- Não acredito, eu simplesmente não acredito nisso. — mari disse olhando para o papel em suas mãos com um misto de surpresa e felicidade.

Gargalhei animada olhando em volta, vendo os alunos se dispersarem e olharem com cara feia para nós cinco no meio da calçada. Era dia de entrega de boletim e a ultima vez que nós veríamos a cara feia daquele povo.

Nada contra gente feia, mas eles eram tão irritantes que até os bonitos eram feios. E para meu alivio e de todas as meninas, estávamos formando, e entrando para uma nova fase na nossa vida. Faculdade, caras bonitos e maduros, estudos avançados, tempo apertado... Parece o pesadelo da maioria das pessoas, mas nós... nós só estávamos dando graças a Deus. Adeus escola, adeus pessoas infantis e... adeus marina

marina era simplesmente a menina que eu mais odiava em toda a minha vida... Ok, é um pouco de exagero. Mas eu a odiava, não tem intensamente, mas eu a odiava. Ela era o exemplo daquelas garotas puxa-sacos que não velem nem uma moeda de um centavo, eu sempre fui aquele tipo de pessoa que não tolera falsidade ou qualquer tipo de modo de aproveitamento.

E foi quando eu a vi se aproximar que eu senti que poderia fazer qualquer coisa, desde que feri-la estivesse entre elas. Virei-me em um ato impensado tentando focalizar mila, essa que acenou com a cabeça e se afastou até um dos garotos que costumava conversar. Observei até ela se afastar e tornei meu olhos para o ser horripilante na minha frente.

— Ouvi dizer que ganharam a viagem. comentou se aproximando e parando perto de nós.

— Ouviu bem. rebati rapidamente.

Ela me encarou com aqueles olhos pequenos, os estreitando.

— Londres né? ela disse séria, mas logo sorriu. Entreguem-me um porrete por favor. Que ótimo, é o lar do meninos de One Direction, não é mesmo?

Ouvi thai bufar ao meu lado. Sorri de canto.

— Para alguém que se diz fã, você está cheia das duvidas, huh? perguntei com um pingo de sarcasmo.

— Parece que a pequena marina está se revelando a grande idiota que sempre foi. comentou tai, enquanto um sorriso sarcástico brincava em seus lábios.

— Ela nunca deixou de ser, tai. — mari cruzou os braços debaixo dos seios, uma mania que adquiriu para esconder sua raiva.

-Vim dar os parabéns. comentou marina, provavelmente querendo desviar do assunto. Bati palmas, tentando parecer calma, mas na realidade, explodindo de raiva por dentro.

— Que bom hein? disse enquanto largava minhas mãos ao lado do corpo. Sabe marina, durante todo o ano, você tentou se aproximar da gente, mas acho que esqueceu que nunca, nunca em toda minha vida eu permitiria que alguém que magoou mila, ou qualquer uma de minhas amigas se aproximasse. Desculpe, mas se está precisando de amigas — dei de ombros -, acho melhor ir até algum covil de cobras ou algo assim, você vai se afeiçoar rapidamente com alguma delas.

Escutei thai dar uma curta risada ao meu lado.

— Sabe marina, você tem muito o que aprender. Tentar gostar de uma banda para fazer amizade não é lá algo muito admirável. — thai disse de modo retórico. Quer dizer, em todos esses anos, eu achava que você aprenderia algo, mas vejo que a solidão tem te feito uma completa idiota.

— O que passou, passou gente. marina gritou exaltada. Sinto, por ter aproveitado da camila e em todo o dinheiro que ela não conseguia gastar...

— Dinheiro? perguntou mari. Ninguem falou em dinheiro, estamos falando do irmão da mila sua idiota, muito me admira que você tenha esquecido isso.

— Eu não tenho culpa se me apaixonei pelo irmão dela. — marina resmungou e fez um gesto displicente com as mãos Eu queria ele, e pouco me importava a amizade dela se o irmão dela gostasse de mim.

— Claro, e com certeza deixar o irmão dela viciado em drogas estava em seus planos maléficos de conquistá-lo. comentei.

Ela se aproximou de mim ameaçadoramente, vi as meninas se afastarem. Nunca em todos nossos anos de escola, havíamos visto marina tão alterada.

— Não repita isso. ela murmurou apontando o dedo para meu rosto. Se o irmão dela não está em casa há mais de meses, não me importa, desde que eu o continue vendo.

— Não tente nos enganar marina — murmurei no mesmo tom que o dela. Vamos diga, não vamos nos ver mais, esse foi nosso ultimo ano aturando você, não precisa ficar bancando uma de legalzinha. Diga que foi você. Diga que você que deu aquela droga pra ele, sabendo que o quanto estava frágil pela morte da mãe, você sabia disso. E também sabia que para mila ele era seu único ponto de apoio. O pai deles nunca deu a atenção devida para os filhos, e você sabia que mila precisava dele, e você foi e fez de tudo para distanciá-lo, queria ele para você.

— Não diga o que você não sabe, virginia — disse ameaçadoramente.

— Sabe, eu tenho mais medo do Bozo do que de você. comentei com um sorriso divertido. O que vai fazer? Me bater com um dos sacos de maconha que carrega ai dentro? perguntei arqueando as sobrancelhas, e maneando com a cabeça sua mochila.

Ela se aproximou rapidamente, e no mesmo instante as meninas se aproximaram. Mas naquele momento eu queria realmente bater nela, eu não me importava com o que o pessoal acharia ao me ver socando sua cara de porco até vê-la morrer. Quem magoa uma amiga minha em tal intensidade não devia viver.

— Vai embora marina. gritou thai. Eu não hesitaria em te bater, nem ao pensar que eu posso quebrar minha unha na sua cara.