuki puderam fugir de seus encantos.
Entro no box deixando a água aquecida do chuveiro cair sobre meu rosto. Sinto que estou sendo analisada. Para uma civil, minha é uma habilidosa observadora.
—Filha…
—Mãe — cesso o que seria um torturante sermão — não se preocupe.
—Como posso não me preocupar? Você é minha filha.
—Mãe, está tudo bem.
—Você já falou com ele?
—Ainda não, estou esperando o momento certo. Será uma surpresa. — respondo com um sorriso sincero.
—Tem certeza de que é isso o que quer? Não se sinta pressionada a fazer alguma coisa que não tenha a mais absoluta certeza. Eu e seu pai estamos aqui e isso nunca vai mudar.
Sinto minha garganta prender e meus olhos arderem, tenho chorado tanto nestes últimos dias que até me acostumei. Só que desta vez, não é um choro sem motivo, é de pura emoção.
—Mãe, eu estou tão feliz… se você soubesse o quanto, não estaria com essa preocupação.
—Eu sou mãe, estou sempre preocupada — ela responde com delicadeza — pelo menos agora você vai conseguir me entender.
Meu sorriso aumenta.
Toco na minha barriga suavemente, ela ainda está tão reta que ninguém imaginaria que tem um bebê crescendo ali. Apenas Mebuki descobriu, depois de notar que meus seios aumentaram nesses últimos dias.
—Está tudo perfeitamente bem.
Depois do jantar, fico com meus pais na cozinha e os observo enquanto eles cuidam da louça. Acho incrível que mesmo depois de anos, os dois ainda se olham de forma apaixonada e trocam sorrisos cúmplices. Eles são meu casal ideal.
Meu interior se aquece em expectativa, pois imagino que um dia seremos eu e Sasuke observados por nossos filhos.
Assim que terminaram com a louça, fomos assistir televisão na sala e um pouco depois os dois subiram para dormir. Meu pai me deu um beijo de boa noite e depois minha mãe, que também me deu um abraço caloroso além do beijo.
—Boa noite, minha menina.
Esperei o filme acabar e então também subi para me deitar, escovei meus dentes e dei uma boa encarada no espelho.
Sei que minha aparência nunca foi nada excepcional, nunca fui feia demais ou bonita demais. Felizmente a puberdade ajudou um pouco, mas nunca serei tão bonita quanto a Ino, por exemplo.
Hoje, entretanto, estou me sentindo simplesmente reluzente!
Talvez seja só coisa da minha cabeça, mas desde semana passada, quando descobri minha gravidez, sinto que já mudei fisicamente.
Meus seios, com certeza, mudaram, mas parece que meu quadril está mais largo, minha bochecha mais rosada, meu olhar mais confiante.
Estes estão sendo os melhores dias da minha vida!
Vou para minha cama e me deito, tentando desacelerar meus pensamentos. Não sei exatamente como contarei a novidade, se faço um mistério, se jogo na lata, então optei por esperar vir naturalmente.
Minha ansiedade está ficando insuportável!
Olho no relógio e vejo que já é de madrugada. Ele nunca demora tanto assim, com certeza alguma coisa aconteceu.
Mais um turbilhão de pensamentos invadem minha mente, tentando montar alternativas que explicam o atraso, até que três toques na porta da varanda me despertam.
Fazendo força para parecer calma, levanto e abro a porta, encontrando Sasuke ali fora.
Dou passagem e ele entra, deixando a bolsa num canto ao lado da minha escrivaninha, como sempre.
Volto a trancar a porta e me viro.
—Desculpe a demora. — ele me fala depois de nos encararmos por um momento.
—Não se preocupe. Quer tomar um banho?
Ele olha para o banheiro e depois para mim e apenas concorda, quase sem nem mover um músculo. Olhando-me tão ferozmente que me mal consigo respirar.
Já havíamos feito amor muitas vezes, de várias maneiras diferentes, mas sempre que ele chega é assim, fica essa tensão no ar. Ando devagar em sua direção, até alcançar a abotoadura do seu manto. Não o encaro nos olhos, pois sei que estou totalmente rubra. Assim que sua capa desliza e cai ao chão, levo minhas mãos para desabotoar sua camisa, porém sou interrompida quando ele segura meus pulsos com firmeza.
—Olha para mim.
Eu o obedeço sem hesitar, sentindo-me a mais tola das criaturas por sentir meu rosto ferver.
Ele apenas está perto de mim e já consegue me deixar completamente tonta. Seus olhos negros continuam me encarando tão intensamente que nem o mais forte genjutsu teria tanta influencia sobre mim, e eu simplesmente amo a maneira que ele me olha, faz-me crer que sou o mais precioso bem que já teve.
Então ele desce seu olhar para meus lábios entreabertos e percebi que ele quase sorri, logo ele desce ainda mais, até meu decote, e um arrepio tão conhecido por mim passa por meu corpo.
O tecido fino e um tanto transparente de minha camisola, que marca completamente meus seios, prende sua atenção, percebo, e eu quase me perco ao sentir sua aprovação.
Até que ele me olha nos olhos outra vez e simplesmente me dá as costas, indo ao banheiro, como se nada tivesse acontecido.
Sento na cama, totalmente desolada.
Depois de um tempo, ouço o chuveiro ser desligado e então ele sai nu do banheiro, secando os cabelos com a toalha. Por tudo o que é mais sagrado, como pode uma pessoa ser tão perfeita?
Deito de costas para ele e me cubro, certa de que estou totalmente rubra outra vez. Eu já o vi nu tantas vezes e ainda me porto como uma virgem sedenta, os hormônios também não ajudam em nada minha situação.
Ouço ele soltar o ar pelo nariz e reconheço o gesto. Ele está rindo. Com certeza sabe o que se passou na minha mente.
Ele se deita também por debaixo do edredom e me abraça forte, juntando meu corpo ao seu.
Passa a mão no meu cabelo, deixando minha nuca exposta. Outro delicioso arrepio percorreu meu corpo quando sinto seus lábios tocarem minha pele.
—Como foi a viagem? — pergunto num sopro, concentrada em não gemer tão facilmente.
—Bem. — obviamente não está no clima para um diálogo agora.
Ele puxa a barra da camisola, deixando-me exposta, e passa a mão na minha bunda, apertando com força. Empurra uma de minhas pernas para frente, liberando o caminho para sua mão irrefreável.
Desisto de tentar ser racional.
Tapo minha boca, escondendo meus gemidos, enquanto seus dedos desbravam cada vão entre minha carne. Em momento algum ele deixa de beijar minha nuca.
Chamo por seu nome quando sinto um dedo me penetrar.
—Você está tão deliciosa…
Até que me puxa para um beijo intenso que me arrebata por completo. Sua língua pediu passagem e eu logo concedi, usando a minha para contornar seus lábios.
Ele é forte e ardente, seus toques pesados e lascivos.
Ele me aperta, me puxa e me beija.
E me faz dele. Absoluta e irrevogavelmente dele.
—Sasuke, por favor…
Ele entende minhas súplicas e retira sua mão, apenas para dar lugar ao seu membro duro.
—Senti sua falta… — ele sussurrou devagar enquanto me penetrava.
Logo após chegarmos ao clímax, ele afunda o rosto no meu pescoço e acaricia suavemente meus seios por baixo da camisola. Estou ainda grogue por conta do orgasmo e não percebi o que estava fazendo.
—Sakura… o que houve… ? — Sasuke levanta o rosto e pergunta ainda com a respiração pesada.
—Como assim? — rebato sem conseguir conter um enorme sorriso.
Estou radiante, é isso que houve.
—Seu corpo… seus seios… estão maiores…
—Credo, Sasuke. Mal chegou e já me fala que engordei.
—Não me importo com seu peso, apenas sei que você come pouco… para ter tanta diferença entre a última vez que nos vimos e agora, significa que seus hábitos mudaram. O que aconteceu?
Olho abismada para ele.
Ele presta tanta atenção assim em mim? Ou apenas é um ótimo shinobi?
Gostaria de acreditar que seja a primeira alternativa.
Não que ele não preste atenção em mim, eu sei que presta, apenas não imaginava que ele iria notar um detalhe desse.
Droga, não vou conseguir mentir. Ele sempre sabe quando minto.
—Eu… eu… não engordei… apenas estou um pouco inchada…
Vejo sua sobrancelha arquear, um gesto que já reconheço ser uma indagação muda com requinte de impaciência.
—Não queria te contar assim…
—Pare de enrolar.
—Estou grávida.
Olhei atentamente suas expressões, cheia de expectativas, e meu corpo começou a gelar quando ele permaneceu olhando para mim sem esboçar um sinal de reação.
—Sakura, está falando sério?
—Claro.
—Tem certeza?
—Sasuke!
—Tem certeza de que está mesmo grávida?
—É claro! Acha que eu te afirmaria sem ter certeza?! — respondo num tom mais agudo, meu olhos já estão lacrimejando. Puta merda, não acredito que isto esteja acontecendo.
Idiota!
Ele volta a se deitar olhando para o teto, levando uma das mãos à testa.
Minhas lágrimas já escorriam silenciosamente. Nunca, jamais, achei que ele reagiria desta forma. Sempre acreditei que ele queria ter uma família.
Talvez ele apenas não queira então ter uma família comigo.
De repente, ouço Sasuke gargalhar.
Olho atônita, sem ter noção do que esteja acontecendo. Nunca vi Sasuke gargalhar rir desta forma.
Ele se volta para mim, ostentando seus dentes perfeitos num largo sorriso.
—Eu vou ter um filho, Sakura… — me fala como se ele estivesse me dando uma notícia, e volta a gargalhar. — eu vou ter um filho!
—Sim. — é o máximo que consigo responder.
Oh, céus. Finalmente uma reação digna!
Ele fecha os olhos enquanto ri sem pudor e então volta a me encarar.
Um sentimento inexplicável me toma. Vê-lo tão feliz assim, e saber que eu sou um dos motivos, me aquece por dentro e me faz sentir como se nada mais importasse.
É real, está acontecendo! Eu e Sasuke, aquele por quem tanto chorei, seremos uma família!
—Minha Sakura… — sou puxada outra vez para outro beijo, desta vez quente e terno. — obrigado.
(...)
—Não sei de gosto deste.
—Que surpresa, você não gosta de nenhum!
Minha mãe me trouxe para uma loja de sapatos, pois precisava de uma segunda opinião. Detesto comprar roupas, ela bem sabe, e para ajudar. hoje não acordei de bom humor.
Mesmo assim, ainda tive que acordar cedo para vir comprar sapatos!
Socorro.
—Mãe, eles são idênticos!
—Não, não. Um é caramelo claro e outro é nude. Francamente, Sakura, você precisa se atentar mais!
—Eu preciso voltar a dormir.
—Espero que essa fase do sono passe logo, deixa toda grávida insuportável.
Rolei os olhos, evitando responder, minha mãe nem está grávida e consegue ser igualmente insuportável, e percebi duas mulheres nos observando de canto de olho e falando baixo.
Essa gente fofoqueira ainda insiste em espalhar por aí coisas horríveis sobre mim e Sasuke. Principalmente sobre mim, é claro.
Já ouvi de uma enfermeira que ela estaria bem disposta a ser a próxima na fila quando Sasuke enjoar de mim; um dos médicos chegou a me chamar para sair e assim que recusei, respondeu que “quando Sasuke me jogar fora, o convite continua aberto". Claramente, nunca falei com Sasuke sobre este ocorrido
Que merda. Agora a vila toda saberá que estou grávida. E solteira.
Sasuke ficou apenas 10 dias em Konoha depois de eu ter contato sobre nosso bebê e partiu para outra missão, isso já faz pouco mais de um mês.
Nos dias que ficamos juntos, ele já se mostrou mais carinhoso e protetor, deixando-me cada vez mais apaixonada. Trocamos algumas cartas também, desde que ele se foi.
Porém, em momento algum, ele falou sobre casamento.
Não que eu realmente me importe em me casar. Para mim, estarmos juntos é suficiente. Mas essas fofocas estão mesmo começando a tirar minha paz.
O mais próximo que chegamos deste assunto foi quando ele me levou a uma casa fechada, linda e enorme, num estilo clássico nipônico, poucas quadras distante do hospital, e me perguntou se eu poderia me imaginar morando nela.
Isso me fez crer que ele tem planos para nós, o que me deixa mais tranquila.
Eu sei que deveria ter mais voz com ele, mas não consigo. Não consigo cobrar alguma coisa dele, pois no fundo eu tenho medo de que ele se sinta pressionado e vá embora outra vez.
Patética, eu sei.
Depois de minha mãe decidir levar os dois pares de sapatos, que para mim continuam idênticos, fomos ao restaurante ali perto para almoçarmos.
Percebi que minha mãe estava um pouco animada demais e questionei assim que o garçom saiu com nossos pedidos anotados.
—Eu queria te fazer uma surpresa, mas não vou aguentar.
Sorri ao perceber que eu faço essa mesma cara quando estou bastante animada.
Ela então leva uma mão na sacola e tira de lá um embrulho branco. Quando ela coloca na mesa, bem na minha frente, percebo que é uma caixinha bem delicada, com um laço de cetim perolado.
—Espero que goste!
Desembrulho o pacote igualmente animada, amo receber presentes, e sinto mais uma enorme vontade de chorar quando termino.
É o menor par de sapatos que vi na minha vida! Parece de boneca! Uma sandalinha branca de tecido.
—Queria ser a primeira a presentear meu netinho.
—Mãe, é perfeito!
—Gostou mesmo? Tem outras opções lá, pode ir trocar quando quiser, eu perguntei ao vendedor.
—Mãe, é mesmo perfeito! Não quero trocar, será o primeiro sapatinho que colocarei no meu bebê. — respondo já chorando.
Abraço minha mãe do outro lado da mesa, totalmente emocionada, e quando volto a me sentar encontro Ino nos encarando.
Ela olha para mim com cara de perplexidade, depois para o pequeno sapato em cima da mesa e então para minha barriga, que já começou a apontar, mas não suficiente para aparecer por baixo da roupa.
Tento imaginar como seria se estivéssemos em uma situação contrária, se Sasuke tivesse voltado por ela, se eu a visse grávida dele. Com certeza meu olhar seria como o dela, cheio de mágoa.
Ino logo virou o rosto e saiu apressada do restaurante com uma outra moça, uma civil, que não conheço.
—O que foi isso?
—Uma perda. Acho que perdi uma amiga.
—Ora, por que?
—Por Sasuke.
—Filha…
Limpo uma única lágrima que deixei escapar, sentindo meu estômago embrulhar.
—Na verdade, não foi por Sasuke, foi por minha família, meu futuro.
—Querida…
—Por favor, mãe, não me olhe assim.
Quando nossos pedidos chegaram, mirei minha concentração na comida apetitosa. Não posso me lamentar por estar tudo dando certo para mim.
(...)
Mais duas semanas se foram e cá estou eu, passando minhas compras no caixa do supermercado, quando vejo uma senhora, do caixa ao lado, olhando-me com ar de piedade.
A notícia de minha gravidez está por toda Konoha e apenas meus pais, Naruto, Kakashi, agora Hokage, e Tsunade não me olham com pena, já flagrei até Shizune, que desviou o olhar assim que percebi. Estou tão assombrada por isto que chego a ter pesadelos.
Queria poder explodir e mandar todos a merda, mas não consigo.
Sasuke não me manda mais cartas.
Ainda não tive coragem de perguntar a Kakashi o que está acontecendo para que Sasuke parasse de se comunicar comigo. Não suportaria se até meu sensei tivesse pena de mim.
Apenas desvio o olhar e pego minhas sacolas, saindo apressada daquele ambiente que ficou claustrofóbico de repente.
Não posso chorar outra vez. Não posso chorar outra vez.
Repito como se fosse um mantra.
Ao me deparar com uma vitrine, encontro meu reflexo. Estou deplorável.
Tão diferente do reflexo de dois meses atrás, quando estava cheia de expectativas para contar ao homem que sempre amei que terei um filho dele. Esta mulher que me encara agora é mais magra e com olheiras fundas por chorar muito e dormir pouco.
Volto a caminhar, apressando meus passos, sempre olhando para baixo, a fim de evitar mais piedade de desconhecidos.
Chego em casa e constato satisfeita que estou sozinha, não estou conseguindo olhar para meus pais nesses últimos dias, coloco as compras em cima do balcão e me viro para a pia. Molho minhas mãos na torneira e passo no rosto, como se um pouco de água pudesse amenizar minha aparência cansada.
Tento me concentrar em pensamentos positivos, penso em Sasuke, no tempo que estamos juntos; penso nele me tocando, penso em como ele acaricia meu cabelo quando acha que estou dormindo, penso em como ele esfrega meus pés para aquecê-los quando estou com frio.
Teve até momentos em que acreditei que ele me amou, só não tinha percebido ainda, mas não permiti me prender a esta ideia. Não poderia me iludir tanto assim.
Mas está tudo bem agora.
Ele gosta de mim, eu sei que sim. Eu sinto.
Talvez apenas tenha acontecido alguma coisa que o impediu de me mandar cartas. É isso! Aconteceu alguma coisa, provavelmente grave, que o impediu de manter contato!
Agora penso que sou uma estúpida carente e egoísta, que, ao invés de se preocupar com a ausência repentina do namorado, fica chorando e lamentando por falta de atenção.
Agora devo ir até Kakashi e saber o que está acontecendo. Eu sou a única família de Sasuke, como pude ter sido tão relapsa?! Há Naruto também, que se considera um irmão, mas o loiro tem outras preocupações, agora ele é importante demais para correr atrás de um adulto capaz de se cuidar só porque não recebeu mais cartas.
Com pensamentos mais limpos e consciência mais leve, respiro fundo, limpando toda a negatividade que havia me dominado nesses últimos dias.
Vou para meu quarto e tomo um banho fresco. Quando saio do banheiro, já me sinto totalmente renovada. Ainda não estou confortável ao me olhar no espelho, as marcas de pura melancolia ainda estão presentes.
Mas logo desaparecerão. Agora está tudo bem.
Visto um vestido leve e analiso se já aparece algum volume, mas infelizmente as 10 semanas de gestação não são suficientes para ostentar uma barriga notável.
Pois é, hoje de manhã eu queria esconder, achando essa protuberância enorme, agora eu quero mais que todos vejam! Eu sou a mãe do filho de Sasuke Uchiha!
Penteio meus cabelos e tento maquiar minhas olheiras, olho meu reflexo no grande espelho do quarto uma última vez e saio de casa numa postura altiva, indo encontrar meu antigo sensei.
Está tudo bem…
Eu sinto.
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