Razões Para Amar
9 • The Help
Notas iniciais
Estava perdida. Não sabia mais para onde correr e para quem pedir ajuda. Sabia que voltar sozinha era insano. Desde que Mulan saiu da casa da prefeita a única coisa que fez foi atrás de alguém para tirar Aurora de lá.
Parando no castelo de madeira a beira da praia a morena lembrara que foi ali que insistiu Aurora a ir atrás de Emma no festival e por causa dela a loira está presa nas mãos de Malévola. Precisava dar um jeito, não poderia abandonar Aurora, mas quem poderia ajuda-las?
Sua respiração ofegante de preocupação fez questionar-se o que Malévola estaria fazendo com sua amiga e lembrou-se da promessa dada ao rei Stephan: encontrar e proteger Aurora custe o que custar. Saltou do castelo e começou a caminhar de volta para a mansão da prefeita, voltando com ou sem ajuda.
Sua dedicação era tamanha que não notou alguém a chamando. O homem, por sorte, só conseguiu alcança-la porque a garota receou ao chegar ao portão da casa da prefeita.
— Você anda muito rápido. — Tomando o fôlego. — Algum problema com a Aurora?
A presença do rapaz não fez Mulan se assustar, e sim ficar surpresa. Por um lado Mulan sabia que Phillip tinha alguma coisa a ver com a prisão de Aurora, mas por outro sabia que podia usá-lo para tirar a garota de lá.
— O que Malévola quer com Aurora? — Nervosa Mulan vai para cima do garoto. — Responda-me!
— Calma, calma. — A mão da garota em seu pescoço fez sua voz falhar. — O que ela sempre quis: ver a princesa vulnerável.
Mulan se afasta de Phillip – que tosse algumas vezes para voltar sua voz ao normal – andando em circulo na calçada, pensativa no que fazer a seguir.
— Então seja o príncipe que precisa ser e resgate Aurora daquela bruxa!
•
Naquela tarde a floresta estava mais calma do que nunca, poucos pássaros cantavam, o vento não estava agitado e os bichos selvagens permaneciam em harmonia sem serem interrompidos por caçadores.
Borboletas e beija-flores rondeavam com sincronia uma pequena cabana no meio do nada. Parecia que estava vivendo novamente na floresta encantada lembrara uma mulher, mas sabe-se de onde saiu tal zumbido que fizeram os animais se agitar, o vento começou a bagunçar os horizontes e galhos de árvores caiam conforme o barulho aumentava. Do nada tudo voltou a ser silencioso e de princípio a mulher da cabana deduziu que a natureza estava querendo dizer algo, porém a mesma percebera que o céu – apenas o espaço acima de si – estava sendo tomada por uma cor avermelhada que, por questões de segundos, desapareceu semelhante da forma que surgiu.
Sua expressão mostrara que tal movimentação não era coisa da natureza e sim um alerta de ajuda. Desesperadamente a mulher loira com um coque mau feito correu destino à cidade sabendo exatamente para qual pessoa prestar ajuda.
Assim como a maldição de Malévola sobre Aurora, para Aurora cair em sono profundo era necessárias ambas estarem juntas na mesma cidade já que o feitiço fora dado, mas interrompido por Regina. Portanto, pra o sinalizador achar aquele para quão fora destinado, é necessário o criador e o destinatário estarem na mesma cidade.
Sabendo que não conseguirá salvar Regina sozinha, a mulher percorre Storybrooke ponta a ponta em busca de uma pessoa que possa ajuda-la. Só pensara em uma única pessoa e era atrás dele que a mulher estava atrás. Sua primeira tentativa em encontra-lo na baía fora inútil. Procurou na sorveteria e sabia que era perda de tempo procurar na loja de penhores. Sua ultima esperança era encontra-lo no Granny’s Diner.
Lá estava sua ajuda, sentado em uma das mesas no canto da parede bebendo o velho e bom gim que a vovó servia em sua lanchonete. Sua estratégia de aproximar-se não fora nada gentil e a cara de espasmo do rapaz foi inevitável.
— Graças a Deus te encontrei. — Diz a moça se acomodando na frente do rapaz. — Preciso que me ajude, é urgente!
— O que você está fazendo aqui? — Killian deixou a xicara bater com força contra a mesa. — Você perdeu noção do risco que está correndo se arriscando assim?
Não havia nenhum sinal de preocupação no rosto da mulher, exceto em saber se Regina estava bem.
— Não me importo Killian, Regina está em apuros e ela precisa de mim.
— Como sabe disso? — Hesitou.
— A pergunta correta seria “onde ela está?” e eu sei. — Seu desespero era enorme que não deixou Killian refazer a pergunta. — Há uma caverna subterrânea embaixo da Biblioteca.
— Você está louca. — Bufou Killian. — Belle não permitiria que entrássemos juntos nem pintados de ouro.
— Se eu não responder o sinalizador, algo pior acontecerá. — A mulher fez parecer convincente. — Está predestinado desde a floresta encantada.
Killian lança um olhar para a mulher a sua frente desejando que a mesma esteja errada sobre toda essa coisa de sinalizador e destino, mas conseguiu enxergar – através dos olhos dela – a seriedade do problema que precisava ser enfrentado. Sem muitas opções, Killian se retira do assento e caminha até a porta de entrada e saída do Granny’s. Sabia que a mulher estaria à espera do próximo passo que o homem estava prestes a dar ao seu lado, em direção a Biblioteca Municipal de Storybrooke.
FLORESTA ENCANTADA
— Onde estamos?
Phillip desconhecia o local onde Rumple o levara.
O local estava sujo e escuro, com pouca iluminação e muitos espelhos espalhados em toda parede. O príncipe notara que estavam embaixo da terra – em um túnel subterrâneo – enquanto Rumpelstiltskin caminhava o único caminho a sua frente. Sem muito hesitar Phillip resolve segui-lo sem fazer nenhuma pergunta a mais, já que não obtivera resposta da primeira.
Além de ter uma única direção, o túnel também dava acesso a uma única sala. A porta de madeira era toda decorada com desenhos assustadores. A porta logo se abriu sem nenhum dos homens tocarem na maçaneta e o interior revelou o que Phillip procurava no castelo da Rainha Má.
Assim como o corredor, a espécie de sala era mal iluminada e seu odor não era nada agradável. O senhor das trevas perambulou pelo cômodo até chegar perto de uma prateleira enquanto seu acompanhante sentia-se desconfortável parado na porta.
— Não fique assustado. — Sua maneira de acalmá-lo não fora uma das melhores. — É só o ninho da Regina.
— Por que me trouxe aqui?
— Você quer algo sobre a maldição... — Fez uma pausa. — Aqui está.
Sua mão pairara no ar mostrando logo atrás de si uma prateleira cheia de poções e coisas que Phillip não fazia ideia para o que servia aquilo. Aproximou-se, curioso, mas receoso em tocá-los.
Conforme o príncipe corria seu olhar em todos os objetos depositados na prateleira, Rumple fora se afastando sem que Phillip percebesse. O jovem arriscou-se em tocar em um dos frascos, mas foi interrompido.
— Conheça-os, decifre-os e com um toque tudo se revela ou destrói.
Phillip, recuando sua mão, desviou sua atenção para Rumple que se encontrava na porta da sala, fitou o senhor das trevas por um momento até o mesmo continuar.
— Regina não é uma vilã fácil de enganar. Guardou nosso destino bem guardado, para qualquer pessoa que ousar mexer em seus negócios, sofra as consequências. — Rumple se posicionou do lado de fora da sala e Phillip foi até ele. — Aqueles frascos não são exatamente o que Regina pretende fazer conosco.
“Por trás daquela prateleira sim. Aqueles frascos são chaves que merecem ser observadas e nos pequenos detalhes esconde o significado de cada uma. Você tocando no recipiente certo, abrirá uma passagem e o que deseja estará lá, mas tocando no frasco errado, hmmm, sabe se Deus o que Regina tem para você. Boa sorte.”
— Mas que diabos é isso? — Inconformado Phillip se exalta.
— Lhe mostrei o plano de Regina, mas não disse que estaria com você até o fim.
Rumple deu as costas e fora se afastando aos poucos.
— Então como entrou? — Gritou inconformado com a sua prisão.
— Digamos que, garoto, ter magia é ter poder.
Phillip estava boquiaberto com a situação em que se metera. Estava confuso – e irritado – com a posição de Rumpelstiltskin em ajudar Malévola. Será que ele está ajudando realmente? Ou ele estaria ao lado de Regina para a mesma descobrir os passos de Malévola? Malévola nunca mencionou que teria ajuda de alguém e talvez os vilões, mesmo aliados, só conseguem pensar no próprio umbigo.
Olhando ao redor daquele quarto sem saber o que fazer, Phillip começa a soar frio desejando não ter tomado partido de nenhuma bruxa. Precisava tocar em algum frasco, que são muitos, para descobrir de fato o que Regina aprontava ou colocar todo o plano de Malévola por água abaixo. Estava sem reação, desesperado e totalmente aterrorizado.
STORYBROOKE
Os olhos da garota se encontraram com o de Phillip e o rapaz pôde ver a preocupação estampado com clareza. Não havia gritos, estava tudo quieto. Ou Aurora estava bem ou estaria morta e Mulan queria acreditar com toda a sua força na primeira opção.
Os jovens atravessaram o saguão em passos silenciosos e estavam prestes a subir as escadas quando Mulan interveio.
— Não... Algo está errado. — Pensara calculosamente. — Não estou lembrando-se de onde sai, mas minha mente diz que não utilizei a escada.
— Está dizendo que Malévola apagou sua memória?
— Talvez. Mas talvez seja só um bloqueio mental, sabe? — Inesperadamente Mulan o puxa pelo braço. — Venha, por aqui.
Mulan, aleatoriamente, decidiu ir para o corredor à esquerda. Examinando porta por porta com o simples gesto de tocá-las, a garota esperaria sentir um tipo de força imaginária que a dissesse que aquele era o quarto certo, mas enquanto não sentia nada a mesma fora se esforçando ao máximo para conseguir lembrar por onde escapou.
— Olha aquela porta maior que as outras. — Phillip notou.
A garota estranhou no princípio, mas sua mente fora clareando tudo. Era de lá que havia saído sozinha e deixado Aurora nas mãos de Malévola.
Ao entrarem no salão Mulan se direciona as poltronas onde estavam conversando com a prefeita mais cedo. Aurora não estava sentada ali e nem havia rastros de sangue no chão. A garota respirou fundo, aliviada, quando Phillip toca em seu ombro mostrando com o polegar direito uma sacada logo acima deles revelando um segundo andar no salão e Aurora em cima da sacada.
— Mas que diabos está fazendo ai? — Mulan surta posicionando-se abaixo dela.
— E-eu não sei... Ajudem-me!
Aurora estava desesperada e Mulan percebeu. Os olhos da morena se encontraram com o de Phillip insistindo para que o garoto reagisse, mas Phillip estava pasmo sem saber o que fazer. Não tendo noção de como reagir.
— Quem te colocou ai?
— Não faça perguntas inúteis Phillip. Seja homem!
— Meu Deus eu vou pular!
Não deu tempo de Phillip – nem Mulan – se preparar e logo Aurora saltou da sacada. A garota gritou como se estivesse caindo num campo cheio de espinho e que morrerá em menos de segundos. Phillip conseguiu agarrá-la e ficaram se entreolhando por um momento.
Antes de cair nos braços de Phillip, Aurora estava desesperada e logo depois de cair nos braços do jovem, sua preocupação sumira, estava à salva. Sentia-se falta de ter Phillip por perto e aquela sensação em ter seus braços fortes protegendo-a fora mais do que significativo. Ficaram ali imóvel até ouvirem um barulho tenebroso, um grito árduo e doentio como se alguém estivesse perdendo algo valioso e o trio sabia quem estava emergindo tal som. Malévola.
— Corram! — Ordenou Mulan.
A corrida de volta para a saída parecia maior e intensa. Não pelo fato de estar carregando Aurora, mas sim por motivos de estar sendo perseguido por alguém com más intensões. Mulan tinha ficado um pouco atrás dos dois, esperando Malévola aparecer – que não demorou muito – e só depois de zombar da cara da prefeita, Mulan se pôs para correr.
Notou, anteriormente, a presença de móveis em todo o canto, mas ao correr de Malévola percebeu que eram muitos e isso dificultava sua fuga. Também ficou inconformada coma presença de pilares a sua frente.
Phillip ultrapassara a porta do salão quase se livrando de Malévola – só faltava sair da mansão – e Mulan estava feliz em ver Aurora livre das mãos daquela mulher, mas sua emoção fora tamanha que seus passos desaceleraram e o porta foi fechada antes de cruzá-la.
— Não é encantador ver duas pessoas que se merecem juntas. — Malévola estava entre Mulan e a porta com os dedos cruzados a sua frente. — Ainda mais sabendo que são príncipe e princesa e que foram feitos para estarem juntos.
Muitas palavras ditas nessa frase fora enfatizadas e, de princípio, Mulan sentiu enojada de ouvir aquilo da mulher que estava disposta a destruir todos os finais felizes que encontrassem, mas logo percebeu que estava atrapalhando Aurora de se relacionar com quem precisava para desencantar o feitiço da bruxa.
Abaixou os olhos, decepcionada consigo mesma enquanto Malévola se posicionava ao lado da garota.
— Será que virão te buscar?
•
Sem saber como reagir Belle leva a mão à cabeça, inconformada se acreditaria naquilo ou não. Saiu de trás do balcão decidida em socar a cara de pau dos dois de estarem ali juntos em sua frente, mas decidiu ser a mulher paciente que era em outro mundo.
— Você está me dizendo que tem alguém embaixo da minha biblioteca e que precisa da sua ajuda? — Recapitula. — Ou melhor, ajuda de vocês?
— Bel, sei que temos nossas diferenças, mas isso é caso de vida ou morte. Eu juro.
— Vou jurar um soco na sua cara se você não cortar essa intimidade que não dei a nenhum de vocês.
Sua atenção se dividia entre Killian e Tinkerbell a sua frente. Há pouco tempo estava convicta em ter Tinkerbell fora de Storybrooke e de repente, puf, a mesma estava a sua frente pedindo ajuda com o motivo, vulgo Killian, de todas as desavenças passada.
— Tudo bem... — Diz Belle decidida em ajudar. — Mas com uma condição.
Tinker e Killian se entreolharam e logo concordaram com a cabeça e a bibliotecária continuou:
— Assim que salvar seja lá quem for você, nojenta, vai sumir da minha frente e não vai me procurar nem se precisar de um copo d’água porque saiba que prefiro jogar a água no chão no que dar para você.
Tinkerbell engoliu em seco. Concordou logo em seguida e Belle os orientou com a mão a direção do elevador. Os dois caminharam até a cabine e o chamou através do interruptor apropriado. Não mais de dez segundos o elevador já estava no andar da biblioteca e Belle os interrompeu.
— Desculpe-me, mas irei com vocês.
O trio desceu em silêncio, apenas com o barulho das engrenagens. Permaneceu um clima desconfortável até o momento em que o elevador atingira o chão. O coração de Tinkerbell disparou. Precisava saber que tinha chegado a tempo, se Regina estava salva.
Killian abriu a porta do elevador e, mostrando com o seu gancho, deixou as moças passarem primeiro.
— Regina! Regina! — Gritara Tinker. — Oh céus, você está bem?
Assim que Tinker ultrapassou uma espécie de parede falsa feita de rochas, a mesma encontrou com Regina e ambas correram ao encontro uma da outra sem notar a presença de Emma.
Enquanto Tinkerbell via se Regina estava bem, Belle permanecia parada no começo da entrada da caverna subterrânea, pouco mais a frente de Killian.
— Prazer, Emma.
Killian reconheceu, não somente aquele nome, mas também a voz. Correu para ver se estava ouvindo aquilo de verdade ou se estava sonhando e quando cruzou a parede viu que a mesma estava encarando-o e ambos abriu um largo sorriso. O rapaz foi de encontro com a moça, trocaram alguns toques, mas antes de começar a se comunicar direito fora interrompido por Tinkerbell, que arrastara todos de volta para o elevador.
—Temos muito tempo para conversarmos. — Tinkerbell estava esperançosa.
— Ou talvez nem muito.
Todos olharam estranhamente para Regina e Emma assentiu com a cabeça.
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