Realidade Alternativa
3 Maldição de Uchiha é ódio, já a do Sasuke é ciúme
Notas iniciais

Ao contrário dele, que se manteve com as mãos enterradas nos bolsos da calça para se impedir de fazer qualquer coisa impensada, como o corpo clamava para fazer, Naruto fez o maior drama da história abraçando-a, berrando e chorando pela enorme saudade que sentia dela.
Dócil e gentil como sempre foi, ela o retribuiu rindo e o acalmando.
Acalmando de um jeito que sentiu inveja.
Inveja e ciúme.
Principalmente quando todos os colegas da Academia Ninja fizeram o mesmo. Com as meninas fazendo escândalo com pulinhos e gritinhos histéricos a abraçando lidou bem, por mais que odiasse aquela baderna feminina e o fato de elas cansarem ainda mais a Sakura, que já parecia cansada devido a viagem, entretanto a coisa piorou consideravelmente ao ver que as boas-vindas íntima não acabou ali.
Oh, seu olho tremeu de irritação ao ver Sakura ser abraçada por Lee. Depois um tique nervoso começou a repuxar seu lábio inferior vendo-a ser abraçada por Kiba, Shikamaru e até o Chōji.
Quando foi que aqueles caras se tornaram tão próximos dela e irritantemente abusados para extrapolar o limite da intimidade que não tinham com ela?
No entanto, seu sangue ferveu e até os nervos das têmporas saltaram observando com o ódio e o ciúme se misturando dentro de si o Neji abraçá-la, parabenizando-a pelo “desempenho excelente na guerra”.
“… desempenho excelente na guerra.”, repetiu mentalmente com a vozinha irritante que o parasita maligno tinha.
Pff… ele nem estava presente quando ela deu um show ao avisar os adversários em campo: “Para ferir eles, tem que passar por mim. Quero ver quem vai ser capaz de conseguir isso.”, depois de estalar os dedos com punhos fechados e um sorriso determinado e confiante e defender a linha que impôs de segurança com unhas e dentes.
Desempenho excelente era pouco para o que ela apresentou.
E Neji era um tolo se achava que sabia do que estava falando com aquelas palavras medíocres.
Emburrado, virou o rosto para o lado cruzando os braços. A guerra tinha acabado, mas pelo visto seus nervos ainda estavam à flor da pele.
Graças aos Deuses a Sannin interferiu naquela palhaçada, senão haveria uma cena pouco agradável para um reencontro protagonizado por ele saindo na mão com o parasita maligno.
— Vamos, Sakura. Temos pendências importantes a resolver.
A garota assentiu sorrindo e olhou para todos, deixando o olhar pairar sobre ele por alguns segundos em que sentiu o coração acelerar pela breve atenção nele.
— Desculpe, pessoal… eu preciso ir. Obrigada por virem me receber.
Então ela se foi, levando consigo o sorriso que ele a ofereceu como despedida.
— Já está emburrado de novo. — Naruto comentou ao seu lado assim que Sakura ficou distante o bastante para não ouvir, fazendo-o revirar os olhos. O loiro riu malicioso, cobrindo a boca com uma mão num cochicho pouco discreto — Pensei que fosse pular no pescoço do Neji.
— E por que eu faria isso? — desdenhou, vendo o sorriso do idiota aumentar significativamente. Bufou e começou a se afastar, tendo em mente que não valia a pena ouvir o que viria a seguir — Estou indo.
— Ei, Sasuke! Vamos encontrar a Sakura-chan mais tarde para uma comemoração?
Escandaloso de uma figa!
Gritando aquilo aos quatro ventos vai atrair atenção indesejada e isso se provou certo quando ouviu as exclamações dos colegas concordando.
“Não foram convidados!”, queria voltar lá e dizer, mas desconfiava que faria mais do que aquilo se voltasse.
O dia passou tão irritantemente lento que se perguntou se estava sofrendo algum castigo e a coisa piorou quando se juntou aos mesmos idiotas de mais cedo para reencontrá-la para uma “confraternização em grande estilo”, segundo o idiota de marca maior – vulgo Naruto. Ela não apareceu no ponto de encontro e quando foram buscá-la na Torre Hokage – informação que Naruto descolou clandestinamente – quebraram a cara ao saber que estava em reunião oficial e não sairia tão cedo.
Na manhã seguinte, depois de se reunirem novamente, descobriram que “não sairia tão cedo” foi dito ao pé da letra. A reunião ainda não tinha acabado e, segundo o fofoqueiro com quem Naruto descolava informações clandestinas, mais pessoas importantes foram chamadas para participar, o que significava que algo sério estava ocorrendo.
Ficar tenso e paranoico com a possibilidade da guerra não ter acabado como pensou foi inevitável e não foi o único a cair na pilha, mas, por sorte, não se tratava de nada negativo. Dois dias depois, em que não viram Sakura nem ir para casa, pois, o mesmo fofoqueiro disse que Tsunade e ela dormiram no escritório, souberam que, devido ao que viram no pós-Guerra, as duas criaram um plano de reconstrução na saúde que incluía a criação de mais hospitais especializados, uma por Aldeia Ninja ou Civil – no mínimo –, além de Clínicas Infantis de Assistência Médica Mental e a surpresa foi saber que essa foi uma proposta da própria Sakura.
O quanto de orgulho que ele sentiu ao saber daquilo não poderia ser descrito. Um sorriso idiota dominou a boca dele e não saiu pelo resto do dia. Efeito Sakura, supôs, pois somente ela era capaz de fazer o corpo dele desobedecê-lo e humilhá-lo publicamente com aquele tipo de exposição desnecessária.
Afortunadamente não era o único. Naruto tinha um sorriso que mal deixava sua boca também, além de parar cada pessoa que passava por ele na rua para contar que a companheira de time dele criou uma Clínica Infantil para ajudar as crianças no pós-guerra.
Então, no dia seguinte, a encontraram junto do Kakashi por acaso, quando os dois estavam a caminho do antigo campo de treinamento que o Time 7 costumava usar.
— Sakura-chan! — o outro berrou ao seu lado e precisou se afastar com uma careta de dor para não ficar surdo.
A garota se virou para trás com um sorriso radiante e Kakashi, que estava ao lado dela, também.
— Ah, oi, meninos! — saudou-os como antigamente e o coração dele aqueceu, amolecendo até mesmo a irritação sólida dele.
— Onde estão indo?
— Estou indo para casa me trocar. Temos uma reunião com o Kazekage-sama e o Mizukage-sama daqui a pouco.
Franziu o cenho.
— Oh… as coisas estão corridas para você, hein. A vovó peituda também ‘tá trabalhando assim que nem você? Porque se ela não tiver, me fala que conto pro meu pai’ttebayo.
Ela riu graciosa, olhando-o por segundos.
— Nós duas estamos dando o nosso melhor e-… — grudando o loiro pelo colarinho de sua blusa laranja, ameaçou: — mais respeito com a Tsunade-sama. Ela é uma Sannin.
Sorriu de canto. Sempre gostava de vê-la colocar o Naruto em seu devido lugar, mas aquela áurea assustadora e confiante era nova.
Nova e instigante.
— ‘Tá-tá certo, Sakura-chan, vou me lembrar disso. — o outro resmungou e ela sorriu gentil, ajeitando a blusa dele.
— Ótimo, agora preciso ir.
— Sakura. — a chamou, pegando-a de surpresa já que arregalou os grandes e brilhantes olhos esverdeados na direção dele — Está descansando e se alimentando corretamente?
Está certo que o que estava fazendo era muito importante, mas não a perdoaria se estivesse sendo negligente consigo mesma.
Sorrindo, ela assentiu — Estou sim, Sasuke-kun. Não se preocupe. — ele assentiu satisfeito e sorriu de canto quando percebeu que ela o encarou descaradamente por mais tempo do que o normal, percebendo sozinha e ruborizando adoravelmente desconcertada ao se voltar para o antigo professor — Você vem, Kakashi-sensei?
— Não, tenho que fazer umas coisas. Te encontro na reunião.
— Está bem. — sorrindo e acenando, ela se voltou para eles — Até mais.
Quando os três ficaram sozinhos, Naruto cutucou Kakashi com o cotovelo.
— Ela mentiu ou está se cuidando mesmo?
— Está se cuidando, não precisa se preocupar.
Oh, o fofoqueiro que cedia informações clandestinas para o Naruto era o Kakashi então. Sempre suspeitou desse desvio de caráter do mais velho, mas não o julgou mal desta específica vez porque ficar a par das coisas sobre ela o deixava estranhamente confortado e satisfeito.
A implementação dos planos de Tsunade e Sakura levaram três semanas em que trabalharam no limite e sem interrupções para fazer tudo acontecer da melhor forma possível, enquanto Naruto e ele treinavam e realizavam missões que resguardavam a Vila. A reunião com os líderes de Sunagakure— Vila Oculta da Areia – e Kirigakure— Vila Oculta da Névoa – rendeu na expansão do projeto para seus países e logo os outros dois países demonstraram interesse em implementar também, não só o sistema médico ampliado como o novo sistema médico mental infantil.
Um mês e meio depois, quando as coisas se acalmaram por tudo seguir como o planejado e todos os Ninjas que estavam fora em missão retornaram, o Yondaime Hokage concluiu que era hora de retomar as tão merecidas e necessárias graduações e promoções, principalmente depois de todos prestarem serviços imprescindíveis para a vitória de Konoha.
Devido a Guerra – e o que veio nos dois anos e meio antes de ela chegar –, as graduações da Academia Ninja e os exames Chūnin e Jōnin foram adiados.
Todos estavam correndo com preparativos dos festivais regionais, das festas particulares comemorativas e dos exames de graduação e promoção, inclusive ele. Cerca de um ano depois de deixar Konoha, ele foi promovido a Chūnin pelos seus feitos, apesar de não ter tido nenhuma cerimônia ou comemoração, já que, obviamente, estavam no meio de uma possível guerra, assim como soube que Naruto e Sakura também foram e, em reflexo a vitória que o Time 7 garantiu na linha de frente da guerra, foram indicados para o exame de promoção a Nível Jōnin, junto de mais dois outros colegas que se destacaram nessa primeira chamada, como Shikamaru – que participou ativamente do departamento de Inteligência – e Neji – que manteve a linha defensiva do nordeste protegido até o Yondaime Hokage fechar um acordo com Kumogakure— Vila Oculta da Nuvem.
Só então, que tanto ele quanto Naruto, viu a Sakura, pois ela esteve por todo aquele tempo ocupada com o projeto da Clínica Infantil e os dois em treinamentos pesados para o exame.
Mais uma vez sentiu um imenso orgulho dela ao ser promovida e reconhecida por ser especialista em Ninjutsu Médico, recebendo o título de Segunda Melhor Médica-Nin do Mundo Shinobi, e em Taijutsu como a Kunoichi mais forte e flexível da geração.
Naruto também lhe deu orgulho ao ser promovido e reconhecido pela especialidade em Senjutsu— Técnicas Sábias – e Fūton— Liberação do Vento – e ele não ficou para trás por ter se tornado especialista em seu Dōjutsu— Técnicas Oculares – após ter adquirido o Mangekyō Sharingan ao ver Itachi sofrer um ferimento grave bem a sua frente durante a guerra e acreditar piamente que o perderia – e em Raiton — Liberação de relâmpago.
O antigo Time 7 e os Atarashī Sedai Densetsu no Sannin – A nova geração dos Três Ninjas Lendários – provou com méritos seu valor, destacando-se na prova com facilidade. Assim que o resultado saiu, logo após o último teste, os novos Jōnin de Konohagakure receberam convites especiais que, infelizmente, separou-os para que cada um seguisse seu próprio caminho. Ele se aceitou ingressar na ANBU, assim como seu irmão. Naruto aceitou se tornar um Jōnin-Sensei – e que Deus cuidasse e protegesse o time de Genin que ele supervisionaria – e Sakura aceitou se tornar oficialmente parte da equipe médica do Hospital Central de Konoha e liderar a Clínica Infantil.
Para comemorar, decidiram se juntar aos colegas naquela mesma noite, antes que ficassem ocupados demais para se verem.
Ele se arrumou mais do que admitiria, pois seria o primeiro reencontro com ela que não estavam com pressa ou preocupados com suas obrigações. Tinha sérias esperanças de conseguir um momento a sós para uma conversa um pouco mais íntima e quem sabe relembrar velhos tempos, só que suas esperanças caíram por terra assim que os colegas se dividiram em dois grupos: o de garotas e o de garotos.
Emburrado com braços cruzados e cenho franzido, mirou a mesa da frente impaciente com o rumo das coisas. Naruto, ao seu lado, não se calava nem por um instante. Os caras ao redor pareciam tão sem noção de comportamento quanto o idiota de marca maior e Sakura estava na outra mesa rodeada de garotas conversando sobre algo que aparentemente era constrangedora para ela, já que estava toda encolhida, ruborizada e desconcertada.
Oh, como odiava sociais.
E odiava mais ainda ser obrigado a ficar onde e com quem definitivamente não queria.
— Agora que a guerra acabou, posso voltar a me dedicar a encontrar alguma garota. — Kiba confidenciou com um sorriso malicioso e ele desviou o olhar da Sakura para ver a expressão idiota e iludida que fazia naquele instante.
— É mesmo, eu também preciso investir nisso. — concordou Chōji enfiando uma enorme fatia de churrasco assado na hora na boca.
“Vai conseguir muita coisa comendo com um porco.”, refletiu, revirando os olhos.
— Acho que todos nós precisamos! Eu estava prestes a dar meu primeiro beijo quando a guerra começou’ttebayo.
Naruto era mais idiota do que julgava se achava que alguém acreditaria naquela ladainha.
— É mesmo, conquistador? — desafiou Shikamaru, com um sorriso matreiro — E com quem?
Cansado daquele assunto idiota como os idiotas envolvidos, bebeu o chá que pediu para se distrair.
— Com a Sakura-chan é claro!
Cuspiu a golada que deu sem conseguir se frear e todos na mesa o olharam, vendo-o tossir como um desgraçado. Se compadecendo de sua situação humilhante, Lee, que estava do seu outro lado, começou a lhe dar tapas nas costas.
Mas o quê?! Sempre soube da queda de um abismo que Naruto tinha por Sakura desde a Academia Ninja, mas nunca pensou que aquele idiota investiria seriamente na paixonite infantil.
— Estava quente. — justificou, observando com atenção Neji franzir o cenho o encarando.
Parasita maligno abusado. Estava olhando o quê?!
— Na festa de aniversário dela, — Naruto continuou, aparentemente chateado — mas ela sumiu da festa na hora que fui procurá-la…
Engasgou com a própria saliva – desta vez em embaraço por ter sido o responsável por sequestrá-la – dando início a outra crise de tosse tão forte e humilhante que até a Sakura, que estava de costas para a mesa dele, se virou e se levantou vindo ao seu encontro imediatamente.
— O que houve? — ouviu-a perguntar para os colegas e se forçou a parar de passar aquela vergonha.
Não ouviu nada do que disseram, estava se concentrando em parar de tossir, recebendo um afago gentil nas costas e toda a atenção dela.
Oh, se soubesse que era só se engasgar para ter a atenção dela o teria feito muito antes.
— Estou bem, obrigado. — disse, recebendo um copo de água dela direto na boca.
Tratamento vip? Aquilo estava se saindo melhor do que o esperado.
— Está com a garganta irritada? Posso curá-la se quiser, Sasuke-kun.
Tão prestativa. Quase suspirou sem querer.
Como ia fazer para manter a boca inexpressiva? O corpo dele já começou a reagir sem seu consentimento relaxando quando deveria mostrar firmeza. Se as coisas continuassem daquele jeito, logo sorriria.
Maldição!
“Está irritada.”, estava prestes a dizer, mas conseguiu se impedir com o bom senso o lembrando de que deixar Sakura preocupada desnecessariamente só para continuar sendo mimado por ela era golpe baixo.
— Estou bem. — respondeu, cruzando os braços para se impedir de pegar a mão dela e arrastá-la para longe dali.
Só queria alguns minutos a sós. Era pedir muito?
— Oh, certo, eu-… — ela pareceu desconcertada e ele franziu o cenho, não entendendo o que a deixou daquele jeito — vou voltar para a minha mesa então.
Ela correu tão rápido dali que não teve tempo nem de perguntar o motivo e com a ausência da única coisa que tinha a sua atenção, percebeu todos os olhares, sem exceção, na direção dele.
Franziu o cenho ainda mais.
— O quê é? — perguntou, impaciente diante do silêncio absoluto.
— Pensando bem… você também sumiu naquela festa, Sasuke. — Naruto disse o encarando com estranheza e ele se forçou a manter a pose de indiferença e desdém, mesmo que estivesse surpreso pela conclusão perspicaz. Afinal, Naruto não era perspicaz, passava longe disso. — Onde estava?
— É, onde estava, Sasuke-san? — Lee inquiriu também e os olhares em volta mostrava que faziam a mesma pergunta mentalmente.
Bufou e revirou os olhos.
— Isso não é da conta de nenhum de vocês.
— Ah, mas é sim! — Naruto berrou causando uma dor aguda no ouvido dele já que estavam lado a lado, se levantando e espalmando as mãos na mesa — Por acaso você e a Sakura-chan-…
— O que está dizendo? — Neji interrompeu o idiota e ele se perguntou com quem estava mais irritado: o parasita maligno por se intrometer com aquela arrogância toda ou o idiota escandaloso. — É claro que o sumiço da Sakura e o do Sasuke não tem nenhuma relação.
Certo. Definitivamente não era bom o parasita ir por aquele caminho.
Um sorriso repuxou o canto dos próprios lábios e a cabeça dele entornou para o lado em deboche antes que pudesse se controlar.
Que o controle fosse para o inferno! Aquele desgraçado ia engolir aquelas palavras!
Abriu a boca para contrariá-lo, mas o bom senso deu as caras ao olhar para as costas da garota de cabelos róseos que estava sendo bombardeada por perguntas das amigas encolhida no banco.
Contrariar o parasita iria expô-la e ele jamais revelaria um segredo tão íntimo deles, expondo-a, só para vencer uma discussão.
Desfez o sorriso e suspirou, bebendo o chá.
Que pensassem o que queriam.
— É verdade. — Naruto concordou risonho e o olhou de esguelha se sentar, coçando a cabeça como o idiota que era — É claro que não tem nenhuma relação.
— Estamos todos no mesmo barco, galera. — Kiba o emendou — Vamos ver quem beija primeiro!
Por que ele só andava com idiotas?
— Com certeza serei eu! — o loiro berrou, se agitando na cadeira.
Então comentários cada vez mais idiotas deram continuação àquela disputa infantil.
Pff. Estava rodeado de idiotas e perdedores.
Um discreto sorriso de canto moldou os próprios lábios e ficou quieto, inevitavelmente se sentindo superior por ter dado o primeiro beijo antes de todos e com a garota que queria.
Neji continuava o encarando com o cenho franzido e olhos estreitos e ele se pegou dispensando a discrição ao aumentar o sorriso de canto com a superioridade digna de um Uchiha legítimo e pela reação do outro a compreensão do que havia por trás do sorriso o atingiu como um meteoro, pois os olhos minimamente se arregalaram.
O sumiço dele e da Sakura tinha sim relação;
Não era um perdedor como os outros, porque deu o primeiro beijo naquela noite com ela;
E jamais perderia Sakura para ele.
Com o fim daquela social cansativa em que não ocorreu nada do que esperava – tirando o fato de massacrar o ego do parasita maligno – a largada foi dada para a disputa de quem dava o primeiro beijo e os perdedores estavam empenhados, tanto era que todo santo dia encontrava um na rua amolando a paciência de alguma garota.
Os dias passaram rápido para o assombro dele. Depois de se apresentar oficialmente como ANBU – Adendo um: junto do parasita maligno que recebeu o mesmo convite para seu desagrado. Adendo dois: sendo posto no mesmo esquadrão que ele para seu desagrado e irritação –, teve uma missão atrás da outra.
Mas, como tudo na vida era equilibrado, o inferno que passava diariamente ao lado daquele parasita maligno o deu a vantagem de vigiá-lo sem muito esforço, então sabia que, assim como ele estava ocupado, Neji também estava, então não tinha tempo para investir como os outros tentando dar o primeiro beijo e, mais importante, ficava bem longe da Sakura.
Até que em missão se recusou a ajudá-lo quando foi emboscado e isso o deixou ferido… ferido e necessitado de atendimento médico e, olha só como a vida equilibrada no fim das contas era uma desgraçada maligna: quem estava no plantão logo naquela noite era Sakura.
O tiro tinha saído pela culatra e o que torceu para não acontecer por todo aquele tempo aconteceu.
Que ódio!
— O que houve? — a garota que o deixava orgulhoso sempre que a via de jaleco perguntou assim que adentrou o quarto hospitalar, se aproximando.
— Fui emboscado. — Neji respondeu em tom irritado, encarando-o como se pudesse matá-lo.
Bem feito. Começou a torcer para o tratamento doer muito para valer a pena vê-lo no mesmo ambiente que Sakura.
Ela olhou para o enorme ferimento na perna e depois para o rosto do Hyūga com o semblante sério ao colocar as luvas cirúrgicas.
— Vou examinar. — avisou.
Os olhos esverdeados ganharam um brilho determinado e ficaram sérios conforme ela analisava o ferimento concentrada. Alguns minutos se passaram sob o silêncio que ele passou admirando-a pelo profissionalismo ímpar.
Conheceu mais um lado dela e gostou do que viu.
— Foi um Jutsu elemental que causou esse estrago, certo? — Neji assentiu, observando-a também para o desagrado dele — Há vestígios de um chakra corrosivo que funciona continuamente como um veneno potente. Vou neutralizar o chakra, limpar o ferimento e só então começar o processo de regeneração de tecidos, mas isso levará tempo devido ao desgaste que causará a você, então vou autorizar uma licença e você ficará internado por alguns dias, está bem?
É o quê?!
O choque foi tanto que saiu da postura desdenhosa descruzando os braços e se desencostando do batente da porta.
Neji sorriu vitorioso o encarando quando Sakura lhes deu as costas ao pegar uma prancheta e depois a encarou e assentiu com uma expressão falsa de coitado.
Maldição! Aquele fingido de uma figa!
Quando estava prestes a delatá-lo, Sakura se aproximou com o semblante preocupado, desarmando-o completamente e o fazendo esquecer o que pretendia ao encontrar os grandes e brilhantes olhos verdes que tanto o desnorteavam.
— Sasuke-kun… — ouvi-la chamá-lo com tanto carinho como sempre fez o peito dele aquecer prontamente e se viu sorrindo de canto sem conseguir se impedir — você está bem?
— Estou.
Ela assentiu, presentando-o com um suspiro aliviado e um pequeno sorriso fechado e bonito.
— Que bom, fico aliviada. — as maçãs das bochechas dela tomaram um leve rubor deixando-a adorável e ela desviou o olhar colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha — Preciso que espere lá fora, vou começar o tratamento. Se quiser, mais tarde autorizo sua visita.
— Não vou poder ficar. Preciso entregar o relatório da missão.
As sobrancelhas róseas dela arquearam com um olhar frustrado e antes que pudesse fazer qualquer coisa para reverter o que disse, com algo que a mostrasse sua intenção de vê-la depois a sós e não na presença do parasita maligno, ela assentiu rapidamente, adotando um tom um pouco defensivo.
— Está certo, desculpe prendê-lo aqui. Tenha uma boa noite.
Neji, atrás dela, negou com a cabeça com o semblante aborrecido e ele se segurou para não dar mais trabalho para Sakura do que já tinha ao causar outro ferimento elemental.
Saiu de lá frustrado, com punhos cerrados e passos duros.
Inferno de dia.
E inferno de semana que se passou onde não conseguiu vê-la porque ela sempre estava ocupada ou ele estava ocupado e não conseguia conciliar os horários e, para o desgosto dele, soube pelos colegas de esquadrão que Neji estava tirando proveito da proximidade ocasionada por sua internação para se aproximar dela.
— Ei, Sasuke. Você tem visto a Sakura-chan?
Naruto e ele tinham se encontrado com o Kakashi para jantar no Ichiraku como quando ainda eram o inigualável Time 7 e o loiro estava no meio de uma crise existencial por Sakura não ter aparecido no último encontro que marcou devido aos plantões que vinha fazendo pelo número de pacientes ter triplicado nas duas últimas semanas.
Infelizmente… — Não.
— Eu também não! Mas que droga! Todo mundo a vê e eu que fiz parte do mesmo Time que ela não! Isso é um absurdo.
Dispensou o drama ao se concentrar no lámen, deixando-o falar sozinho, já que Kakashi parecia mais preocupado com a leitura daquele livro pervertido.
— … e é isso! Eu vou vê-la custe o custar! — o final da frase do escandaloso chamou sua atenção e por isso desviou o olhar da tigela com a refeição intocada para o loiro.
— Como é?
— Não ‘tava ouvindo o que eu disse? Eu preciso ver a Sakura-chan!
Franziu o cenho. O ciúme já começou a agir sob sua pele com o sangue fervendo.
— “Precisa”? Por quê?
— Nós temos que conversar.
— Conversar sobre o quê?
Naruto abriu a boca para respondê-lo, mas a fechou e ficou o encarando com o cenho franzido, até sorrir malicioso.
— Como é mesmo que você costuma dizer? — encenando pensar, coçou o queixo — Isso não é da sua conta!
Naruto jogou o dinheiro no balcão e se retirou irritado.
Irritado quem deveria estar era ele por aquela resposta insolente.
Bufou e jogou o dinheiro no balcão também, se levantando com a mente berrando para socar aquele idiota assim que revê-lo.
— Sakura anda muito requisitada ultimamente. — o terceiro indivíduo disse e ele virou o rosto naquela direção, pegando o antigo mentor o olhando por cima do livro — E se você não marcar presença, acabará sendo esquecido.
— O que quer dizer?! — exigiu, frustrado e impaciente.
Não estava com saco nenhum para meias palavras.
— Soube que depois que Neji foi internado e seus colegas de esquadrão o visitaram, muitos Ninjas estão se deixando ferir em missão principalmente no turno da noite. — pagando a própria conta, Kakashi se levantou — Sabe de quem é o plantão noturno no hospital?
Sakura.
Fechou os punhos com força.
“… se deixando ferir.”
A escolha de palavras deixava claro a intenção proposital dos bastardos.
“… principalmente no turno da noite.”
Tudo para vê-la.
Bastardos e parasitas malignos exatamente como o parasita maligno cabeludo.
Maldição!
— E o Naruto está em outra há muito tempo, se prestasse mais atenção no que ele fala, saberia. —franziu ainda mais o cenho — Até a próxima, Sasuke.
Não entendeu o que o Kakashi quis dizer com aquela última informação, mas o Naruto era o menor dos seus problemas naquele momento.
Com o corpo trêmulo de ódio, voltou para casa pensando em como faria para reverter aquela situação.
Estavam sobrecarregando Sakura desnecessariamente e como um antigo companheiro de Time tinha o dever de protegê-la daquele assédio maldito.
Isso. Esse era o motivo dele.
E não saber que outros caras descobriram uma forma de ter a atenção dela e que poderiam conquistá-la.
Não. Pff. Jamais.
Ao chegar em casa, foi surpreendido por ouvir, além da voz de sua mãe, a da Mãe do Naruto e da Sakura. Conversavam animadamente – supôs pelos gritinhos histéricos – e se aproximou sorrateiramente para descobrir o motivo.
— … e ele disse que não sabe como, mas vai se confessar! E isso vai acontecer ainda hoje! — Kushina exclamou e ele arregalou os olhos, sentindo o corpo congelar — Aí, estou tão animada! Esperei tanto para ter uma norinha e vai ser logo ela!
— Aposto que Sakura saberá o que fazer para facilitar as coisas.— comentou Mebuki em tom firme e ele até arfou colocando a mão no peito, onde o coração batia forte, desordenado, desnorteado e ressentido.
Mebuki sempre gostou dele, por que apoiava Sakura com o Naruto?!
Sentiu-se traído e mais traído ainda por sua própria mãe terminar de apunhalá-lo pelas costas:
— É uma pena que as coisas não saíram como deveria, mas espero que a Sakura-chan consiga ajudar o Naruto-kun a encontrar a felicidade de um amor correspondido.
Sentiu-se tão zonzo e estarrecido que até precisou se apoiar contra a parede.
— Ouvindo a conversa alheia, Sasuke? — Itachi zombou, chegando tão sorrateiramente que o pegou desprevenido e o fez saltar no lugar pelo susto. Rindo, o desgraçado entrou na cozinha olhando-o por sobre o ombro com um sorriso maldoso antes de olhar para a ruiva — Eu também espero sinceramente que a Sakura-chan consiga ajudar o Naruto a encontrar a felicidade de um amor correspondido. — sentando-se na cadeira, ele o mirou como se olhasse para a parede, já que estava escondido — Ele merece por fazer algo a respeito dos sentimentos que tem, ao contrário de alguém que conheço que só nega os sentimentos que guarda há muito tempo.
Trincou o maxilar e saiu dali o mais rápido possível.
Seu pai e sua mãe sempre lhes disseram que um Uchiha amava uma única pessoa por toda a vida e que amava tanto, com tanta intensidade e lealdade, que o amor facilmente poderia se transformar em ódio através da perda – em qualquer sentido que cabia na palavra.
O Sharingan dele ativou involuntariamente enquanto pulava de telhado em telhado na velocidade Ninja.
O pulsar nos olhos era forte para causar uma dor insuportável.
Pulsar não de ódio como seu pai lhe disse um dia, mas sim de ciúme.
Ciúme por Naruto e Sakura.
Ciúme por Mebuki estar feliz por Naruto e Sakura.
Ciúme por sua mãe e irmão apoiar Naruto e Sakura.
Ciúme por não querer que Sakura ficasse com ninguém além dele, não depois de todos os olhares que trocaram, depois tudo o que viveram e das promessas refletidas nos olhos.
Kushina disse que Naruto se confessaria naquela noite e ele não permitiria que Sakura tomasse qualquer decisão sem ouvir o que ele tinha a dizer primeiro.
Itachi tinha razão. Negou e guardou aqueles sentimentos por tempo demais.
E se, mesmo sabendo dos sentimentos dele, ela escolher o Naruto, aceitaria sua decisão, embora soubesse que não aguentaria presenciar aquilo, então teria que pensar numa maneira de se afastar, não só dos dois, como de tudo ali. Podia até se mudar de Vila para não sofrer tanto por conviver diariamente com a perda.
Sentiu o estômago embrulhar só de imaginar os dois de mãos dadas, trocando beijos e até mesmo recebendo o apoio de todos.
Parou numa freada brusca a corrida apoiando a mão na árvore ao pousar. Estava escondido por entre os arbustos em frente a janela da sala dela.
Ele ficou lá parado pensando no que dizer e observando-a prestar atendimento com eficiência, gentileza e profissionalismo inúmeros Ninjas, inclusive alguns conhecidos, exatamente como Kakashi informou.
E mesmo depois de tanto tempo, em que as horas passaram e ela se manteve ocupada, veio o momento que fez os neurônios dele – e o bom senso que não tinha desde que decidiu vigiá-la – explodirem de uma só vez quando Naruto entrou na sala gritando com aquele enorme megafone que ela precisava fazer uma pausa e ir com ele.
“Ir para onde?” ela perguntou surpresa e ele disse que iam “comer fora”.
O idiota não prestava nem para atender os requisitos de uma garota romântica como ela ao, pelo menos, chamá-la para jantar.
Patético.
Ah, mas não perderia Sakura para aquele perdedor de jeito nenhum.
Sakura merecia algo melhor.
Algo não, alguém e não qualquer um, mas o melhor.
E não havia ninguém melhor do que ele que a amou diante de todas as nuances, não só pelas qualidades como também pelos defeitos, intensamente e imensamente como nada no mundo poderia descrever, de maneira devota, leal e fiel.
Deu a volta para interceptá-los na saída do hospital quando Sakura aceitou o “convite” num tom risonho e os esperou sair percebendo o quão próximo um estava do outro, rindo e conversando amigavelmente como se fossem mais do que ex-companheiros de Time.
Oh, o ciúme pulsou forte no coração e nos olhos Sharingan que evoluiu para o Mangekyō Sharingan.
Naruto tagarelava alguma coisa grotesca como o próprio quando saltou na frente dos dois, surpreendendo-os.
— … e pensei em irmos naquela barraquinha—… — o loiro se interrompeu quando o notou, já que estava olhando para Sakura ao falar.
— “Barraquinha”? — desdenhou, irritado — Sakura não é uma garota de barraquinha, idiota. — grudou na mão dela, a puxando para si sem deixá-la sequer processar o que estava havendo — E você vem comigo. — avisou ela, segurando a cintura dela com a outra mão — Vai me ouvir antes de tomar qualquer decisão.
E então os tirou de lá usando Ninjutsu para não dar tempo de qualquer cena que Naruto pretendesse fazer para impedi-lo.
Que se dane tudo! Ele não a perderia sem ao menos tentar ganhá-la.
O Susanoo se desfez quando os deixou num lugar calmo e deserto: a floresta do campo de treinamento que o desfeito Time 7 usava. Naquele horário era vazio e proporcionava a privacidade que precisava.
Sakura permaneceu em silêncio por todo o tempo, com um semblante confuso e o olhar perdido de quem estava presa em pensamentos.
— O que está acontecendo, Sasuke-kun? — ela perguntou alarmada assim que o humanoide roxo se desfez e ele a olhou, vendo-a se afastar cuidadosamente.
Suspirou para controlar a ansiedade e desviou o olhar se ordenando a não começar a gritar como sentia que precisava.
— Você não pode ficar com o Naruto sem antes ouvir o que tenho a dizer.
Ela franziu o cenho por um segundo, parecendo confusa.
— Do que está falando?
Engoliu a pouca saliva como se fosse pregos. Sua garganta estava seca, seu coração disparado, os olhos pulsando dolorosamente e sentia-se tão zonzo que parecia prestes a desmaiar.
O orgulho estava em cabo de guerra com o desespero de perdê-la e não sabia nem por onde começar, principalmente sob o olhar dela, tão brilhante e avassalador que o fez engatar a respiração pesada pelo descontrole emocional.
— Sempre foi você, Sakura.
— O quê?
— Sempre foi e sempre será você.
— O que está dizendo, Sasuke-kun?
Se aproximou, pegando a mão dela com o máximo de cuidado que o desespero permitiu e levou-a até o próprio rosto para sentir a palma quente e a fragrância do cheiro único que ela tinha.
— Estou dizendo que não posso permitir que escolha o Naruto sem que saiba que eu quero ser o seu escolhido.
Ela ofegou levando a outra mão na boca, com olhos lacrimejados e brilhantes.
Então sentiu a mão paralisada dela que estava em seu rosto afagá-lo com carinho e a mão que estava sobre a boca puxá-lo para perto pela nuca, embrenhando-se em seus fios negros.
O olhar dela era tão intenso que o nocauteou como o pior dos inimigos.
Mas ela não era uma inimiga.
Ela era aquela a quem seu coração escolheu muito antes de sua mente saber e compreender;
Aquela que esteve ao seu lado em todos os momentos importantes de sua vida;
Aquela que o amou sem reservas mesmo sem ser ser amada com reciprocidade assumida.
Ela sorriu um sorriso mais lindo do que o do aniversário dela, fazendo o coração dele dar um solavanco e acelerar absurdamente.
— Eu não escolheria o Naruto, Sasuke-kun. Sabe por quê? — o tom suave e divertido entrou por seu ouvido como uma hipnose irreversível. Negou com a cabeça, puxando-a pela cintura fina para mais perto — Porque sempre foi e sempre será você.
Então ela o beijou. O beijou inicialmente com calidez e timidez e não demorou nem dez segundos de reconhecimento para o beijo ganhar intensidade, desejo e paixão.
E nos braços dela, tendo-a em seus braços, sentiu o coração finalmente ficar leve com a ida do ciúme e a chegada da plenitude de finalmente ficar a sós com ela.
A sós e beijando como imaginou que a beijaria durante todo o período que estiveram afastados.
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