Reaprendendo a Amar

18 Despencando do Paraíso


Notas iniciais
Oooi gente!! Tudo bom? Três capítulos em menos de um mês?? Acho que esse é meu recorde kk Tifa Strife, amei sua recomendação!! Sério! Nunca esperava essa recepção maravilhosa ♥ 1.Quero dizer que agora a ficha vai ficando mais clara 2.Imagino que já saibam quem era o "estranho", hihi. Sem mais, Boa leitura!

Sakura me abraçava com força enquanto eu a agradecia internamente por não sei exatamente o quê. Continuávamos ali no pé da escada, numa posição não exatamente confortável, entre sentados e agachados.

Eu estava com tanta raiva que desta vez os carinhos desesperados de minha esposa não conseguiam me acalmar por completo e eu entendi que isso se dava ao fato de que uma parte de minha ira era direcionada a ela.

Sim! Exatamente! Eu estava com raiva de Sakura. Dela e de sua mania de me dar apenas meias palavras, de seu egoísmo por me esconder quem sou e quem fui. Talvez seu real desejo fosse me tornar tão pateticamente a mercê de seus cuidados.

Seu pedido, naquele parque, me vinha à cabeça com amargor. Suas súplicas me pesavam.

Agora eu entendo!

Ela está descontando todo o mal que a fiz! Me deixando com pena de mim mesmo, me enchendo de remorso, para que apenas ela pudesse cuidar de mim, juntar meus pedaços, como sempre fora seu sonho.

E isso era tão óbvio.

Eu estou fraco, incapaz de me afastar. Exatamente como ela sempre quis.

Solto-me de seus braços e me levanto, sem encarar aqueles olhos que eu sei que estão cheios de falsa piedade.

—Querido, não pode sair. É perigoso quando você está tão…

—Preso! — interrompo. Minha voz denunciava minha cólera.

Saio pela porta da frente com passos pesados, não a ouço me seguir, mas isso não significa que estou sozinho. Eu não consigo ouvir muita coisa no meu estado. Sigo meu caminho sem destino, andando sempre por ruas pouco movimentadas.

Nuvens negras começam a aparecer, denunciando uma forte chuva, e com elas chegam aquele típico vento gelado, que fazem as árvores se agitar.

Meu coração vai se apertando cada vez mais e meus olhos começam a arder. Recuso-me a chorar. Não vou me prestar a esse papel. Não consigo, porém, deixar de pensar em coisas melancólicas, como se minha mente me obrigasse a derramar rios de lágrimas.

Depois de travar essa batalha interna, entro em uma viela sem saída e me rendo.

Estou exausto demais. Gostaria tanto de poder voltar no tempo, quando tudo era mais fácil.

Quando eu não sentia remorso, não era esse ser patético que chora encostado em um muro, quando não me importava com nada além do meu objetivo.

Eu gostaria de poder fugir.

Ir para algum lugar desconhecido e viver sozinho.

Meus filhos? Tenho certeza que estarão muito melhor sem mim. Eu não os mereço e eles não me merecem.

Mas eu tenho medo. E isso me enche ainda mais de repulsa.

Desde quando eu tenho medo?

Ah, sim. Desde o momento em que acordei naquele hospital, desde o momento em que tive meu chakra selado.

E outra onda de ódio me tomou por completo.

Quem eles pensam que são para me selarem? Ninguém pode me obrigar a viver uma vida que não quero. Não quero viver em Konoha, não quero essa falsa esperança de ser uma boa pessoa, pois agora eu sei que não sou.

Achei que já estivesse amando Sakura — ou “ainda”, como Naruto pontuou — mas estava claro agora que foi um momento em fui tomado por uma fantasiosa alegria, estava vivendo em um oásis, inebriado pela ideia não estar mais sozinho. Em suma, estava perdido.

Com meus filhos é diferente. Eles são meu sangue, e isso era incontestável. Não sei se o que sinto chega a ser amor, não me lembro do que é sentir amor. Sei apenas que morreria por eles, isso é minha certeza, eles são o futuro do meu clã.

Quando percebo, já havia parado de chorar e as primeiras horas de chuva começaram a cair. Ergo meu rosto e, com minhas duas mãos, jogo meu cabelo para trás.

Aqueles pingos pesados de água gelada me relaxam. Meus pensamentos foram, aos poucos, ficando mais claros e conexos.

Uma idéia se instala em mim e começo a ficar mais desperto. Levanto-me, saindo finalmente daquele estado degradante de autopiedade. Reparei que estava descalço só agora, mas não me importo muito, o chão agora gelado era confortável.

Recomeço a caminhar, agora mais tranquilo e com um destino em mente. Não tenho certeza se ele mora no mesmo lugar, mas prefiro acreditar que sim.

Não demora muito e me encontro de frente àquele prédio familiar. Toco a campainha, ainda incerto se a mesma pessoa se encontra naquele apartamento. Como não obtive nenhum sinal de resposta, volto a apertar aquele botão branco, mas ainda nada acontece. Sem estima de ser atendido, olho para o céu, como se buscasse uma nova idéia. Talvez eu deva apenas voltar a caminhar.

Ouço a porta finalmente se abrir e uma sombra de alívio me atinge quando vejo que estava certo.

Ele poderia ter sido Hokage, mas continuava humilde o suficiente para morar no próprio apartamento sem luxo algum.

—Olá, Sasuke! — meu artigo sensei sorri por baixo da máscara, sem parecer surpreso com o fato de eu estar ali.

—Kakashi. — Olho-o firme.

Creio que se há alguém que pode me dar resposta exatas, seria ele. Alguém que não faz joguinhos, alguém que não me odeia nem me ama o suficiente para mentir ou dizer meias verdades.

—Vamos, entre. — Hatake abre espaço pra mim e fecha a porta assim que entro.

Porém ele me pára antes que eu dê outro passo e me entrega uma toalha, não porque ele está preocupado com minha saúde ao me ver todo ensopado, mas porque vou encharcar todo o caminho até seu apartamento.

Seco-me o máximo possível e finalmente seguimos. Nenhum dos dois disse qualquer palavra durante o trajeto. Ele tinha aquele ar despreocupado costumeiro, estava mais velho do que me lembro, é claro, mas ele não mudara quase nada. Pude observa-lo melhor agora do que na primeira vez que não vimos.

Ao chegarmos, Kakashi me dá licença para entrar.

—O banheiro é por ali, se essa toalha estiver muito molhada, tem outra no armário. — olho-o sem entender. — vou fazer um chá enquanto toma banho.

—Não quero tomar banho, nem chá. — digo sem emoção, entendendo o que quis dizer.

—Você quer respostas, eu sei. Você veio mais tarde do que previ. Mas é melhor você tomar um banho quente. Quanto ao chá, de qualquer forma, vou fazer para mim. — estava prestes a protestar outra vez quando ele retorna a falar — acalme-se, garoto, direi tudo o que sei, até o que não gostaria de ouvir, assim que tomar banho.

Sentindo-me vencido, acatei sua imposição.

Dentro do banheiro, livrei-me daquela roupa molhada e encarei minha imagem no espelho. Olhei de perto, como se pudesse, de alguma maneira, desfazer aquela imagem refletida, como se fosse uma daquelas ilusões de ótica que enganam a vista num primeiro momento mas que vai ficando mais claro quando seus olhos se acostumam. Continuei encarando dessa forma, como se fosse me acostumar.

Durante essas semanas em que estive acordado, nunca cheguei nem perto de me encarar desta forma, meu reflexo passou a ser desconfortável pra mim. Não por conta de uma baixa autoestima, ou uma daquelas inseguranças para com meu próprio corpo, como Sakura ou outras mulheres costumam ter, mas porque eu não me reconheço.

Agora tenho marcas e cicatrizes que parecem antigas e que não sei como ou quando elas surgiram, minha barba mais espessa denunciava que não tenho a idade que tinha.

Antes, na minha casa, quando me surgiam tais pensamentos, eu apenas os ignorava. “Esse sou eu agora”, pensava, como se para me fazer acreditar.

—Esse sou eu agora. — disse para o homem que me olhava com incerteza.

Liguei o chuveiro e deixei a água quente relaxar meus músculos. Posicionei-me para que o jato caísse sobre um ombro e depois outro, massageando minha tensão. Depois de passar um tempo que considerei suficiente para diminuir minha inquietude, desliguei a água e me sequei com a mesma toalha.

Ouvi a porta bater.

—Hey, pode ir ao meu quarto depois e vestir-se. — a voz abafada de Kakashi veio do outro lado.

Não me fiz de constrangido, não estava. Na verdade estava tão exausto com tudo que nem me importo em vestir roupas de outro homem.

Quando voltei a sala, ele me esperava sentado em uma poltrona. A chuva caía forte lá fora, o aroma do chá impregnava o ambiente, junto ao cheiro de terra molhada que entrava por uma janela entreaberta.

—Fique a vontade.

Sento-me no sofá, ficando quase de frente a ele.

—Vai me dizer tudo o que quero saber? — questiono sem rodeios.

—Direi tudo o que sei. Não sei de tudo, mas o pouco, acredito, é verdadeiro. Alguns fatos, eu tenho certeza de sua veracidade, outros, não são fatos, são conversas.

—Cansei de conversas. Cansei do “talvez”. Preciso de uma informação palpável, crível, pelo menos.

—E por onde começo?

Travei por um instante. Não sabia responder.

—Comece… por meu retorno… — pedi vagamente.

—Muito bem. Pelos meus cálculos, você teve um total de quatro retornos a Konoha.

—Explique.

—Explicarei. Mas peço que não me interrompa.

“O primeiro, foi após a guerra; você havia percebido que valia a pena lutar pelo lar que seu irmão tanto sacrificou para salvar. Deve estar se perguntando o porquê e essa resposta eu não conseguirei te dar; por mais que eu fale, não será suficiente. Digo que seu irmão morreu honrado em ser um Shinobi de Konoha, mas veja, você não tem como saber disso, pois toda essa discussão consigo mesmo foi jogada ao vento. Suas evoluções foram apagadas junto a sua memória.”

—Já sei dessa guerra, já sei que voltei arrependido. - supliquei, não quero essas palavras, eu já as ouvi. Quero algo novo.

—Exatamente. Você sabe, mas apenas porque te contaram, não porque você viveu. Entende o que quero dizer?

—Creio que sim.

—Mas voltando… esse foi seu primeiro retorno a Konoha, para seu lar.

“Quando foi solto, você veio até mim, pedindo conselhos, como agora. Devo dizer, a situação foi quase idêntica; você estava confuso e perdido, sentindo não pertencer a lugar nenhum, e eu disse 'não é porque você ama um lugar que você deve pertencer a ele’.

—Ou seja, — interrompo — me mandou sair da vila?

—Eu o aconselhei a buscar sua própria paz.

Reflita por um momento.

—E acha que devo sair de novo?

—Acho que deve me ouvir terminar. — ele me olha com ar tedioso.

“E então, você buscou seguir seu novo caminho. Não sei exatamente por onde ou como. Durante sua jornada, ouvíamos histórias de viajantes que contavam sobre um rapaz de olhos coloridos que ajudava as pessoas sem pedir nada em troca; segundo as histórias, resolvia casos de pequenos assaltos até trabalho escravo, enchia-nos de orgulho, admito. Eu sei que você, Sasuke, estava protegendo aqueles que eram esquecidos, estava tentando honrar seu nome e o nome de Itachi.

Sakura, após uma missão, revelou que se encontraram, e que estava diferente. Mais 'acessível’ foi a palavra que usou.

Dois anos se passaram e Konoha foi atacada, por um Shinobi muito poderoso, descendente da própria Kaguya. Nossos maiores ninjas estavam fora, estávamos expostos e vulneráveis. E então você retornou pela segunda vez. Nesse segundo retorno, você e Sakura engataram seu romance e, não muito depois, Sakura revela que está grávida.”

Não pisco em momento algum, estou atento a cada palavra.

“Esse meio tempo foi um tanto conturbado, por assim dizer. Vocês mal saíam de casa e, pelo fato de vocês não terem se casado logo, todos pensavam que você não tinha certeza se a queria para ser sua esposa.”

—Incluindo você?

—Oh, não. Eu os conhecia de perto. Eu via, você tinha algo por ela, por Sakura. Havia um certo brilho em seu olhos.

—Apaixonado…? — perguntei como se fosse uma piada de mal gosto.

—Talvez. Mas me arrisco a dizer que era algo um pouco mais sombrio que isso. Pelo modo que se tratavam estava claro para mim que você sentia que ela o pertencia, como se os sentimentos de Sakura fossem uma coleira que a ligava a você.

—Eu a machucava?

—Fisicamente? Duvido muito. Mas então vocês se casaram e partiram, para longe das conversas. Entretanto, em sua última noite, eu e Naruto pedimos a Sakura para sempre mandar cartas, sempre.

—Apenas Sakura?

—Sim. Nenhum de nós dois confiávamos em você com ela.

—Mas… porquê? Acabou de dizer que eu não a machucava!

—Veja bem… preste atenção no que digo, Sasuke, eu disse que era muito pouco provável que você a machucasse fisicamente. — olho-o atônito. — emocionalmente, Sakura estava se desfazendo.

Minhas mãos estão suando, geladas. A feição do homem já não era mais tediosa, havia rancor em seu olhar, o que me deixava ainda mais nervoso.

—Eu disse — ele retoma, bebericando seu maldito chá — que te revelaria coisas que não ia querer saber…

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Notas finais
E aí?? Devem estar se perguntando pq o Sasuke não sabe quem é o Sai, já que eles já se viram no covil do Orochimaru, mas acalme-se. KKK Gente, de vdd, se gostou, me diga! Adoro ler sugestões! Bjosss Até a próxima ♥