Realidade Alternativa

4 Você me queria, você me tem, agora aguenta


Notas iniciais
YOOOO!!! Mah, gente! Faz tempo, não? Como vocês estão? Espero que bem! Meu sumiço tem como responsável uma desgraçada crise de enxaqueca (para quem ainda não sabe, porque deixei avisos no Cronograma, na TL do Social Spirit e do Wattpad e em todas as redes sociais). O fato é que desde a noite de quinta-feira dia 05/08 até hoje, inclusive continuo com enxaqueca neste exato momento, mas acabei de voltar do hospital e aproveitei que aliviou um pouco para tentar diminuir as pendências, estou numa crise de enxaqueca que mal passa e já volta, nem mesmo remédio na veia tem resolvido e meu especialista está marcado para o dia 26/08 apenas (isso porque é particular, sinto que vou morrer antes de ser atendida rsrs). De qualquer forma, me perdoem pelo atraso de tudo e por não ter respondido ninguém ainda, mas prefiro dar os capítulos pendentes para vocês do que esperar uma oportunidade em que eu consiga responder todos e também postar. Vocês me entendem, né? Não deixem de comentar, assim que essa crise passar eu vou responder todos com o carinho que vocês merecem, prometo! Sobre esse capítulo, quero dedicá-lo a Jujuba-heart como PRESENTE DE ANIVERSÁRIO mega atrasado, infelizmente! Querida, muitos anos de vida! Eu desejo para você tudo que há de bom nesse mundo! Desculpe o atraso e aprecie sem moderação esse capítulo enormeeeeee!!! E, claro, dedico à MakyyChan que é minha alma gêmea perdida no mundo kkkkkkkk Garota, esse capítulo vai te matar de tanta fofura! Assim espero pelo menos! Aos meus outros leitores, muito obrigada pelo carinho! Vocês são os melhores do mundo! Sei que o capítulo está um pouco GIGANTE (KKKKKKK) e peço desculpa por isso, mas, em contrapartida, tem muita coisa legal, então acho que valerá à pena! Aaaa e preciso avisar: esse capítulo tem insinuação de sexo, afinal nosso casal favorito está na puberdade e conhecendo a sexualidade, então é mais do que natural antes de vir o sexo em si, eles conhecerem os famosos "amassos". Vão lá! Boa leitura!*~ Obs.: Créditos da capa e do banner aos fanartistas! Apenas a edição é minha. Infelizmente não conheço ou tenho conhecimento de quem sejam os artistas, pois peguei no Google ou nos grupos do Facebook ou Whatsapp, mas se alguém souber, por favor, me diga que credito sem problemas!

Quando ouviu falar sobre como era bom beijar, tanto dos amigos idiotas que nunca beijaram na vida e ainda assim arriscavam palpitar sobre o assunto, como de adultos em bares que falavam mais do que era apropriado, não imaginou que as narrativas eram de longe infiéis a realidade. Não sabia dizer se era porque com Sakura toda e qualquer experiência era elevada ao topo, mas beijá-la era realmente…

Não tinha palavra alguma que descrevia o que queria e olha que tinha um vocabulário vasto e complexo.

Não que nunca tivesse beijado antes, aliás o primeiro beijo dele tinha sido com ela também, mas daquela vez tudo estava muito diferente da primeira, talvez porque estavam mais velhos e certas ações tomaram proporções maliciosas e as necessidades se tornaram mais incontroláveis.

As línguas se encontravam e se tocavam com tanta intimidade que o calor proveniente da proximidade estava aumentando relativamente rápido. As mãos dele pareciam insaciáveis ao tocá-la na cintura, trazendo-a ainda mais para perto como se fosse possível aplacar a necessidade que sentia. E, não obstante, seu corpo clamava para ser tocado por ela em lugares que, se não estivesse à beira da insanidade com aquele beijo, certamente julgaria inapropriado.

Não era ingênuo a ponto de não saber o que estava acontecendo. Era um Uchiha afinal e qualquer Uchiha que se preze tinha consciência de tudo sobre si mesmo. Estava ficando perigosamente excitado.

Sakura puxou levemente seus fios da nuca e chupou sua língua de um jeito tão obsceno e gostoso que um gemido rouco rasgou a própria garganta, pegando-o de surpresa.

Onde foi que ela aprendeu a fazer aquilo?

Céus, era tão bom!

Explorou a boca dela incentivando-a a repetir o ato e, como a boa garota que era, que sempre o entendia antes mesmo de ele se entender, ela o fez e foi inevitável outro gemido rasgar a garganta com o prazer que o acometeu.

Oh, queria mais contato, por isso ousou mais e permitiu que as mãos abandonassem a cintura para explorar as costas dela, massageando-a por onde passava e ganhando em troca um gemido arrastado e discreto que só o inflamou ainda mais.

E a cada gemido que ganhava dela, mais se sentia impelido a querer mais.

Apertou-a contra si, sendo apertado contra ela por mãos tão necessitadas quanto as dele de mais toques e quando achou que perderia de vez a sanidade, Sakura finalizou o beijo e afastou o rosto delicado parecendo tão atordoada quanto ele.

Só naquele instante, em que ouviu a própria respiração irregular e pesada, percebeu que precisava respirar ou desmaiaria.

Observou-a com atenção conforme se forçava a regularizar o fôlego e encontrou graciosas maçãs do rosto rubras e um olhar esmeraldino tão intenso que engatou a respiração por alguns segundos.

Ela abaixou a cabeça e tocou com as pontas dos dedos os lábios que esbanjavam um pequeno sorriso enquanto o olhar parecia desacreditado do que tinha acontecido.

Como era possível ser tão encantadora?

Puxou-a para si num abraço tão necessitado quanto o beijo, sendo correspondido por um braço rodeando suas costas e uma mão embrenhando-se em seus cabelos numa massagem reconfortante no couro.

Sakura riu graciosa bem baixinho e ao pé do ouvido, fazendo-o estremecer por como aquilo soou atrativo.

— Nós precisamos voltar.

— Não precisamos não. — resmungou, enfiando o rosto entre os fios róseos macios e cheirosos.

Sentiu tanta falta do cheiro dela. Os anos podiam passar, eles podiam ter crescido, mas ela ainda tinha o mesmo cheiro inebriante de quando eram mais novos e, sobretudo, ele ainda achava que era o melhor cheiro do mundo.

— Precisamos sim, Sasuke-kun. — ela riu brevemente, afastando-se e o obrigando a se afastar — O Naruto-…

Franziu o cenho, o ciúme voltou forte e como um soco na boca do estômago.

— Sakura. — o tom desacreditado assumiu o nome dela antes que pudesse se controlar — Achei que-…

Então se calou. Oh, depois daquele beijo perfeito ela ia escolher o idiota que queria levá-la para uma barraquinha?! Mas que merda!

Tinha dito a si mesmo que aceitaria a escolha dela caso fosse o Naruto, mas, maldição, não tinha como abrir mão dela fácil daquele jeito depois de descobrir que o beijo entre eles podia ser ainda melhor.

— Acho que deveria me acompanhar. Você deu um bom conselho a ele antes de-…

Até o canto do olho dele começou a tremer.

Não estava ouvindo que tinha que presenciar ela escolhendo Naruto em vez dele, certo?

— Sasuke-kun?

Com sobrancelhas róseas franzidas e aquele maldito biquinho covarde nos lábios inchados e avermelhados pelo beijo que acabaram de dar, ela entornou levemente a cabeça para o lado como se estivesse confusa.

Confuso estava ele! Que droga era aquela?!

Ele era o melhor amigo dela e do Naruto também, era verdade. Ah, bem, isso antes da guerra os distanciarem, mas, poxa, ele tinha mesmo que presenciar ela escolher outro?!

— Eu não posso.

Deu um passo para trás e as costas para ela porque estava começando a hiperventilar por desespero.

Sentiu-se traído de novo, muito mais do que presenciando sua própria mãe e irmão apoiarem a relação entre o Naruto e ela e, francamente, queria chorar, mas Uchiha nenhum chorava, nem mesmo na situação péssima, degradante, humilhante e dolorosa como aquela, por isso engoliu o choro e se forçou a se acalmar porque até mesmo o Sharingan dele estava descontrolado.

— Você tem um compromisso ou algo assim? — ela perguntou e fechou os olhos com força — É importante estarmos juntos nesse momento, Sasuke-kun. Naruto se sentirá-…

— Que se dane o Naruto! — explodiu, finalmente se virando para ela e a encontrando com olhos arregalados.

Não queria assustá-la, óbvio, mas estava tremendo de ciúme e raiva e a voz dele se tornou mais forte e grave do que queria.

Repentinamente, Sakura piscou chacoalhando a cabeça levemente e desviou o olhar, parecendo refletir. Algum tempo depois, o encarou e ameaçou se aproximar, mas recuou um passo por instinto.

— Não se aproxime de mim se vai me deixar!

Aí ela sorriu, um sorriso tão acolhedor que sentiu os próprios olhos que pulsava por causa do Sharingan arderem.

Cada passo que deu em sua direção fez o coração dele bater mais forte e, quando o alcançou, o abraçou tão forte que se encolheu e a retribuiu de maneira desesperada.

— Eu jamais vou deixá-lo, Sasuke-kun. — ela sussurrou com a voz doce em tom suave, acariciando seu cabelo com carinho e ele a abraçou mais forte, sentindo os olhos arderem ainda mais — Você está entendendo tudo errado e posso explicar o que está acontecendo, mas precisamos voltar. Nós dois, juntos. Está bem?

Não tinha forças para negar, assim como não tinha forças para repeli-la e só desaparecer, principalmente porque seu coração idiota queria aquela explicação e, acima de tudo, queria ficar junto dela, exatamente como ela propôs.

Um pouco mais calmo, conseguiu desativar o Sharingan, principalmente diante do sorriso encorajador que ela lhe ofereceu.

Eles voltaram em silêncio e em corrida Ninja e quando estavam se aproximando de onde tinham deixado Naruto, viu o loiro recostado contra a parede com braços cruzados os encarando emburrado.

— Eu sabia que iam voltar, mas precisavam demorar tanto assim?!

— Desculpe. — Sakura olhou-o por um momento antes de voltar a encarar o loiro — Sasuke-kun e eu-… ahn… nós estávamos conversando.

As bochechas rubras entregavam a verdade e até quis deixar claro que só conversaram nos últimos minutos, mas, mais uma vez, o bom senso o fez ficar quieto e aguardar a tal explicação.

— “Conversando”… sei. — Naruto revirou os olhos e o encarou emburrado — Podia ao menos ter esperado a Sakura-chan me dizer o que fazer.

Abriu a boca para dizer tudo o que estava engasgado, mas Sakura, já o conhecendo, acenou para se calar e encarou o Naruto.

— Olha, agora estou aqui, então vamos nos concentrar em criar a atmosfera mais romântica possível!

Ah, mas era só o que faltava. Ele não ia continuar ali pra vê-los ficar juntos bem debaixo do nariz dele.

Mas não ia mesmo!

Cadê a porcaria da explicação?!

— Sasuke-kun tinha razão no que disse antes de-… antes de irmos. — ela murmurou a última parte envergonhada e ele franziu o cenho — “Barraquinha” realmente não é uma boa ideia para essa noite, aí pensei: um restaurante seria ótimo! Que tal aquele que inaugurou semana passada?

— Eu preciso mesmo ficar e ouvi-los planejar o encontro de vocês?! — resmungou irritado, impaciente, traído e ressentido.

— Você é mesmo um péssimo amigo, Sasuke!

— Ah, claro, e você não? — rebateu amargurado e estava prestes a finalmente mandá-lo se danar, só que Sakura se enfiou no meio dos dois para apartar o confronto físico que estava prestes a começar quando Naruto ameaçou voar para cima dele.

— Sasuke-kun, não é nada disso que você está pensando. O encontro é entre o Naruto e a Hinata.

Dizer que petrificou seria redundante e a mente dele, desesperada para encontrar uma explicação, deu tantas voltas que ficou zonzo.

— O quê?! — exclamou tão alto que até as pessoas que estavam passando por eles pararam o que faziam para olhar na direção deles.

— Fala baixo, Sakura-chan! — Naruto se encolheu e coçou a nuca pedindo desculpas para os outros até serem só os três parados novamente. Depois se virou para ele com o cenho franzido e olhar acusador — Você saberia disso se prestasse a atenção no que eu falo, Sasuke!

— Desde quando gosta dela?!

— Fala baixo você também, porra! — o loiro se encolheu de novo e olhou para os lados desesperado de alguém ter ouvido — Qual é o problema de vocês?! Konoha inteira vai descobrir isso antes de eu conseguir contar para ela!

Depois do chilique, Naruto contou sobre como se aproximou cada vez mais da Hyūga logo quando voltaram da Guerra, porque ela se voluntariou para o mesmo departamento que ele: na arrecadação e distribuição de doações. Aí descobriu a garota incrível que era e se apaixonou.

Seria lindo se não fosse por um detalhe: Naruto, há poucos dias, tinha dito que queria beijar a Sakura, além de confrontá-lo sobre ela e ele terem desaparecido juntos na festa.

— E por que diabos disse aquilo lá no restaurante?

— Aquilo o quê? — Sakura se intrometeu e Naruto ficou vermelho como um pimentão.

— E depois ainda veio me confrontar?!

— Porque era verdade. — o murmúrio foi tão baixo que quase não ouviu — Na época eu pretendia mesmo, porque… — intercalando os olhos azuis entre Sakura e ele, se encolheu — eu queria que fosse com ela.

— Com ela? Com ela quem? Do que vocês estão falando?

Abriu a boca para delatar aquele idiota, mas Naruto voou pra cima dele e antes de sequer compreender o tamanho da ousadia teve a boca tapada.

— Nã-não é nada demais, Sakura-chan! — vermelho até as orelhas, o loiro o encarou irritado — E você fica quieto aí, as coisas mudaram! Eu só te confrontei porque sou seu melhor amigo e você tem a obrigação de me contar depois de eu te aturar por todos esses anos! Como eu disse, estou apaixonado pela Hinata e preciso dar um jeito nisso ainda hoje, — soltando-o e virando para a Sakura, continuou: — então dá para vocês dois terem foco e me ajudar?!

Oh, a vingança. Ver Naruto em desespero da mesma maneira que ficou há poucos minutos por causa dele o fez sorrir satisfeito.

Bem feito.

— Está bem. — Sakura olhou para os lados e depois para ele — Sasuke-kun, por favor, vá no restaurante que inaugurou semana passada e tente conseguir uma reserva para dois.

— Por que eu? O idiota que se-…

— Vocês são amigos e você sabe que é importante para ele arrasar nesse encontro.

Ela piscou com um só olho e lhe ofereceu um sorriso tão bonito que até suspirou.

Inferno. Era impossível negar algo para essa garota, principalmente quando ela dava aqueles golpes baixos.

Suspirou emburrado e assentiu.

— Obrigada! — virando-se para o Naruto, ela desfez o sorriso – e isso o deixou satisfeito. Gostava de saber que os melhores sorrisos eram reservados só para si. — E você e eu vamos ter uma boa conversa sobre o que você fará!

Saiu de lá deixando-os conversando e fez o que foi pedido, quando voltou Naruto estava sozinho e andando de um lado para o outro claramente nervoso. O perdedor estava até suando.

— Cadê a Sakura?

— Voltou para o trabalho. — Naruto parou de andar e o encarou desesperado — Me diz que não tinha mesa. Acho que não estou pronto para isso.

Revirou os olhos e entregou o comprovante da reserva.

— Por uma única vez na vida não seja fracassado. — enfiou as duas mãos nos bolsos da calça — Vá buscá-la, leve-a para o restaurante e abra essa megafone, o resto vai acontecer naturalmente.

— Que resto?

— Você vai ver. — sorriu de canto, vendo-o fechar a cara — E se ficar nervoso, lembre-se de quando saiu pelado na rua dormindo e pense que nada será pior do que isso.

— Você está tentando me encorajar ou me deixar deprimido?

Deu de ombros e Naruto lhe deu um soco amistoso no ombro.

— Depois você vai me contar com detalhes o que você e a Sakura-chan tinham tanto para “conversar”.

Revirou os olhos e começou a se afastar.

— Você vai me contar, Sasuke! Estou avisando!

Acenou em despedida e saiu dali usando Ninjutsu. Sua cota de aturar o idiota já tinha estourado.

Foi para casa mais calmo e aliviado, não acreditando que tudo não tinha passado de um grande mal entendido. Apesar de que desconfiava que o irmão agiu de má-fé com ele, mas resolveu não fazer nada a respeito. O que era do Itachi estava guardado.

Desde o término da guerra ele estava uma pilha de nervos porque decidiu que era hora de sua relação com Izumi evoluir, mas, até então, não tinha conseguido uma oportunidade de pedi-la em casamento.

Entendia a “falta de oportunidade” por covardia e pretendia usar isso a seu favor, exatamente como o irmão fez com ele.

E não demorou duas semanas para se sentir satisfeito e vingado, pois o irmão viveu um inferno naquele período – o mesmo inferno que tinha vivido por causa do ciúme. No começo daquilo, procurou a cunhada e teve uma conversa franca sobre o que estava acontecendo. Contou tudo o que sabia. Foi a primeira vez que se portou como um fofoqueiro, assim como o Itachi sempre foi, mas não se arrependeu. Izumi ficou tão indignada pelo namorado enrolá-la que topou deixá-lo mordido de ciúmes, então a cada dois dias enviava um buquê para a casa dela com um nome masculino diferente e às vezes até assinado como “Admirador secreto”.

Itachi lidou bem com o assédio em cima de sua namorada por uma semana, depois começou a ficar tão incomodado que até se feriu em missão por não conseguir se concentrar e quando não suportou a insegurança, a pediu em casamento no meio da rua e de uma discussão acalorada movido pelo ciúme.

Bem feito!

No final, Izumi e ele contaram sobre o plano e Itachi ficou tão furioso que teve que emendar uma missão na outra por uma semana para não correr o risco de voltar para casa e morrer sufocado enquanto dormia.

O problema disso tudo é que por todo aquele tempo não viu Sakura. Quando tinha alguma folga e a procurava, não a encontrava porque ela estava trabalhando, em plantão ou em alguma reunião importante.

Quase um mês depois, ao ir para o mercado comprar alguns itens que sua mãe pediu, a encontrou na rua ao lado de um cara que esbanjava um sorriso muito mais do que cordial para ela enquanto conversavam próximos demais para quem nem pertencia àquela Vila.

Se aproximou observando atentamente o ruivo abusado andando tão perto dela que seus braços encostavam vez ou outra durante a caminhada.

Mas o que era aquilo?

O que diabos o filho do Kazekage estava fazendo ali com ela?!

Se aproximou a passos duros, mas no meio do caminho decidiu ser racional e observá-los antes de tirar qualquer conclusão precipitada – mais uma vez.

Só que quanto mais observava – seguindo-os discretamente –, mais percebia as segundas intenções daquele cara. Segundas intenções voltadas para ela.

Ele a levou para uma confeitaria que as garotas enlouqueciam quando iam. Depois para almoçar no melhor restaurante da vila e, não obstante, a levou para o trabalho dela, cumprimentando todos como se fosse um conhecido ou o acompanhante dela.

O sangue dele ferveu, mas não sucumbiu ao ciúme, decidiu que a buscaria no trabalho e conversaria com ela, no entanto se surpreendeu por chegar lá e encontrar o parasita maligno ruivo e, como se aquilo não fosse o suficiente para irritá-lo, dois assentos ao lado dele havia outro parasita maligno: o cabeludo.

Ignorou-os orgulhosamente, pedindo aos Deuses que ambos estivessem lá para visitar ou acompanhar algum paciente, mas seu pedido foi rejeitado impiedosamente e descobriu isso assim que perguntou a recepcionista pela Sakura.

— O plantão da doutora ainda não acabou, mas se quiser aguardar também, pode se sentar ali. — ela disse, demonstrando nervosismo.

— “Também”?

— Sim. — desconcertada, apontou para os dois parasitas malignos que os observavam à distância — Aqueles dois também estão a aguardando.

— Para uma consulta?

— Não exatamente.

Respirou fundo sentindo os olhos latejarem.

Oh, o ciúme queria agir sob o Sharingan.

Se forçou a sentar dois assentos afastados e na ponta mais próxima da recepção, pois assim seria o primeiro a ser visto pela Sakura assim que ela aparecesse e foi exatamente isso que aconteceu quando o plantão dela terminou.

Ele se levantou vendo-a parada no meio do corredor com olhos arregalados pela surpresa de vê-lo.

— Sasuke-… kun? — ela franziu o cenho e se aproximou com pressa — Você está bem?

Apesar de não olhar para o rosto dele e sim para o corpo dele com uma preocupação genuína, sorriu discretamente. Vê-la tão cuidadosa e protetora com ele deixava o peito dele aquecido.

— Estou. — respondeu, recebendo um suspiro aliviado dela.

— Ah, que bom.

— Haruno-sama? — a recepcionista se aproximou e ele franziu o cenho por ter tomado a atenção dela que estava unicamente concentrada nele — Aqueles dois também estavam a aguardando.

Ah, quis muito revirar os olhos. Dedo duro de uma figa!

O que custava ficar quieta?

Sakura olhou na direção indicada e ruborizou com olhos tão arregalados quanto quando o viu ali a esperando.

Não demorou para os dois parasitas malignos se juntarem.

— Boa noite, Sakura. — o parasita maligno ruivo foi o primeiro a se manifestar.

E logo depois o parasita maligno cabeludo.

— Boa noite, Sakura.

— Bo-boa noite…? — ela olhou para os três parados a encarando e depois para a recepcionista que continua ali observando a cena — Aconteceu alguma coisa?

— Eu-… — Gaara e Neji falaram juntos e ele revirou os olhos.

— Vim buscá-la para levá-la para casa. — se adiantou e cruzou os braços com um sorriso de canto quando ela ruborizou de imediato, assentindo.

— Vim convidá-la para jantar, mas-… — o ruivo disse incerto e quis rir por ser tão patético.

— Oh, — constrangida, ela olhou para ele e depois para o Neji — desculpe, mas-…

Sakura também deixou a frase no ar o encarando e ele permitiu que o sorriso se expandisse ainda mais quando correspondeu o olhar do parasita maligno ruivo que assentiu desconcertado.

“… mas ela vai embora comigo, perdedor.”, quase se gabou. Por sorte o bom senso estava funcionando perfeitamente naquela noite.

— Tudo bem então… nos vemos por aí.

— Certo. Boa noite. — ela o respondeu e depois do ruivo dar o fora, ela encarou o outro — Está se sentindo bem, Neji?

— Sim, eu… — desviando o olhar, o parasita maligno cabeludo pigarreou parecendo tão desconcertado quanto o outro — precisava falar com você. Será que podemos antes de você ir embora?

Ela o olhou como se pedisse autorização e ficou tentado a negar, mas o cenho róseo franzido e a preocupação no olhar esmeraldino o fez assentir e se sentar.

— Te espero aqui.

— Obrigada, Sasuke-kun, já volto.

Assentiu de novo e observou Sakura seguir pelo corredor com ele até sair de sua vista.

O que aquele desgraçado queria?

Impaciente, passou a mão no rosto e desviou o olhar para a entrada do hospital, encontrando Tenten com a testa recostada na porta de vidro parecendo tão frustrada quanto ele.

Se levantou, foi até lá com as duas mãos nos bolsos da calça e pigarreou para avisar a garota que estava ali, fazendo-a sobressaltar pelo susto.

— O que está fazendo aqui? — perguntou, vendo-a com olhos arregalados e bochechas vermelhas.

Alguém foi pega no flagra fazendo algo que não devia.

— E-Eu… estava… — parecendo avaliar se daria uma desculpa qualquer ou contaria a verdade, ela desviou o olhar sob uma sobrancelha dele erguida em curiosidade. Estalando a língua, o encarou com determinação — O que o Neji falou para a Sakura? Para onde eles foram?

Conhecia aquela agressividade toda. Ciúme.

Pelo visto estavam no mesmo barco.

— Ele disse que precisava falar com ela e eles foram para a sala dela, suponho.

Se sentiu um fofoqueiro, mas, se era uma aliada, daria todas as informações que tivesse.

— Ah. — ela desviou o olhar por segundos antes de voltar a encará-lo — Ele falou do que se trata a conversa? — Negou com a cabeça e a viu morder o lábio nervosamente. — Droga! Primeiro ele fica todo estranho comigo, depois o vejo andando para lá e para cá com a Hinata e ela e agora isso.

— Como assim para lá e para cá?

— Eles estão se vendo quase todos as semanas. — o olho dele começou a tremer e precisou se controlar muito para impedir o Sharingan de ativar — Não sabia disso?

Engoliu a seco e olhou para o interior do hospital, preocupado. Sakura estava sempre ocupada para vê-lo, então como tinha tempo de ver o Neji semanalmente?

— Você não sabia. — ela acusou diante de sua hesitação e voltou a encará-la com o cenho franzido.

— Qual é a do Neji?

— Eu é que te pergunto: qual é a da Sakura?

É, qual é a da Sakura?

Não gostou nada daquilo. Assim que ficarem sozinhos vai perguntar para ela.

Por acaso aquele beijo não significou para ela a mesma coisa para significou para ele?

Os dois ficaram plantados na entrada do hospital, emburrados e silenciosos, cada um preso na própria desgraça e assim que Neji e Sakura apareceram, Tenten saiu correndo. Ele ficou sem entender o que tinha acontecido, mas não precisou gastar neurônios tentando, logo ficou evidente: Neji, que sempre foi tão taciturno e mal encarado quanto ele, estava sorrindo, discretamente, mínimo, quase dando margens de dúvidas, mas estava e ele sentiu o ciúme pulsar forte.

Por que aquele parasita maligno estava sorrindo para ela?

— Até mais, Sakura.

— Até. — ela respondeu acenando e sorrindo gentil e depois se virou para ele com um sorriso maior e mais brilhante — Desculpe a demora, Sasuke-kun, mas já podemos ir.

Assentiu e ficou remoendo os últimos acontecimentos. Mesmo que Sakura tenha sorrido calorosamente para ele, não conseguia parar de pensar no sorriso gentil que dispôs para o parasita maligno cabeludo.

Fora o parasita maligno ruivo.

E os inúmeros ANBU que continuavam se ferindo em missão propositalmente apenas para serem atendidos por ela.

— O que há entre vocês?

Cessou os passos quando percebeu que externou aquela pergunta mental e engoliu a seco quando Sakura fez o mesmo o encarando confusa.

— O quê?

— O que você e Neji conversaram?

Ela colocou uma mecha rósea atrás da orelha e desviou o olhar por segundos.

Por que ela estava hesitando? Desde quando havia segredos entre eles?

— Neji estava… com um probleminha e me pediu alguns… conselhos?

Franziu o cenho.

— É uma pergunta ou uma afirmação?

— Uma afirmação…?

— Sakura. — a repreendeu, vendo-a nervosa morder o lábio inferior — Que tipo de conselho?

Ela desviou o olhar mais uma vez e ele esperou pacientemente por uma boa resposta.

— Eu confio em você, Sasuke-kun, confio muito mesmo, mas… — encolhendo-se um pouco, ela transbordou culpa no olhar e naquele biquinho covarde que já o afetou tantas vezes — não posso te contar sem ele me autorizar, porque é algo muito particular, você entende?

Não, não entendia, mas assentiu, desistindo de discutir quando podia fazer algo mais produtivo. Até deu um passo na direção dela, mas ela bocejou involuntariamente, graciosamente cobrindo a boca para disfarçar, no entanto ele viu e, pior, percebeu que estava cansada demais depois de um dia de trabalho que tinha certeza de que foi longo.

— Vamos, você precisa descansar.

Sakura assentiu, embora tenha sorrido para ele. Seus grandes olhos estavam um pouco vermelhos e, mesmo que tentasse esconder, o cansaço era evidente. Ao chegar na porta da casa dela, enfiou as duas mãos nos bolsos da calça e a aguardou entrar.

— Obrigada por me trazer, você foi muito gentil.

Assentiu e a observou abrir o portão e hesitar ao ir.

— Quer entrar? Posso preparar algo para comermos.

Por mais que quisesse, negou para deixá-la descansar.

— Boa noite.

— Boa noite, Sasuke-kun.

Suspirou pensando se seria muito atrevido da parte dele beijá-la em despedida, entretanto só acenou e se retirou. Não era apropriado beijá-la na frente da casa dela.

No dia seguinte, logo que o sol nasceu, foi convocado para uma missão e passou duas semanas fora na pior companhia possível. O capitão o escalou como dupla do parasita maligno cabeludo e por mais que nenhum dos dois tenha trocado nada mais do que apenas o essencial, a tensão era pesada.

Suspirou irritado e guardou a Kusanagi às costas. Repetiu três vezes de que era uma péssima ideia emboscar aqueles Ninjas de Alto Nível, mas o parasita maligno tinha que testar a paciência dele insistindo naquela burrice, obrigando-o a aceitar para não entrar num confronto físico que estava mais do que disposto a vencer para descontar toda raiva e frustração que o causou.

— O que foi que eu disse? — perguntou, ácido.

Neji revirou os olhos e levantou a máscara encarando-o emburrado.

— Tínhamos uma alta possibilidade de ter sucesso.

— Assim como uma alta possibilidade de dar de cara com essa merda. — rebateu, espiando pela pequena fresta entre os arbustos se conseguiram despistá-los. A coisa boa era que sim, estavam sozinhos, e a coisa ruim é que sair daquele esconderijo relativamente seguro na calada da noite era outra péssima ideia, portanto ele será obrigado a aturar por mais uma noite aquele parasita — Maldição. Se fosse menos preguiçoso, a essa altura já teríamos concluído a missão e voltado para casa.

— Claro, como se eu tivesse decidido isso sozinho.

— Você encheu o meu saco até eu ceder. — resmungou entredentes, levantando a máscara ANBU e a posicionando no topo da cabeça para ter liberdade de encará-lo — Ao menos arque com as consequências dos seus atos.

Então ficaram se encarando por bons segundos até Neji franzir o cenho e estreitar os olhos.

— Nós dois sabemos que seu problema comigo é outro. — acusou-o, firme — Mas o que é que você tem com a Sakura, afinal?

Estarrecido por ter sido pego desprevenido, involuntariamente arregalou os olhos antes que se desse conta da reação patética e retomasse o controle estreitando os olhos.

— Isso não é da sua conta. — resmungou, olhando para o outro lado para conferir se não tinham sido descobertos, mas estalou a língua no céu na boca aborrecido e abraçou a impulsividade de perguntar o que estava engasgado na garganta. Virou o rosto para o outro sem esconder a carranca e resolveu ser direto — E o que você tem com ela?

Neji soltou um riso gutural anasalado recheado de deboche e ficou tentado a arrancar o deboche aos socos.

— Se o que você tem com ela não é da minha conta… o que eu tenho com ela não é da sua!

Que insolente de merda!

Quando estava prestes a retrucar, ouviu um graveto quebrar próximo deles e olhou para o outro lado sentindo a tensão dominar seu corpo. Foram descobertos. E no pior momento possível.

Se levantou abaixando a máscara e olhou para sua dupla por puro protocolo, acenando para se retirarem. Seu Sharingan mostrou que tinha uma quantidade razoável de Ninjas os cercando, mas o problema mesmo eram os que estavam a caminho, pois se tratava de um número que certamente os deixariam em desvantagem e a última coisa que precisava era que Neji ficasse ferido e precisasse de atendimento médico. Atendimento da Sakura, que provavelmente será a que assumirá o plantão quando chegassem em Konoha.

Fugindo humilhantemente com os rabos entre as pernas, ambos utilizaram a velocidade Ninja para ganhar alguma folga de distância dos que os perseguiam e depois de muito tempo, em que tiveram que parar algumas vezes para confrontar os que ainda estavam em suas colas, tiveram sucesso em despistar toda aquela escória irritante.

Suspirou levantando a máscara e secando o suor do rosto. Olhou para trás só por precaução. Neji, ou seu lado, fez o mesmo e o encarou sinalizando de que estavam seguros, afinal, para a irritação dele, o Byakugan tinha maior alcance.

Olhou para o amanhecer ainda escurecido e suspirou cansado. Aquela missão estava se arrastando mais do que o previsto e nem a tinham concluído ainda.

— Sakura tem sido bastante generosa e… — o coração dele congelou com medo do que estava prestes a ser dito e o parasita maligno fez questão de manter o suspense, até ele acenar para prosseguir — uma grande amiga.

Expirou com força antes que pudesse se controlar e um mínimo sorriso aliviado domou os próprios lábios, mas aí lembrou de todos os sinais desde a infância em que Neji mostrou que havia algo mais por trás da “amizade” e franziu o cenho aborrecido.

— Você sempre tratou Sakura diferente. Desde que éramos pirralhos. — acusou, irritado — Quando foi que isso mudou?

Neji deu de ombros e, mais uma vez, ficou tentado a socar aquele parasita insolente, mas, para a sorte do outro, resolveu abrir o jogo, embora tenha sido com uma resposta insatisfatória.

— A guerra abriu meus olhos. — revirou os olhos e Neji sorriu de canto — E a distância me permitiu enxergar outras possibilidades.

— Mesmo após a guerra você tem cercado ela.

— Sim, mas… agora é diferente.

— “Agora” quando?

— Agora que enxergo outras possibilidades.

Revirou os olhos pela resposta evasiva e se lembrou que Sakura agiu do mesmo modo.

Mas que merda de segredo eles estavam guardando?!

Estalou a língua e bufou, desviando o olhar só para pensar num jeito de tirar algo mais do que aquelas respostas medíocres que não lhe diziam absolutamente nada útil e sólido para aplacar a merda do ciúme que estava sentindo.

Sakura disse que não podia contar para ele porque o segredo pertencia ao outro e só restava tirar desse outro a porcaria da revelação do maldito segredo.

— É diferente como? — insistiu, encarando-o.

— Vejo Sakura apenas como amiga agora.

Revirou os olhos, sentindo que estava andando em círculos e umedeceu o lábio inferior, disposto a arrancar algo satisfatório daquela conversa meia boca.

— É o seguinte: se você só a vê como amiga, por que me confrontou sempre que teve oportunidade?!

— Porque eu tenho um grande apreço por ela. Sakura é uma garota… especial e merece o melhor das pessoas.

— Sei disso.

— Se sabe, — Neji o cortou — por que a trata daquele jeito?

— Que jeito?

— Como se não se importasse com ela.

Meneou a cabeça diante daquele absurdo e sentiu os olhos arregalarem e simultaneamente o cenho franzir.

Mas o que diabos o parasita estava dizendo?!

— Você a trata com indiferença, Sasuke, assim como todos ao seu redor. Pelo amor de Deus, sempre que vejo você a magoa com sua grosseria.

— Não é gro-… — interrompeu-se quando se lembrou das vezes em que Sakura pareceu desconcertada ou na defensiva diante de algo que disse ou fez e no mesmo momento sentiu um aperto no coração.

— É sim. Grosseria. E você sabe que tenho razão.

Engoliu a seco e virou o rosto para o outro lado emburrado. Uma coisa era admitir para si mesmo que foi mal interpretado e outra completamente diferente era admitir para aquele parasita insolente.

— Você também não é um poço de gentileza ou doçura. — acusou defensivamente, cruzando os braços.

— Do que você está falando?

— Parece que não sou o único que trata as pessoas com indiferença e grosseria.

Neji franziu o cenho e se sentiu ridículo por agir como o irmão: um belo fofoqueiro.

Mas que tudo se exploda! Ele não ia ser o único a se sentir mal, mas não ia mesmo.

Encarou o parasita com um sorriso de canto se sentindo superior ao vê-lo confuso.

— Tenten se queixou de que você estava estranho com ela e, pelo visto, não sou o único que entende sua “amizade” com Sakura de forma diferente.

Então quem meneou a cabeça foi ele, como se tivesse dito um absurdo.

— Ela se queixou? — assentiu, permitindo o sorriso se alargar. Era bom ver o jogo mudando. Muito bom. — Para você? — assentiu de novo — Quando?

Fez suspense propositalmente para ele aprender a nunca mais enrolá-lo e só deu a resposta que ele queria quando demonstrou desespero por um “Diga logo de uma vez!”.

— No dia que foi no fim do expediente da Sakura no hospital para falar com ela.

— Tenten não estava lá. — refutou o parasita, desviando o olhar como quem estava inseguro.

Estava adorando vê-lo tão desesperado por ter feito merda da mesma forma que estava há poucos minutos.

— Estava sim. Ela te seguiu e até me perguntou o que você queria com a Sakura. — Neji o encarou com olhos arregalados — Como eu disse, não sou o único que entende sua “amizade” com Sakura de forma diferente. Então ou você está mentindo para mim ou para si mesmo.

Um silêncio sepulcral recaiu sobre eles e o ciúme começou a pulsar forte, concluindo que Neji estava mentindo, mas não para si mesmo e, quando estava prestes a desistir de qualquer conversa civilizada – isso se pudesse chamar assim aquela troca de farpas –, Neji rompeu o silêncio.

— Naruto descobriu que no começo do mês que vem Lee, Tenten, dentre outros dos nossos colegas serão indicados para a segunda chamada do exame de promoção a Nível Jōnin. — o encarou com uma sobrancelha erguida para expressar a confusão sobre o motivo daquela informação ter sido jogada de forma tão aleatória, embora estivesse se perguntando como Naruto adquiria aquelas informações. — Sakura está me ajudando a… conseguir o melhor presente para o Lee e também para a… — Neji desviou o olhar e ele estreitou os olhos reconhecendo aquela hesitação: timidez. Oh, foi ali que entendeu tudo! — Tenten.

Quis rir, alto e claro, mas enrijeceu os lábios segurando até mesmo o sorriso que queria dar diante daquela situação um tanto inusitada. Aquele parasita maligno cabeludo estava caidinho pela Tenten!

E por todo aquele tempo achou que a coisa era com a Sakura.

De pensar que passou tantas noites pensando em maneiras diferentes de matá-lo.

— Por que resolveu abrir o jogo comigo agora?

Dando de ombros, o parasita maligno desdenhou um sorriso de canto.

— Sakura é minha amiga e se ela o escolheu, só me resta apoiá-la e ajudá-la. Quem sabe agora você para de fazer merda. — assentiu, pensativo — Mas deveria se preocupar com o filho do Kazekage-sama. Ele realmente está interessado nela e mês que vem voltará para Konoha junto com a comitiva de Sunagakure para o acerto dos exames Chūnin.

Assentiu de novo, franzindo o cenho. Sabia que aquele parasita maligno ruivo não estava a rodeando com boas intenções.

— Bom, — começou, pensando no melhor… “conselho”? Uau, as coisas ficaram bem estranhas! Por todo aquele tempo o tratou com um rival e agora estavam trocando conselhos como amigos. — se não quer que a Tenten te quebre no meio antes que possa entregar o presente, acho bom pensar em algo para desafazer esse mal entendido.

— Ela… estava muito irritada? — assentiu e Neji suspirou — É, acho que preciso pensar em algo.

— Não dizem que você é um prodígio ou algo assim? — debochou, recebendo uma carranca em troca — Talvez você consiga.

Erguendo uma sobrancelha e expondo um sorriso audacioso, o outro não ficou para trás.

— E, até onde sei, você não é lesado como o Naruto, então o que está esperando para resolver as coisas com a Sakura?

O sorriso de canto que esboçava sumiu e ele perdeu qualquer pose superior que tinha.

Naruto não demoraria a dar um passo importante no relacionamento dele com a Hinata e ele, apesar de ter beijado Sakura duas vezes, estava longe de conseguir qualquer avanço mais íntimo, principalmente com tantos caras a rondando.

— Vou resolver isso. — respondeu-o, confiante.

E foi o que fez após concluir a missão. Chegaram dois dias depois no entardecer em Konoha e, antes mesmo de ir para casa, foi para o hospital decidido a encontrar Sakura.

Já tinha perdido tempo demais para fazer aquilo.

Não era lesado como o Naruto, nem covarde como o irmão. Tinha a determinação genuína de um Uchiha e, acima disso, tinha a determinação de Uchiha Sasuke.

Espreitou a janela da sala da Sakura, encontrando-a atendendo uma senhora com a simpatia de sempre. Admirou-a em segredo e aguardou o término da consulta e assim que a senhora saiu da sala, bateu na janela para conseguir a atenção daquela que sempre fazia seu coração acelerar.

— Sasuke-kun? — ela perguntou assim que abriu a janela, dando espaço para ele entrar, no entanto apenas ergueu a máscara pousando-a no topo da cabeça e sorriu de canto diante das maçãs do rosto adoravelmente rubras — Está tudo bem?

— Está. — respirou fundo discretamente e acumulou a coragem necessária — Você tem um tempo para refeição ou algo assim?

— Sim, meu horário de janta.

Sakura estava com a voz trêmula e com a expressão facial denunciando confusão e ele não podia se sentir mais feliz por saber previamente de que estava a surpreendendo.

— Que horas?

— 20 h…?

Sorriu de canto.

— É uma pergunta ou uma afirmação?

— Afirmação…? — ela franziu o cenho e desviou o olhar por segundos antes de voltar a encará-lo com aqueles lindos, grandes e brilhantes olhos verdes — Está acontecendo alguma coisa?

— Ainda não. — umedeceu o lábio inferior e respirou fundo discretamente mais uma vez, sentindo o coração bater tão forte e desordenado contra o peito que parecia que teria um treco a qualquer momento — Mas vai acontecer. Venho te buscar para jantarmos.

— O quê?!

— Tente não se atrasar. — pediu, sorrindo de canto e desaparecendo antes que tivesse que dar maiores explicações que estragasse a surpresa.

Ainda tinha algumas horas, por isso aproveitou para ir para casa se banhar, se arrumar e depois ir para o melhor restaurante de Konoha, conhecido por ser um local extremamente romântico e o sonho de todas as garotas de jantar lá. Reservou uma mesa para dois numa área discreta e também a mais bonita, pois, por ficar no terceiro andar, tinha uma vista panorâmica da Vila. Precisou subornar o cara das reservas para obtê-la, pois já estava reservada, mas nada que seu bom salário não pudesse resolver.

Sakura valia tudo aquilo e muito mais.

Depois, atendendo aos requisitos de uma garota romântica, foi até a floricultura dos Yamanaka, suspirando previamente cansado ao ver Ino atrás do balcão.

De todas as pessoas, por que tinha que ser logo ela naquele dia?

Abriu a porta ouvindo o sininho tilintar e manteve a impassibilidade firme mesmo diante da careta assombrada da loira.

— Sasuke-kun?! — berrou ela, fazendo-o revirar os olhos — Isso é algum Henge no Jutsu— Técnica de transformação – ou algo assim? É você fazendo palhaçada de novo, Naruto?!

Quase perguntou sobre o “de novo”, mas decidiu não estender muito sua permanência no local, senão se atrasaria.

— Sou eu, Ino. — respondeu firme, olhando ao redor em busca de uma flor específica — Quero um buquê daquelas.

— Camélias vermelhas? — ela indagou curiosa, depois sorriu matreira, se dirigindo as flores com naturalidade — Só conheço uma pessoa que é fanática por elas.

Engoliu a seco, permanecendo petrificado com receio de se expor mais do que já estava se expondo naquela situação crítica.

Ino voltou para o balcão com as mais belas Camélias vermelhas que tinha, cantarolando suave ao preparar o arranjo com dedicação e capricho, sem nunca deixar o sorriso animado se desfazer. No término, o entregou com um sorriso mais extenso, recusando o dinheiro dele.

— É o meu presente para vocês. Lembre-se que fui a primeira a apoiá-los, certo?

Assentiu desconcertado e saiu de lá mais constrangido do que no dia que confessou para a mãe que gostava da Sakura. Tinha certeza que o rosto estava vermelho.

— E, Sasuke-kun? — olhou para trás segurando a porta que abriu — Faça um pedido bem romântico, entendeu?

Assentiu de novo, pigarreando e escondendo parte do rosto com um punho fechado.

Aquilo era constrangedor.

Saiu de lá com pressa ouvindo ao fundo a risadinha de Ino e respirou fundo uma centena de vezes no caminho para se acalmar, carregando aquele buquê enorme com todo o orgulho que um garoto prestes a fazer sua futura garota feliz deveria.

Ao chegar no hospital, foi difícil manter a impassibilidade – embora tenha conseguido –. Todos, sem exceção, encaravam-no surpresos, até mesmo desconhecidos. E foi ainda mais constrangedor quando perguntou na recepção por Sakura, pois a pessoa que o atendeu era bem indiscreta.

— Essas flores são para a doutora?

Suspirou alto, assentindo.

— Ai meu Deus! Ela vai amar! — o gritinho da mulher o fez se sobressaltar e logo ela percebeu a inconveniência e pediu desculpas para as pessoas que estavam aguardando na sala de espera, que os assistiam sem nem disfarçar — Sabe? Esses dias, ela recebeu alguns buquês. Não ficou tão animada depois de ler os cartões, mas, algo me diz que quando receber o seu, vai ficar muito feliz!

Franziu o cenho diante da informação.

Como assim recebeu “alguns buquês”? De quem?

Entretanto, antes que pudesse perguntar, ouviu a voz da Sakura no fim do corredor e olhou naquela direção, vendo-a se despedir de uma mãe e seu filho, provavelmente um dos seus pacientes.

— Se cuide e não deixe a mamãe esquecer os remédios, está bem, Koji-kun?

— Está bem, tia Sakura! — o garoto respondeu e Sakura acenou.

Antes que ela o visse ali, escondeu, da melhor forma que pôde, o buquê às costas. Por sorte deu tempo. Alguns segundos depois, Sakura o encarou e imediatamente ruborizou, se aproximando.

— Sasuke-kun… me desculpe o atraso, mas finalizei minha última consulta. Você pode me aguardar?

— Claro.

Ela o mediu dos pés à cabeça com uma mistura de curiosidade, admiração e um brilho no olhar que aqueceu o coração dele.

— Para onde vamos? — ela perguntou, parecendo realmente preocupada.

— É uma surpresa.

— Sasuke-kun… eu não-… — olhando para as próprias vestes e parecendo desconcertada, ela o encarou — acho que não estou adequada. Você está tão-…

Até esperou pelo elogio que sabia que viria, mas ela se interrompeu e ficou quieta com as maçãs do rosto ainda mais rubras.

Deu um passo a frente, lançando um olhar intimidador para a recepcionista no intuito de conseguir alguma privacidade – tendo sucesso. Depois encarou aquela que sempre acelerava seu pobre coração e sorriu de canto.

— Você é linda e sempre está adequada. Não se preocupe com isso.

Ela assentiu nervosa e colocou uma mexa do cabelo atrás da orelha desviando o olhar adoravelmente desconcertada e ele permitiu que o sorriso se expandisse, porque afetá-la daquele jeito, da mesma maneira que ela o afetava, era reconfortante e excitante na mesma medida.

— Eu vou-… — apontando com o polegar para trás, ela pigarreou nervosa — me arrumar rapidinho, só um instante. Prometo não demorar!

Logo saiu correndo como um raio e o deixou para trás rindo do modo como era encantadora até com vergonha.

Esperou, mas não foi por muito tempo. Sakura realmente não queria fazê-lo esperar e quando chegou, puxa, ele até suspirou.

Os lábios estavam pintados de um róseo bem fraquinho que dava um brilho a mais nos lábios dela. Os cabelos que mal tocavam os ombros estavam impecáveis adornando o rosto delicado. E apesar dela não ter trocado de roupa, apenas ter tirado o orgulhoso jaleco, certamente porque a pegou desprevenida, ela estava elegante como sempre, com um traje civil que moldava perfeitamente seu corpo esguio.

Esguio e com curvas perturbadoras na medida certa, feitas para enlouquecê-lo mesmo.

Se aproximou mostrando o buquê que ainda escondia às costas, vendo-a paralisar no meio do corredor com uma mão à frente da boca entreaberta em surpresa e com lágrimas nos grandes e brilhantes olhos esverdeados.

Continuou os passos inabalavelmente concentrado nela, ignorando propositalmente as exclamações indiscretas dos curiosos e, ao reduzir a distância ficando há um passo dela, entregou o buquê, recebendo em troca um sorriso radiante.

— Isso… Sasuke-kun… — ele se permitiu sorrir vendo-a tão feliz — são minhas flores favoritas! — assentiu e acolheu pelo polegar com carinho a lágrima que escorreu pela bochecha rubra — Muito obrigada! Eu amei!

Assentiu de novo e extinguiu a distância ao se aproximar e beijá-la onde jazia o poderoso losango roxo que mostrava o quão forte se tornou como Kunoichi.

Eles saíram de lá um pouco encabulados, mas também pudera, os presentes daquela sala de espera ovacionaram-nos com aplausos e exclamações ainda mais indiscretas sobre como formavam um lindo casal. Só que não demorou muito para Sakura brilhar, sorrindo e distraindo-o do próprio constrangimento perguntando sobre como tinha sido o dia dele. Depois, ele perguntou sobre o dia dela e a admirou por toda a narração sobre como a Clínica infantil estava progredindo e as crianças estavam apresentando melhoras significativas, assim como tudo estava indo bem no hospital, apesar de os casos noturnos terem tido um aumento absurdo.

Bom, naquilo ele logo daria um jeito.

Aquele bando de parasitas malignos descobrirão o porquê não se deve mexer com a garota de um Uchiha.

Quando Sakura percebeu para onde estavam indo, ela arregalou os olhos e quando a conduziu para a mesa deles, se mostrou tão emocionada que não conseguiu parar de sorrir satisfeito e orgulhoso de si mesmo por ter acertado em cheio.

Todos aqueles anos ouvindo-a narrar encontros perfeitos para a Ino e para o Naruto serviram de alguma coisa, afinal.

Tentou ser o mais cavalheiro possível: puxou a cadeira para que ela sentasse, ouviu as preferências dela, assim como respeitou cada escolha dela.

Eles conversaram como há muito não conversavam e descobriu que ela ainda era capaz de surpreendê-lo, pois se mostrou tão versátil debatendo todo tipo de assunto que ficou genuinamente impressionado. Até mesmo em política tinha pontos interessantes.

Ela foi feita para ele. Tinha certeza.

Ao contrário de qualquer outra garota, Sakura nunca foi entediante, nem mesmo um mínimo que fosse desagradável. Sempre o manteve fascinado e encantado e ali, vendo-a articular palavras difíceis e inteligentes, percebeu que isso ocorria ainda quando eram crianças e a assistia estudar concentrada ou se esforçar em cada técnica que o professor ensinava ou mesmo quando brincava toda inocente e risonha, correndo para lá e para cá com uma animação que achava surreal.

— Sakura. — pegou a mão dela que estava pousada sobre a mesa, sentindo-a fria sob a dele que também estava fria por nervosismo. Já tinham terminado a refeição e ela também terminou a sobremesa. Tinha chegado a hora. Engoliu a seco e umedeceu o lábio inferior, ficando terrivelmente nervoso — Você lembra o que eu disse naquela noite?

— Si-sim. — gaguejando, ela assentiu para reafirmar a resposta.

— E você lembra o que me disse naquela noite?

— Sim.

— Aquilo… permanece?

Aí ela sorriu apertando sutilmente a mão dele e, no mesmo momento, o coração dele deu um solavanco para bater forte e desordenado contra o peito.

— Não há chance alguma dos meus sentimentos terem mudado, Sasuke-kun. — o sorriso dela mudou, foi tão… cálido, tão acolhedor, que sentiu como se estivesse o abraçando — Porque quando uma garota se apaixona pra valer, não há nada no mundo que possa mudar seus sentimentos.

Foi tão bom ouvi-la dizer que era apaixonada por ele que simplesmente se entregou. Pegou a mão dela e se curvou sobre a mesa para beijá-la no dorso com toda a devoção que tinha por ela.

— Então me aceite como seu e me dê a honra de ser minha. Prometo fazê-la o mais feliz que eu puder.

Ela puxou a mão dele e se curvou sobre a mesa para beijá-lo como ele havia feito e, ao encará-lo, sorriu radiante mais uma vez.

— Eu sempre fui sua, Sasuke-kun, e fico feliz por finalmente querer ser meu.

O sorriso expansivo dele foi natural, o mesmo sorriso que só deu a ela em toda a vida. E ela o presentou com um lindo sorriso, tão lindo como todos que já recebeu dela e que tinha certeza de que eram só para ele.

— Então… agora estamos namorando? — ela perguntou prendendo o sorriso nos dentes, tão animada que contagiou ele.

— Estamos.

Nada mais foi dito, embora as carícias nas mãos unidas, os sorrisos incontestavelmente felizes e a troca de olhares apaixonados tenha permanecido até ela dizer que precisava voltar para o trabalho. Ele a levou e, na despedida, ganhou um suave beijo cálido nos lábios – e não na bochecha – junto de um sorriso bonito e um agradecimento pela noite perfeita.

Ele foi para casa com um sorriso idiota que não conseguia desfazer por nada e quando chegou e deu de cara com o Itachi curioso, não poupou orgulho ao dizer, sem nem mesmo ter sido perguntado, o que se repetia na cabeça dele:

— Estou namorando.

— O quê? — estupefato, Itachi o seguiu pelo corredor — O que disse?

— Estou namorando. — cessou os passos e olhou para o irmão com um sorriso aberto e emocionado — Sakura aceitou namorar comigo.

— Finalmente!

A comemoração não acabou ali, Itachi espalhou para os pais a notícia e não demorou para o distrito Uchiha inteiro saber que o caçula de Mikoto e Fugaku estava namorando a gentil médica Sakura.

E, mesmo três semanas depois, o novo casal continuava sendo assunto não só do distrito Uchiha, como da Vila inteira, para a alegria dele, pois Mebuki e Kizashi não deixavam ninguém passar por eles sem contar com muito orgulho que a filha estava namorando com ele.

Por sorte ambas as famílias aceitaram muito bem o relacionamento deles e, mais importante, apreciaram de um jeito caloroso, não poupando esforços ao dizer que um foi feito para o outro.

E com a notícia espalhada, logo o assédio em sua namorada acabou, afinal quem seria tolo de irritar o caçula rabugento e impiedoso dos Uchiha?

Tinha acabado de finalizar uma missão e, como sempre, passou no hospital para ver Sakura, mas diferente das outras vezes que simplesmente a esperava terminar uma consulta da janela, ousou um pouco no quesito romantismo para ver sua garota feliz.

Invocou Garuda e deixou uma mensagem presa à sua pata, exatamente como fazia quando se correspondiam por caras durante a guerra.

Seu namorado te espera no terraço.”

Também deu a Garuda uma Camélia única, que o falcão segurou com o bico e logo o soltou para alçar voo. Observou escondido sob os galhos fartos da árvore Sakura abrir a janela sorridente, pegar a Camélia, depois acariciar Garuda com carinho e rir animada ao ler a mensagem, despedindo-se do falcão que voou.

Para que a ave se divertisse um pouco, assobiou num comando de autorização de liberdade e seguiu para o terraço na velocidade Ninja, pois sabia que sua garota, ansiosa como era e que nunca o deixava esperando, iria de prontidão para o ponto de encontro.

Levantou a máscara ANBU pousando-a no topo da cabeça e recostou contra a parede aguardando-a com um sorriso de canto. Não demorou para vê-la e ser presenteado com o melhor dos sorrisos que ela sempre guardava só para ele e também para receber um beijo intenso, caloroso e instigante, junto de um abraço reconfortante e aquelas palavras mágicas que sempre aquecia seu coração quando ela as dizia:

— Bem-vindo de volta, Sasuke-kun. — ela se afastou para olhá-lo nos olhos e aproveitou para avaliar seu rosto com admiração — Como foi a missão?

— Bem. — beijou a testa dela, acolhendo-a em seus braços — Como está sendo seu dia?

— Ótimo. O plantão está tranquilo. — ela riu graciosa e por reflexo sorriu de canto — Sua mãe veio me visitar mais cedo. Disse que preparou um jantar de boas-vindas para você e que conta com minha presença, assim como a dos meus pais.

— Sabe que seremos o tópico principal da conversa, não sabe? — ela assentiu, sorrindo — Não podemos fugir, só nós dois?

— Isso seria ótimo, se não fosse por eu ter prometido que iríamos e que você se comportaria. — ela riu e ele revirou os olhos. Por que tinha que ser tão prestativa? — Não fique emburrado, Sasuke-kun. Prometi que iríamos e que você se comportaria, mas não disse nada sobre permanecer até o fim do jantar.

Sorriu de canto quando recebeu um sorriso esperto, entendendo perfeitamente o que havia nas entrelinhas.

— Estou ansioso por isso. — admitiu, puxando-a para um abraço e aproveitando a risada dela — Seu plantão acaba no mesmo horário de sempre?

— Sim.

— Venho te buscar então.

— Não precisa-…

— Venho te buscar. — insistiu, beijando os lábios róseos macios e convidativos em despedida.

Sakura riu no término do beijo e assentiu e, antes de deixá-la, deixou um beijo sobre o losango roxo.

Foi para casa esgueirando-se para não ser encontrado por ninguém, pois sabia que sua mãe continuava impossível de tanta animação. Desde que descobriu sobre o namoro, não parou de planejar e incluir Sakura e sua família em todos os eventos familiares do ano.

Isso porque até então conseguiu adiar um encontro com os amigos que estavam ansiosos para enchê-lo de perguntas que sabia que seriam indiscretas. Sakura também estava fugindo deles usando o trabalho como desculpa, mas imaginava que logo não conseguirão mais enrolá-los.

— Para onde o rapazinho pretende ir sendo tão sorrateiro?

Suspirou frustrado e virou-se para trás encontrando dona Mikoto sorridente.

— Vou começar a preparar Anmitsu para a sobremesa! Por que não vem me ajudar?

Quis dar uma desculpa qualquer, mas sabia que não conseguiria fugir por muito tempo.

— Vou tomar um banho e já desço.

— Ótimo! Te espero na cozinha, meu bem!

Apesar de ter concordado em ajudar, enrolou o máximo que podia e quando não tinha mais o que fazer, desceu, se preparando para o que estava por vir.

Então, enquanto cortava as frutas para a sobremesa, respondeu evasivamente o interrogatório da mãe sobre como seu namoro com Sakura estava indo. Logo Mebuki e Kizashi chegaram, então teve que responder a outro interrogatório, já que era a primeira vez que estava cara a cara com os sogros desde que oficializaram o namoro.

— Quais são as suas intenções com a minha menina? — Kizashi questionou e Fugaku, com braços cruzados, assentiu o incentivando.

— As melhores possíveis.

Cruzou os braços e encarou o sogro com determinação. Nada o faria desistir dela.

Sua mãe colocou o chá a sua frente, mas não se moveu, não queria dar a entender que estava fugindo daquela conversa séria.

— E mesmo assim pediu minha filha em namoro sem ao menos nos consultar.

— Do que adiantaria consultá-los se sua filha não aceitasse? Não me leve a mal, Kizashi-dono, mas minha prioridade é a felicidade da sua filha. Eu jamais a deixaria encurralada por vocês, lhes contando minha pretensão sem nem mesmo saber se ela estaria de acordo.

Fugaku assentiu orgulhoso, por mais que sua carranca estivesse intacta, Itachi, que estava sentado entre o pai e ele, também, embora sorrindo. Sua mãe e Mebuki sorriram generosamente e Kizashi, depois de encará-lo por algum tempo, assentiu, sorrindo largo.

— Boa resposta, garoto.

Assentiu também e se levantou.

— Agora, se não se importam, preciso buscar a Sakura.

Saiu de lá sob os gritinhos histéricos das mães e a risada espalhafatosa do sogro quando Itachi comentou sobre a tensão dele durante aquela breve conversa.

Kizashi sempre gostou dele, então não ficou tão tenso assim. Itachi certamente estava falando pelos cotovelos.

Ao chegar no hospital, foi recebido pela recepcionista com um sorriso generoso.

— A doutora está em uma reunião, mas me instruiu a pedir que a aguardasse na sala dela.

Assentiu e foi para lá sob olhares curiosos dos pacientes e das carrancas amargas de parasitas malignos.

Quando Sakura chegou, foi inevitável trocar uns beijos com ela antes de seguirem para o jantar e, durante todo o tempo, se manteve distante dela porque o irmão, o pai e o sogro estavam decididos a tomar a atenção dele, porém tinha os olhos astutos sobre ela, aguardando o sinal para fugirem dali.

— Como está indo na ANBU, Sasuke?

— Bem. — suspirou discretamente, encarando o sogro.

— O nome do Sasuke foi citado na reunião sobre os ANBU com os melhores desempenhos do último trimestre. — Itachi comentou e Fugaku assentiu orgulhoso mais uma vez.

Então engatam uma conversa animada que apenas ignorou e quase sorriu quando Sakura o olhou por sobre os ombros, sorrindo radiante e piscando com um olho ao fazer o sinal que tanto esperava.

Naquela noite, descobriu o que eram os famosos “amassos” que Naruto um dia comentou após ter aprendido depois de tanto conviver com o Sannin pervertido.

— Sasuke-kun… — Sakura gemeu manhosa, puxando levemente os fios negros da nuca quando ele passou a beijar seu pescoço fino.

O quadril dele se movimentava sem consentimento, friccionando a pélvis dele e contra o sexo coberto dela, com uma malícia descarada que desconhecia que tinha.

Quando beijar Sakura daquele jeito libidinoso passou a ser frequente, sabia que uma hora ia perder o controle sobre as ações do próprio corpo, mas não sabia que seria tão logo. Aquela garota era fogo e o incendiava por inteiro com toques peritos e instigadores.

— Isso é tão gostoso

Ela suspirou e ele voltou a beijá-la na boca, sentindo-a rebolar no colo dele.

Depois de fugir antes mesmo do jantar ser servido, foram para o monte Kage em busca de privacidade e paz e, após alguns minutos de conversa, os beijos vieram e os amassos começaram. Sakura se sentou no colo dele com um sorrisinho ardiloso e ele, no meio do beijo, acabou ficando excitado sem perceber.

Descobrindo juntos a sexualidade ativa, começaram a avançar a linha do pudor sem ao menos perceber e então chegaram naquela situação: corpos quentes, suados, respirações ofegantes, mãos curiosas, movimentos cadenciados em busca de alívio para o tesão e bocas insaciáveis.

Foi a primeira vez que gozou e quase ficou zonzo com as sensações resultantes daquela “brincadeira”. Foi estranho e libertador ao mesmo tempo. A peça íntima dele estava incomodamente molhada, mas tentou não se importar muito com aquilo.

Sakura, pela maneira como gemeu e tremeu sobre seu colo, também deveria ter gozado, mas não tinha coragem de perguntar, embora o rosto com aquele rubor gracioso e o sorriso frouxo acompanhado por olhos esverdeados brilhantes e semicerrados a tenha denunciado.

Ela riu o encarando e ajeitando o cabelo dele e ele sorriu de canto segurando o rosto dela com ambas as mãos e abaixando-o só para beijar a testa dela com carinho, acariciando-o conforme a encarava.

Se sentiu o cara mais feliz do mundo, só por tê-la feliz junto dele.

Eles deitaram para admirar a lua crescente e as estrelas. Sakura, com a cabeça apoiada em seu peito, suspirou encantada comentando o quão linda a lua estava naquela noite e ele, sabendo o que aquilo significava, concordou.

Quase um ano se passou conforme a intimidade entre eles crescia e, num dia agradável do fim da primavera, assistindo o irmão se casar com Izumi, decidiu que era hora de tornar o laço com Sakura ainda mais sólido. Era a felicidade de se tornar o homem de uma única mulher para o resto de sua vida que lhe faltava.

Então, três dias depois, quando a levou para um piquenique que prometeu há pouco tempo, vendo-a suspirar com olhos fechados, diante de uma brisa leve que esvoaçou poeticamente os fios róseos que contornavam o rosto delicado, decidiu que era hora de tornar aquele propósito real.

Sakura estava tão linda, tão plena, que ele gravou com o Sharingan a beleza inigualável daquele momento.

— Sakura. — ela abriu os olhos vagarosa e preguiçosamente, virando o rosto na direção dele com um sorriso fechado bonito. Se esticou para o lado e capturou o pingente rubro do colar que a deu no aniversário de quatorze anos e que, logo no início do namoro, descobriu que ela nunca tirava, embora usasse embaixo da blusa por vergonha de parecer boba para ele. Encarou o pingente por um tempo e depois as duas pedras esmeraldas brilhantes — Sabe como se chama esse colar?

— Não. — automaticamente o olhar dela desceu ao pingente na mão dele.

— O coração de um Uchiha. — ela o encarou de prontidão, com grandes e brilhantes olhos arregalados — Naquele dia, eu te entreguei o meu coração junto com esse colar, porque um Uchiha só é capaz de amar uma única mulher por toda a vida e, como te disse, sempre foi e sempre será você.

— Sasuke-kun…

Soltou o pingente e acariciou o rosto alvo com carinho e devoção, a encarando com o coração aberto e um sorriso ansioso.

E, diferente do pedido de namoro, resolveu ser direto.

— Você aceita se casar comigo?

Notas finais
Curiosidades e traduções: Sobre o filho do Kazekage – Bom, o Rasa, pai do Gaara, não morreu aqui, assim como Gaara não recebeu o Shukaku e logo não foi odiado pelo povo de Suna, então todo aquele ódio que o garoto espalhava não existe aqui em RA, por isso o Gaarinha está todo dócil com a Sakura rsrsrs A frase: “Porque quando uma garota se apaixona pra valer, não há nada no mundo que possa mudar seus sentimentos.” tem como referência uma frase da própria Sakura no filme “The Last”, quando ela conversa com o Naruto sobre como ela entende a Hinata. Foi uma frase diferente, porque não posso trazer na íntegra para não cair em plágio parcial, mas o sentido é o mesmo. Dono – é um honorífico antigo utilizado com alguém que você nutre um grande respeito. Por isso Sasuke chama o pai da Sakura de Kizashi-dono. “A lua está linda essa noite.” – Quando, em um encontro, um diz isso e o outro concorda, no Japão é considerado uma declaração. Interessante, não? Funciona como o famoso “Eu te amo” só que de um jeito muito mais implícito e profundo. Esclarecimentos feitos, vamos para a parte legal! Eita que chegamos ao fim do quarto e penúltimo capítulo dessa shortfic fofinha com o amor no ar!!! Gostaram, gente?! Eu sei que o capítulo ficou gigantesco, mas tudo o que aconteceu foi necessário para o crescimento do Sasuke, do que ele sentia pela Sakura e da relação dele com a Sakura, então espero que tenham gostado! Contem para mim, sim? E, tenho que pontuar, temos um forte SasuSaku Stan aqui, hein! Primeiro o Kakashi, o primeiro obviamente, depois o Narutin, a Ino e até o Neji! Me sinto representada por essa galera e vocês?! kkkkkkkk Sobre o final, achei desnecessário mostrar o que a Sakura respondeu, porque, óbvio, ela aceitou! Mas no próximo vai mostrar um pouquinho de como aconteceu. PRÓXIMO CAPÍTULO: Abram espaço, Senhor e Senhora Uchiha passando! DATA DE POSTAGEM: 23/09/2021 – Quinta-feira. Sei que vai demorar, mas, bem, esse capítulo aqui era o último escrito e o próximo vou ter que escrever, então tenham paciência, por favor rsrsrs IMPORTANTE: No capítulo passado eu disse que faria um Spin Off da conversa entre as mães e o Itachi que teve uma palhinha no capítulo passado e eu não esqueci. Inclusive, pretendo lançar três Spin Off quando essa Shortfic for finalizada, sendo eles: Realidade Alternativa Spin Off 1 – Papo entre mães. (conversa entre Mikoto, Mebuki e Kushina, além do Itachi – complemento do capítulo 3). Realidade Alternativa Spin Off 2 – Papo entre a cupido e seu alvo. (conversa entre Neji e Sakura. NejiTen/SasuSaku – complemento do capítulo 4). Realidade Alternativa Spin Off 3 – Papo entre o mentor e seu pupilo. (conversa entre Kakashi e Sasuke sobre a lua-de-mel regido pelo Icha Icha – complemento do capítulo 5). Além do EXTRA – Realidade Alternativa Capítulo Extra – Lua de mel ao estilo SasuSaku (único +18), porque, bem, é óbvio o porquê rsrs. Como podem ver, eu preciso finalizar essa para lançar essas outras, serão oneshots separadas e curtinhas só para deixar o coração de vocês aquecido com mais fofuras! Então para quem quiser acompanhá-las, siga meu perfil para receber notificação quando eu lançá-las. Tentarei lançar o Spin Off 1 e 2 até a postagem do último capítulo e os demais em até 1 mês no máximo! Torçam por mim! Até a próxima!*~ Obs.¹: Caso queiram ter prévias de capítulo, spoiler e interagir comigo além daqui, me sigam no Twitter por SenpaiNani, Instagram por NaniSenpaiNK e Facebook por Haruno Sah ou Nani Senpai! Obs.²: Cronograma de Agosto e Setembro! (por causa do atraso no cronograma de agosto, tive que remanejar tudo. Sinto muito, mas a crise de enxaqueca foi forte dessa vez.). https://docs.google.com/spreadsheets/d/1rP-ds4o2L3Bc6tTmsXk8vtjCvagooCXAShtgQ8DB9tI/edit?usp=sharing
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.