Reaprendendo a Amar
6 Família Perfeita
Notas iniciais
Ao ouvirmos novamente batidas na porta, Sakura me empurrou com certa força. Não seria problema pra mim antes, mas na atual condição do meu Chakra, acabei perdendo o equilíbrio e cai sentado no chão.
Olhei contrariado pra ela, mas fui ignorado.
Arrumou a alça do vestido e foi em direção ao banheiro
— Só um minuto! — Anunciou tentando arrumar o cabelo em frente ao espelho.
Sentei na cama, de frente à porta, com um travesseiro sobre a ereção, que continuava evidente por baixo da calça, e Sakura logo foi atender o maldito ser.
Ela ainda estava corada, com os lábios vermelhos e vestido amarrotado. Era inútil fingir que não estava sendo agarrada há pouco.
— Oh! Olá — soltou surpresa, e logo entendi o porquê. Era o time Taka.
— E aí, Chefa? Acabamos de chegar e o Hokage nos informou que o Sasuke acordou e nos disse para vê-lo. — Suigetsu foi quem respondeu.
Já ia interrogá-lo pelo “Chefa”, mas fiquei quieto assim que notei seus uniformes ANBU, lembrando que eu sou chefe deles agora.
— Oh, sim. Claro! — Sakura os deixou entrar, mostrando um sorriso gentil.
Mas esse sorriso mudou para um falso cortês assim que olhou para Karin, que não a encarou de volta.
Nós cinco ficamos num breve silêncio, até Sakura se pronunciar:
— Certo. Vou ver se estão precisando de mim, fiquem à vontade. E… — Olhou cautelosa para meus colegas de time.
— Sakura, não se preocupe. — Tranquilizei. Ela apenas assentiu pra mim, sorrindo docemente. E saiu.
Ficamos nós quatro em silêncio.
Observei cada um. Não estavam muito diferentes fisicamente. Apenas mais velhos. Os três olhavam pra mim do mesmo jeito que me lembro: Suigetsu, quase debochado; Juugo, gentil; Karin, apaixonada.
Agora entendi o porquê de Sakura não gostar dela.
Só de lembrar de Karin enchendo o meu saco me dá vontade de dormir.
— Hey! Parece que chegamos numa hora… inoportuna? — Suigetsu começou, apontando para o travesseiro sobre minhas coxas. — Pelo jeito que a chefa estava, parece que ela queria te fazer lembrar da vida de casado…
— Não seja inconveniente, baka! — Karin o socou, fazendo a cabeça se desmanchar em água. Rolei os olhos entediado. Não acredito que empataram minha foda.
— Como vai, Sasuke-san? — Juugo perguntou, ignorando aqueles dois.
— Bem. — Sorri fraco. Estava tudo do mesmo jeito. — Parem vocês dois!
— Então, chefe… o Hokage nos disse que perdeu a memória…
— C-como podemos ajudá-lo, Sasuke-kun?
— Quero que me contem tudo, com detalhes.
(...)
Dor de cabeça.
Muita dor de cabeça.
Mantive a calma o máximo possível, o que é uma conquista, considerando que aqueles dois começavam a discutir por qualquer coisa.
Descobri que tentei matar Sakura.
Ouvi sobre a conversa com os quatro Hokages.
Que Karin foi quem fez o parto de Sarada.
Que fiz outra viagem quando Sarada tinha poucos meses e fiquei dois anos fora. Não souberam dizer pra onde, ou o porquê eu a fiz.
Me contaram que o Naruto havia me oferecido o departamento de polícia, mas eu preferi ficar com a Anbu. Parece que nunca estive com outra mulher além de Sakura e que, desde de que nos casamos, somos uma família perfeita. E, aparentemente, não gosto do filho do Naruto, mas não me disseram o motivo.
Enfim.
Agora posso dizer, aliviado, que posso seguir minha vida daqui.
Estou tranquilo. Ou quase. Ainda há uma inquietação em mim, mas acho que posso ignorá-la.
Eles saíram depois de conversarmos por umas três horas e fui tomar outro banho pra tentar relaxar.
Assim que acabei, outros enfermeiros trouxeram meu jantar. Pelos menos tinha comida decente dessa vez.
Depois da refeição comecei a me alongar, ouvindo os estalos que minhas articulações enferrujadas soltavam. Voltei a encarar para fora da janela, tentando organizar meus pensamentos.
Virei e observei meu quarto. Era espaçoso, com uma cama pouco mais larga que uma maca de hospital. A escrivaninha com o lírio e os livros estavam ao lado. Aproximei-me da flor e a toquei, a pétala azul e delicada quase acariciava meus dedos ásperos. Peguei um dos livros e o folheei, era um livro sobre estratégias bem antigo. Percebi uma anotação na contracapa e me lembrei: era o livro de cabeceira do meu pai.
Surpreso e com um enorme nó na garganta, abracei aquele livro como se fosse o próprio Fugaku.
Um sentimento de alívio e apareceu. Sakura me trouxe uma memória da minha família. Deixou aquele livro discretamente alí, para que eu possa encontrá-lo sozinho, respeitando minha privacidade. Ela me conhece e se importa tanto assim.
Sentei na cama e comecei a ler o primeiro capítulo, porém não conseguia me concentrar. Eu sorria. Estava animado! Arrisco até dizer que estava feliz.
Sakura chegou logo em seguida, demorou mais do que eu esperava. Ela parecia que também havia acabado de tomar banho. Agora usava uma calça e blusa preta de alças. Me deu um selinho e se sentou comigo despojada na cama, de frente pra mim.
— Como foi? — Perguntou.
— Cansativo.
— Imagino. — ela sorriu ao perceber minha expressão. — o que houve?
— Nada. — dei de ombros.
Ela semicerrou os olhos, ainda sorrindo, sem acreditar na minha palavra.
— Então tá.
Aproximo-me e encosto nossos lábios, pegando-a de surpresa. Depois do beijo roubado, vejo seu sorriso ainda maior, enchendo-me de orgulho.
— Sakura. Quero conhecer meus filhos. — seu sorriso se desfaz.
— Sasuke, eu nã…
— Eu preciso conhecê-los. — ela arruma a postura, na defensiva — Eu já sei tudo sobre eles. Preciso vê-los. Por favor.
Ela suspirou e sorriu doce pra mim.
Céus, como é linda.
— Tudo bem. Eles estão malucos de saudades também. Amanhã vou trazê-los. — Meu sorriso era o maior que já dei na minha vida. Ela também me olhava com os olhos brilhando — Pensando melhor… se for pra vê-los, não há mais motivos pra você ficar aqui. Amanhã eu vou te levar pra casa.
Sem nem mesmo pensar, puxei Sakura para meu colo, fazendo-a me envolver com as pernas. Soltou um pequena exclamação pelo susto, mas logo se rendeu.
— Sakura, obrigado por tudo — Fechei meus olhos e a abracei com força.
— Eu te amo tanto…
Outra vez eu a beijei.
Dessa vez estava seguro de mim, estava calmo, e pude saboreá-la por completo.
Interrompemos nossos beijos por alguns momentos, apenas para nos encararmos. Circundo sua cintura com minhas mãos, apertando-a, e me permito apertar aquelas nádegas outra vez. Ela acaricia meu cabelo e beija minha mandíbula até chegar na minha orelha, fazendo-me suspirar arrepiado.
Ela volta a me beijar, dessa vez com mais vontade, e eu a puxo para sentá-la em minha ereção.
Solto um muchocho assim que ela se afunda, pressionando meu pau. Continuo sorvendo sua língua e sinto suas unhas arranharem com força meus braços.
Como puro instinto, deito-a sobre a cama, voltando a beijá-la, enfiando-me entre suas pernas.
Mal percebi e já estou sem camisa. Retiro a dela também sem qualquer dificuldade.
Paro para encará-la.
Seu semblante revelava tesão e constrangimento ao mesmo tempo. Encarei aquele corpo magro sob o meu e aqueles pequenos seios.
—Você é perfeita.
Ela sorriu e acariciou meu rosto. Voltei a beijá-la. Sei que jamais poderia me cansar disso.
Desci meu beijos até seu pescoço, sentindo sua pele se arrepiar, até chegar ao meu objetivo. Acariciei cada seio até não suportar e beijá-los também. Aproveitei ao máximo cada pedaço dela. Chupava e mordia cada canto. Sakura segurava com força meus cabelos, denunciando sua aprovação.
Ela me puxa pra cima e me beija com mais voracidade. Suas unhas arranham toda a extensão das minhas costas e meu pau lateja mais dolorosamente. Retiro sua calça quase que desesperadamente e encaro aquela parte que até então era desconhecida por mim.
Sua carne brilhava, suculenta. Toquei e a senti se contorcer, mordendo o lábio.
Passei os dedos em cada vão, vendo-a delirar. Ela tapou a própria boca para não fazer tanto barulho.
Ela geme gostoso pra caralho.
Quando enterrei um dedo naquela pequena fenda, sua respiração parou por um instante. Curioso, coloquei mais um, e comecei a movimentá-los. Ela rebolava enquanto a tocava com mais intensidade, minha outra mão apertava com força seu seio, que subiu ao pescoço. Até que ela cravou as unhas em meu braço, seu interior se apertou ainda mais e suas pernas tremeram.
Retirei os dedos e acariciei suas pernas, vendo aquela mulher deliciosa se recompor, implorando para que ela não esteja saciada.
Por tudo o que é mais sagrado, não pode ter acabado. Eu preciso de mais.
—Sasuke, tire sua calça, por favor…
Sem pensar, acato as súplicas da minha mulher. O máximo que consegui foi abaixar o cós. Mal liberei meu pau e já me afundei naquela pequena fenda molhada.
Um gemido rouco escapa da minha boca e aperto com força aquelas coxas macias que envolviam minha cintura. Ouço Sakura gemer manhosa outra vez mas não a olho, estou me concentrando para não gozar.
Puta que pariu.
Ela é tão fodidamente gostosa!
Me recompondo e finalmente começo a me mexer. Entro e saio dela com vontade. Escaro aquele rosto e a vejo morder os próprios lábios com força. Minhas costas começam a arder de tantos arranhões, que se intensificam cada vez que meto até o fundo.
Aumento a intensidade e ela geme quase desesperada. Tapo sua boca para abafar aqueles sons deliciosos.
E então seu corpo todo treme outra vez, só que com muito mais intensidade. Quando sua boceta aperta meu pau e não suporto e gozo também. Seguro o que seria um urro enquanto sinto aquela onda quase insuportável de prazer me tomar.
Sinto toda minha porra saindo e a preenchendo.
Continuo me movimento, até sair a ultima gota.
E desabei sobre Sakura.
Exausto.
Aliviado.
Com sono.
Não tinha forças para levantar. Nunca fiquei tão cansado, era como se tivesse treinado por semanas sem descanso.
Entre todas as fantasias que tive, principalmente com Sakura, nenhuma, jamais, chegou perto da deliciosa sensação de fodê-la.
Senti uma mão acariciando meu cabelo e outra minhas costas, o ardor das minhas feridas recentes latejava.
— Você foi incrível — Sua voz doce soou cansada — como sempre.
Soltei uma risada pelo nariz.
Depois de alguns segundo — ou minutos, ou horas — de silêncio, Sakura voltou a falar, quase me irritando:
— Querido, eu preciso ir — Soltei um resmungo em protesto — Só vim ver como estava. E agora vi que está muito bem.
Ela me empurrou e eu deitei ao seu lado, sem deixar de sorrir.
Estou mesmo perfeitamente bem.
Arrumo minha calça, me cobrindo outra vez. Ela debruça sobre mim e beija meu pescoço e meu rosto.
—Eu te amo demais… — declara.
Até que ela se levanta e começa a se vestir. Eu jamais deixo de observá-la.
—Tenho que ir. — resmunga antes de me dar outro beijo.
—Até amanhã. — despeço-me e era sorri toda esperançosa.
Até sair pela porta.
Depois de outro logo banho olho-me no espelho, viro meu corpo para poder ver aquelas linhas vermelhas que se estendiam de meus ombros até minha lombar.
Acabei de transar com a Sakura.
Que loucura!
Encaro minhas mãos, absorto em milhões de pensamentos. Desta vez minhas ideias estão um pouco mais claras. Até que um estalo me desperta.
Meus filhos!
Vou conhecer meus filhos.
Amanhã.
Meus dois filhos.
Céus. Não conseguia deixar de sorrir.
Estava feliz.
Pendurei a toalha e vesti apenas um calça, imaginando como será a sensação de ter uma família outra vez. Meu sangue, meu clã.
Apaguei a luz e fui me deitar, certo de que não conseguirei dormir, por mais exausto que estivesse
Ouvi a porta se abrir e estranhei, pois não senti nenhum chakra. Pensando bem, depois de selado, só senti o de Sakura, e isso porque ela já estava muito perto.
Tsc. Mais essa agora. Ser um civil é uma bosta.
Quando fui me sentar pra ver melhor quem era, senti um peso sendo jogado sobre mim, me fazendo cair deitado de novo. Parecia uma mulher, por cima de mim, agarrada ao meu pescoço.
— Sasuke-kun! Graças a Kami está acordado! Fiquei com tanto medo de te perder, meu amor! — Me beijou e eu logo a afastei.
— Karin? Tá maluca? Que merda está fazendo aqui?
— Vim te ver, meu amor! — Agora ela pirou de vez.
— Tsc. Vai embora.
— Sasuke-kun? Não se lembra de mim?
— Claro que lembro. Agora vá embora!
— Não! — Eu não conseguia ver seu rosto direito, mas parecia que estava quase chorando. Tsc. Que saco. — Me refiro a nós… não se lembra de nós?
— Karin, Chega! Vai embora! Agora! — levantei, puxando-a pelo braço sem qualquer cortesia.
— Não, Sasuke-kun, por favor! S-somos amantes! — gargalhei alto com tal afirmação.
— Claro que somos! — patética como sempre. — Karin, cale a boca. Estou mandando ir embora. Quando precisar de uma idiota ao meu lado outra vez, eu te chamo.
— N-não! Eu juro! Não estou mentindo! Eles estão! — Ela se debatia, desesperada. Sua voz denunciava seu choro. — Estão todos mentindo pra você, Sasuke-kun! Estão te manipulando! Acha mesmo que estaria nesta vila de bom grado?
Parei de puxá-la, mas ainda apertava forte seu braço.
— Explique — Ordenei
— Só estamos aqui por causa dos seus filhos. Aquela Bruxa te prende aqui com ela! Ela se casou grávida! Te contaram isso? Engravidou de propósito porque sabia que você não deixaria nenhum Uchiha nascer ilegítimo. — Perdi o ar e afrouxei o aperto. — Você viajou logo que a Sarada nasceu porque não suportava mais aquela mulher!
A soltei completamente, cambaleando para trás, até esbarrar na parede, me deixando escorregar ao chão. Completamente atônito
— Mentirosa! — A olhei com raiva.
Ela quer tirar a felicidade de mim!
Não vou permitir. De novo não!
— Eu juro que não! Sasuke-kun — Se abaixou, ficando na minha altura — Depois que ajudei no parto da sua filha, eu tinha desistido de você. Não morava aqui ainda. Mas então nos reencontramos quando você foi embora… me disse que havia se divorciado, acabamos nos relacionando e nos apaixonando. Mas você estava com saudades da sua bebezinha… então voltamos juntos. Tínhamos um caso secreto. Seu divórcio também era, vocês continuam separados, apenas morando na mesma casa. — Ela pegou minha mão. Estava embasbacado demais para repelir — Então descobri que não podia te dar filhos. Foi o pior dia da minha vida. Você voltou pra ela, pelo seu clã. Mas continuamos nosso caso, secretamente…
Respirava com dificuldade.
Olhei pra ela, já acostumado com a escuridão, e percebi que ela sorria pra mim, tristemente.
Odiei aquele sorriso.
Minha família… essa mulher quer tirá-la de mim.
Senti minha raiva fluindo, gelando meu sangue.
Ela deve ter sentido, eu senti, meu chakra se expressando. Rompendo o selo.
Antes que pudesse reagir, peguei seu pescoço e o apertei com força.
— Sasuke-kun! Não! Por favor! Estou dizendo a verdade! Eu juro, pela minha vida! — ela suplicava com dificuldade.
— Se não liga em jogar com sua vida, não se importaria se eu a tirasse. — respondi, com a voz mais rouca que o normal.
Ela arregalou os olhos e eu sabia o porquê.
Meu olhos brilhavam na escuridão.
Vermelhos.
Não tinha chakra o suficiente para o Mangekyou, mas sentia as três vírgulas girarem.
Logo a eletricidade correu pelo meu corpo, o concentrei na mão que segurava o pescoço fino. O som dos mil pássaros já era audível.
Vou explodir a cabeça dessa cadela mentirosa!
— Não! Não! Sasuke-kun! Ouça! Ela não te mostrou os filhos ainda, não é? — Meu sorriso vacilou.
— Vou vê-los amanhã.
— Por que não hoje? Ela está te manipulando de novo! Está usando as crianças! Aposto que ela está em cima de você para engravidar outra vez! Essa é a arma dela! — Seus gritos eram desesperados. Provavelmente sentia que podia matá-la. E iria.
Comecei pensar em tudo o que me aconteceu desde que acordei aqui.
De fato, não conseguia pensar em nenhum bom motivo pra nem sequer ter visto meus filhos.
Lembrei que foi ela que veio pra cima de mim, mais cedo, logo depois que falei que tinha uma enfermeira interessada.
Voltei à realidade e firmei o aperto, ainda segurando-a pelo pescoço.
Seus pés não tocavam o chão. Seu rosto estava ficando arroxeado.
Fui até a porta, abri e joguei Karin para fora. Ela caiu longe e começou a tossir sem parar. Olhou pra mim ainda deitada, com alguns fios de cabelo cobrindo seu rosto, a marca da minha mão contrastava com a pele sem cor do seu pescoço. Sua expressão era assustada e seu olhos estavam inchados.
Interrompi o Chidori e meu olhos voltaram a cor normal, porém minha fúria ainda corria por todo meu corpo.
— Nunca mais me procure. Nunca mais olhe pra mim. Ou eu te mato.
Fechei a porta enquanto Karin chorava no chão. Sentei na cama, olhei para meu abdômen e vi a marca do selo intacta. Bom saber que esse maldito selo tem uma brecha.
Deixei meu corpo cair sobre o colchão, enquanto minhas pernas continuaram para fora. Meus membros começaram a ficar dormentes.
Eu tenho uma família.
Minha família é perfeita.
Perfeita.
Repetia pra mim mesmo, como se tentasse me convencer.
Acabei dormindo antes de realmente conseguir.
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