Notas iniciais
Oi meus amores, voltei com mais um capítulo, espero que gostem... Ah, e antes que eu me esqueça eu editei uma palavrinha do capítulo anterior, aumentei o tempo que fazia que o Kellan perdeu a irmã para se encaixar com alguns outros elementos. Nos falamos mais lá embaixo ;)

Kellan e Julie continuavam abraçados e eu sorri com aquela cena que transbordava amor e felicidade. Fazia muito tempo que não via nada assim, tão puro e sincero, era visível a alegria dos dois apenas por estarem ali, juntos, era visível o quanto eram ligados só por aquele abraço.

Os olhinhos azuis de Julie me encontraram alguns passos atrás de Kellan e eram um misto de curiosidade e animação. Ela fez uma conchinha com a mão e sussurrou no ouvido de Kellan, que sorriu e se levantou, pegando-a no colo e andando em minha direção, um sorriso deslumbrado e deslumbrante em seu rosto.

– Julie, minha princesa, essa é a Ashley, minha amiga. – Ele me apresentou enquanto Julie me observava através de alguns cachos que ocultavam seu rosto, suas pequenas mãos envolvendo o pescoço do tio e a testa encostada ao rosto dele. – Ashley, essa menina linda aqui é minha Julie. – Anunciou orgulhosamente.

– Muito prazer Julie. – Sorri estendendo-lhe a mão.

Ainda envergonhada ela soltou uma de suas mãos do pescoço de Kellan e segurou a minha, sorri tentando passar-lhe confiança.

– Seu tio me disse que queria brincar, eu queria saber se posso brincar com vocês. – Pedi quando ela soltou a mãozinha da minha.

Ergui minha mão até seu rosto, afastando a mecha que ocultava seus olhos e sorri para ela enquanto colocava-a atrás de sua orelha. Ela piscou algumas vezes, me olhando, antes de desencostar seu rosto do de Kellan para poder olhá-lo.

– Ela pode brincar com a gente tio? – Ela perguntou olhando dele para mim e para ele de volta.

– Se você quiser ela pode sim minha princesa. – Sua voz era repleta de carinho, assim como seu sorriso. – Ah, isso me lembra... – Ele ergueu uma das mãos, sustentando-a com apenas um braço e erguendo o saco de papel pardo na outra. – Eu trouxe isso para você.

Ela pegou o saco de papel imediatamente das mãos dele e começou a desenrolar a ponta, seu rosto cheio de expectativa ficou imediatamente radiante quando ela avistou o conteúdo.

– Obrigada tio Kellan, você é o melhor. – Sua voz me fez sorrir, assim como o beijo estalado que ela deu na bochecha do tio.

– Menina esperta, assim como o titio ensinou.

Kellan começou a enchê-la de beijos e Julie começou a gargalhar, eu tinha a impressão de que ela sempre dizia aquilo, esperando exatamente aquela reação.

– Que barulheira é essa aqui? – Uma voz angelical e bem humorada soou vinda da mesma direção da qual Julie havia saído.

– Vovó, vovó, olha o que o tio Kellan trouxe para mim! – Exclamou abrindo o pacote enquanto a avó se aproximava.

– Puxa! Que delícia... – Ela sorriu olhando, mesmo que eu tivesse quase certeza de que ela sabia muito bem o que havia ali.

– Quer um, vovó?

– Não meu bem, obrigada. – A jovem senhora sorriu e lhe deu um beijo na bochecha.

– Vovó, o tio Kellan trouxe a... a... – Kellan sussurrou no ouvido dela por um segundo. – a Ashley para brincar com a gente. – Ela sorria animada me olhando.

A jovem senhora se virou para mim, o sorriso estampado em seu rosto era gentil e simpático.

– Muito prazer Ashley, sou Elizabeth, mãe de Kellan. – Apresentou-se estendendo uma mão que eu logo apertei.

– O prazer é meu Sra...

– Oh não, só Elizabeth, querida, por favor. – Ela sorriu amavelmente.

– É claro. – Retribuí seu sorriso enquanto me corrigia. – É um prazer conhecê-la Elizabeth.

– Bom moças, eu vou tomar um banho rápido e volto logo, tentem não sentir minha falta. – Ele falou fazendo Elizabeth revirar os olhos, mesmo que ainda sorrisse. – E se comportem.

Tive a impressão de que essa ultima recomendação foi direcionada à Elizabeth e me perguntei o porquê, mas não disse nada.

– Por favor, Kellan, não seja absurdo, somos bem grandinhas... – Elizabeth sorria amavelmente para o filho apertando suas bochechas. – Agora anda logo, vamos estar na cozinha. – Acrescentou.

Kellan assentiu, colocou Julie no chão, dando um beijo em sua testa e murmurando um “Já volto” para ela, sorriu para mim e piscou para a mãe com um ar maroto enquanto andava a passos rápidos para as escadas adiante.

– Venha Ashley, deixe-me apresentá-la uma parte da casa. – Elizabeth chamou-me.

Segui-a por um pequeno tour pela casa: primeiro subimos as escadas, Julie sempre correndo à frente, ela mostrou-me dois quartos de hóspedes, indicou-me uma porta fechada que era o quarto que Kellan usava quando estava ali, o quarto de Julie, imediatamente ao lado, decorado em tons claros e sofisticados e, à frente dos dois, o quarto dela e do marido.

De volta ao primeiro andar ela apresentou-me o escritório/biblioteca, o estúdio de artes (Elizabeth contou-me que era pintora), apontou o banheiro social, fomos até a sala de jantar, a sala de estar e, por fim, a cozinha, que, assim como a sala, tinha portas de vidro que davam para um amplo jardim.

– Sua casa é maravilhosa Elizabeth. – Elogiei quando nosso pequeno tour chegou ao fim.

– Obrigada querida. – Ela sorriu amavelmente. – Logo Kellan deve descer, sinta-se à vontade.

– Obrigada.

Olhei à minha volta, reparando que a geladeira era repleta de desenhos e dei dois passos para perto dela para olhá-los. Todos os desenhos eram muito coloridos e variavam de rabiscos à castelos com princesas, flores e corações.

Senti algo tocar minha perna e baixei os olhos, encontrando Julie, uma mãozinha em minha coxa, para chamar-me atenção.

– Gostou dos desenhos tia? – Perguntou sorrindo.

Abaixei-me para ficar em sua altura.

– São lindos, você que desenhou? – Perguntei falando naquela voz suave que automaticamente assumimos ao falar com uma criança. Ela assentiu, seus cachos balançando com os movimentos de sua cabeça. – Puxa, você desenha muito bem, pode me ensinar depois? – Pedi sorrindo.

Notei que o canto de sua boca tinha alguns farelos de biscoito, cuja embalagem ela ainda balançava em uma das mãos, ergui a mão, limpando sua boca e piscando para ela.

– Posso sim tia, a vovó pode ajudar também, não é vovó? – Questionou se virando para olhar a avó que havia parado seus afazeres e nos observava.

– Claro minha princesa. – Julie sorriu com suas palavras.

– A vovó disse que vou desenhar melhor que ela um dia. – Ela comentou revirando os pequenos olhinhos. – Mas vai ser muuuito difícil. – Falou como se fosse óbvio.

– Eu acho que se você se esforçar bastante pode fazer o que quiser. – Afirmei segurando suas mãozinhas.

– É mesmo tia? – Assenti. – Ouviu o que ela disse vovó?

– Ouvi meu amor, ela está certa... Por isso você tem que estudar bastante.

– Mas vovó, até nas férias? – Ela perguntou franzindo as sobrancelhas.

– Bem, nas férias você pode brincar um pouco mais, mas você ainda não está de férias mocinha. – Elizabeth respondeu carinhosa.

– Eu sei vovó, mas o tio Kellan disse que faltam só algumas semanas e depois podemos brincar o diiia toooodo. – Ela falou estendendo as últimas palavras.

– Mas até lá tem que estudar.

– Tudo bem vovó, mas agora eu posso brincar? Só um pouquinho? – Ela perguntou juntando as mãozinhas a sua frente e batendo as pestanas.

– Igualzinha à mãe. – Ouvi Elizabeth murmurar enquanto balançava a cabeça. – Já fez todas as lições? – Julie assentiu. – Então pode.

Julie deu alguns gritinhos infantis de animação e voltou a se virar para mim, que observava a tudo sorrindo.

– Quer conhecer a Molly e a Beth? – Julie perguntou animada. – Elas estão esperando no jardim. – Falou apontando para as portas de vidro.

Olhei brevemente para Elizabeth, como uma forma de questionar se ela poderia brincar no jardim. Ela assentiu, compreendendo e eu voltei a me virar para Julie.

– É claro, seria um prazer, me leva até lá? – Perguntei.

Ela assentiu entusiasticamente e pegou minha mão esquerda. Levantei-me e segui-a, pelas portas de vidro e pelo jardim amplo e bem cuidado, até chegarmos a uma mesa de jardim redonda, com quatro cadeiras, sendo que duas delas estavam ocupadas, uma por uma boneca de pano e outra por um ursinho de pelúcia médio com um laço na cabeça.

A mesa estava coberta por uma toalha rosa clara e sobre ela estavam vários pratinhos, xícaras, talheres e bules, todos de brinquedo e em vários tons de rosa e branco, decorados com flores e corações.

– Essa é a Molly – Falou apontando para o urso. – E essa é a Beth. – Apontou para a boneca. – Meninas, essa é a Ash... Ash... Ashley – terminou depois de um sussurro meu – ela é amiga do tio Kellan. – “Apresentou-me” aos seus brinquedos.

– Muito prazer, Molly, Beth. – Falei com as bonecas, acenando.

– Vem tia Ashe... Ash... – Sorri com sua dificuldade em pronunciar meu nome.

– Que tal me chamar só de Ash? – Sugeri. – É mais fácil assim.

Ela assentiu, sorridente.

– Tia Ash, senta aqui, do lado da Molly. – Falou apontando para a cadeira mais próxima. Notei que a outra tinha algumas almofadas para deixá-la da altura da mesa.

Sentei-me onde ela havia me indicado e observei enquanto ela habilmente escalava a cadeira e se sentava sobre as almofadas.

– Pronto, agora temos que esperar o tio Kellan. – Sentenciou enquanto pousava o saco de papel pardo que ainda carregava na mesa. – Tia Ash, você também é modelo como o tio Kellan? – Perguntou observando-me.

– Sou sim Julie. – Respondi sorrindo. Ela assentiu para si mesma, como se confirmasse uma teoria. Ergui uma sobrancelha. – Por quê?

– Você é muito bonita.

– Obrigada, mas você é muito mais. – Argumentei sorrindo.

– O tio Kellan fala a mesma coisa. – Ela falou como se não acreditasse.

– Devia escutá-lo, ele está falando a verdade, você é linda.

– Viu só Julie? Acredite nela, ela sabe o que diz. – Uma voz rouca soou às minhas costas, me sobressaltando.

Virei-me e encontrei Kellan sorrindo, quando ele encontrou meu olhar piscou, parecendo aprovar o que eu havia dito. E dei um breve sorriso envergonhado, sentindo meu rosto corar sob seu olhar.

– Posso perguntar onde eu devo me sentar? – Kellan perguntou olhando em volta da mesa, que tinha todas as cadeiras ocupadas.

Olhei de Kellan para Julie, pensando se eu estava atrapalhando a brincadeira deles, Julie olhou para as cadeiras em volta da mesa por um momento, como se estivesse conferindo se todas estavam realmente ocupadas. Ela fez uma carinha pensativa e eu sorri, fazendo uma sugestão.

– Que tal a Molly ou a Beth ficarem no meu colo?

– Isso! – Julie sorriu radiante. – Tio Kellan, pode dar a Beth para a Tia Ash, por favor? – Pediu batendo as pestanas para o tio.

Kellan pegou a boneca cuidadosamente, eu tive a impressão de que Julie o obrigava a tratar as bonecas como pessoas, porque ele suspendeu-a como se fosse uma criança e me entregou. Sorri para ele enquanto ele o fazia.

– Eu vou cuidar dela direitinho para você. – Afirmei enquanto ajeitava a boneca sentada em meu colo. Julie sorriu.

– Quer chá tia Ash? – Perguntou apanhando o bule rosa.

– Claro, por favor.

Julie virou o bule vazio em cada uma das xícaras que estavam sobre a mesa, como se estivesse enchendo-as e, em meio a piadas de Kellan, gracejos e fofices de Julie, começamos a brincar, interagindo entre nós e com as bonecas.

Devo confessar de que há muito não me divertia daquela forma, eu nem me lembrava de qual havia sido a última vez que havia brincado com uma criança nem que havia rido tanto.

– Eu tenho certeza de que comprei mais do que isso. – Comentou Kellan quando Julie disse que os biscoitos haviam acabado depois de distribuir um para cada um de nós. – Viu onde eles foram parar Ashley? – Perguntou olhando para mim enquanto sorria.

– Não Kellan, em lugar nenhum. – Respondi piscando para Julie que deu uma risadinha.

Cada um de nós comeu seu biscoito e, depois, Julie apanhou os dois que seriam das bonecas e colocou-os no pratinho de plástico a sua frente, argumentando que Molly e Beth não estavam com fome.

Eu e Kellan nos olhamos e rimos. Kellan não perdeu a oportunidade de fazer mais piadas e gracinhas à custa de Julie e seu apetite pelos biscoitos, Julie fazia caras e bocas e se irritava com o tio, mas logo voltava a rir e até mesmo retrucava algumas das brincadeiras.

Todavia não demorou a anoitecer e, com a lua veio uma brisa mais gelada. Kellan, mostrando-se um tio preocupado, decidiu que era hora de entrar para que Julie não adoecesse. Desta forma recolhemos todos os apetrechos e brinquedos e entramos na cozinha aquecida e iluminada.

– Oh, que bom que entraram, eu já ia chamá-los, o jantar está quase pronto. Vai ficar não é? – Perguntou direcionando a última frase a mim, junto com um sorriso hospitaleiro e agradável.

– Obrigada Elizabeth, mas não quero incomodar...

– Você não incomoda querida, por favor, nos acompanhe, poderá conhecer Peter, ele logo chegará.

Lancei um breve olhar à minha direita, onde Kellan e Julie – nos braços do tio – estavam, ambos me olharam de forma idêntica, com um misto de expectativa e com um pedido mudo. Julie bateu as pestanas (o que percebi ser sua arma secreta) me desarmando completamente.

– Tudo bem, pelo menos me deixe ajudá-la. – Pedi voltando a me virar para Elizabeth.

Ela abriu um largo sorriso e eu me aproximei ajudando-a nos últimos preparativos do jantar enquanto Julie e seu tio encarregaram-se de arrumar a mesa na sala de jantar. Não muito tempo depois nós ouvimos a porta sendo destrancada. O som de passos infantis correndo indicavam que Julie correra até a porta.

– Vovô! – Ouviu-se a exclamação seguida de um gritinho animado.

Começou uma conversa animada entre os dois, das quais eu só pude distinguir as vozes, não as palavras, essa conversa pausou por um momento, no qual Peter cumprimentou Kellan, mas ela reiniciou logo depois e as vozes pareciam cada vez mais próximas.

Não demorou para que um homem de aparência jovem e bem cuidado, olhos claros – em um tom entre verde e azul acinzentado – e cabelos castanhos aparecesse na porta, com Julie jogada em seus ombros.

– Boa noite. – Cumprimentou com um sorriso torto muito parecido com o de Kellan.

– Olá querido. – Elizabeth se aproximou depositando um singelo beijo nos lábios do marido.

– Vovó! – Julie repreendeu-a.

– Ah, sua pestinha, nem começa. – Ela bagunçou carinhosamente os cabelos da neta antes de Peter colocá-la no chão e ela correr de volta para a sala de Jantar. – Venha Peter, me deixe apresentá-lo à uma pessoa.

Ela sorriu, trocando com ele um olhar cheio de significados que eu não compreendi e segurou sua mão, puxando-o para perto de mim.

– Essa é Ashley, ela é amiga de Kellan. – Apresentou-me. – Ashley, esse é Peter, meu marido.

– É um prazer. – Falei estendendo a mão para apertar a sua.

– O prazer é todo meu. – Ele respondeu segurando minha mão e depositando um beijo singelo nas costas da mesma.

Foi assim que descobri de onde vinha o cavalheirismo de Kellan, assim como sua beleza e seu bom humor: Peter e Elizabeth sempre tinham sorrisos estampados e palavras agradáveis e divertidas.

Começamos uma conversa agradável e bem humorada, que se estendeu por todo o jantar. Kellan e eu contamos da sessão com Marc, Elizabeth e Julie do dia delas, Peter sobre as coisas mais engraçadas que haviam acontecido em seu dia de trabalho – ele era engenheiro.

Durante a sobremesa, depois de Elizabeth contar uma das últimas gracinhas de Julie, me peguei perguntando-me há quanto tempo eu não tinha um jantar daqueles e há quanto tempo eu não me sentia em família.

Tive dificuldades para lembrar, porque realmente havia muito tempo, alguns meses antes da morte de meu pai, antes dele começar a sofrer com os sintomas de sua doença e ter que ser isolado em um quarto hospitalar.

Depois disso meu pai não voltou para casa e minha mãe nunca foi a mesma: durante o restante da vida de meu pai ela ia praticamente todos os dias ao hospital ou estava tratando de algum assunto a cerca da saúde, do conforto ou dos negócios dele e, depois de sua morte, ela não voltou a ser a pessoa sorridente e companheira que conheci por toda a minha vida.

– Está tudo bem? – Ouvi um sussurro chamar-me à realidade.

– Sim, está. – Murmurei, temendo que minha voz falhasse.

– Pensando demais de novo? – Adivinhou.

Assenti, tentando sorrir. Ele pareceu perceber que eu ainda não havia me recuperado de meus pensamentos, porque sua mão apertou a minha por um momento, imediatamente acalmando-me, me fazendo sentir mais uma vez que não estava sozinha.

Sorri para ele – desta vez de verdade – e ele retribuiu com seu sorriso torto e uma covinha marcada. Quando desviamos nossos olhares um do outro e voltamos a olhar para a volta da mesa encontramos Elizabeth e Peter olhando-nos, sorrindo e depois trocando outro daqueles olhares cheios de significados.

Corei e baixei os olhos, mas Peter tratou de amenizar meu desconforto contando uma das peripécias de Kellan quando adolescente, me fazendo voltar a rir quase imediatamente.

Estávamos quase terminando a sobremesa quando Julie – que estava ao meu lado – começou a dar pequenos bocejos e esfregar os olhinhos.

– Ei princesa, acho que é hora de ir se trocar para dormir não acha? – Peter sugeriu do outro lado da mesa.

– Mas eu quero brincar mais com a tia Ash. – Resmungou fazendo beiço.

– Está tarde querida, está na hora de ir dormir, amanhã você tem aula. – Elizabeth argumentou.

– Eu sei vovó, mas eu quero brincar, só mais um pouquinho. – Mas suas palavras foram acompanhadas por um longo bocejo.

– Hum, tive uma ideia, posso fazer companhia para ela até ela dormir? – Perguntei para Elizabeth.

– Não precisa se incomodar com isso querida. – Respondeu-me em um tom carinhoso.

– Não é incômodo algum.

– Deixa vovó, por favor. – Julie pediu usando sua arma secreta mais uma vez.

– Essa menina precisa parar com isso. – Murmurou Elizabeth em uma leve indignação, arrancando sorrisos dos adultos à mesa. – Ashley, querida, se não te incomodar seria um grande favor.

– Tudo bem. – Sorri. – Terminou de comer mocinha? – Perguntei olhando para Julie que assentiu animada.

– Pode ajudá-la filho? – Elizabeth pediu.

– Sim, senhora. – Ele respondeu e ela revirou os olhos.

Levantamo-nos e eu segurei a mão de Julie enquanto Kellan nos seguia, ela me guindou pela casa até chegar ao quarto dela. Ela me mostrou seu guarda-roupa, onde também pegou seu pijama e logo depois saiu correndo para a porta que levava ao banheiro, onde Kellan também entrou para ajudá-la.

Enquanto esperava fiquei andando pelo quarto, olhando as fotos espalhadas de um casal jovem, provavelmente os pais de Julie, assim como do tio e dos avós. Além disso, o quarto era repleto de brinquedos, todos bem cuidados e organizados.

Poucos minutos depois ouvi o barulho da porta se abrir e me virei sorrindo para encontrar Julie com um pijama com estampas de corações coçando os olhos com as costas da mão, andando até a cama que estava ao meu lado.

Julie não demorou a entrar debaixo das cobertas com estampas de princesas e agarrar um ursinho de pelúcia que estava sobre os travesseiros. Ajeitei as cobertas sobre ela e sorri, começando a acariciar seus cabelos.

– Tia Ash, me conta uma história? – Pediu com a voz sonolenta.

– É claro querida. – Respondi. – Pode apagar a luz, por favor? – Pedi para Kellan.

Ele assentiu e, enquanto ele andava até o interruptor, acendi o abajur que estava sobre o criado mudo. Quando a luz estava apagada parei por um momento ainda acariciando seus cabelos, lembrando-me da história que minha mãe me contava em minha infância.

Comecei a narrar o conto, observando enquanto ela lutava contra seu sono para poder ouvir o fim da história. Poucos minutos depois a história chegou ao fim e Julie virou-se, abraçando seu ursinho.

– Tia, você vai voltar para brincar comigo?

– É claro, agora durma, tudo bem?

Poucos segundos depois ela já ressonava, apertando seu ursinho contra o peito. Levantei-me da ponta da cama onde estava sentada, ajeitei mais uma vez suas cobertas e depositei um leve beijo em seu rosto.

– Boa noite, tenha bons sonhos. – Murmurei.

Desliguei o abajur e andei até Kellan, que me esperava ao lado da porta entreaberta, iluminado por uma faixa de luz que vinha do corredor. Saímos tentando não fazer barulho, encostando a porta às nossas costas.

– Isso foi muito gentil, obrigado. – Falou enquanto descíamos as escadas.

– Se eu não posso agradecer você também não pode. E foi um prazer, ela é uma graça. – Acrescentei.

Encontramos os pais de Kellan na sala, onde me despedi deles, mesmo que eles insistissem que eu ficasse, mas justifiquei que era segunda e eu não queria atrapalhá-los. Desta forma abracei ambos em meio a convites de regresso e Kellan insistiu em levar-me para casa, desta vez usando o carro de seu pai uma vez que o dele estava em sua casa.

O curto trajeto foi feito em um silêncio agradável e em um curto período de tempo. Ao pararmos em frente ao meu prédio Kellan olhou-me, sorrindo.

– Eles gostaram de você, vão te obrigar a voltar. – Avisou.

– Eu adoraria, eles são ótimos, foi uma noite muito agradável, eu me diverti muito. Então nos vemos logo? – Questionei.

– É claro. – Ele sorriu.

Abracei-o como agradecimento e despedida e desci do carro, acenando enquanto ele partia com o carro. Entrei no saguão, mais uma vez acenando educadamente para aqueles que encontrava no caminho e, uma vez no elevador encostei a cabeça na parede metálica, revivendo minha agradável noite.

Notas finais
Prontinho meus amores, o que estão achando? Estão gostando? Estão odiando? Obrigada por estarem lendo e nos vemos no próximo cap ;*