Notas iniciais
Enfim uma conversa na realidade! Como ficou nosso casal? Descubra...

Quando Ema se deu conta estavam deitados, ela descansava sobre o peito dele sorrindo como nunca havia feito antes na vida, uma paz a invadiu. Ela nunca sentira aquilo, aquela alegria tão livre, tão grande. Era até indescritível. O olhou, queria ver se nele encontraria a palavra, a resposta. Ernesto tinha os olhos fechados, e um sorriso sereno no rosto, sereno que contrastava com o coração que ela sentia bater forte sob sua mão. Mas, aquele semblante nele ela não tinha visto muitas vezes. Ele era sempre tão efusivo, sempre armado e petulante... Agora estava ali parecendo sonhar, sonhar um sonho bom! Não resistiu e lhe acarinhou a face, desenhando com o toque aquela imagem que ela queria guardar para sempre em sua mente. Assim que a sentiu o sorriso alargou mais..

— Baronesinha, baronesinha! — a voz era preguiçosa. — O que pensa que está fazendo?

— Nada! Só estou observando o senhor.

— E o que está vendo?

Ela parou o carinho.

— Um italiano bronco, mal criado e cabeça dura... — ele finalmente abriu os olhos e a encontrou com um lindo sorriso nos lábios. — que me mostrou um jeito lindo de ver a vida.

Ernesto sorriu, enrolando o dedo num dos cachos de seus cabelo que lhe desenhava a face.

— Sabe que eu nunca pensei que pudesse aprender algo com a senhorita...

— Já vai troçar de mim? — ela estreitou os olhos para ele.

Ele sorriu ainda mais.

Mas... — continuou. — Vejo que estava enganado. Todos os meus preconceitos com a sua classe me caíram por terra.

— Não nos separe assim! Por classes. Além do quê, se formos parar para pensar, somos da mesma agora.

— Não! — ele continuou fazendo carinho na face dela, que agora tinha o semblante um tanto preocupado. — Não somos, talvez nunca seremos.

— Não fale assim, por favor!

— Ema! — ela sentiu o solavanco em seu peito ao ouvir dele seu nome, e lembrou -se que em sonho ou em realidade, Ernesto lhe causava as mesmas sensações. — Quero que fique comigo mais que tudo nessa vida. Mas, me preocupo. Vejo agora que estaria sendo egoísta se não o fizesse. Pois não tenho praticamente nada para lhe oferecer.

— Eu não estou lhe pedindo nada.

— Mas que tipo de homem eu seria se eu mesmo não exigisse isso de mim? — Ernesto falava a olhando nos olhos, e ela via que sua preocupação era real e lindamente genuína. — Se não posso dar o mínimo de conforto a mulher que amo, e isso não me parece...

— A quem? — ela o interrompeu, com o coração acelerado. Ernesto falou tão naturalmente que parecia ter se dado conta só então do que falara. Ema pensou que só mesmo ele para soltar aquilo, assim, de forma tão... tão... fora de hora?! Não, fora de hora realmente não era, mas a pegara completamente de surpresa, uma maravilhosa surpresa.

Ele finalmente sorriu passado alguns segundos.

— O que acha que sinto por você, baronesinha? Acha que eu estaria aqui com a senhorita em meus braços se não a amasse, se não, não apenas desejasse, mas também planejasse está com a senhorita para o resto dos meus dias?

Tudo nela se aqueceu ainda mais. Olhando os olhos dele cheio de certeza e convicção do que sentia, porém com lampejos de receios por se dar conta da realidade em que ambos viviam. Sempre o viu como homem imbatível e cabeça dura, que lutava pelos seus sonhos, pelo que queria e não tinha medo de nada, e era isso que a fazia admirá-lo. Porém naquele momento Ema viu que ele tinha medo, mas até os medos dele, era sobre fazê-la sofrer. E o admirou mais ainda, por ser um homem com sentimentos realmente comuns, afinal como ele já lhe dissera uma vez " Sentir medo é tão humano quanto sentir amor.". Lhe faltou palavras e na falta dela lhe vieram as lágrimas, e lhe sorriu em meio a elas.

— Quero estar com o senhor — disse por fim. — Eu também não estaria aqui se não quisesse. Além do mais, eu não estaria aqui se não tivesse pensado em nossa realidade. Mas, acredite, para mim ela é mais bonita do que qualquer outra. — ele lhe enxugava delicadamente a face, com os olhos também brilhando. — Não sei como faremos. O que será de nós, mas sei a única coisa que quero, e é que estejamos juntos. Porque eu também o amo, e simplesmente não consigo mais imaginar a minha vida sem o senhor.

Ernesto a beijou de súbito, acarinhando com paixão os lábios que lhes dissera as palavras mais lindas que ele já tinha ouvido na vida. Pensando consigo mesmo, que depois daquilo Ema podia gritar e espernear, mas ele jamais a deixaria.

— É isso que aprendi com você — disse quando se separaram. — O seu lindo desabrochar, baronesinha. Como pode ser tão frágil e tão forte ao mesmo tempo? Tão delicada e tão firme? Tão menina e tão mulher? — ele enrolou o dedo no cacho solto de seus cabelos. — Ficaremos juntos, eu prometo!

— E o senhor vai me agüentar? – ela sorriu. –Posso ser pobre, mas continuou cheia de frufrus!

Ele gargalhou.

— Quando a baronesinha estiver me tirando à paciência a prendo no armário, até o tempo de sentir sua falta e voltar à solta-lá... – Ela lhe beliscou o braço. – Au!!

— Não seja tratante! – ela bufou.

— O que? Disse que sentiria sua falta! – ele disse, com a melhor cara de inocente. Ela estreitou os olhos para ele. De súbito a pegando, completamente, desprevenida, virou-se na cama levando ela consigo, a prendendo com o seu corpo. Ema sentiu a face esquentar, e o coração acelerar, puxava o ar com dificuldade, mas nunca um peso sobre si fora tão aconchegante. Ele a observou por um tempo, Ema viu seus olhos brilharem, depois se aproximou e apenas soprou nos lábios dela, em seguida levantou-se. – Tenho que trabalhar, baronesinha! Agora mais que nunca...

E saiu a deixando ali, completamente corada, anestesiada e com o coração disparado no peito. Apenas pensando que sua vida a partir de então jamais seria previsível, mas ela não podia estar mais feliz por isso!

Notas finais
Obrigada pela atenção e pelo carinho com a fic! Aguardo os coments! Até o próximo capítulo!