Notas iniciais
Olá meus queridos! Esse capítulo pode parecer um pouco confuso, mas eu espero que gostem. No final da leitura me digam se a escrita estava leve e boa, ou se tenho que melhorar algumas coisinhas.

Hoje era o tão aguardado dia, tudo estava impecável, como minha mãe queria. Acordei cedo, por intermédio de dona Mebuke e totalmente a contragosto. não entendia muito bem o motivo de acordar cedo, sendo que o baile era a noite, mas como nessa minha linda vida ninguém respeita minha individualidade e eu não tenho o direito de escolha, acordei a contragosto.

Passei o dia me preparando, a variedade de cremes e loções que minha mãe passou em meu corpo era algo inacreditável, eu cheirava a um campo de flores. Era o que eu imaginava, pois no terceiro banho que ela me fez tomar, durante o dia, eu já não sentia cheiro de mais nada.

A noite chegou tão rápido, que se fosse em dias normais eu não iria achar tão estranho. E eu estava agora, parada na extremidade do grande salão do baile com minha adorável e histérica mãe agarrada no meu braço e com minhas mãos pegajosas de tanto suor.

Pânico, pânico era o que me resumia.

As flores estavam espalhadas por todo o canto do salão, como dona Mebuki gostava de ressaltar “tudo parecia muito impecável”. A quantidade e variedades de flores do local formavam o aspecto de um jardim mágico que dava tudo um ar romântico e como eu disse, mágico. Só não era maior que a quantidade de loção que minha mãe passou pelo meu corpo.

— Levante a cabeça, mostre sua beleza para eles. — Minha mãe falou após enlaçar nossas mãos, me puxando para descer a enorme escada.

Eu não estava feia, longe de estar, se eu posso dizer uma coisa, depois daquele surto que minha mãe teve, é que até que era extremamente revigorante usar aquele vestido, meus cabelos estavam soltos e sem o véu, eu me sentia livre. Pela primeira vez na vida eu me sentia livre! Sem aquele véu ridículo que eu era obrigada a usar. Até usar aquela calcinha reveladora, me era um pouco normal, naquele ponto de vista.

Olhos pousaram sobre mim, olhos atentos e curiosos. Eu sei, eu já estava acostumada a frequentar bailes, muitos bailes, diga-se de passagem, mas nada marcava tanto como aquele, ou como aquele vestido, ou como o cabelo em tons sutis de rosa e aquela maldita calcinha que ao chegar na metade da escada resolver se mostrar presente em forma de desconforto.

— Sorria, minha flor! Estão todos admirando sua beleza. — Minha mãe sorria vitoriosa. Nem Alexandre, o grande, sorriu tão vitorioso ao derrotar os persas como dona Mebuki sorria agora. — Eu estava esperando por esse momento. — Completou

— Você não tem jeito, mãe. — Lancei um olhar reprovador para a mulher que estava a minha frente. Ela tinha aquele sorriso tão grande nos lábios que eu mal podia acreditar que todos à nossa volta não tinham percebido, tamanha destreza que ela possuía.

Dona Mebuki era um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. Não que ela fosse uma pessoa ruim, longe disso. Mas ela tinha o pensamento e a destreza de um calculista. Nada que ela fazia era por acaso, sempre tudo era planejado com maestria. E me arrumar um bom partido era seu novo divertimento favorito.

Avistei no lado oposto do salão a família real, Itachi estava impecável, como sempre, ao lado da rainha. Eles formavam uma bela visão, como se fosse um quadro pintado com a mais cara das tintas. Caminhei juntamente com minha mãe até encontrar uma de suas amigas.

— Kushina, é um prazer revela. — A senhora ruiva abraçava docemente minha mãe. Dona Mebuki sabia como fazer uma amizade duradoura. Essas duas se conheciam desde infância.

— Ooh essa é a bela, Sakura. — Assenti com a cabeça, recebendo um abraço caloroso. — Como está linda hoje, seu cabelo combina demais com seu belo vestido.

— Onde está, Naruto? — Ela olhava em volta, tentando avistar alguém no meio daquela confusão de nobres tentando se embriagar.

— Está com os amigos. — Ela bebericava uma bebida em um tom escarlate que pegou da bandeja de um dos garçons. Creio que era vinho algum vinho frutal.

— Vinho de cereja? — Falei, recebendo um olhar curioso.

— Meu pai, ele é chegado em um bom vinho. — Minha mãe concordou com minhas palavras. — Temos uma vinícola.

— Oras, é verdade. Que cabeça minha. — Ela tentava abanar o ar com uma das mãos, enquanto a outra segurava firmemente a taça. — Gostaria de provar, minha jovem?

Eu nem esperei minha mãe falar algo, peguei a taça com gentileza, cheirando o conteúdo e levando um pouco até a boca.

Era realmente um vinho frutal. Ouso pensar que era de uma boa safra.

— Adoro o toque refrescante, mas ao mesmo tempo aveludado no final. — Explicava para a ruiva com uma destreza que nem eu mesma sabia que tinha.

Essa, talvez, fosse a única paixão que compartilhava com o senhor Haruno, se não fosse a única. Nosso gosto por vinhos era uma coisa genética, entre Harunos.

— Aprecio seu gosto por vinhos. — Me assustei ao sentir o hálito refrescante a centímetros do meu pescoço, dando um leve pulo e me afastando da pessoa. — Essa é a safra mais especial que tivemos, a favorita do meu irmão e da minha mãe.

— Alteza. — Reverenciamos e falamos para o belo rapaz à nossa frente. Ele de perto era mais lindo ainda, pensei.

— Oras, não é para tanto. — O jovem passava a mão sobre os cabelos, com um olhar sereno e envergonhado. Depois de quase dois minutos envergonhado o jovem rapaz voltou sua atenção para mim, estendendo sua mão para alcançar a minha e depositar um beijo casto nela. Corei violentamente com aquele ato.

— Qual seria seu nome, minha cara?

— Sa…kura, Sakura Haruno. — Quase engasguei com as palavras, nunca pensei que teria dificuldade de falar meu próprio nome. Mas a presença dele me deixava um tanto envergonhada.

— Está explicado, a vinícola dos Harunos é especial. — Ele continuava me encarando com aquele olhar sexy. — Assim como as belas jovens.

Segurei um gritinho anasalado que foi ouvido mesmo a contragosto, deixando minha mãe com um sorrisinho alegre nos lábios e a Kushina e o príncipe soltando quase uma gargalhada.

— Gostaria que conhecesse minha família. — Ele agora olhava para minha mãe, como se pedisse permissão para tal ato. Segurei outro grito anasalado.

Meus pensamentos começaram a acelerar, eu estava começando a pensar em várias coisas ao mesmo tempo.

— Quero que dê sua opinião sobre os vinhos para eles. — Como se lesse as entrelinhas de meu cérebro que estava quase fritando de nervosismo ele falou.

— Ela vai adorar. — Essa era a deixa da minha mãe para pegar minha mão e repousar sobre o braço estendido dele.

Não tive nem a oportunidade de reclamar, quem sou eu para recusar a proposta de um príncipe, logo com a dona Mebuki do meu lado. Olhei para trás e o sorriso malicioso dela estava cada vez maior.

Meu Deus, ela vai querer me casar com ele!

Caminhamos por aquele grande salão, sendo encarados por todos, o que era compreensivo né, uma pessoa exótica estava caminhando de braços cruzados com o príncipe, o futuro rei de Konoha. O príncipe chamava atenção aonde quer que fosse.

Paramos diversas vezes para sermos cumprimentados por quase 20 pessoas até chegar perto da rainha.

— Mamãe. — A rainha que estava conversando com uma de suas amigas se virou, dando visão do seu rosto impecável, quase de um anjo.

— Olá, querido. — Ela falou com um grande sorriso.

— Quero que você conheça, a senhorita Sakura Haruno.

— Minha rainha. — Me curvei em reverência. — Ela não tinha só um rosto angelical, sua presença era como se fosse de uma deusa. Sua presença me fazia querer te reverenciar, te seguir.

— SAKURAAAAAAAA. — Eu reconheceria aquele grito em qualquer lugar.

Uma cabeleira loira passou correndo entre todos e me abraçou. Me pegando no colo e rodopiando.

— Naruto, por favor! — Falei quase entrando em pânico pelo ato íntimo dele. — A rainha está aqui.

— Oras, minha querida. Eu conheço muito bem a impulsividade desse loiro barulhento. — Ela falava dando um leve beliscão no Naruto.

Fiquei a princípio espantada para tamanha intimidade dos dois, ela era a rainha né. Não estava esperando ela fazer isso.

— Ele é um grande amigo de infância do meu filho. — Ela falava calmamente.

— Sim, o teme é um idiota. — Ele coçava a cabeleira loira como se tivesse com pulgas. — Eu perdi ele em algum lugar.

— Você perde muita coisa na vida, Naruto. — Falei lembrando do dia que ele perdeu o bilhete que minha amiga Hinata fez se declarando para ele.

Ele nunca soube dessa declaração, pois o idiota loiro perdeu o bilhete.

— Vejo que conhece o amigo do meu irmãozinho. — Assenti com a cabeça. — Vejo que não vou poder apresentar você ao Sasuke, aquele moleque deve estar perdido entre as pernas de uma das senhoritas.

— Não fale assim do seu irmão, Itachi. — A repreensão da rainha era uma coisa fofa de se ver. Ela conseguia ser severa e ao mesmo tempo meiga.

— Vou procurar aquele bastardo. — Naruto que antes estava ao meu lado, passou igual um troglodita me empurrando, quase me fazendo cair.

— Um dia eu mato ele. — Falei fuzilando o loiro pelas costas.

— Ele não tem modos. — Itachi falava enquanto me ajudava a ajeitar o vestido. — Vocês se conhecem há muito tempo?

— Desde que eu me entendo por gente. — Falei gentilmente. — Nossas mães são amigas de infância.

Acho que se eu não fosse tão amiga daquele loiro inconsequente e soubesse da paixonite da Hinata por ele, minha mãe teria feito um acordo para eu me casar com aquele doido.

Salva pelo amor de Hinata!

— Entendo, vocês são bons amigos. — Concordei mais uma vez, sendo guiada para uma das cadeiras ao lado da rainha.

Os questionamentos da rainha sobre os vinhos e as belas uvas que minha família possuía eram um pouco insistentes e curiosos. Parecia que eu era uma das pretendentes de seu filho e ela estava querendo saber dos bens que nossos filhos herdariam. O que, valha-me Deus, parecia uma cena de terror.

Dava para avistar ao longe dona Mebuki me encarando com um olhar predador, com toda certeza esse baile iria ficar gravado na minha reputação. E eu não tinha noção de como realmente iria.