Reaprendendo a Amar
8 Capítulo Bônus: Aproveitando.
Notas iniciais
– Paai! Papai!
Acordei assustado e dei de cara com Raijin parado de pé ao lado da cama.
– Que demora 'pa acordar! — reclamou emburrado.
Me sentei ainda sonolento e esfregando os olhos.
– Hm. Que horas são...? — Pensei alto.
– 'tês horas. — O olhei surpreso. Porra, dormi demais, o pior é que ainda parece que não dormi nada. Olhei para o outro lado da cama e não vi Sakura.
Tsc. Devia ter me acordado.
– Papai! — Meu filho me chama de novo, já irritado. Assim que o olho, continua — Quero fazer cocô.
Ele fala com naturalidade.
Bem, de fato, é algo natural…
– Tá... — Fico o encarando sem saber reagir.
– O senhor tem que ir me limpar. — Me olha com cara de tédio. Ele ainda está segurando o dinossauro de pelúcia.
Tsc. Que droga. Não tenho ideia de como limpá-lo. Mais essa agora...
– Cadê a sua mãe?
– Tá lá em baixo. Ela mandou eu vir te acordar e agora deu vontade de fazer cocô. — Começa a balançar as perninhas, dando leves pulos. — Vamooo...!
Me levanto e ele já anda rapidamente até o banheiro, assim que chego até a porta, ele se vira, me dá o dinossauro e vai até o sanitário, abaixando a calça do pijama e habilmente sobe e se senta, apoiando os cotovelos sobre os joelhos e a cabeça sobre as mãos. Ainda com cara de tédio.
É muito... engraçado... Uma pessoa tão pequenina...
– Não fica olhando! — Sorrio com seu bico emburrado e me viro de costas.
Alguns minutos depois ele avisa que acabou, coloco o brinquedo ao lado da pia e então enfrento o desafio.
No fim, não foi nojento nem tampouco difícil. Na verdade, não foi nada demais.
Assim que termino, Rai pula no chão e ergue a calça. É muito engraçada sua agilidade. Lavo minhas mãos e me deparo com ele, ainda ao meu lado, com os braços erguidos. Demorei alguns segundos para entender, mas o pego no colo para que ele lave as dele também.
Já com as mãos secas, alcança com certa — e divertida de ver — dificuldade o seu dinossauro.
– Por que tá me olhando tanto? — Me pergunta semicerrando os olhos, desconfiado.
– Você é muito parecido comigo. — Ele sorri abertamente com minha resposta. Não evito sorrir também. Nem se tentasse conseguiria evitar. É simplesmente delicioso olhar para meu menino, não há outra palavra melhor para descrever.
Reparando melhor, talvez os olhos e o nariz se pareça mais com os de Sakura e seu cabelo é mais curto, mas em suma, ele é a minha figura esculpida.
– Eu sei! — Afirma orgulhoso, ainda mostrando todos os dentinhos — E quando eu 'quescer, vou ser um ninja tão bom quanto o senhor!
Me abaixo para ficar mais próximo da sua altura e toco sua testa com dois dedos, o gesto tão especial pra mim.
– Não. Será muito melhor! — Seus olhos brilham pra mim e suas bochechas ganham um tom avermelhado. — Só precisa aprender a se limpar primeiro.
Sua expressão muda drasticamente, me fazendo sorrir mais. Novamente ele faz bico e estreita os olhos, vira o rosto e sai andando de nariz empinado, lembrando-me de Sarada no hospital, quando mandei que chamasse algum adulto.
Ele sai do quarto ignorando completamente minha existência, ofendido.
E eu apenas me divirto enquanto o observo.
Tão poucas horas aqui e já me sinto mais feliz do que posso imaginar.
Estou em casa.
Desço as escadas e me deparo com as crianças comendo algum pedaço de bolo no sofá, enquanto folheiam uma revista.
Sarada logo me nota e sorri.
– Bom dia, papai!
Sorrio de volta.
Espera.
"Bom dia"?
São três da tarde!
E por que ainda estão todos de pijama?
Vou para a cozinha e vejo Sakura de costa secando a louça, agora ela veste um shorts e outra camisa, dessa vez a roupa é dela.
– Sakura. — Ela se vira e sorri, provavelmente já havia me notado antes de eu chamar — Por que não me acordou antes? E Sarada não tem academia?
– Hoje é domingo. E achei melhor você dormir um pouco.
– Dormir até às três da tarde não é 'dormir um pouco'. — Ela me olha intrigada — Bom, Raijin disse que são três horas...
Sakura solta uma gargalhada sonora, se aproxima e aponta para um relógio na parede atrás de mim. Me sinto um retardado quando vejo o ponteiro pequeno no nove e o grande no cinco.
– Sasuke, Rai é muito inteligente... — Consegue falar. Seu braços vão parar ao redor do meu pescoço — Mas nosso filho ainda é uma criança de três anos...
Sorrindo também, mas não tão abertamente, envolvo sua cintura e aperto, aproximando ainda mais nossos corpos.
– Nossos filhos... — Sussurro em seu ouvido carinhosamente e ela aperta ainda mais seu abraço — Obrigado, Sakura...
Minha esposa suspira profundamente, acaricia minha nuca e sugere em voz baixa:
– Nossos filhos... Vamos lá aproveitá-los...!
Então, de mãos dadas, seguimos até a sala.
E aproveitamos.
Fale com o autor