Notas iniciais
Oi meus amores, como passaram o Natal? Espero que estejam bem e gostem do cap. Nos falamos mais lá embaixo. Editado em: 29.12.2014

Eu estava tão atordoada que só notei que ainda estava no chão quando suas mãos se estenderam à minha frente. Balancei a cabeça tentando clareá-la enquanto esticava as mãos para segurar as dele, uma delas ainda segurando o celular.

Assim que nossas mãos se tocaram voltei a sentir a leve corrente elétrica e aquele calor que eu não sabia de onde saía percorreu em ondas por todo o meu ser. Se Kellan sentia isso eu não poderia dizer, porque estava evitando olhar para sua expressão na intenção de esconder a minha.

Ele me ajudou a levantar, se certificando de que eu estava estável antes de me soltar, suas mãos hesitando por algum momento.

– Você está bem? Desculpe-me ter te derrubado, estava distraído. – Ele perguntou e eu senti seu olhar me analisando.

– Não se preocupe, eu estou bem. – Certifiquei enquanto tirava os fones do ouvido e o enrolava no celular, protelando o momento em que teria que olhar para ele.

– Hum... Está muito ocupada ou quer conversar? – Ele perguntou um pouco incerto e eu olhei para ele, sem poder adiar mais esse momento.

Ele usava moletom, mas estava tão deslumbrante quanto se estivesse usando qualquer outra roupa, algumas gotas de suor escorriam por seu rosto, ele provavelmente estava correndo, assim como eu. Ele me observava enquanto esperava uma resposta minha.

Mordi os lábios, hesitando, sem saber o que responder, eu notei que seus olhos se demoraram sobre meus lábios e me perguntei o porquê.

– Mas se quiser podemos continuar conversando por mensagem, ou não, você que sabe... – Ele começou a tagarelar, um pouco incerto.

– Não, não, e-eu, eu quero sim conversar com você... – Gaguejei desviando os olhos para meus pés.

Por um momento minha cabeça voltou mais uma vez para a ideia de que eu estava fazendo exatamente o que Megan e Kristen queriam e me ocorreu que eu deveria inventar alguma desculpa e ir embora, mas tudo isso sumiu de minha cabeça assim que sua voz voltou a soar.

– Vem, vamos sentar ali para podermos conversar. – Chamou indicando um banco próximo com a cabeça.

Assenti e assim seguimos lado a lado até o banco, sem pronunciar nenhuma palavra. Quando chegamos sentamo-nos um ao lado do outro. Tive o cuidado de manter uma distância que acomodaria facilmente uma pessoa pequena entre nós e me virei para ele, esperando.

– Quer me dizer o que elas fizeram dessa vez?

Ele soava atencioso e interessado, parecia preocupado comigo e seu olhar parecia ler cada mudança de minha expressão e eu não podia negar que isso me deixava ligeiramente nervosa, como se ele pudesse estar lendo tudo o que se passava pela minha mente. Respirei fundo, tentando responder.

– Elas acham que eu devo tentar te conquistar ou coisa assim. – Dei de ombros. – Acham que estou fugindo do destino ao recusar o plano maluco delas. – Parei por um momento, pensando em como aquilo soaria e me desesperei a melhorar o que havia dito. – Não quer dizer que eu tenha algo contra você, porque não tenho, eu só não gosto delas tentando me empurrar, eu não quero conhecer ninguém porque elas querem ou por algum plano delas, é só isso. – Soltei essas palavras com tanta pressa que elas se embaralharam um pouco e me perguntei se ele havia entendido.

– Eu sei, lembra que eu te disse que meus amigos fazem o mesmo? Eu entendo, acredite em mim, não se preocupe. – Ele fez uma pausa e eu o olhei, ele parecia tranquilo e não deixava dúvidas de que realmente me entendia em sua expressão. – Eu tenho uma ideia...

Olhei para ele intrigada, a sobrancelha erguida, e fiz sinal com a mão para que ele prosseguisse. Ele sorriu, suas covinhas se formando mais uma vez, e continuou a falar.

– Vamos tentar ser amigos, assim elas vêm que não têm que nos obrigar a ser nada que não queiramos, que a escolha é nossa e se ficarmos bem sendo só amigos é assim que ficaremos, independente do que elas querem.

Mordi o lábio inferior, pensando. Não seria ruim tê-lo por perto, sua positividade, sua animação, mas não sei se faria bem para minha sanidade, mas o que poderia haver de tão ruim em ser amiga dele? Claro, assim Kristen e Megan não ficariam me irritando... Ou me irritariam ainda mais.

– Olha, não tem que me responder nada, nós não precisamos ser próximos nem nada disso, não quero te forçar a nada, só quero estar aqui pra te escutar ou se precisar de mim, não quero impor minha presença, a amizade pode vir com isso. – Foi a vez dele de dar de ombros.

– Tudo bem, eu acho que não fará mal tentar. – Respondi antes de poder me refrear, as palavras dele nublaram minha razão, me dando uma sensação de acolhimento, espantando qualquer vestígio de solidão que eu pudesse ter.

Não pude deter o calor que corou minhas bochechas, eu não sabia se estava corada pelo seu sorriso, pelo que eu disse, pelo que senti (algo que não sentia há muito tempo, eu me senti plena, como se estivesse no lugar certo, na hora certa e eu não podia pedir por mais nada) ou por, de repente, sentir o calor de sua mão na minha.

– Pronto, agora elas devem se contentar. – Ele sorriu.

– É o que eu espero. – Respondi incapaz de conter o sorriso que se formou em meus lábios ao ver sua expressão.

Começamos uma conversa amena, falando da sessão da qual participamos mais cedo. Assim como eu, ele parecia curioso para ver as fotos, mas ambos concordávamos de que o resultado seria muito melhor do que na última tentativa, sob o comando de Marc.

Depois disso contei-lhe brevemente e sem detalhes, editando algumas (ou muitas) partes, da conversa que tive com Kristen e Megan e ele me contou que havia ligado para seus amigos, sendo que descobriu que eles haviam unido forças com minhas amigas e deu-lhes um sermão parecido com o meu e, assim como eu, pude notar pelos seus olhos que estava editando algo também.

E, mesmo que estivesse curiosa para saber o que ele havia omitido, não lhe perguntei nada, com medo de que a mesma pergunta fosse feita a mim. Em algum momento ficamos em silêncio, apenas observando os poucos transeuntes do parque, minha mente tentando funcionar, tentando me ajudar a entender o que eu sentia com relação àquilo tudo e o que aconteceria agora.

– Ashley. – Sua voz suave me chamou após algum tempo.

– Sim? – Respondi voltando a me virar para ele.

Perdi o fôlego por um momento, quando seu olhar capturou o meu, e tive certeza de que ele podia ler-me, ler tudo o que eu era, tudo o que eu pensava e sentia. Eu não pude fazer mais nada além de me render àqueles olhos que pareciam ver minha alma.

– Está tudo bem mesmo? – Questionou em um murmúrio.

Mordi o lábio inferior, sem saber o que responder, porque eu ainda não sabia muito bem se aquilo tudo estava certo, se era certo ficar perto dele, eu ainda não me sentia pronta, mas mesmo assim a ideia de tê-lo por perto era tentadora demais. Eu desconhecia meus sentimentos e meus pensamentos estavam em completo caos.

– E-eu não sei. – Sussurrei sentindo-me incapaz de mentir.

Ele deu um meio sorriso compreensivo e estendeu a mão, começando a alisar meus cabelos, fechei os olhos, aproveitando aquela sensação, fazia muito tempo que não me sentia confortada daquela forma, era uma das formas de minha mãe mostrar que estava ali comigo e era bom poder voltar a sentir aquilo, mesmo que com outra pessoa.

– Mas vai ficar, acredite em mim. – Ele murmurou e eu só pude assentir, voltando a abrir os olhos lentamente. – E eu vou te ajudar, no que eu puder, farei tudo que estiver ao meu alcance, certo? – Declarou, suas mão deixando meu cabelo para apertar minhas mãos.

– Certo... Posso te agradecer? – Questionei lembrando-me de mais cedo. Ele sorriu.

– De forma alguma. – Balançou a cabeça.

– Isso é extremamente irritante. – Resmunguei. – Posso pelo menos te dar um abraço para agradecer? – Ouvi aquelas palavras, mas só notei que saiam de minha boca quando Kellan me olhou, parecendo um pouco surpreso e eu mordi o lábio, me perguntando no que eu estava pensando.

Mas eu sabia, eu estava pensando que eu estava cansada de me sentir sozinha e incompreendida e, agora que eu tinha Kellan, Kristen e Megan, as coisas pareciam estar começando a se acertar, mas eu precisava estar certa de que aquilo era real, eu precisava sentir, não emocionalmente falando, uma vez que eu me proibi há tempos, mas eu precisava saber que não estava fantasiando.

Não notei que tinha abaixado a cabeça até sentir os dedos de Kellan sob meu queixo, me fazendo encontrar seu sorriso e seus olhos brilhantes.

– É claro que pode. – Ele murmurou soltando meu queixo.

Um pouco sem jeito me aproximei dele, envolvendo seu tronco com meus braços, repousando a cabeça em seu ombro, enquanto seus braços se fechavam em minha cintura.

Respirei fundo, absorvendo a sensação de seu calor, a sensação de ser acolhida, além de sentir o seu cheiro, um misto de perfume amadeirado com seu cheiro próprio, uma combinação que deixou-me inebriada.

– Você pode contar comigo agora, certo? – Ele murmurou em meu ouvido, fazendo com que alguns de meus pelos se arrepiassem.

Eu parecia ter perdido minha voz, por isso me limitei a assentir outra vez. Fomos desvencilhando-nos aos poucos de nosso abraço desajeitado, uma vez que ainda estávamos sentados e ele sorriu quando encontrou meus olhos, eu não pude deixar de sorrir também.

Passamos algum tempo em silêncio, apenas apreciando a companhia um do outro, até que o celular de Kellan começou a tocar. Ele olhou o visor antes de atender, sorrindo largamente ao olhar o número.

– Oi minha princesa. – Ele atendeu.

Meu coração perdeu uma batida. Alguns segundos se passaram enquanto ele escutava, mas logo sua voz voltou a ser ouvida, carregada de carinho.

– É claro que podemos, já estou indo ai, tudo bem minha linda? – Outra batida perdida. – Certo, nos vemos daqui a pouco... Eu também te amo minha gatinha. – Ele sorria.

Não ouvi as palavras que se seguiram, porque meus pensamentos começaram a nublar meus sentidos... Parecia que o destino havia feito o que Kellan desejara e havia lhe trazido alguém para amar.

– Ashley. – Despertei de meus devaneios. – Desculpe, mas eu preciso ir.

– Tudo bem, não se preocupe. – Disse me esforçando para colocar um sorriso ou pelo menos algo parecido, em meu rosto.

– Nós nos falamos, certo? Eu queria ficar e conversar com você, mas a Julie não vai gostar muito se eu não chegar logo... – Ele ia falar mais alguma coisa, mas o interrompi.

– Não se preocupe. – Atalhei. – Pode ir, nós nos falamos depois.

– Ashley? – Olhei para ele, uma pequena ruga se formava entre seus olhos. – Posso te perguntar uma coisa? – Dei de ombros. – Quer conhecer minha sobrinha?

– S-s-sua sobrinha? – Perguntei sentindo-me absolutamente patética.

– É, a Julie. – Ele explicou e eu me senti corar violentamente.

– Eu não sabia que tinha irmãos. – Murmurei sem graça.

Eu não podia estar com ciúmes dele podia? Por que eu havia me sentido daquela forma quando pensei que ele havia encontrado o amor? A única explicação racional para mim foi que eu sentira ciúme do sentimento que ele havia conquistado, mas mesmo assim senti-me patética.

– Hum, minha irmã faleceu há alguns anos. – As palavras dele imediatamente me fizeram sentir-me idiota.

– Oh! Desculpe-me, por favor.

Ele balançou a cabeça e deu um pequeno sorriso, mas eu conhecia muito bem esses sentimentos para poder notá-los em sua expressão: a tristeza, o inconformismo e a saudade.

– Você não deveria se desculpar. – Ele queria me fazer sorrir, mas eu senti em sua voz que não estava tão bem assim. – Você quer conhecê-la? – Voltou a perguntar, me olhando.

– Eu adoraria. – Sorri tentando tirar aqueles sentimentos de seus olhos. – Podemos passar em minha casa antes?

– Claro. – Ele sorriu, desta vez mais autenticamente. – Mas não estou de carro...

– Tudo bem, podemos ir andando, não vamos muito longe de sua casa.

– Certo. – Sorri. – Então vamos? – Chamei me levantando.

Ele retribuiu meu sorriso e se levantou, assim começamos a caminhar lado a lado, em um silêncio agradável por algum tempo, tão próximos que às vezes nossos braços roçavam.

– Ashley? – Ele me chamou quebrando o silêncio.

– Hum? – Respondi olhando-o pelo canto dos olhos.

– Como foi que perdeu seus pais? – Ele me perguntou cauteloso. – Se não quiser não precisa responder. – Acrescentou quando notou minha hesitação.

– Não, tudo bem... – Eu respirei fundo e olhei para frente, começando a contar-lhe. – Meu pai contraiu um vírus sem cura, que degradou sua saúde, atacando os pulmões e rins, ele faleceu há quase um ano. Minha mãe entrou em depressão, definhou aos poucos e faleceu alguns meses depois. Depois de algum tempo Kristen me chamou para viver aqui e eu já não tinha mais nada para prender-me lá, então, aqui estou eu.

Enquanto falava minha voz falhava um pouco e uma lágrima teimosa rolou de meus olhos quando terminei de contar-lhe aquela parte particularmente dolorosa de minha história. Sem esperar por isso, senti sua mão na minha, seu polegar acariciando o dorso de minha mão.

– Perdi minha irmã há pouco mais de quatro anos. – Ele começou a falar sem que eu pedisse. – Ela e o marido tinham saído um dia de chuva, ela estava grávida de oito meses naquela época, estavam muito felizes, tinham tudo pronto para receber a bebê, o nome estava escolhido, o quarto estava pronto, eu nunca vi minha irmã tão radiante. Mas eles sofreram um acidente, meu cunhado faleceu imediatamente e minha irmã viveu o bastante apenas para ver Julie nascer.

“Meus pais a criaram, sempre falando de seus pais, nunca deixamos a memória deles morrer, mas não nos lembrávamos de sua morte ou de coisas ruins, Julie tornou-se nossa pequena alegria e daquele momento em diante decidimos valorizar os momentos bons, por ela.” – Ele concluiu a narrativa parecendo um pouco distante.

– Me parece uma atitude muito bonita e de muita coragem. – Sussurrei apertando a mão que ele ainda segurava.

Ele deu de ombros, voltando a sorrir, mesmo que seus olhos ainda demonstrassem suas lembranças e sua saudade.

– Nós tentamos. – Brincou recuperando um pouco de seu bom humor.

Voltamos a ficar em silêncio, ainda de mãos dadas. Eu não parei para pensar no que aquele gesto pareceria para quem visse, eu não parei para pensar em nada, na verdade, a não ser no conforto que sua mão na minha me transmitia.

Em pouco tempo chegamos ao prédio. Observei alguns dos moradores e funcionários – principalmente as mulheres – olharem em nossa direção, sorrindo e acenando, eu sabia o motivo, mas preferi não pensar nisso.

Seguimos para o elevador, onde eu relutantemente soltei sua mão e peguei a chave do bolso. Logo estávamos subindo, ainda em silêncio, mas ali, dentro daquela caixa de metal eu estava mais consciente do que jamais estive antes das sensações que me atingiam com sua proximidade: o calor, aquela corrente elétrica que parecia correr em busca do meu cerne, meu coração disparado, o estômago parecendo cheio de borboletas...

Discretamente afastei-me o máximo possível dele, encostando-me a uma das paredes, fingindo cansaço, olhando para a porta, esperando o momento em que ela se abriria para que eu pudesse correr por ela.

Todavia aquela viagem nunca me pareceu tão comprida, talvez fossem todas as sensações que nublavam meus pensamentos e minha razão, talvez meu pensamento e concentração estivessem focados em meus esforços para manter-me quieta.

Por fim o elevador parou e suas portas abriram. Saí dali o mais rápido possível sem correr, absorvendo a repentina redução daquelas sensações, mesmo que elas continuassem presentes, uma vez que quem as provocava estava bem ao meu lado.

Forcei meus pés a me levarem até a minha porta, abri-a e convidei Kellan a entrar, ele o fez e eu o segui.

– É muito bonito. – Ele falou olhando em volta.

– Obrigada, Kristen é a responsável por quase tudo, ela realmente se superou. – Comentei enquanto soltava meu cabelo. – Fique à vontade, eu vou só tomar um banho rápido. Ali em cima tem uma sala, ali é a cozinha, tem um banheiro no corredor. – Falei enquanto apontava.

– Tudo bem, não se preocupe, eu me viro. – Ele sorriu.

Assenti e me virei, andando na direção das escadas em passos rápidos. Uma vez em meu quarto fui ao banheiro, despindo-me, ligando o chuveiro e deixando que ele levasse meu suor e me ajudasse a relaxar um pouco os músculos tensos.

Após alguns minutos saí do chuveiro, enrolando o cabelo em uma toalha e secando-me em outra. Fui até meu closet e comecei a procurar alguma roupa, um pouco indecisa sobre o que vestir. Por fim, decidi-me manter-me básica, por isso escolhi uma blusa branca de manga comprida, casaco de couro preto, jeans e sapatilhas.

Sequei os cabelos na toalha, deixando-o úmido e passei uma maquiagem rápida e básica, coloquei meu relicário e alguns acessórios simples. Apanhei uma bolsa básica, colocando algumas coisas dentro e voltei a descer as escadas.

– Demorei muito? – Perguntei assim que avistei Kellan, ele olhava para a parede de vidro, para o sol que baixava no céu, seu rosto iluminado pela luz alaranjada, a sala sendo invadida de forma mais direta pela luz do sol, perdi o ar por alguns segundos.

– Não. – Ele virou-se sorrindo, notei seus olhos passarem por minha roupa.

– Estou adequada? – Perguntei um pouco incerta.

– Está perfeita. – Ele me disse sorrindo e eu me senti corar. – Vamos?

Eu assenti, estando certa de que minha voz falharia se eu tentasse falar e saímos, ele ainda sorria quando entramos no elevador, mas quando as portas se fecharam sua expressão mudou um pouco e notei que ele se recostou à lateral oposta a que eu havia me encostado.

Por um momento pensei se ele tinha as mesmas sensações que eu, mas não demorei a descartar essa hipótese, não devia ser isso. Então apenas encostei a cabeça na parede de metal e esperei até, enfim, as portas se abrirem.

Atravessamos o saguão em silêncio e ele começou a me guiar pelas ruas, estávamos andando a cerca de dois ou três minutos quando sua voz voltou a soar.

– Podemos passar naquela padaria? – Ele perguntou apontando para o pequeno comércio do outro lado da rua.

– Claro.

Esperamos o movimento de carros na rua diminuir e após alguns segundos conseguimos atravessar. Quando entramos o cheiro de pão fresco nos envolveu.

Segui Kellan até o balcão, onde ele pediu jaffa cakes*, o atendente lhe entregou um saco de papel com seu pedido e ele o pagou.

– Vamos? – Ele chamou.

Saímos da padaria e ele voltou a falar.

– Julie ama esses biscoitos, eram os favoritos de minha irmã também e ela quer brincar, e a brincadeira que ela mais gosta é de tomar chá com as bonecas. – Ele revirou os olhos, mas sorria largamente.

Eu também sorri, encantada com a sua felicidade e com a forma como ele falava de sua sobrinha.

– É claro que não precisa brincar também se não quiser...

– Eu adoraria, amo crianças, se ela não for contra eu posso fazer companhia para vocês. – Falei sorrindo.

– Obrigada. – Ele segurou uma de minhas mãos. – Ela vai gostar disso.

Voltamos a um silêncio confortável, ele ainda segurando minha mão. Mais uma vez eu apenas deixei a sensação de conforto me envolver, sem pensar no que poderia parecer ou significar.

Andamos mais alguns minutos até chegar a uma rua com casas amplas e modernas, passamos por algumas até ele me indicar uma casa à esquerda.

– É aqui, é a casa dos meus pais, eu passo bastante tempo aqui, mas moro em um apartamento perto do seu. – Contou me puxando pela entrada até a porta da frente.

Ele pegou seu chaveiro no bolso, soltando minha mão para poder abrir a porta, assim que a porta foi destrancada e ele a empurrou ouvi uma voz infantil e muito contente em um gritinho animado:

– Tio Kellan! – Uma garotinha com os cabelos cacheados e olhos claros apareceu correndo com os braços abertos e se jogou nos braços do tio que já estavam a espera dela.

Notas finais
* Jaffa Cakes: Biscoitos feitos com massa, recheio de geleia de laranja e cobertura de chocolate. O que estão achando? Reviews? Obrigada por acompanharem meus amores, até o próximo cap e, caso não nos falemos até lá: Feliz Ano Novo! Que o novo ano venha cheio de paz e que todos os seus desejos se realizem. Beijos ;*