Realidade Alternativa
2 Despedida e reencontro
Notas iniciais

As coisas ficaram estranhas depois daquela festa. Todas as vezes que via Sakura, queria abraçá-la. Só de estar por perto, queria enfiar o rosto entre os fios róseos macios de novo para apreciar o cheiro dela. E o mais estranho: toda vez que olhava para ela, o olhar fixava nos lábios róseos naturais que aparentavam ser macios e convidativos.
E a cada mês que se passava, aquelas coisas estranhas – que aconteciam só na presença dela – intensificavam.
Certa vez, no dia do aniversário de quatorze anos dela, enquanto enchia balões para a festa de aniversário surpresa que fariam, foi abordado pelo idiota com um tópico um pouco alarmante.
— Ei, bastardo. — rosnou ante o apelido odiável e, por encher demais no calor da raiva, o balão acabou estourando em sua cara. Bufou e pegou outro, ignorando o idiota e o enchendo com todo o autocontrole que um Uchiha tinha. — Oe, Sasuke, tô falando com você! — virou para irritante e ergueu as sobrancelhas num sinal para prosseguir — O que você dará para a Sakura-chan de presente?
O balão escapou de seus lábios causando um som constrangedor e ele petrificou.
Não comprou o presente dela.
Maldição!
— Você esqueceu?! — Naruto exclamou, o pegando desprevenido e o assustando — Porra, você esqueceu!
— Pare de gritar, idiota. É claro que não esqueci.
Por sorte conseguiu se recompor antes que aquela situação ficasse complicada demais para lidar.
— É mesmo? — debochou o impertinente, colocando uma mão na cintura numa postura esquisita — Então o que você comprou?
Pensou rápido, mas não o suficiente já que a memória estava repleta de lembranças da qual a presentou com tudo o que ela comentou querer – Adendo um: não só para ele, mas para qualquer um. Adendo dois: Não que ele prestasse a atenção na conversa dela com outras pessoas, era só que coincidentemente ela sempre estava perto –, mesmo que não houvesse datas comemorativas para tal.
Droga. Estava a mimando demais. Obviamente ela não sabia que foi ele que deu cada presente. A maioria deixava na mochila dela e fingia demência quando ela perguntava pelo responsável.
Mas o que podia fazer? Deixá-la com vontade quando podia resolver aquilo? Ora, Sakura ficava irritantemente adorável quando ficava devaneando sobre algo, por isso se via na obrigação de comprar logo o que queria.
Sem devaneio dela, sem devaneio dele. Equação simples como dois mais dois ser quatro.
Pegou outro balão e começou a encher para ganhar tempo, utilizando menos de trinta por cento de sua capacidade pulmonar no sopro. Com o balão cheio, amarrou olhando para o idiota com a melhor expressão irritada que tinha.
— Não é da sua conta.
Naruto soltou uma risada baixa debochada como quem não acreditou e tirou do bolso um saquinho de presente volumoso apesar de pequeno.
Ergueu uma sobrancelha sem querer. Foi a surpresa do idiota ter sido mais prevenido do que ele pela primeira vez na vida.
— O que tem aí?
— Despertei sua curiosidade, é? — dando de ombros, viu-o guardar no bolso o saquinho — Não é da sua conta!
Que irritante!
Bufou e se concentrou em encher os balões até não restar nenhum e, quando acabou, saiu de lá com a desculpa de ajudar o Itachi com um treinamento.
Precisava comprar o presente dela.
Mas o quê?
Sakura era uma garota fácil de agradar. Era tão dócil e educada que poderia lhe dar um graveto e ela diria que foi o melhor presente do mundo.
Acontece que não seria capaz de dar um graveto e já lhe presentou com tudo o que ela um dia comentou querer, então era difícil escolher algo.
Andando pelas ruas mais movimentadas da Vila, ele observou com empenho todas as vitrines em busca de algo significativo, porque, como era o aniversário dela, todos lhe presenteariam e ele era um Uchiha, logo tinha o dever de dar o melhor presente de todos.
Apenas por ser um Uchiha e não porque queria impressioná-la.
Pff. Não, jamais.
Duas quadras depois, deparou-se com os colegas saindo animados de uma loja. Reconhecia-os e, mais importante, reconhecia aquela loja, era a mais popular entre as garotas. Foi para lá a passos controlados para a caminhada não virar corrida e chegou com a maior expressão tediosa que tinha.
— O que estão fazendo parados no caminho?
Oh, abordagem perfeita para manter a pose de desdém. Estava se saindo muito bem, mesmo que o desespero começasse a dar as caras.
Era só continuar por aquele caminho.
— Oi, Sasuke-san. — Lee o cumprimentou primeiro, Tenten acenou animada e então Neji se virou para ele, o cumprimentando com uma breve reverência que correspondeu antes de voltar a mirar o esquisito sobrancelhudo — Acabamos de comprar o presente da Sakura-san! — virando para Tenten, continuou — Será que ela vai gostar?
— Sasuke-kun é o melhor amigo dela, deveria consultá-lo já que falei milhões de vezes que ela ia gostar e mesmo assim você continua repetindo essa pergunta!
A garota estava mesmo irritada, o rosto estava até vermelho. Coitada. Se compadeceu da situação dela, porque passava o mesmo com o idiota do Naruto.
— Acha que ela vai gostar, Sasuke-san?
O garoto lhe estendeu o item posto em um saquinho de presente e ele abriu o cordão e olhou dentro com uma curiosidade que jamais assumiria.
Era uma pulseira prateada com pequenas flores delicadas penduradas.
Franziu o nariz e o cenho ao mesmo tempo.
Não gostou.
Sakura com certeza vai amar.
Merda.
— Oh, viu, Tenten?! Olha a cara do Sasuke-san! Com certeza ela vai odiar!
Então o garoto se desfez em lágrimas e lamúrias e ele revirou os olhos ante o drama.
— Sakura é incapaz de odiar, seja coisas ou pessoas. — foi o que respondeu e entregou o saquinho sem nem mesmo fechar. Estava ocupado ponderando se aproveitaria de sua posição privilegiada para conferir o que os outros compraram também. Ele era um Uchiha e se aproveitar das oportunidades era outro dever. Certo. Era melhor fazer jus ao peso que carregava. — E vocês? O que compraram?
Tanto Tenten quanto Neji o encararam com estranheza. Também pudera, jamais demonstrou interesse ao que quer que fosse que não se tratasse de Sakura, mas, bem, indiretamente se tratava dela, não?
— Um estojo de maquiagem muito popular! — Tenten respondeu primeiro, com um brilho no olhar que deixava claro que era algo do interesse dela e não da pessoa que ganharia.
Não que Sakura não fosse gostar. Ela era tão feminina e delicada que essas coisas de garotas com certeza a fariam enlouquecer de animação.
— Uma Kunai talhada para mãos pequenas com flor de Cerejeira gravada no cabo.
Estreitou os olhos na direção do Neji e franziu o cenho antes que pudesse se controlar.
“… para mãos pequenas.”.
Por que diabos ele reparou que as mãos da Sakura eram pequenas? Por acaso ficava a observando minuciosamente?!
Não gostou. Não mesmo. E se certificaria de manter Sakura longe daquele parasita maligno.
— Ih, Neji, pela cara do Sasuke-kun ela não vai gostar dessa Kunai não. — Tenten comentou, segurando o riso.
Neji, que estava com os braços cruzados, desfez a pose e olhou para o interior da loja, claramente preocupado.
Ótimo. Devia ficar preocupado mesmo, mas não pela Kunai.
— Preciso ir. — cortou o que quer que Lee pretendia dizer e enfiou as mãos nos bolsos da calça saindo dali, ignorando os protestos que vieram posteriormente.
Uma pulseira, um estojo de maquiagem e uma Kunai.
Fora o presente misterioso do Naruto.
Droga. O que ele poderia dar?
Depois de perambular pela Vila inteira, foi para casa mais frustrado do que gostaria de admitir.
Não havia nada de especial aos seus olhos. Nada. E seu tempo estava acabando, em poucas horas Sakura voltaria da viagem com os pais e encontraria a baita festa que prepararam em sua casa para recebê-la e parabenizá-la.
Suspirou, se sentindo o pior dos piores. Pior até que o Naruto, que já garantiu o presente dele.
Maldição.
— O que foi, querido? — sua mãe perguntou assim que entrou na cozinha.
Buscou por uma bebida e puxou uma cadeira, sentando-se emburrado.
— Hoje é o aniversário da Sakura.
Sua mãe sorriu e se sentou perto dele.
— Kushina e eu já estamos fazendo os preparativos dos aperitivos para a festa. — sorrindo ainda mais, ela soltou um gritinho animado que o fez sobressaltar na cadeira pelo susto — Sakura-chan vai amar os quitutes que escolhemos!
Franziu o cenho e bufou. Ele estava chateado e sua mãe estava tão feliz que nem percebeu.
— Mãe. — suplicou, apoiando o cotovelo na mesa para massagear a testa — Será que a senhora pode disfarçar um pouco essa felicidade? Eu estou em um dilema aqui.
— Oh… — parecendo perceber só naquele momento o desespero dele, ela aproximou as cadeiras e capturou a mão dele ternamente — o que te aflige, querido?
Se emburrou, suspirando e desviando o olhar. Poderia continuar sendo orgulhoso ao procurar sozinho algum presente, mas a desesperança que estava sentindo era forte demais para ignorar.
— Esqueci de comprar o presente dela e, agora que fui comprar, não achei nada que fosse digno.
Sua mãe torceu os lábios para não rir, ele viu e ficou ainda mais emburrado.
Era isso que ganhava por ser sincero?
— Você sabe que independentemente do que der, Sakura-chan vai amar, não sabe? — bufou de novo. Não queria ouvir consolo, queria ouvir uma boa ideia, poxa! — Mas… deixe-me pensar aqui… — ela colocou o dedo indicador sobre a boca e ficou olhando para cima por um tempo, até estalar os dedos e mirá-lo — você gosta dela, querido?
Os olhos dele involuntariamente saltaram e o rosto inteiro queimou como se tivesse enfiado o rosto nas águas termais de Sunagakure.
Mas que pergunta era aquela?!
— O quê? — uma crise de tosse começou porque ele engasgou com a própria saliva naquele grito esganiçado.
Dona Mikoto riu.
— A pergunta foi simples, meu bem. Você gosta dela?
Ainda de olhos arregalados, franziu o cenho.
— Não! — a resposta saiu ainda mais esganiçada e outra crise de tosse começou, precisando que sua mãe – que ria ainda mais – desse tapinhas em suas costas para ajudá-lo a desengasgar.
Que constrangimento!
— Tem certeza? — ela insistiu e ele tomou um longo gole de água.
Sentindo-se ainda mais constrangido do que já se imaginou ficando um dia, desviou o olhar, mirando o copo.
— Talvez.
— O quê?
— Talvez! — repetiu um pouco mais alto entre dentes, o que não passou de um sussurro rosnado, já que da primeira vez sua voz se recusou a sair. Mikoto riu e ele revirou os olhos — Um pouco.
— Um pouco, não é? — arqueando uma sobrancelha duvidosa, ela sorriu, pegando a mão dele de novo — Olha… é passado de geração em geração de nossa família algumas joias muito especiais. Se você acha que a Sakura-chan é digna-…
— Cadê? — a cortou afobado e só percebeu que cometeu o erro de ser impulsivo e se delatar desnecessariamente, dando margens para uma imaginação fértil demais entrar em ação, quando Mikoto transpassou divertimento pelo olhar brilhante e ergueu uma das sobrancelhas como se repetisse: “Um pouco, não é?”.
Itachi teve a quem puxar. Os dois eram iguaizinhos quando tiravam o dia para se divertirem às custas dele.
Ao menos nenhuma piada foi feita verbalmente, senão estaria perdido.
Sua mãe o levou para o quarto dela e tirou do armário uma caixa de joias. Ao mostrá-lo cada uma, contou um pouco de sua respectiva história e ele decidiu que escolheria a que fosse mais bonita e romântica, assim como sua futura dona.
— Já essa aqui foi dada à sua Bisavó pelo seu Bisavô quando ela aceitou namorar com ele. — ela sorriu para a joia, estendendo para ele — Se chama: O coração de um Uchiha.
“O coração de um Uchiha.”, por algum motivo desconhecido, gostou do nome.
Vidrado, pegou a joia com cuidado. Era um colar dourado. Sua corrente era fina e delicada, trançada perfeitamente bem, e possuía um pingente único do tamanho de uma pequena cereja com o formato de coração.
Pegou o pingente, analisando-a. A pedra vermelha estava muito bem lapidada e conservada.
— Seu bisavô lhe deu essa joia como uma forma de provar seu amor ao dá-la seu coração, pois um Uchiha só ama uma única pessoa por toda a vida, e também como uma promessa de que um dia ela seria uma Uchiha, então mandou fazer o pingente a partir de um rubi, pois era da mesma cor do coração e do Sharingan, assim, se ela aceitasse, aceitaria também o amor dele e já se acostumaria com a cor predominante do Clã. — sua mãe suspirou e ele a olhou, fechando a mão sobre o pingente — Possuímos tantas histórias de amor lindas!
Olhou de novo para o pingente, abrindo a mão.
Aquele colar ficaria perfeito adornando o pescoço fino de Sakura. Tinha certeza. Conseguia imaginá-la perfeitamente com a joia.
— Obrigado, mãe! Essa aqui é perfeita!
Ele saiu dali em disparada, ouvindo ao fundo a risada da mãe. Tinha que encontrar o embrulho perfeito!
E ele quase sorriu quando, depois de quase quatro horas de festa e todos terem entregado seus presentes, menos ele, Sakura o olhou de esguelha emburrada, puxando a barra da camiseta dele.
— Sasuke-kun… — e olha lá o tom manhoso. Estava muito difícil não sorrir, muito difícil mesmo. — você não se esqueceu de nada?
Forçou os lábios a manterem-se em linha reta.
Não sorria, não sorria!, repetia para si mesmo, virando-se para ela com a expressão mais séria que tinha.
Não a julgava por achar que ele tinha esquecido do presente dela, afinal sempre era o último a entregar e fazia questão de entregá-lo na frente de todos, apenas porque gostava de se gabar de que era o que dava o melhor presente, mas desta vez… desta vez tinha algo diferente em mente.
— O quê? — perguntou, fazendo o sonso com gosto.
Acompanhou as maçãs delicadas se tornarem cada vez mais rubras e os lábios róseos naturais – e ainda mais convidativos – formarem aquele biquinho covarde encantador.
— Meu presente. — murmurou ela mais emburrada, cruzando os braços e desviando o olhar para o lado.
As pessoas ao redor estavam ocupadas com suas próprias conversas, mas achou melhor levá-la dali. Queria privacidade e talvez um pouco mais de liberdade para colocar em prática seu plano – sem que o orgulho o freasse – para fazer uma entrega cinematográfica de tão perfeita!
Pegou o pulso dela e a arrastou para longe dali, indo para o jardim dos fundos da casa dos Haruno.
— Para onde estamos indo? — ouviu-a perguntar, mas continuou atravessando a casa sem respondê-la — Sasuke-kun?
— Não seja impaciente. — a repreendeu, olhando-a por sobre o ombro, sem cessar os passos. Sakura assentiu e murmurou um “Desculpe.” — Boa garota.
Virou o rosto para frente sem conseguir conter o sorriso de canto e continuou o caminho até alcançarem a maior árvore do jardim, uma Cerejeira espetacular que tinha suas flores desabrochadas.
Ao parar sob as ramificações cheias, pegou a mão dela e colocou a caixa quadrada embrulhada impecavelmente com papel de presente vermelho bordô sobre ela.
Sakura já tinha lágrimas acumuladas naqueles lindos olhos verdes quando percebeu para onde ele a levava – o lugar preferido dela na casa – e quando lhe entregou o presente sorriu radiante derramando-as ao encará-lo.
— Abra. — pediu, quando ela hesitou ao manter a troca de olhar.
Rapidamente a garota, com pequenas mãos trêmulas, desembrulhou o item e, quando abriu a caixa, ofegou levando uma mão à boca, mirando-o com olhos arregalados.
— Sasuke-kun…
Sorriu de canto, inebriado pela constatação de que, mais uma vez, manteve a posição de dá-la o melhor presente de todos. Apressou-se a tirar o colar da caixa e em ir para atrás dela para colocá-lo no pescoço fino.
Os dedos dele, vez ou outra enquanto tentava encaixar e fechar o fecho, tocava a pele dela e não foi difícil ver, mesmo sob a pouca luz de um entardecer, que estava arrepiada, assim como ele.
Aquele pequeno contato íntimo causou pequenos choques em reflexo ao toque.
Quando terminou – depois de postergar o quanto pôde a ação – deixou um carinho sutil com as costas do dedo indicador na nuca com finos fios róseos curtos e umedeceu o lábio inferior, virando-a para si.
Estava nervoso. Ela deixou claro que gostou do colar, mas precisava de uma confirmação verbal para acalmar o coração agitado.
— Você gostou?
Ela olhou para a joia no próprio pescoço, segurando o pingente de pedra impecavelmente lapidada vermelha e depois para ele com outro sorriso radiante que se tornou o mais lindo que já viu, mais até do que o que recebeu em seu aniversário.
— Eu amei, Sasuke-kun!
Então ela se jogou em seus braços, recompensando-o com um abraço caloroso e repleto de felicidade, mas para o desgosto dele foi rápido demais, tanto que franziu o cenho quando a sentiu se afastar.
— É o presente mais precioso que já ganhei em toda a minha vida! — exclamou, abraçando-o de novo e surpreendendo-o ao beijá-lo na bochecha.
Um beijo demorado e instigante.
Um beijo que virou outro beijo, em outro lugar.
E foi ali, sob uma deslumbrante Cerejeira durante o pôr do sol, que descobriu que os lábios róseos naturais eram sim macios e muito, muito convidativos e receptivos.
O aniversário era dela e ele até podia ter dado a ela, além da joia, o primeiro beijo dele, mas certamente quem ganhou o melhor presente de todos foi ele, pois descobriu, por aquele beijo inexperiente, um pouco desajeitado no começo, mas que com paciência, determinação e uma incrível química se encaixou naturalmente, que era também o primeiro beijo dela.
Ele foi o primeiro garoto dela, assim como ela foi a primeira garota dele e faria de tudo para manter as coisas daquele jeito para sempre.
O término do beijo veio com a falta de fôlego e jeito em lidar com a situação, tanto da parte dele como da dela, então, adoravelmente rubra e com grandes olhos verdes brilhantes, ela sorriu de um jeito que fez o coração dele dar um solavanco no peito só para depois bater forte e desordenado e ele a retribuiu com o primeiro sorriso aberto que já deu na vida, então voltaram para a festa trocando olhares que mostravam que aquele seria o segredo deles.
Ele mal dormiu naquela noite. Não conseguia esquecer de como as mãos dele encontraram encaixe perfeito na curvatura da cintura fina ou no pescoço dela, assim como o quanto o sabor dele misturado ao dela era viciante ou então em como eles tinham um beijo inesquecível.
E, depois daquilo, muitos beijos vieram em seguida, era o normal a se acontecer, porém foi o extremo contrário, não porque ela fugiu dele e sim porque ele fugiu dela.
Veja bem, não era um garoto inseguro. De jeito nenhum. E também não se arrependeu de beijá-la, se tratava do absoluto oposto, só que não sabia como lidar com a situação.
Eles se beijaram. Certo. E agora?
O que vinha depois?
O que tinham que fazer?
Era preciso conversar?
Sakura gostava de conversar, mas não sabia se gostaria de conversar sobre algo tão constrangedor quanto um beijo. E se gostasse, o que, exatamente, conversariam?
“Oi, o beijo foi…”.
Nem em pensamento conseguia concluir aquela frase, até porque não havia conjunto algum de palavras que descreveriam com exímia o que ele sentiu naquele beijo.
Por causa daquele impasse e por ter tido a sorte de não ser chamado para nenhuma missão, passou os próximos três dias enfurnado em casa, saindo do quarto só para usar o banheiro e pegar comida e, quando resolveu sair e procurar a irritante que tirou o sono dele por todo aquele período, foi convocado, assim como todos os Ninjas ativos de todas as patentes, para um pronunciamento oficial emergencial do Yondaime Hokage.
Foi para lá ao lado de seu pai e irmão preocupado e não demorou para encontrar, ainda no caminho, Kakashi e Sakura logo a frente. Pensou em se juntar a eles, mas seu pai o impediu estendendo o braço na frente dele e lhe lançando um olhar rigoroso que deixava claro que não podia sair de perto dele.
As coisas estavam tensas e se perguntou se seu pai tinha conhecimento sobre o que estava havendo.
Cerca de uma hora depois, o Yondaime Hokage apareceu no palanque dos Hokage junto de sua família. O semblante dele era tenso, o de Kushina triste e o de Naruto confuso.
Ao menos mais alguém estava tão confuso quanto ele próprio.
Então o discurso começou com palavras encorajadoras de união e perseverança, até chegar no ponto chave da emergência:
— Nossos departamentos de Investigação e Inteligência encontraram provas de que a paz não é mais tão garantida quanto era até dois dias atrás. A aliança entre as Cinco Grandes Nações Ninja estremeceu quanto ao domínio das vilas e aldeias que ficam nas fronteiras e o alerta de disputa territorial foi acionado, — diversas exclamações foram ouvidas, até que, com pesar, o Hokage prosseguiu — e nem mesmo minha renúncia a elas bastou para evitar que Konohagakure fosse inclusa nessa possível guerra sem fundamentos.
Seguido disso veio uma explicação extensa sobre a situação atual e também a necessidade de preparo militar e, assim, o que mais temia, aconteceu:
— Peço que todos os Ninjas ativos, de toda e qualquer patente, se apresente ao planejamento.
Os murmúrios ganharam força. Todos ficaram assustados e alarmados e ele só conseguia lamentar por aquilo acontecer logo naquele momento.
Seu pai o reteve por um bom tempo junto dos Ninjas do Clã e, depois de uma reunião improvisada no meio daquela multidão, o liberou para se encontrar com seu Time e se apresentar oficialmente como foi ordenado.
Ele andou apressado por aquelas pessoas procurando uma única pessoa. Toda a distância que impôs entre eles até aquele instante pareceu ser pior a escolha possível e só o que queria era se retratar e, ao mesmo tempo que encontrou aquela garota de cabelos róseos, foi encontrado por ela, que desviou das pessoas e correu para os braços que se abriram automaticamente quando veio em sua direção.
O abraço, diferente de todos os outros, foi desesperado e aflito. Sakura tremia em seus braços e podia sentir as lágrimas dela umedecendo sua camiseta.
— Calma, eu estou aqui. — assegurou, sentindo-a abraçá-lo com mais força e assentir.
Não demorou para Kakashi alcançá-los e em seguida Naruto e ele manteve discretamente a mão dela sob a própria num aperto sutil para reconfortá-la. Ela estava realmente abalada e preocupada e ele queria muito acalmá-la.
Trocando um cumprimento simples e nervoso, o Time 7 seguiu rumo ao planejamento, colocando-se em fila junto das centenas de Ninjas, dos times Genin e Chūnin e esquadrões Jōnin e, ali, ficou ainda mais gritante o quanto a situação era grave.
— Se juntem aos demais times na sala 113, por favor.
Foi o que os orientaram e, mesmo estranhando, obedeceram. Kakashi, ao contrário de sua habitual postura preguiçosa e desdenhosa, parecia tenso e isso o deixou mais tenso ainda. Naruto olhava para todos os lados com a expressão assustada e Sakura ainda estava encolhida ao seu lado, com a mão que ele segurava de maneira protetora trêmula e a outra no peito.
Ao se juntar aos outros times, imediatamente seus colegas de academia se aproximaram e passaram a especular o motivo de eles terem sido separados dos outros e só soltou a mão da Sakura porque Ino veio abraçá-la.
Só que não tirou os olhos dela. Estava preparado para voltar a confortá-la assim que fosse preciso.
— Vocês acham que uma guerra vai começar? — Kiba perguntou, passando a mão nas costas da Hinata quando ofegou assustada.
“Guerra” era uma palavra muito pesada e temida para ser proferida com tanta naturalidade e, pelo visto, o idiota não tinha o bom senso de considerar tal fato.
— O Yondaime Hokage-sama te disse algo, Naruto? — então quem prosseguiu foi Shikamaru.
— Meu pai só disse que lamenta que as coisas tenham chegado nesse ponto. — ele suspirou e seus ombros caíram, enquanto olhava a volta com o mesmo semblante assustado — Não sei o que ele fará.
Algumas horas depois, que mantiveram-se sentados aguardando ordens ou instruções, o próprio Yondaime entrou na sala acompanhado de Ninjas conhecidos e também não conhecidos por ele. Todos se levantaram o saudando, recebendo em troca um aceno polido e um sorriso que falhou em ser reconfortante devido ao semblante tenso.
— A nova geração é a nossa aposta para assegurar o futuro, a segurança e a paz que precisamos, — foi o início do discurso e ele estremeceu involuntariamente tendo um péssimo pressentimento — por isso estamos, oficialmente, desfazendo os Times para inseri-los em treinamentos específicos e especializados para elevar o nível Ninja de cada um de vocês. — os cochichos ficaram cada vez mais altos, até o Hokage acenar pedindo silêncio — Seus Jōnin-sensei vão garantir a segurança da Vila nesse período, então não se preocupem com o tempo que levarão para ficarem prontos.
Olhou para o Kakashi, que o correspondeu e seus olhos sorriram, confortando-o e à Sakura que o olhou em seguida.
— Assim que forem chamados, dirijam-se aos seus novos mentores. — o Hokage concluiu.
Sakura o encarou ainda mais assustada e ele, com o cenho franzido entre o desespero e medo, capturou a mão dela de novo e a apertou sutilmente para lhe passar conforto.
“Desfazendo os Times.”
“Treinamentos específicos e especializados… para cada um deles.”
“Dirijam-se aos seus novos mentores.”
Aquelas frases eram evidências de que se separariam.
Sakura e ele se separariam.
Se soubesse que aquela merda ia acontecer justo naquele momento, teria passado os últimos três dias junto dela.
Então a chamada começou e um por um se retirava junto do tal mentor. Naruto foi chamado por um velho esquisito de longos cabelos brancos e Sakura por uma loira pavio curto. Então veio a vez dele que, para seu espanto, foi chamado por Obito.
Franziu o cenho, caminhando na direção dele. Se era para ser treinado por um Uchiha, por que não escolheram Itachi?
— Obito iniciará seu treinamento para que seu Sharingan aprimore e, posteriormente, você será treinado por Orochimaru, Sasuke. — Iruka instruiu e ele olhou de novo para o Obito e depois para o ex-professor — Alguma dúvida?
— Por que ele? Meu pai ou irmão podem fazer isso.
Então algo suspeito ocorreu. Iruka olhou para o Yondaime Hokage, depois para Kakashi e por último para ele, só que quem assumiu a resposta foi o Hokage.
— Seu pai estará muito atarefado reforçando a segurança da Vila e seu irmão foi designado para uma missão e partirá essa noite.
Engoliu a seco. Esqueceu-se momentaneamente que sua família ocupava cargos de confiança e extremamente importantes. Fugaku era líder da polícia e Itachi capitão ANBU.
Assentiu e se retirou com Obito para outra sala, onde foi explicado que tipo de treinamento lhe seria dado, depois foi apresentado ao tal Orochimaru, que era um dos Três Ninjas Lendários de Konohagakure – somente naquele momento soube que o velho responsável pelo treinamento do Naruto e a loira responsável pelo treinamento da Sakura eram os outros dois Sannin. Logo que a apresentação terminou, o homem o deixou aos cuidados de Obito, informando que assim que o aprimoramento do Sharingan ocorrer, ele o encontrará e o levará consigo para começarem os treinamentos e se retirou.
Quando ficaram sozinhos, Obito disse que começariam o treinamento ao amanhecer e o liberou para se preparar e, ao sair da sala, deparou-se com seus colegas, amigos e Sakura o aguardando.
Ignorou todos e se aproximou da garota de cabelos róseos que tinha olhos chorosos fixos nele, capturando a mão dela com cuidado, sem soltá-la mesmo que Naruto tenha falado com ele.
— Você também vai partir de Konoha para treinar, Sasuke?
— Sim, mas não agora. Tenho que aprimorar o Sharingan antes.
Virando para os demais, Naruto continuou — E vocês?
Então Shikamaru, Chōji e Ino explicaram que o treinamento seria na Vila mesmo, por seus pais que eram da primeira formação Ino-Shika-Chō. Depois Kiba, Shino e Hinata disseram que seriam treinados por seus respectivos Clãs e, posteriormente, Lee, Neji e Tenten falaram a mesma coisa.
Aparentemente os únicos que sairiam da Vila para treinar era o desfeito Time 7.
Por quê?
— Está claro que a nova geração será treinada para substituir a geração anterior, caso alguma merda aconteça. — Shikamaru proferiu o que ele estava pensando em segundo plano.
Aquilo estava tão óbvio que se preocupou pelo Yondaime Hokage não ter tentado nem mesmo ludibriá-los para não perceberem.
A coisa estava mesmo feia.
— Vocês que vão viajar com os Densetsu no Sannin— Três Ninjas Lendários –… — começou Neji, com o cenho franzido. Seu olhar estava sobre a Sakura, o que o deixou um tanto incomodado. De novo aquele parasita maligno estava focando nela. Maldição. — não é perigoso saírem da Vila com eles no nível que estão atualmente?
Sentiu a mão da Sakura tremer ainda mais e a olhou. Estava encolhida, com os olhos chorosos e lábios trêmulos.
Neji tinha razão. Aqueles três Ninjas eram importantes e, com certeza, alvos de muitos inimigos. Sair da Vila com eles os tornariam alvos também.
Quis abraçá-la para confortá-la e dizer que ela ficaria segura, pois sua mentora era forte para garantir isso, mas não conseguiu porque Naruto segurou a outra mão dela, obtendo sua atenção.
— Não se preocupe, Sakura-chan. Sasuke e eu ficaremos bem!
Seus olhos arregalaram involuntariamente. Então era isso?
Enquanto ele estava preocupado com ela, ela estava preocupada com eles?
Mas que garota mais… irritante.
Negou com a cabeça, sentindo um pequeno sorriso domar os próprios lábios. Sakura era realmente inacreditável. Tão gentil e protetora…
Com a mão livre, puxou-a para seu peito num meio abraço tímido, mas espontâneo.
Que se dane a discrição!
— Naruto e eu vamos, com certeza, voltar, então volte também, está bem?
Ela sorriu, pela primeira vez naquele dia e então assentiu.
— Está bem!
Depois daquilo todos se separaram. A maioria tinha pais que eram Ninjas também e aquele seria o último dia que se veriam antes das missões e treinamentos intensivos começarem, então não podiam continuar conversando como se tudo estivesse normal.
Quando chegou em casa, foi abraçado com força por sua mãe, que provavelmente já estava a par do que estava acontecendo. Em seguida foi chamado por seu irmão mais velho para uma conversa fora de casa – o que foi bastante estranho. Só que Itachi queria apenas pedir para que se cuidasse e que treinasse com empenho, contando finalmente que sairia em missão naquela noite mesmo.
Eles conversaram brevemente antes de se despedirem e, antes que fosse de vez, o perguntou algo que remoeu desde que soube que o Time 7 se separaria e viajaria para lugares diferentes.
— Seu corvo mensageiro… como o conseguiu?
Itachi explicou de que era necessário fechar um contrato com uma invocação e foi assim que ele adquiriu o Garuda, a invocação de um falcão que seria muito útil a partir dali, útil se conseguisse dominá-la e treiná-la para reconhecê-lo como seu cuidador – coisa que levou a tarde, noite, madrugada e comecinho da manhã. Quase não foi capaz de se despedir de Sakura e Naruto que sairiam em viagem em poucos minutos, por isso se apressou a encontrá-los, pulando de telhado em telhado para não se deparar com obstáculos.
Chegou no momento que os dois, acompanhados por seus respectivos mentores, acenavam para se retirar, até vê-lo saltar no chão, há poucos metros de distância.
Sakura correu em sua direção com os braços abertos e quase se desequilibrou quando a acolheu num abraço apertado.
— Achei que não chegaria a tempo de nos despedirmos, Sasuke-kun! — ela sussurrou com a voz embargada e aflita e a apertou ainda mais entre os braços, pousando-a no chão, mas sem deixá-la se afastar.
— Eu não perderia isso por nada.
Como a boa menina que era, ela assentiu e o apertou mais também. Eles ficaram um longo tempo daquele jeito e ele estava tão emotivo e aflito por saber que não a veria por tempo indeterminado, que nem sequer percebeu que estavam fazendo cena na frente de todos os colegas da academia Ninja e do Kakashi.
A única coisa que interrompeu aquele abraço e fez Sakura se afastar dele, foi o pigarro forçado do Naruto, que tinha se aproximado também.
— Eu também vou partir, Sasuke. — emburrado, o loiro disse — Seria bom demonstrar que vai sentir minha falta também.
Revirou os olhos e esticou o punho fechado num toque antigo entre eles que Naruto o obrigou a aprender para casos como aqueles.
Sorrindo como o idiota que era, Naruto o retribuiu e o pegou desprevenido ao abraçá-lo também.
— Tá bom, já chega. — resmungou, afastando-o.
O perdedor estava até chorando. Patético.
— Tenho uma coisa para vocês. — pegou do coldre traseiro dois pergaminhos pequenos e dois frascos com o sangue que retirou mais cedo, entregando um de cada para Sakura e para o Naruto — É um pergaminho de invocação do meu falcão. — o invocou rapidamente, para mostrá-lo aos dois — Este é o Garuda e podemos usá-lo para nos comunicar. Sempre que quiserem me enviar cartas, usem uma gota do meu sangue que está no frasco e o invoquem utilizando uma quantidade razoável de chakra.
Sakura sorriu tão radiante que quase se esqueceu que estavam prestes a se separar e Naruto gritou, pulou e o abraçou de novo gritando aos quatro ventos que sabia que ele se importava.
Pensou em negar aquela declaração vergonhosa, mas desistiu no momento que o olhar de Sakura caiu sobre ele e brilhou iluminado demonstrando o orgulho que sentia dele.
A despedida foi breve seguido daquilo, porque os dois Sannin estavam com pressa e logo ele iniciou sua jornada também.
Oito meses se passaram e a única coisa que fez nesse período foi treinar exaustivamente seu Sharingan e corpo para aprimorá-los.
A primeira carta que recebeu foi do Naruto, duas semanas depois que partiu. A da Sakura veio apenas um mês e meio após sua partida e, por mais que no começo a troca de cartas fosse regular, do quinto mês em diante a frequência caiu drasticamente, cerca de uma por mês, devido à gravidade da situação. Ainda não era a chegada da temida Guerra, mas muitos confrontos nas fronteiras começaram, assim como ataques às Vilas desprotegidas do País do Fogo.
No décimo mês conseguiu evoluir seu Sharingan para o terceiro e último estágio, obtendo o terceiro Tomoe e, como prometido, Orochimaru veio buscá-lo para partida imediata.
No decorrer da jornada, entendeu o motivo do treinamento ser fora da Vila. Orochimaru, apesar de ser responsável pelo treinamento dele, tinha a própria missão para cumprir, que era se infiltrar e, em caso de risco eminente, executar Ninjas que seriam um problema para Konoha e o treinamento seria dado na prática, concluindo as missões junto de seu mentor.
Dois anos e meio depois, a Guerra finalmente começou.
Konoha virou alvo prioritário de dois dos Quatro Grandes Países Ninjas: Iwagakure— Vila Oculta da Pedra – e Kumogakure— Vila Oculta da Nuvem. E mesmo tendo o apoio de Sunagakure— Vila Oculta da Areia – que era um forte aliado e Kirigakure— Vila Oculta da Névoa – que garantiu que não iria se opor, desde que não fosse atacado, as coisas ficaram bastante difíceis.
Em todas as Vilas e aldeias que chegava com Orochimaru, tinha evidências da passagem da guerra por ali. A destruição estava espalhada até mesmo nas pequenas propriedades civis e foi realmente problemático obter o controle da situação.
Dois anos e oito meses depois, o Yondaime Hokage fechou um acordo com Kumogakure e com o nordeste neutralizado, sudeste somente em alerta e o sudoeste fortificado, Konoha pôde concentrar toda sua força militar no lado noroeste, contra o último inimigo potencial: Iwagakure.
Foi quando o Time 7 finalmente se reuniu, assim como os Três Sannin Lendários.
Os Sannin ficaram responsáveis por neutralizar o alto escalão, assim como o Tsuchikage— Líder do Pais da Terra –, enquanto o Time 7 ficou a frente da linha de batalha e, só então, ficou evidente a óbvia evolução de cada um deles. Mesmo depois de tanto tempo separados, a sincronia e dinâmica deles como time não foi afetada negativamente de maneira alguma.
Assim que se separaram de seus mentores, os três fizeram suas invocações para auxiliar na batalha. Ele invocou uma cobra, Naruto um sapo e Sakura uma lesma, todos gigantes e poderosos em níveis absurdos.
Enquanto Naruto e ele avançava território reduzindo drasticamente o número de inimigos, Sakura cobria a retaguarda e mantinha uma rede impressionante de cura à distância, salvando e mantendo centenas de vidas, tanto de civis como de Ninjas aliados, mesmo durante o confronto.
Então, duas semanas depois, a Guerra chegou ao fim. Os Sannin tiveram sucesso em sua missão, o Yondaime Hokage conseguiu um acordo pelas fronteiras e eles mantiveram Konoha e seus cidadãos seguros.
O pós-Guerra foi um período difícil e de recuperação lenta. Quando todo o perigo foi extinto, Naruto e ele voltaram para casa junto de seus mentores, mas Sakura e sua mentora não. Assim como atuaram na linha de frente, era imprescindível que elas viajassem para os lugares mais afetados, prestando atendimento médico.
Tanto ele quanto o Naruto continuavam trocando cartas com ela. Não havia muito o que dizer, na verdade, e ela parecia sempre muito esgotada pelas poucas palavras que utilizava.
Três anos e três meses depois que o Time 7 se separou, finalmente se reencontrou e ficou completo. Sakura voltou no fim da primavera e, mesmo que tenham convivido por alguns meses antes da Guerra ter acabado, ele ficou deslumbrado ao vê-la quando chegou.
O campo de batalha, a tensão de estar sob vigia constante e a preocupação de não falhar o impediram de vê-la como algo mais do que uma aliada imprescindível, então quando a viu chegar, trajando roupas de batalha novas que deixava seu corpo com mais curvas, com os cabelos mais curtos e em um penteado diferente, um rosto mais maduro e o olhar ainda mais penetrante e intenso, perdeu o ar.
Ela estava ainda mais linda. E olha que ele achava que isso seria impossível.
Não parecia em nada a garota que viu deixar a Vila, da mesma forma que parecia. A essência dela estava ali, deixando seu interior intacto mesmo depois de vivenciar uma guerra. Isso era notório pelo sorriso generoso e radiante e olhar dócil e cheio de vida.
No entanto, o exterior dela passou por alterações radicais. Tinha a postura altiva de quem sabia o poder que tinha e o corpo bem treinado.
— Está babando, Sasuke. — Naruto cochichou na direção dele cobrindo a boca com uma mão para que ninguém mais ouvisse ou fizesse leitura labial do que disse e ele automaticamente desviou o olhar de Sakura para o loiro idiota com o cenho franzido — Ao menos tenha a decência de disfarçar. Você era melhor nisso.
Revirou os olhos e permitiu-se sorrir de canto quando Sakura parou a frente deles dois, colocando uma mecha de seu cabelo róseo atrás da orelha.
— Tadaima, Sasuke-kun. — a voz suave, que tanto sentiu falta em ouvir, fez um rebuliço dentro dele e teve que se controlar muito para que o sorriso de canto não o humilhasse ainda mais se expandindo.
— Okaeri, Sakura. — ele a respondeu, se segurando para não abraçá-la ali mesmo.
— Ei, Sakura-chan… Kakashi-sensei e eu também estamos aqui… — choramingou Naruto, tirando dela uma risada harmônica e gostosa que soou como uma música divina aos seus ouvidos.
Como sentiu falta dela.
Era incrível como o tempo podia passar, mas o que ele sentia por ela só crescia desenfreada e profundamente dentro de si.
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