Reaprendendo a Amar

7 O Estranho, a Felicidade e o Cretino.


Notas iniciais
Eeeeeu volteeei! o/ E aí? Saudades? Eu fiquei. Desculpe a demora, tive um bloqueio criativo fodido. Na verdade, nem tô 100% demorei uma vida pra acabar esse cap... Acharam que eu tinha abandonado? Enfim. Desculpem os erros e boa leitura!

Ainda nem havia amanhecido quando eu parei de tentar dormir.

Nunca estive tão nervoso em toda minha vida. Pelo menos não que eu me lembre.

Fiquei dormindo em intervalos, minha mente estava ligada demais. Não dava pra relaxar completamente.

Primeiro fiquei com a história da Karin na cabeça. Reconheci que muito do que ela disse tem certa lógica, mas ainda assim não consigo, ou não quero, acreditar.

A Sakura de agora me parece tão forte e segura, certamente não aceitaria um marido infiel, como a ruiva disse que sou. Mas, em contrapartida, ela ainda é a Sakura, ou seja, ela me ama. Talvez a junção de uma Sakura ‘apaixonada’ com uma ‘decidida’ não mediria esforços para conseguir o que deseja: eu.

Não.

Não.

Não.

Ela jamais usaria os próprios filhos.

Não posso deixar aquela maldita oportunista foder minha mente.

Inferno!

Sakura não usaria os próprios filhos…

Próprios filhos…

Filhos dela…

Nossos…

Meus f…

Caralho!

Meus filhos!

Vou conhecer meus filhos!

No momento em que me dei conta disso, já não havia mais Karin nem Sakura. Nem nada.

Apenas aquela garotinha com quem troquei poucas palavras e o menino que ainda é uma incógnita pra mim.

Agora estou aqui, em plena madrugada, caminhando pelo recém descoberto jardim no fundo do hospital. Com a tensão em que estou, gostaria mais é de correr e até bater bem forte em alguma coisa. Liberar a adrenalina. Mas prefiro guardar minha escassa energia para mais tarde.

No fim das contas não descobri nada além do básico sobre as crianças, e isso me deixa ainda mais ansioso.

Ansioso para descobrir mais sobre suas personalidades, suas expressões e seus gestos.

Será que vou reconhecer algo dos meus pais ou meu irmão neles? Alguma característica, além da aparência, que me recorde da minha família mais antiga?

Será que eu posso ‘me’ reconhecer neles?

Sarada tem mais o jeito da mãe, pelo pouco que nos falamos. Mas e Raijin? “Alegre, mas se irrita com facilidade”, Sakura me disse algo assim… certamente, isso tem mais a ver comigo quando tinha essa idade.

E a relação deles? Como irmãos, como são um com o outro?

Será que brigam bastante, como eu e Itachi?

Eu sou realmente um bom pai?

Espera…

Mas como caralhos é ser um bom pai?!

Porra. Porra. Porra.

Eu não sei ser pai!

Eu estou me sentindo ridículo de tamanha insegurança que me deu.

E se eu ferrar com tudo?

E se eu disser algo que os magoe?

E se eles notarem que não me lembro deles?

Devia ter mandado Sakura me falar mais sobre eles.

Estou fodido!

E agora?!

Pensa! pensa!

É claro!

O álbum!

Volto para meu quarto rezando para que Sakura não o tenha levado de volta pra casa.

Já no corredor, diminuo a velocidade. Paro abruptamente assim que chego em frente à porta. Minha mão está no ar, centímetros distante da maçaneta.

Tem algo errado.

Sou invadido por uma estranha sensação de perigo.

E seja o que for, vem de dentro do quarto.

Sem mais esperar, abro a porta e a empurro, de modo que ainda permaneço fora do cômodo.

— Quem está aí? — Indago impaciente

Vejo alguém de costas para mim, olhando a vista da janela, até que se vira.

Não consigo acreditar quando reconheço quem é.

— Olá, Sasuke…

(...)

Não pense em nada.

Não pense em nada.

Senão seus filhos.

Nada.

Sinto a água quente do chuveiro cair em meu rosto e descer pelo meu corpo nu.

Já estou cansado desses joguinhos de quem fala a verdade ou não.

Depois da ‘conversa’ há pouco, estou decidido: vou descobrir o que realmente está acontecendo.

Só a ideia de estar sendo manipulado — de novo — faz meu sangue esquentar.

Mas não posso me deixar levar. Não hoje.

Sinto meu corpo relaxar cada vez mais, prova de que, de fato, não estou mais sob a maldição do ódio.

Ao menos disso eu posso ter certeza.

Saio do banheiro nu e com a toalha sobre os ombro. Sem terminar de me enxugar, já visto uma cueca e começo a arrumar minha mala. Não vejo a hora de sair daqui.

Ouvi toques na porta e, sem pensar, mandei que entrasse.

Quando me viro sou surpreendido por quatro mulheres: Tsunade, Sakura, Ino — se não me engano — e Saya. A última parecia que poderia desmaiar assim que me viu, deixou a bandeja com meu café sobre a mesa e saiu. Quase correndo.

Enfim, voltei à minha tarefa.

— Ei, moleque! Acha que isso é um hotel? — A velha peituda perguntou com a mão na cintura.

— Querido, pode ir se vestir, eu arrumo sua mala.

— Não é como se eu quisesse estar aqui, de qualquer forma. — Respondi à velha enquanto me vestia.

— Idiota — Ouvi Ino murmurar sem me olhar. Pelo visto, ela não gosta muito de mim. Menos dor de cabeça, então.

Assim que terminei, pus a alça transversal da mala sobre um ombro e fui em direção à porta, mas sou interrompido por uma mão no meu peito, me bloqueando.

— Devagar. Preciso fazer alguns exames antes de você sair. — Essa velha perece querer me irritar.

— Hm. Achei que você fosse uma aposentada. — Semicerrou os olhos e me empurrou, fazendo com que eu caísse sentado na cama.

Olho para Sakura e a vejo encostada numa parece, com os braços casualmente cruzados e com um olhar analítico sobre mim. Na certa está se perguntando o que poderia ter me causado esse mau humor.

— Eu sou uma conselheira! Mais respeito, moleque! — Ligou uma luzinha nos meus olhos e começou a escrever numa prancheta — E como a diretora do hospital está de folga por questões pessoais, voltei para substituí-la.

— Hm. E essa aí? Não faz nada? — Indaguei indicando a outra loira, que corou de raiva.

— Sasuke! Qual é o seu problema? — Minha esposa resolveu se expressar, vindo em minha direção com as mãos na cintura. Não respondi.

— Estou aqui pela minha amiga, que não tem culpa de o marido ser um canalha. — Ino me olhava furiosa.

O clima está tão pesado que parece palpável. Pelo visto, Ino não apenas não gosta de mim, ela simplesmente me odeia. Estávamos em silêncio absoluto até minha mulher intervir novamente:

— Chega! Ino, menos! Tsunade, vamos deixá-los à sós, sim? E Sasuke, seja lá que merda te deu, acho bom você melhorar esse humor! — E saiu com a velha.

Assim que a porta se fechou, ouvi:

— Ajoelhe-se. No chão.

Virei o rosto para a loira ao meu lado e sorri com escárnio.

— Sonhe com isto.

— Então deite-se. — Rolou os olhos, entediada.

— Não. — Levantei, já sem a alça no ombro, e a encarei de cima — Ino, Ino… “Ajoelhe-se”? “deite-se”? Tsc. Tsc. Tsc. Eu sou casado. — Ela não recuou e revirou os olhos novamente.

— Idiota. É o melhor jeito pra examinar sua mente.

— Minha mente? Está alucinando se acha que vai entrar na minha cabeça.

— Na verdade, já era pra eu ter feito esses exames assim que acordou. Então facilite meu trabalho, sim?

— Não precisa, pode ir embora.

— Você não manda aqui, esse é o meu trabalho. Anda logo, para terminarmos com isso.

— Você. Não vai. Entrar. Na minha. Cabeça.

— Não é como se eu quisesse. — Sorriu sinica pra mim.

Ino se tornou uma bela mulher, devo admitir.

Mas não tanto quanto Sakura. A loira não tem tanto charme ou presença, na verdade aparenta ser bem escandalosa. Não é bem meu tipo. Muito menos parece ter classe pra carregar meu sobrenome.

Vejo que fiz a melhor escolha.

Deve ser por isso que ela me odeia.

— Por que você não fez os exames assim que acordei?

— Porque… não deu.

— Não deu?

— Tinha outras coisas pra fazer.

— Mais importantes do que um velho amigo recém acordado de um coma? — perguntei sem conseguir conter um sorriso. Ainda era ridiculamente fácil manipulá-la.

— Você não é um velho amigo. E, ao contrário do que pensa, o mundo não gira em torno de Sasuke Uchiha.

— Estava evitando me ver, não é? — Ela me olhou com os olhos arregalados — Está recentida porque não te escolhi pra ser a senhora Uchiha, não é? Por que escolhi a sua melh… — fui interrompido por um tapa no rosto, forte o suficiente para eu olhar em outra direção.

Assim que volto meus olhos para Ino, ela já saia pela porta à passos pesados.

Mais alguns instantes e Sakura apareceu.

Só que, diferente do que eu imaginei, ela não parece que estar com raiva ou de mau humor pelo meu comportamento. Na verdade, parece estar cansada. Se recostou na porta e começou a massagear levemente o próprio rosto, seus olhos estão fechados. Se não fosse de manhã, poderia jurar que ela trabalhou um dia inteiro.

— O que foi? — Ela me pergunta, sem ainda olhar pra mim.

Como não sei o que responder, permaneço em silêncio.

— O que você quer? — Muda a pergunta, finalmente me olha — O que mais você quer?

A verdade, penso em responder.

— Sabe, Sasuke, eu não sei mais o que fazer. Estou exausta. Achei que estava tudo bem, principalmente depois de ontem… quando acordei hoje, eu estava feliz, aliviada, depois de quase te perder, de tanto tempo olhar para o seu corpo imóvel… — Ela interrompe a fala com um suspiro — Mas depois de passar cinco minutos com você… você conseguiu estragar tudo. Eu já não sei mais o que fazer, como devo me portar com você… não suporto mais suas inconstâncias…

Seu olhar me passa toda a tensão em que ela está. E a culpa me corrói.

Mais uma vez estou fazendo ela sofrer.

Que merda! O que tem de errado comigo!?

Ela me trás tanta paz…

E eu só devolvo dor.

Me aproximo dela e envolvo seu rosto com minhas mãos. Ela está de olhos fechados. Encosto nossas testas, de modo que sinto sua respiração pesada diretamente no meu rosto.

— Sinto muito. — Sussurro — É só que… é muita coisa pra digerir.

— Eu sei… — Ela abre os olhos e me afasta, deixando-me confuso. Por que está me afastando? — Por isso acho melhor pararmos de fingir que somos marido e mulher.

— Mas… como assim? Não somos? — Meu coração está acelerado, o que diabos ela quer dizer com isso?!

— Não. — Não contenho minha surpresa com tal afirmação, tão clara. — Você é o Sasuke-kun de doze anos atrás. Eu te amo. Mas você não é meu marido. Não é meu Sasuke. Você é egoísta e imaturo, até cruel. Meu marido não era nada disso. Ele era um bom homem. Que vivia para a vila, para os filhos… e para mim. Então, você não é meu Sasuke.

Cambaleio para trás, completamente aturdido.

— O que?

Ela não me responde, apenas fica me como se esperasse alguma resposta minha e, pela primeira vez, vejo fragilidade nessa Sakura.

Tento me aproximar de novo, mas ela levanta a mão, me impedindo, e abre a porta.

— Vou falar com Tsunade, pode me esperar lá embaixo, não vou demorar. — E sai.

Posso ouvir meus batimentos acelerados.

Eu estou com medo. Muito.

Ela… ela… não me desculpou…

Ela não disse que está tudo bem…

Essa sensação ruim, meio desesperada, faz meu sangue gelar.

E que coisa repentina! Como assim ela está exausta? Do nada!? Mas estou acordado há poucos dias!

Ela… ela não não se divorciaria, certo? Ela me ama! Ela disse isso!

“mas você não é meu Sasuke”...

Que porra!

O dia começou uma merda!

Desço no elevador, carregando a mala, até o térreo e sigo para a porta de entrada e saída do hospital, ignorando os olhares em minha direção.

Assim que chego, conto exatos dezesseis minutos e vejo minha esposa vindo ao meu encontro. Ela está usando um vestido de novo, dessa vez branco. Vê-la caminhando até mim, tão graciosa de cabelos soltos, me faz me repudiar por fazê-la sofrer.

Tsc. Eu não posso perder essa mulher.

Assim que ela chega perto, percebo sinais de choro.

— Vamos? — Apenas assento em resposta.

Seguimos em silêncio. Mais uma vez a insegurança me domina. E ainda tenho mais a Sakura para me preocupar. Tsc.

Não me lembro de ter estado tão nervoso. Meu coração bate em descompasso.

Preciso me concentrar nos meus filhos agora.

Meus filhos.

Minha família.

Meu sangue.

Eu vou conhecê-los.

Céus. Preciso me acalmar!

— Relaxa, vai se sair bem. — a voz calma de Sakura me surpreende. Talvez a ideia de estar perto dos filhos tenha melhorado seu humor também.

— Eu sei — Olho pra ela e ela sorri.

— Não precisa mentir, sei que está nervoso. — Continuo a encarando inexpressivo.

— Não estou. — Ela apenas arqueia uma sobrancelha e aumenta o sorriso.

— Mentiroso.

Com sua última fala, me rendo.

Sorrio discretamente e olho para frente, pego sua mão, entrelaçando nossos dedos e confesso:

— Estou quase tendo um treco.

O som da sua gargalhada me faz sorrir mais. Que alívio ouvir suas risadas…

De canto de olho, percebo que ela está limpando lágrimas novamente, mas de felicidade.

A paz começa a me tomar novamente.

Um pouco tarde, percebi que eu preciso mudar. Preciso me adaptar a essa vida. Aproveitar apenas.

Ela para de repente e sorri para mim. Minha expressão é confusa e até impaciente.

Tsc. Quero chegar em casa logo.

— Chegamos.

Olho para a casa alarmado.

Minha casa.

É uma bela casa. Grande e discreta. Vejo o o símbolo do meu clã na porta e meu coração acelera ainda mais.

Acho que vou mesmo ter um treco.

Sinto a mão de Sakura apertar a minha.

— É agora. Pronto? — Ela me pergunta sorrindo, encorajando-me.

Aceno positivamente em resposta e ela me guia até a porta e gira a maçaneta, devagar demais para minha sanidade.

Assim que dou meu primeiro passo para dentro, o primeiro sentido estimulado é o olfato. O suave cheiro de Sakura está em todo o ambiente.

A porta é fachada atrás de mim, percebo que estou numa espécie de sala de estar, com dois sofás paralelos e uma mesa de centro. Na parede à direita há uma enorme estante com muitos livros e porta retratos. À frente está a escada que vai para o primeiro andar e, ao lado da escada, uma porta. Na parede à esquerda há uma entrada para outra sala, porém a de jantar, que é separada por um alto balcão da cozinha.

— Mamãe, é você?

Minha respiração trava quando vejo minha filha saindo de trás do balcão, de pijama vermelho e com um copo na mão.

Ela para assim que me vê, parece tão aturdida quanto eu.

E então sorri.

O mesmo sorriso do hospital. Grande e alegre.

— Sarada… — Minha voz sai rouca.

Atônito, ajoelho-me , e minha filha abandona o copo e vem correndo até mim, abraçando-me forte. Sem nem pensar, também envolvo seu pequeno corpo com cuidado.

— Papai! Que saudade…! — Sua voz sai abafada por estar com o rosto enterrado no meu pescoço.

— Sarada… filha…

Fecho os olhos e fico abraçado com minha filha por um tempo infinito, que ainda parece pouco.

Céus! Eu mal a conheço e já a amo.

Acaricio seus cabelos.

Agora eu sei, eu sinto, eu não estou perdido.

— Tsc. Que barulheira é essa…? — Ouço outra voz infantil e acordo do transe.

Sarada solta o abraço e se vira para a escada. Sigo seu olhar e encontro meu caçula de pijama azul escuro, segurando um dinossauro de pelúcia com uma mão e coçando um olho com outra.

— Rai! Veja! É o papai! Ele voltou! — Raijin então olha pra mim e sorri, tão abertamente quanto a irmã, senão mais.

Ele corre em minha direção e, para minha maior surpresa, pula no meu pescoço me fazendo perder o equilíbrio e cair para trás com ele em cima de mim.

Ouço sua gargalhada tão contagiante, o melhor som que já ouvi, e me sento no chão mesmo, sem desgrudar do meu menino.

— Oi, papai! Você demorou…! — Aperta ainda meu pescoço.

— Eu sei… desculpe…

Eu jurava que já tinha seus rosto decorados, de tanto olhar suas aquelas fotos, mas a experência de vê-los de verdade, de estar com eles é totalmente inconcebível de imaginar. Encaro cada um, tocando seus rostos, rezando para que não seja um deírio meu.

Porém, para minha maior glória, eles são absulutamente reais!

— Papai, tá chorando? — Sarada pergunta, e limpa meu rosto. — Nunca te vi chorando.

Sorrio para minha filha.

— É que estou muito feliz.

— Estava com saudades papai? — Raijin solta o abraço.

— Não tem idéia do quanto…

— Tá tudo bem? O senhor tá diferente… — Sarada indaga preocupada.

— Estou bem — Suspiro e os puxo para outro abraço — Apenas estava com muita saudade…

— A gente também ‘tava…

— Amo você, papai…

Completo.

Sinto que estou totalmente completo.

Aliviado também.

Toda dor que senti…

Todo vazio…

Não existe mais.

Não mais.

Foi tudo substituído por um sentimento bom.

Talvez seja esperança… não sei ao certo.

Só sei que é bom.

Ainda sinto falta dos meus pais e meu irmão, é claro. Muita falta.

Mas não é mais doloroso.

Não cabe nenhuma dor nesse abraço apertado.

Ouço um soluço atrás de mim e nos soltamos para olhar. Sakura estava com os olhos inchados de tanto chorar, sentada sobre as próprias pernas, mas sorria nos olhando.

— Mamãe, vem cá. Só falta você! — Rai a chama e ela me olha hesitante.

Estendo minha mão, reforçando o convite, e ela aceita, vindo até nós. Segurando a mão que ofereci, se senta de frente pra mim, Sarada logo vai para seu colo.

— Mamãe? Tá triste?

— Não, meu amor. Estou feliz. Muito.

— Tá com ciúmes do papai? — Sakura solta uma risada com a genuína dúvida da filha. Eu sorrio também.

— Não. Estou chorando de felicidade, por estarmos todos juntos. Finalmente. — Ela me olha brevemente e para Raijin antes de voltar para Sarada. — Eu amo vocês.

Sakura beija a testa dos filhos e depois meus lábios demoradamente. Aceito o carinho e percebo que senti falta desse toque. Ela não se afasta após o beijo, nem eu tampouco, nosso narizes e testas continuam se tocando.

E permanecemos assim. Com nossos filhos nos abraçando. Raijin está com a cabeça apoiada no meu ombro e Sarada no dela.

Ninguém mais falou.

Ficamos apenas aproveitando o momento, o abraço aconchegante.

Até as crianças adormecerem.

(...)

Levamos os meninos de volta ao quarto deles. Depois de colocá-los nas camas, eu e Sakura ficamos na porta, observado-os.

— Desculpe ter demorado tanto para te trazer de volta…

— Não se preocupe — Olho para ela, mas ela não me olha de volta — Agora eu entendo, você não deixaria nada de mal acontecer à eles…

— Exatamente. — Finalmente ela se vira pra mim. — Vou lavar meu rosto. — E sai.

Ela está me evitando.

Permaneço olhando para meus filhos dormindo e sorrio. Achei a minha fonte de felicidade.

Com toda essa calmaria, um forte cansasso me bate. Como se meu sono cobrasse pela noite que passei em claro.

Olho no relógio do criado mudo de Sarada e vejo que mal passou das seis. Dá pra eu dormir ainda.

Fecho a porta das crianças e vou em direção à que Sakura entrou, dando de cara com um belo quarto, de parede azul escuro e com o leque branco e vermelho desenhado na parede acima de uma cama de casal. Diferente dos outros cômodos, que possuem cores claras e alegres, o quarto é escuro e mais… sóbrio, de certa forma. Mas não deixa de ser aconchegante.

Vou direto para a cama e me deixo desabar, quase solto um gemido ao sentir o colchão, infinitamente mais confortável do que o do hospital.

Não que eu esteja reclamando. Já dormi em lugares muito piores, e dormiria de novo sem problemas. Mas eu sei reconhecer e apreciar uma cama confortável.

A porta do banheiro se abre e quando olho me deparo com uma Sakura nua, molhada e de cabelo preso caminhando até o outro lado do — grande — quarto, onde está o armário de roupas. Ela abre uma porta e pega uma toalha, secando-se, e em seguida abre outra com um monte de camisetas minhas penduradas, abre uma gaveta e pega uma peça branca, vestindo e soltando o cabelo em seguida. Tudo de costas pra mim, como se ignorasse minha presença.

Nenhum daqueles movimentos foi particularmente sensual, mas não tinha como não olhá-la se secando e se vestindo. Claro que o fato de ela estar nua já é chamativo o suficiente, mas seu jeito me encanta, não sei como nem porquê.

Ela apaga a luz, se aproxima da cama e deita virada pra mim, ficamos um tempo nos encarando.

— Você está be…?

— Sakura — Interrompo — Quero deixar claro uma coisa… — Ela me olha surpresa e acente — Sobre mais cedo… eu… prometo que vou mudar. Você vai me amar de novo. Eu voltarei a ser seu e você continuará sendo minha. Só me prometa nunca me deixar. — Encaro decidido, seus lábios estão entreabertos — Acabei de ganhar uma família… não a tire de mim.

— Eu jamais faria isso!

— Prometa.

Ela se aproxima e me beija.

— Eu prometo. Nunca vou te deixar. — E deita sobre meu peito.

— Hm. E você ia apenas lavar o rosto?

— Ah, sim. Mas decidi tomar um banho para dormir melhor… só me esqueci da toalha. — Fecho os olhos e sorrio com a resposta — Só mais um detalhe: eu não vou te amar de novo… porque eu continuo te amando, mesmo quando você é um cretino.

Rio pelo nariz.

Sakura é realmente irritante.

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Notas finais
E aí?? Gostaram?? Gostaram do encontro?! Tentei imaginar o Sasukito numa situação dessa, na qual não tem como não expressar sentimentos... Eu sei que eu disse que não ia ficar descrevendo ambientes, mas a casa deles merece, né?! E pra quem acompanha Devoção, infelizmente vou demorar mais um pouco pra atualizar /: Só pra vocês saberem, eu sou de exatas, okay? Escrever não é bem meu forte... Então paciência hahaha COOOOMENTEEEM! Até o próximo! Beeeijos!