Reaprendendo a Amar

2 Explicações: pior do que poderia imaginar.


Notas iniciais
Sabe uma pessoa ansiosa? Que perde o sono com facilidade..? Então, eu sou assim... Como o primeiro capítulo ficou muito curtinho e já tinha outro pronto, resolvi postar também. Espero que gostem!

Que merda está acontecendo? Estou perdendo tempo demais aqui! Estou puto! Mais do que puto!

Isso já está ficando ridículo!

Levantei da cama e fiquei de pé, tirando aquele monte de fio ligado em mim e segurando o lençol envolta do quadril, preciso achar alguma roupa. Procuro no armário de madeira perto de mim, mas só acho mais lençóis. Maldição!

Ouço novamente a porta se abrindo e me viro com o Sharingan brilhando, estranhando a sensação. Ele não me causa mais dor, nenhuma mesmo, além parecer mais nítido.

— Sasuke? — Ouço a voz doce da mulher que acabou de entrar, despertando-me do transe, e olho pra ela sem realmente acreditar no que vejo.

— Sakura? — Perguntei hesitante. Parecia muito com minha ex companheira de time, mas não podia ser, a mulher em minha frente era bem mais velha.

No entanto, os traços do seu rosto, seu cabelo rosa agora compridos até a cintura e principalmente os olhos tão verdes me confundiam. E esse olhar, só há uma pessoa que me olha assim.

Ela sorria pra mim, como se me ver fosse um alívio. Seu sorriso parecia tão sincero que quase me deu vontade de sorrir também. Quase.

E então veio correndo em minha direção — não pude prever, pois meu olhos voltaram ao normal — e pulou agarrada em meu pescoço, inebriando-me com seu cheiro doce.

— Sakura? — repeti a pergunta.

— Graças a Kami você acordou, estava desesperada! — disse com voz baixa e embargada de choro enquanto acariciava meu cabelo.

— Sakura? — sei que parecia um idiota repetindo seu nome, mas estava sem reação.

Porra, por quanto tempo eu dormi?

— Sou eu mesma, querido. Está se sentindo bem? — perguntou se afastando e segurando meus rosto com suas mãos de forma carinhosa. Analisei seu rosto novamente, porém me negando a acreditar.

Sakura sempre foi bela, mas seu rosto angelical estava mais... maduro. Não tinha mais os traços de menina e sim o de uma mulher. Olhos maiores, nariz fino e lábios carnudos formando seu sorriso aberto, sua testa carregava um losango igual ao da Hokage.

Linda, simplesmente.

Assim que fui analisar seu corpo, percebi que ainda estamos muito próximos e que meu braço esquerdo estava envolvendo sua cintura, enquanto o direito segurava o lençol de maneira frouxa. Me afastei bruscamente ao me lembrar da minha nudez, que tratei de tapar melhor, fazendo esforço para não corar.

— Sakura. O. Que. Está. Acontecendo? — perguntei da forma mais imponente que pude, porém estava claramente hesitante. — Quero explicações. Agora.

Ela desmanchou seu sorriso, inspirou profundamente e perguntou séria:

— Qual sua última lembrança?

— Estava lutando contra o Hachibi. Responda minha pergunta.

Seus olhos vacilaram e seus lábios se separaram. Sua expressão era a de alguém que recebeu um golpe doloroso. Mas então se recompôs, limpando os vestígios de lágrimas.

— Há seis semanas, você foi pego numa emboscada durante uma missão, foi trazido de volta à Konoha inconsciente. Com exames, concluímos que o trauma sofrido acarretaria numa possível perda de memória, mas não era possível saber a gravidade dessa perda e nem se ela é temporária. Isso só seria possível saber quando, se, você acordasse. — Dizia calmamente e de forma profissional, lembrei que ela tinha se tornado uma médica ninja — Agora, pelo seu relato, infelizmente concluo que sua amnésia é mais grave do que imaginava. — Finalizou limpando uma lágrima que teimou em descer por seu rosto.

— O que...?

— Você ficou em estado de coma por quarenta e três dias. Além da amnésia, seu corpo estava gravemente ferido, porém consegui curá-lo antes que o pior acontecesse. Você está enfaixado assim para que seus ossos ficassem no lugar, por precaução. Então fisicamente, está curado.

— Por que me trouxeram para Konoha? Onde está o Taka?

— Suigetsu, Karin e Juugo estão em missão, acredito. Você foi trazido pra cá porque você mora aqui.

Ao ouvir isso, não pude deixar de dar uma risada sarcástica. Sakura só mudou fisicamente no fim das contas, por dentro continua a mesma menina ingênua querendo me trazer de volta para formarmos uma família feliz.

Ainda com um sorriso no rosto exigi:

— Tudo bem. Entendi. Agora me dê minhas roupas.

Mais um suspiro profundo dela.

— Darei suas roupas. Mas primeiro me responda: — Ela caminhou até um banheiro que tinha no quarto e voltou carregando um espelho em uma das mãos — Quantos anos você tem?

— Tsc. Dezesseis.

— Não, Sasuke — respondeu de forma rude, fazendo com que eu sentisse falta do sufixo, e me entregando o espelho — Você tem vinte e oito.

Louca. Ela só podia estar louca.

Impaciente, peguei o espelho e assim que olhei para o reflexo quase o deixo cair. A mão que segurava o lençol também vacilou e fiquei exposto. Aturdido, não dei a mínima para minha nudez, e a mulher ao meu lado tampouco. Sentei-me na cama ainda olhando meu reflexo.

Era eu. Mas não era.

Era meu rosto, mas envelhecido. Minha mandíbula estava mais angulosa, meu rosto todo estava. Estava magro, provavelmente devido ao coma. E tinha algumas linhas de expressão nos meus olhos e entre minhas sobrancelhas. Eram leves, mas mesmo assim era assustador, afinal, elas não estavam aqui ontem!

Voltei a olhar para Sakura, que me deu um sorriso triste.

Deixei o espelho de lado e observei mais minuciosamente meu corpo.

Como não notei antes?

Minhas pernas estavam mais musculosas, meus braços e meu tórax pareciam maior. Eu estava maior, mais alto.

Puta que pariu, até meu pênis estava!

Voltei a sentar na maca, cambaleante. Em choque. Olhava para o nada, tentando organizar meus pensamentos e falhando miseravelmente.

— Você está bem? — ouço-a perguntar.

— Tsc. O que você acha? — Respondi, esperando que abaixasse a cabeça melancolicamente por causa da minha rispidez, mas ela continuou a me encarar com a expressão séria, como se desconsiderasse minha resposta.

Agora nada, nunca mais, poderia me surpreender.

— Estou tentando não enlouquecer. — confessei, por fim.

— Eu sei que é muita informação pra digerir — Sua voz era quase um sussurro — Se quiser, eu posso te dar um calmante. — Completou, sentando ao meu lado.

— O que eu menos quero é dormir. Preciso de mais detalhes.

Mais um suspiro profundo. Ela parecia estar muito cansada, suas olheiras profundas acusavam noites mal dormidas e muito choro.

— Tudo bem, vou tentar resumir os últimos doze anos. Só não me interrompa — Acenei em resposta, concordando — Você é Sasuke Uchiha, vinte e oito anos, marido e pai, shinobi e Capitão ANBU da Aldeia da Folha.

— O qu..? — Estava prestes a protestar, mas minha boca foi tapada pelas pequenas mãos da Haruno.

— Sem interrupções, qualquer dúvida eu esclareço depois que acabar.

— Continue — Murmurei sob os dedos finos. Mulher insolente, continua irritante.

— Tudo bem, mas tenha em mente que muito do que eu disser, foi o que você me contou, então não posso dar detalhes. — Assenti novamente e ela retirou sua mão

Sakura começou a contar a história. Tão confusa e tão aparentemente improvável. Eu a ouvia atentamente, completamente inexpressivo, olhando para a parede. Tentava digerir toda aquela informação, mas parecia surreal demais. Mexi meus braços e notei que o esquerdo estava completamente enfaixado, até nos dedos, enquanto o direito tinha gaze só até o pulso.

— É uma prótese feita com as células do Hashirama — Ouvi Sakura responder minha pergunta muda — A do Naruto é no braço direito.

— E depois? — Minha voz soou entediada, ainda não sabia o que pensar.

— Você voltou para Konoha, Kakashi-sensei se tornou Hokage e te concedeu o Perdão Oficial. Alguns meses depois você partiu de novo, mas avisou antes — Ela olhava para mim, provavelmente se lembrando de algo, com um sorriso singelo. Levou uma mão até a testa e seu sorriso aumentou — Dois anos depois você voltou. Começamos a namorar e nos casamos. — Ela já me encarava, mas continuava sorrindo de forma doce.

Não me surpreendi com essa última informação. E então me lembrei: "marido e pai".

— Temos quantos filhos?

— Dois. Sarada e Raijin.

— Aquela menina que veio aqui...

— Sarada. — Seu sorriso aumentou ao dizer o nome da menina — Eu disse pra ela não ficar vindo aqui, que você precisava dormir. Ela tinha idéia que seu estado era grave, vinha aqui escondido pra conversar com você — Disse enxugando os olhos úmidos — Eu fiquei ouvindo uma vez atrás da porta. Foi o dia em que mais rezei para que você acordasse. Aquelas crianças te amam tanto...

Céus! Eu tenho filhos!?

Agora entendo o porquê de aquela menina me parecer familiar: ela tinhas minhas características físicas e o jeitinho da Sakura de quando éramos crianças.

— Quero conhecê-los — Disse ainda de forma entediada, voltando a encarar a parede.

— Não.

Realmente, essa mulher ainda consegue me surpreender, mesmo depois de tudo isso. Tsc.

— Como 'não'? São meus filhos não são? — Mesmo com mente confusa e exausto com o choque de emoções, confesso que dizer "meus filhos" me aqueceu de uma forma inexplicável.

— São seus filhos, mas também são meus. Eles te amam demais, Sasuke, se desconfiarem que você não se lembra deles, ficarão arrasados. E eu não vou permitir que alguém os machuque. Nem mesmo você. — Sua voz era dura, autoritária. Eu quase sorri, orgulhoso.

— Então não vou vê-los nunca mais? Qual a lógica de afastá-los de mim, se me amam tanto?

— Vai vê-los, mas só depois de saber tudo sobre eles.

— Quer que eu minta?

— Quero que tenha a decência de não decepcionar as pessoas que mais te idolatram no mundo! — Sua voz saiu mais rude ainda.

— Tsc. Tudo bem.

Ela ainda me olhava com olhos estreitos, como se não confiasse em minhas palavras. Não me parecia mais a garota chorona que vivia atrás de mim. Eu estava conhecendo uma nova Sakura.

E estava começando a gostar.

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Notas finais
Tchaaaan! E aí, o que acharam?