Reaprendendo a Amar
2 Capítulo 2
Notas iniciais
– Ash! Ei, aqui! – Ouvi uma voz conhecida chamar-me assim que passei do portão de desembarque.
Assim que olhei para frente vi Kristen abrindo espaço às cotoveladas até chegar a mim. Quando chegou a mim me abraçou, fazia vários meses que não nos víamos, mantínhamos contato apenas por telefone e internet, mas nunca deixamos de ser boas amigas, era bom, enfim, estar em braços amigos.
– Ai que saudade! Até que enfim chegou! – Ela exclamou me apertando um pouco antes de me soltar e me olhar.
– Também estava com saudades, mas agora vai ter que me aguentar por um bom tempo. – Falei sorrindo.
Era bom sorrir, mas eu ainda não me sentia feliz, eu apenas me sentia aliviada por não estar mais sozinha e Kristen sabia como me animar, até hoje me lembro daquele dia...
...
Eu estava tremendo, era a primeira vez que eu fotografava para uma campanha tão importante, eu iria fotografar para uma matéria da Harper’s Bazaar, era a primeira vez que eu fotografava para uma companhia grande, até agora havia participado de campanhas pouco expressivas e eu estava ansiosa para começar.
Eu sabia apenas que iria fotografar com outra modelo, mas não tinha a mínima ideia de quem era, passei semanas devaneando, afinal, a Bazaar sempre fotografa gente muito importante: Jennifer Aniston, Sarah Jessica Parker, Madonna, Beyonce, Cameron Diaz e várias outras. Minha imaginação estava a todo o vapor.
No dia da sessão acordei muito cedo, havia sonhado que fotografaria com Tyra Banks e estava convencida de que era um presságio. Comecei a vasculhar meu guarda-roupa atrás de uma roupa apresentável, uma hora depois de acordar havia uma montanha mais alta do que eu em cima da cama, a essa altura estava soando frio, meu estômago revirando da expectativa.
– Filha! O café está pronto! – Gritou minha mãe.
– Estou sem fome, obrigada! – Gritei em resposta.
Continuei revirando o guarda-roupa e as gavetas atrás de alguma coisa, mas nada parecia o bastante. Poucos minutos depois minha mãe apareceu à porta com uma bandeja cheia em mãos, quando avistou minha cama revirou os olhos sorrindo, ela colocou a bandeja que carregava no criado mudo e andou até mim.
– Fique calma querida, vai dar tudo certo tudo bem? Eu prometo. – Assenti mordendo o lábio inferior. – Agora vá comer alguma coisa... Vai comer sim senhorita, anda!
Ela ignorou minhas tentativas de protesto me virando na direção do criado mudo onde havia deixado o café. Ainda contrariada me sentei em uma pontinha da cama, afastando algumas peças de roupa. Apanhei uma torrada, mordiscando-a enquanto observava minha mãe andar pelo quarto, olhando as roupas que estavam sobre a cama e algumas que restaram no guarda roupas.
Não demorou muito e ela puxou uma única peça do meio da minha montanha de roupas, um vestido azul bem simples, mas bonito e apresentável que me caia muito bem. Muito animada pulei da cama, largando a torrada pela metade corri até minha mãe a beijando na bochecha.
– Você é demais. – Falei animada antes de sair correndo para pegar sapatos e acessórios e ir até o banheiro.
Mais ou menos uma hora depois eu estava descendo as escadas, dois degraus de cada vez, apressei meu pai para sairmos, não queria chegar nem um segundo atrasada. Em meia hora cheguei ao endereço que havia recebido, eu estava nervosa, sentia os dedos gelados e eu tremia levemente. Meu pai tentou me acalmar, mas foi em vão, àquela altura nada me acalmaria.
Despedi-me do meu pai rapidamente antes de saltar do carro e entrar no imenso prédio a minha frente. Identifiquei-me na recepção e aguardei por instruções enquanto a sorridente recepcionista procurava algo no computador. Eu tentei não falar muito, eu duvidava que conseguiria ser coerente àquela altura, mas me esforcei para formular uma frase compreensível.
– A outra modelo chegou? – Perguntei com a voz trêmula para a secretária depois que ela me indicou a sala para a preparação.
– Ainda não, mas acredito que chegue a qualquer momento. – Ela respondeu sorrindo.
Eu assenti, agradecendo-a e me encaminhei para a sala que ela havia me indicado, assim que cheguei à sala fui recebida por uma pequena equipe, ágil e animada, logo eu estava enrolada a um robe e cercada de pessoas arrumando meu cabelo, me maquiando, fazendo minhas unhas... Não posso negar que eu amava aquilo tudo.
– Querida! Ai está você! Achei que não chegaria mais! – Assustei-me com um cabeleireiro gritando.
Eu não podia ver quem estava chegando, estava com os olhos fechados para que passassem a maquiagem, mas estava curiosa, queria muito saber se meu sonho realmente fora uma premonição, eu iria fotografar com Tyra Banks? Meu estômago flutuou mais uma vez. Estava atenta para ouvir a resposta, para saber se era mesmo ela quando ligaram o secador.
Fiquei extremamente desapontada por não poder ouvir a voz que respondia o bastante para distinguir quem era, mas tentei permanecer profissional e não sair dando gritinhos ou coisa do tipo. Em alguns segundos haviam terminado e me indicaram uma porta lateral, onde estavam as roupas, para que eu fosse me trocar, disseram-me que a outra modelo estava lá.
Era agora! Eu conheceria Tyra Banks! Esforcei-me muito para não sair correndo ou aos pulos até a porta, ao invés disso andei calmamente, minhas mãos tremendo, andei com muito cuidado para não cair, não estava muito certa da firmeza das minhas pernas. Passei pela porta olhando para os lados, a procura dela.
– Olá? – Chamei, a voz trêmula. Prendi a respiração.
– Ei! – Respondeu. – Hum, está tudo bem? Parece desapontada.
Tratei de sacudir a cabeça e tirar o beicinho do rosto. A outra modelo havia aparecido atrás de uma arara de roupas e estava me observando com o cenho franzido, mas ela não era nem de perto Tyra Banks.
– Hm, está tudo bem sim. – Sorri educadamente. Andei para me juntar a ela, agora mais calma e preocupada em deixar uma impressão melhor do que essa primeira. – Sou Ashley Greene. – Falei estendendo a mão.
Ela estendeu a dela, sorrindo educadamente, ela devia estar pensando que eu era louca ou coisa do tipo. Foi quando vi quem ela era, não, ela não era Tyra Banks, mas eu já havia visto algumas vezes.
– Kristen Stewart não é? Vi sua sessão para a GAP.
Seu sorriso se alargou em resposta. E ela assentiu. Começamos a conversar sobre nossas experiências até o momento, ela tinha um currículo muito maior que o meu, mas era muito humilde e animada, logo estávamos rindo e trocando dicas. Quando estávamos ambas prontas saímos da sala juntas e seguimos para o local onde as fotos seriam tiradas.
– ...estava fotografando faziam horas, Marc não ficava satisfeito nunca... Eu estava com um salto imenso e minhas pernas começaram a doer, eu caia a cada dois minutos, estava quase pegando a câmera dele e colocando ela para disparar sozinha, tenho certeza de que as fotos sairiam melhor e bem mais rápido, além disso eu não ficaria me sentindo uma artista de circo e nem sentiria dores por semanas. – Ela estava contando uma de suas experiências, ríamos a espera do fotógrafo.
Ficamos esperando perto do cenário, era bem simples, uma parede branca com uma espécie de banquinho também branco. Nossas roupas também não eram muito espalhafatosas, estávamos ambas de shorts, eu com uma blusa de manga longa puxada até os punhos e Kristen com uma blusa branca de manga curta, ambas com saltos altos e cabelos soltos.
A campanha tratava de algo como a beleza na simplicidade ou algo do tipo, quando nos informaram achamos que seria uma sessão rápida e natural, vão engano... Quando o fotógrafo chegou ouvi Kristen praguejar baixo ao meu lado.
– O que foi? – Perguntei olhando-a, sua expressão era de puro desânimo.
– Lembra-se do Marc? – Ela respondeu olhando significativamente para o homem posicionando-se atrás da câmera e falando com um rapaz com cara de assustado.
– Sério? – Murmurei vendo que ele se aproximava.
– Infelizmente. – Ela respondeu entredentes, dando um sorriso extremamente educado. – Marc! – Ela saudou-o gentilmente.
– Ah! Kristen! – Ele saudou-a com um gesto de cabeça, parecendo muito mal humorado.
– Esta é a Ashley.
Ela apontou para mim, tratei de sorrir o mais agradavelmente possível. Ele apenas repetiu o gesto que havia feito para saudar Kristen. Um silêncio constrangedor se instalou. Sobressaltei-me com um estalo de uma inesperada palma de Marc e sua exclamação tão alta quanto:
– Então vamos lá! Sem perder mais tempo!
Essas palavras pareceram ligar uma chave, todos começaram a se mexer instantaneamente, olhei para Kristen que revirava os olhos.
– Vamos lá! Sem perder mais tempo! – Kristen fez uma imitação assustadoramente parecida com a voz de Marc, exceto pelo deboche.
Segurei uma risada, colocando uma das mãos sobre a boca. Olhamo-nos e vi que ela também se segurava para não rir. Tratamos de nos recuperar logo e andar até o cenário. Marc nos mandava ficar em poses cada vez mais estranha, nos alternando no banquinho, nos fazendo deitar sobre ele, nos pendurarmos, nos abaixarmos, fazer mil e uma acrobacias.
Minhas pernas começavam a doer, parecia que estávamos ali há dias, eu estava estranhando a ausência de um diretor, pelo menos ele controlaria as maluquices de Marc certo? Mas não disse nada, estava tentando economizar energias para não cair em uma daquelas maluquices. Com uma olhada pelo canto do olho vi um relógio em uma parede, constatando que faziam cerca de três horas que estávamos ali e pela expressão de Kristen ela estava se aborrecendo também.
– Vamos garotas! Vocês podem fazer melhor que isso! Kristen apoie as costas nesse banco e fique de ponta cabeça. – Marc ordenava em uma voz enjoada.
Eu olhei para Kristen, que encontrou meu olhar, uma vontade de rir incontrolável se apossou de mim, me fazendo apertar fortemente os lábios, mas meus esforços foram desperdiçados, Kristen soltou uma alta gargalhada e eu não consegui mais me controlar.
Logo estávamos com uma crise incontrolável de risos, meus olhos lacrimejavam e eu podia ver que algumas pessoas a nossa volta faziam cara de confusos, riam ou se esforçavam muito para não fazê-lo, mas tinha uma expressão que era impagável: Marc estava com os olhos apertados em sua fúria, a boca escancarada em descrença.
– O que é isso? – Ele gritou. – Não sabem ser profissionais? O que estão fazendo aqui?
– Desculpe. – Falei depois de respirar fundo, tentando me controlar. – Não irá se repetir.
Marc revirou os olhos e estalou os dedos várias vezes até que a equipe que nos aprontou apareceu correndo para retocar a maquiagem que havia borrado por causa de nossos olhos marejados de tanto rir. Após um pouco de água e alguns poucos segundos de retoque estávamos recompostas e voltamos a nossa tortura, evitando olhar uma para outra para evitar outro ataque de risos e um possível ataque de fúria de Marc.
Finalmente, cerca de duas ou três horas depois, Marc se convenceu com uma ou duas dos milhares de fotos que havia tirado e, em fim, se retirou, sendo seguido pelo rapaz assustado com quem falava mais cedo.
– Ele devia se controlar ou alguma das veias dele vai estourar qualquer dia desses. – Kristen queixou-se enquanto esticava os braços a sua frente.
Eu balancei a cabeça, rindo. Olhei em volta, estávamos quase sozinhas, havia apenas uma ou duas pessoas na sala, a câmera esquecida em seu pedestal. Cutuquei Kristen e apontei na direção da câmera, com um só olhar ela entendeu e nós duas corremos até a câmera, contendo risos. Kristen começou a apertar os botões.
– Vamos ver o que esse mal humorado conseguiu... – Murmurou enquanto a primeira foto aparecia no visor. – Arg, isso não é muito bom.
As fotos realmente não eram muito boas, apenas uma ou duas se salvavam, eu realmente esperava que essas raras exceções fossem as fotos que o tivessem convencido ou eu não me orgulharia muito dessa matéria. As fotos eram estranhas e as posições em que estávamos não ajudava em nada a deixa-las bonitas.
– Eu acho que o Marc precisa visitar um oftalmo. – Resmunguei enquanto uma foto particularmente esquisita passava no visor.
– Com certeza, uns óculos talvez o ajudassem, vai ver ele está com dor de cabeça ou nos olhos, por isso esse mau humor todo. – Ela falou fazendo caretas por causa da foto seguinte. – Chega disso, por favor.
Ela saiu da opção de visualização e a câmera voltou a focar o cenário a sua frente. Trocamos um rápido olhar antes de eu assentir e ela apertar o botão para programar o disparo automático, olhei ao redor para a sala agora vazia, me sentia uma criança fazendo travessuras.
– Anda logo. – Kristen chamou me puxando.
Corremos até o cenário, nos aprontando, eu sentada no banquinho e ela abaixada ao meu lado, olhamos para a câmera bem a tempo do disparo. Nos levantamos rindo e corremos de volta para olhar a foto. Kristen a fez surgir no visor e fez uma cara séria, analisando a foto antes de falar:
– Sabe, eu acho que o Marc devia aprender alguma coisa com a gente.
Ela me olhou e imediatamente começamos a rir. Eu estava com algumas lágrimas caindo dos olhos e as costelas doendo quando uma vozinha aguda e trêmula nos alcançou.
– De-desculpe, eu preciso da câmera. – Era o rapaz assustado que seguia Marc.
– Hm, me deixe ver uma coisa nela primeiro? – Perguntou Kristen.
– Sinto muito, o Sr. Marc precisa dela agora. – Ele respondeu num sussurro antes de agarrar a câmera e sair correndo.
– Ops. – Kristen conteve o riso.
Naquele dia trocamos contato e viramos muito amigas, frequentávamos a casa uma da outra e saíamos juntas. Alguns dias depois ela me ligou, dizendo que estava indo a minha casa, que era um assunto urgente. Fiquei assustada, sem saber o que tinha acontecido. Assim que ouvi a campainha tocar, meia hora depois, corri para abri-la.
– Olha isso! – Kristen falou assim que abri a porta.
Ela ergueu uma revista aberta na minha frente, fiquei atordoada por um momento, até ter certeza do que estava vendo ali.
– Isso. É. Sério? – Indaguei totalmente boquiaberta.
– É. Nossa foto ganhou o destaque da matéria.
Sim, a foto, aquela que havíamos tirado por pura brincadeira ganhou uma página dupla na matéria. Depois do choque Kristen e eu rimos por horas, acreditando mais do que nunca que Marc era o pior fotógrafo que conhecíamos.
...
Alguns meses depois desse dia Kristen se mudou para Londres, ela voltou para os Estados Unidos algumas vezes, mas ela tinha encontrado seu lar em Londres, nosso agente nos Estados Unidos (sim, tínhamos o mesmo agente, por isso a sessão de fotos juntas) tinha um irmão que trabalhava em Londres, também como agente, ao qual Kristen recorreu e agora eu também recorreria.
Voltando ao presente notei que Kristen parecia um pouco nervosa enquanto dirigia pelas ruas de Londres, do lado direito do carro... Eu demoraria um bocado para me acostumar com isso, até lá entraria na porta errada do carro só para ter que dar a volta depois.
– O que foi? – Perguntei observando-a.
– Nada. – Falou mordendo o lábio inferior.
Revirei os olhos, obviamente ela estava nervosa com alguma coisa, ela era uma péssima mentirosa.
– Anda, fala logo, o que está acontecendo?
Ela respirou fundo antes de parar em um sinal e me olhar.
– Eu não sei se vai gostar do apartamento, procurei por dias para achar um que fosse perfeito, mas sua casa era tão grande e bonita, estou com medo de que não o ache perfeito como eu achei. – Ela falou voltando a morder o lábio.
Eu ergui uma sobrancelha enquanto ela voltava a por o carro em movimento, era bobagem dela, nunca liguei muito para isso. Claro, minha casa sempre foi impecável, minha mãe a havia escolhido e mobiliado, mas ela era decoradora, então isso não deve contar muito e eu me esforcei para manter a casa em seu estado original depois da morte de minha mãe, não havia mudado nada, tudo estava exatamente do jeito que ela gostava.
Eu sabia que gostaria do apartamento, eu confiava no bom gosto de minha amiga, por isso havia pedido para que encontrasse os móveis e tudo o mais, eu já havia visto como era a casa dela, tanto nos Estados Unidos como em Londres (ela havia me mandado algumas fotos de seu apartamento) e sabia que ela não iria me decepcionar, mas decidi tortura-la um pouco, então não lhe dei resposta nenhuma.
Continuei em silêncio até que ela parasse na garagem de um enorme prédio, nesse momento me esforcei muito para não deixar meu queixo cair, o prédio tinha uma fachada muito imponente e tinha muitos andares, muitos mesmo. Ainda parecendo meio nervosa Kristen voltou a falar enquanto tirávamos minhas malas do carro.
– É um prédio novo, terminaram a construção há poucos meses. – Informou enquanto indicava o caminho até para a entrada principal. – Fica perto do meu prédio, depois eu te mostro. – Ela falou, notei que seus olhos brilharam um pouco, mas não perguntei o porquê, algo me dizia que eu descobriria logo.
Passamos pela recepcionista que nos sorriu, ela chamou um rapaz que logo foi nos ajudar com as malas, antes de nos desejar uma boa tarde – sim era tarde, ainda, mas eu estava morrendo de sono, meu avião havia decolado por volta das dez da noite, durando cerca de sete horas e eu havia chegado a Londres meio dia, não, eu não fiz as contas errado, uma só coisinha explica isso: fuso-horário. Eu teria que dar um jeito de me adaptar a isso.
Fomos até o elevador, onde Kristen vasculhou sua bolsa atrás de um envelope, de onde tirou um tipo de chave achatada e sem aquelas serrinhas inseriu no painel, uma luzinha perto da fenda para a chave ficou verde, ela apertou um botão e o elevador começou a mover-se imediatamente. Kristen colocou a chave de volta no envelope e entregou-o para mim.
– Ai dentro tem três chaves, se quiser outra cópia precisa pedir na recepção, mas não sei bem como funciona. – Me avisou assim que peguei o envelope.
Assenti, abri o envelope e tirei de dentro uma das chaves, virando-a em minha mão para analisa-la antes de estendê-la para Kristen.
– Tome, fique com ela, para o caso de emergências... – Ela sorriu ao pegá-la. – Ou para o caso de sentir saudades de mim. – Completei e nós duas rimos.
Notei que o elevador ainda não havia parado, olhei para o visor que ficava ao lado da porta, já estávamos no vigésimo andar e o elevador ainda não havia parado, olhei então para as teclas que indicavam os andares, o prédio tinha exatamente quarenta de cinco andares, além do térreo, o botão que estava aceso era exatamente o de número 45.
Olhei pelo canto do olho para Kristen, que encarava os números mudando. Desta vez ela tinha se superado, eu moraria mesmo numa cobertura? Tive que me controlar mais uma vez para não começar a dar gritinhos de empolgação, ainda queria torturar minha amiga mais um pouquinho e, além disso, não queria assustar o pobre moço que estava nos ajudando com as malas.
Mais alguns segundos se passaram até que o elevador parou silenciosamente, suas portas se abrindo, dando passagem a um pequeno saguão, onde haviam alguns quadros, uma porta que dava acesso às escadas de emergência, um elevador de serviços, além do elevador de onde havia acabado de sair e uma porta que ficava bem em frente a ele.
– Bem, é aqui. – Kristen falou se aproximando da porta, visivelmente ansiosa. – Espero que goste. Você precisa da chave e da senha para entrar. – Kristen informou indicando um pequeno teclado com uma fenda para a chave onde, normalmente, ficaria a fechadura.
Assenti abrindo o envelope e tirando dele uma chave e um cartão que continha uma sequência numérica. Inseri a chave no painel, que emitiu um apito suave, digitei a senha – 3911 – e ouvi a porta se destrancar.
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