Notas iniciais
Eu juro, juro que tentei postar antes. Mas, contudo, todavia... Eu não tenho uma desculpa! Eu escrevi uma palavra por dia kkkkkkkk E como eu consegui terminar nesse exato momento, estou postando sem revisar! Ou eu posto sem revisar ou eu enrolo mais uma vida para postar, então, estou postando sem revisar.

Se os olhos são as janelas para a alma, os olhos afiados de Mebuki eram as portas abertas para o inferno. Assim como o gesticular de dedos perto do rosto que mostrava que ela estava de olho no que eu fazia, a forma que desviava os grandes cílios para a figura do futuro herdeiro ao meu lado declarava abertamente que ela fazia gosto por esse cavalheiro.

Traduzindo, ela fazia gosto por esse casamento.

Talvez tenha sido o ar rarefeito do salão, misturado com o pólen daquele amontoado de flores, ou mesmo os olhares julgadores da dona Mebuki Haruno, mesclados com os dos abutres da sociedade, que me fizeram começar a ter dor de cabeça.

— Gostaria de provar mais um vinho? — Perguntou de forma galante.

O príncipe estava se saindo uma pessoa encantadora de conversar.

— Se eu provar mais alguma coisa vou ser carregada para casa. — Falei. — E minha mãe não gostaria de ver a filhinha dela passar esse vexame.

A senhora Mebuki estava analisando, mesmo de longe, cada um de meus movimentos, sua maestria em análise era digna de um renomado detetive.

— Te dou um vinho exclusivo, preparado por mim, se você me tirar do olhar de falcão da minha mãe. — Falei passando a mão nas têmporas.

— Não seria bom para uma dama ficar andando sozinha com um cavalheiro. — Falou olhando minha mãe balançar uma taça em nossa direção.

— Estamos em um baile, não ficaremos sozinhos em nenhum lugar. — Constatei recebendo um aceno de cabeça em concordância.

Ele segurou meu braço e eu o acompanhei passando pelo meio daquela multidão. Todos os olhares estavam no príncipe e na sua "suposta" acompanhante, enquanto andávamos ao redor de todos. Ao passar perto de duas garotas, que julgo terem a mesma idade que eu, consegui claramente ouvir um rosnado amedrontador de uma delas.

"Ótimo, agora eu também tenho inimigos” pensei.

Chegamos sem muita luta até a porta de entrada que dava para um dos jardins da grande mansão, um jardim deveras magnífico.

— Minha cabeça dói. — Falei batendo dois dedos na testa.

— Me espere no jardim, vou pegar um copo de água para a senhorita. — Assenti voltando a encarar o deslumbrante jardim.

As pétalas de flores balançavam com o soprar do vento, as flores eram de uma magnífica mistura de azul com vermelho, olhando de cima dava para ver o formato do leque, brasão da família real Uchiha.

O jardim era lindo!

Suspirei cansada de tudo aquilo, o jeito que esse baile estava patético, dava para entender o motivo de minha tia nunca ter se sujeitado ao papel de caçar um homem. Ela era uma sortuda que tinha voz suficiente nessa sociedade para não se sujeitar a isso.

— Vejo que está sozinha, senhorita. — Dei um pulo de confusão levando uma mão ao peito ao ser surpreendida pela voz masculina no meio das flores. — Pago um ótimo cavalo se me falar o motivo dos seus suspiros, e aposto mais dois cavalos que não são para o príncipe herdeiro.

O homem estava sentado em um dos bancos, inclinado levemente para trás enquanto tragava um charuto.

— Me desculpe por atrapalhar, eu juro que não vi o senhor.- Declarei perdendo a compostura.

— Sua beleza pode me atrapalhar quantas vezes for necessária. — Declarou inclinando o corpo para voltar à posição inicial.

— Vejo que é um galanteador. — Revirei os olhos ao notar seu sorriso desdenhoso enquanto me policio pelo que falei. — Está me cortejando, senhor?

— Não estou te cortejando. — Confirmou logo em seguida.. — Estou flertando com você.

— E não seria a mesma coisa? — A curiosidade começava a tomar conta da minha mente, quem era a figura misteriosa e ligeiramente estranha no meio do jardim?

— Se eu estivesse te cortejando, significaria que eu teria interesse em casar com a senhorita. — Falou. — O que, felizmente, eu não tenho. — “Felizmente?” pensei.

Tiro 1 dado com sucesso, o atirador acertou diretamente meu ego.

Abri a boca algumas vezes, tentando raciocinar o que ele estava falando, antes de dizer, por fim:

— Então o senhor, desdenha de casamentos? — Perguntei irritada, minha cabeça doía mais do que antes, e a presença do homem começava a me incomodar. — Claro que desdenha, o senhor não precisa necessariamente casar, não é mesmo?

— Nem minha fortuna, nem minha condição física me obrigam a casar, senhorita. — Outra tragada foi dada em seu charuto.

— Quando diz “condição física" quer dizer, por que o senhor nasceu homem, não é mesmo? — Levantei uma das têmporas, eu estava preparada para sair batendo o pé daquele lugar.

— Eu tenho privilégios, eu assumo isso. Mas acho um tanto interessante a forma que essas garotas desesperadas ficam a todo custo tentando seduzir um homem. — Continuou. — Para arrumar a droga de um casamento.

— Então é só diversão para o senhor? Brincar com uma coisa que pode mudar o futuro de uma garota. — Um suspiro saiu do meu peito ao notar um sopro quente em minha nuca.

Como ele tinha chegado tão perto sem eu notar?
— Sinto hipocrisia em sua fala, minha querida. — Um arrepio subiu por minha espinha. — Você estava até uns minutos atrás sendo cortejada pelo príncipe herdeiro, e agora defende as garotas que não querem casar. — Disse. — Não seja tão hipócrita, senhorita.

— Eu…eu. — Minha garganta fechou com as palavras que não conseguiram sair, petrifiquei no lugar encarando aquele homem por cima do ombro.

— O que está acontecendo? — A voz do príncipe se fez presente no ambiente, olhei embasbacada de um para o outro, eles eram tão parecidos. — Você não está constrangendo a senhorita Haruno, não é irmão?

— Vo…cês são irmãos? — Perguntei entre soluções.

Minha face estava vermelha igual um pimentão, meus dedos que antes estavam soltos agora apertavam fortemente a saia do meu vestido como se quisesse rasgá-lo ao meio.

— Fico decepcionada, senhorita? — Vi seu rosto passar de indiferença para um completo deboche, suas sobrancelhas antes retas foram se arqueando tomando uma expressão de curiosidade.

— Nãooo. — Falei exageradamente. — Digo… Não.

— Então, talvez, admirada? — Desdenhou.

— Jamais, meu senhor! — Respondi tentando controlar minha respiração, voltei aos poucos a encarar o príncipe herdeiro e ele estava com as sobrancelhas arqueadas, da mesma forma que o irmão estava. “Como não percebi a semelhança antes?”

— Bem… — Pigarreei. — Acho melhor voltar para dentro, minha mãe deve estar louca me procurando.

— Eu acompanho a senhorita. — O príncipe herdeiro levantou uma das mãos que estava desocupada e me estendeu, enquanto que a outra segurava um copo com água.

— Foi um prazer te conhecer, senhorita Haruno. — Foi tudo que consegui ouvir antes de sair pela porta.

Aquele homem era estranho, atraentemente estranho.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.