Notas iniciais
Oi meus amorees, como vocês estão? Gostaria de agradecer por estarem acompanhando, espero que gostem do capítulo...

“Se você estiver envolvida nisso, e eu tenho certeza de que está, você vai se arrepender amargamente. Estou esperando você sabe quem para ir embora, espero você em meu apartamento, precisamos conversar.”

Essa foi a mensagem ultra simpática que enviei à Kristen enquanto me encostava à lataria do trailer, com o salto afundando um pouco na lama, esperando-o.

Ele já não estava mais na campina, ali só se encontrava a equipe responsável por desmontar todos os equipamentos, além de Aaron e Louis conversando a um canto.

“Cave sua sepultura Megan”

Digitei agilmente outra mensagem, desta vez direcionada à Megan antes de jogar o celular na bolsa e voltar a olhar para a campina, onde uma vã estava sendo carregado com todo o equipamento.

– Parece que aprontaram outra vez.

A voz de Kellan soou muito perto, me sobressaltando e deixando meu coração a palpitar. Quando me virei vi que ele segurava a sua frente um bilhete escrito num papel similar ao que amassava em uma das mãos, só não distingui o que estava escrito ali.

– É, é o que parece. – Falei abrindo a mão com a bolinha de papel.

Ele riu, não identifiquei se foi de minha expressão, da situação ou do estado do meu bilhete, mas foi impossível não sorrir para ele enquanto balançava a cabeça, indignada com a “brincadeirinha” de Megan e companhia.

– Me desculpe por isso. – Ele falou depois de se recompor.

– Não é culpa sua. – Dei de ombros. – Mas eu juro que se não pararem com isso eu vou enterrar um por um.

– É tão ruim assim ficar comigo? – Questionou.

– Oh! Não, não foi isso que quis dizer... – Por algum motivo eu não queria que ele pensasse isso, e, na verdade, uma parte de mim não achava ruim estar com ele, mesmo que a outra estivesse raivosa e em desespero.

– Calma, eu sei, estou brincando. – Apaziguou. – Está pronta?

Assenti e, antes que eu começasse a andar, ele estendeu a mão e eu segurei-a, desta forma alcançamos o carro dele, sem dizer nem mais uma palavra.

Mais uma vez ele abriu a porta para mim e me ajudou a entrar, assenti em forma de agradecimento e ele me sorriu antes de dar a volta no carro e se juntar a mim.

Logo estávamos em movimento, eu apanhei a bolsa e peguei o celular, verificando se alguma de minhas “amigas” havia me respondido e constatei que não, com um suspiro frustrado voltei a jogar o celular dentro da bolsa e cruzei os braços, pensando na pior maneira de me vingar.

– Está muito irritada com elas não é? – Comentou Kellan calmamente.

– Não sabe o quanto. – Resmunguei.

– Olha, não precisa se preocupar com isso, nada do que elas tentarem vai mudar alguma coisa ok? Seremos colegas de trabalho, amigos, ou seja lá o que for, por decisão nossa e não delas, certo? Mas eu sei que isso irrita, se precisar de ajuda para enterrá-las ou coisa do tipo pode contar comigo.

– Sabe, eu acho que vou precisar mesmo. – Olhei para ele sorrindo e começamos a rir. – Mas você tem razão, eu só não estou gostando do que elas estão fazendo. – Falei após recuperar o fôlego.

– Eu entendo, elas podiam ter arrumado alguém melhor. – Ele falou em tom de brincadeira.

– Kellan! Não seja absurdo. – Ele voltou a rir e eu balancei a cabeça. – Não estou dizendo isso. Mas elas não deviam arrumar ninguém para começar.

– Eu sei, eu sei, desculpe, vou tentar controlar minhas gracinhas ok?

– Não... Não precisa... Eu... – Desviei os olhos. – Eu gosto, faz tudo parecer mais leve. – Dei de ombros.

– Ei. – Chamou depois de algum tempo em silêncio, virei minimamente o rosto em sua direção, para que ele soubesse que eu havia escutado. – Não tem que ficar envergonhada, pode me dizer qualquer coisa, não vou zombar de você, tirar conclusões, nem nada disso. Acredita em mim? – Perguntou olhando brevemente para mim antes de voltar a olhar para o trânsito.

– Acredito. – Sussurrei e vi sua covinha reaparecer.

Ele não falou mais nada, mas seu sorriso se mantinha e não demorou muito para que ele parasse o carro em frente ao meu prédio e voltasse a me olhar.

– Não esqueça que pode falar comigo quando quiser ok? Ainda tem meu número ou o excluiu? – Ele perguntou erguendo uma sobrancelha.

– Tenho, tenho sim, e obrigada. – Murmurei.

– Você esqueceu... De novo. – Alertou-me, a voz suave.

– Oh, é mesmo, vou tentar me lembrar. – Falei e um sorriso mínimo esticou meus lábios. – Agora se não se importa, tenho que matar alguém.

Ele riu e meu sorriso se alargou imediatamente, sua risada pareceu fazer vibrar meu coração e preencher-me com uma alegria que eu não sentia há muito tempo, uma alegria plena e sincera.

– Certo, lembre que pode me ligar se precisar de ajuda.

– Vou lembrar. Posso agradecer por ter me trazido para casa? – Questionei.

– Definitivamente não. – Ele sorriu.

– Isso não parece certo. – Resmunguei. – Bom, nos vemos por ai então.

Estendi a mão e ele assentiu, sorrindo, mas havia algo novo em seus olhos que fez meu coração pular algumas batidas. Ele pegou minha mão e depositou um beijo nela, fazendo todo o meu sangue subir mais uma vez para minhas bochechas.

– Tchau. – Sussurrei abrindo a porta.

– Tchau, se cuide. – Ele respondeu e soltou minha mão, meus olhos tentaram me enganar, fazendo parecer que ele estava relutante em fazê-lo, mas eu ignorei o que via.

– Você também. – Respondi antes de sair.

Acenei brevemente e fechei a porta, me virando e andando para o saguão, um pouco desconcertada, ainda sem saber o que pensar ou sem saber o que nele causava aquela confusão em minha mente.

Alguns minutos depois eu me encontrava em frente à porta do meu apartamento, sem saber ao menos como havia chego ali, tão distantes estavam meus pensamentos. Balancei a cabeça, me focando, antes de caçar a chave em minha bolsa e, ao achá-la, abrir a porta.

Assim que entrei ouvi risos vindos da sala de TV, mas eles se calaram assim que o som de meus saltos ressoou no piso, sendo substituídos por sussurros e depois pelo silêncio enquanto retirava os sapatos ainda sujos de lama, deixando-os ao lado da porta, assim como minha bolsa.

Rumei para a sala, subindo as escadas aos saltos, encontrei a mesa de centro coberta com uma toalha de mesa dobrada, com algumas caixas de comida chinesa, guardanapos e uma garrafa de vinho. Ashley e Megan haviam se levantado, sorridentes, para me recepcionar.

– Nem comecem a falar, eu vou arrancar cada fio da cabeça de vocês, vocês não têm o direito de fazer isso. – Explodi assim que elas fizeram menção de falar. – Vocês não sabem da bagunça que deixaram minha cabeça, eu estou a um passo de enlouquecer, eu não quero ser obrigada a estar com ele, nem com ninguém. Se eu quiser me relacionar com alguém vai ser por decisão minha e não de vocês. – Minha cabeça começava a latejar. – Eu não gostei nada dessa ideia de maluco. – Reclamei me jogando no sofá, enterrando o rosto nas mãos.

– Sabe o que eu acho Ash? — Kristen falou sentando-se ao meu lado e me estendendo uma taça, como se eu não tivesse dito nada. – Acho que você está fugindo do inevitável.

Virei o rosto para ela, tentando entender o que ela estava querendo dizer, porque eu não vi sentido algum em suas palavras. Senti minha cabeça latejar mais uma vez e bebi um pouco do vinho que tinha na taça.

– Você pode traduzir, por favor? – Resmunguei.

– Você está fugindo do destino querida, desde que chegou aqui você e Kellan estão destinados a se encontrar, lembra que Robert queria apresentar vocês? – Ela lembrou. – Desde aquele dia você está se esgueirando.

– Ela está certa. – Concordou Megan se afundando do meu outro lado. – Vocês estão predestinados. – Falou sonhadora.

Gemi, inconformada com o que elas estavam falando e apertei a têmpora, minha cabeça estava doendo e eu sabia que a friagem que peguei durante a sessão iria me deixar doente.

– Vocês são absurdas, eu não posso acreditar nisso.

Eu não podia acreditar, eu não queria acreditar, pelo menos minha racionalidade não, mas a parte de mim que ainda acreditava em contos de fadas estava se deleitando com a possibilidade.

– Olha, eu não estou conseguindo pensar agora, mas eu não consigo aceitar essa possibilidade, seria só mais uma decepção. – Argumentei.

– Talvez não seja Ash, não é diferente? Não se sente diferente com ele? – Kristen perguntou.

Parei por um instante para pensar, pegando uma das caixas de comida chinesa da mesa de centro e começando a comer, sem dúvidas era diferente estar com Kellan do que estar com Jackson, mas eu não sabia o que aquilo significava, eu não sabia o que Kellan significava.

– É, mas eu não sei se isso é bom, eu não sei o que sinto por ele. – Expliquei.

– Por que não tenta conhecê-lo antes de decidir? – Megan sugeriu. – Assim você pode descobrir se são só bons amigos ou se há algo a mais.

– É uma boa ideia, deveria tentar amiga, não tem nada a perder. – Kristen concordou.

– Eu não sei, eu vou tentar tudo bem? Eu só preciso de remédios, um bom banho e dormir.

– Tudo bem Ash, vamos deixar você descansar. A Meg aqui também vai para a festa da Prada, então vou ajudá-la a escolher um vestido, queríamos que fosse junto, mas não parece muito disposta, estou certa?

– Está sim. – Confirmei. – Mas depois eu quero ver ok? – Sorri para Megan.

– Pode deixar. – Ela sorriu. – Vamos Kris, vamos deixá-la descansar.

– Certo. Tchau amiga, qualquer coisa me liga. – Kristen me abraçou.

– OK. – Respondi. – E você pode voltar quando quiser. – Falei à Megan.

– Sem dúvidas. – Ela sorriu. – Nos vemos logo.

Ela me abraçou também e logo ambas estavam saindo. Após alguns minutos terminei de comer e limpei tudo, levando as coisas para a cozinha e arrumando a sala brevemente.

Permaneci apenas com minha taça de vinho em mãos, ainda pela metade, e subi as escadas até meu quarto, enchendo a banheira e me afundando nela.

Longos minutos depois saí da banheira, enrolando-me em um roupão. O banho não conquistara o efeito pretendido de me relaxar, todo o meu dia e todas as conversas rondavam minha mente e me deixavam completamente confusa e tentada.

Uma vez na cozinha lavei a taça, deixando-a na pia para escorrer, encontrei remédios para a gripe nos armários e os engoli, ainda sem saber o que fazer ou no que acreditar.

Decidi que eu não podia ficar parada, decidi que eu não podia me deixar abater por aquele sentimento de confusão. Eu desejava mais do que tudo ter meus pais comigo, para me ajudar a entender e fazer a coisa certa, mas eu não poderia mudar isso.

Nesse momento decidi que me ocuparia com outra coisa, para tentar não pensar, então me apressei de volta para o quarto, encontrei um moletom, apanhei a chave, o celular e fones de ouvido e saí, o elevador não demorou muito a chegar, mas, como eram muitos andares, a descida demorou.

Peguei o celular do bolso, tentando me distrair e me lembrei de alguém que estava disposto a me fazer entender, mesmo que fosse grande parte da confusão. Entrei na agenda e não demorei a encontrar seu número, salvo com sua foto e seu nome e sobrenome, como ele salvara dias antes.

“Ainda está disposto a me ajudar a enterrar as garotas?”

Hesitei um pouco para apertar o botão para enviar, mas acabei por fazê-lo, mesmo tendo me arrependido imediatamente... Eu estava fazendo exatamente o que Megan e Kristen falaram e eu não estava gostando daquilo, eu não queria conhecê-lo, não queria sentir nada por ele e não queria me machucar de novo.

As portas se abriram, me tirando de meus devaneios e eu atravessei o saguão, alcançando a rua. Senti a brisa gelada me tocar mais uma vez e deixei que ela levasse minhas preocupações.

Passei a andar pelas ruas de Londres, indo em direção a um parque que Kristen havia me apontado dias atrás há alguns quarteirões dali. E, assim que entrei no parque, coloquei o fone de ouvido, colocando a música para tocar e comecei a correr, acolhendo feliz a sensação de estar fazendo alguma coisa.

Conforme eu corria sentia meus músculos respondendo, sentia minha respiração e meus batimentos cardíacos aumentarem seus ritmos e também podia sentir o suor se formando conforme eu corria.

Um som que não pertencia à música que tocava no momento me chamou atenção, ao mesmo tempo em que senti o celular vibrar no bolso. Diminuí um pouco o passo, pegando o aparelho do bolso. Quando vi quem era meu coração pulou uma batida e meus passos perderam ainda mais ritmo enquanto eu lia a mensagem, sentindo o coração martelando em meus ouvidos.

“Com toda a certeza... É só me dizer quando e onde...

Elas estão te irritando de novo?”

Perguntei-me se deveria responder e, se sim, o que deveria responder. Amaldiçoei-me diversas vezes por ter enviado a mensagem, mesmo que eu quisesse alguém para conversar, não precisava ser ele, certo? No fim aquilo tudo estava acontecendo por causa dele e falar com ele era exatamente o oposto do que minha razão acreditava.

Por outro lado – e era o que alguma coisa em mim gritava – eu estava precisando de alguém que me ajudasse a entender, e, sejam quais forem as intenções dele, ele parecia disposto a tentar... Desta forma, prendi a respiração enquanto digitava rapidamente.

“Sim, elas estão, querem me obrigar a sentir coisas que eu não sei se sou capaz e isso está mexendo no meu juízo, eu sinto falta de alguém pra me ajudar a entender nessas horas...”

Mordi o lábio inferior enquanto enviava a mensagem, agora só caminhando pelo parque, sem prestar muita atenção a nada, a não ser o celular que eu fitava, aguardando. Não demorou muito para que ele me respondesse.

“Sente falta da sua mãe não é? E quanto às suas amigas, não dê atenção à elas, faça o que seu coração mandar, não o que elas mandarem... E eu não sei se vou dizer besteira, mas se isso tiver alguma relação comigo, me desculpe, posso pedir para elas pararem.”

Ainda andando ergui os olhos por um instante, pensando na minha mãe e no que ele havia dito e duvidando um pouco que o pedido dele surtisse efeito, talvez surtisse, mas o extremo oposto, porque elas saberiam de nossa conversa

“Sim, eu sinto, muita. Acho que está certo, eu devia parar de me irritar tão fácil com elas, mas elas me tiram do sério. Não se incomode, isso não iria refreá-las.”

Enviei essa mensagem e comecei a trocar de música enquanto aguardava uma resposta, eu estava desligada e provavelmente não era a única, pois me choquei com alguém nesse processo.

– Desculpe-me, estava distraída, me desculpe mesm... – O som de minha voz sumiu quando registrei o sorriso e os olhos dele.

– Acredita em coincidência? – A voz rouca soou.

Notas finais
Bom pessoinhas, é isso. Gostaram? Adoraria saber a opinião de vocês. E ai, o que será que vai acontecer agora? Eles vão continuar com essa conversa ou a Ash vai arrumar um jeito de fugir? Bem, eu não sei se vou conseguir postar mais até sexta que vem, então... Feliz Natal meu amores! Que o Papai Noel atenda o pedido de vocês, tudo de bom para vocês, aproveitem muito o Natal. Nos vemos logo ;*