Razões Para Amar

8 • A Serious Talk


Notas iniciais
Aproveitem ;D

De uma coisa Aurora estava certa, ainda estava na mansão de Malévola. Chegou à conclusão que se morasse naquele lugar, estaria perdida em segundos. Definitivamente era um labirinto e as garotas não faziam ideia para onde estavam sendo levadas. Malévola as levaram para baixo, passou pela sala de jantar e pela sala de música, chegando a uma enorme porta.

Aurora pensara o porquê de não ter vasculhado aquele cômodo antes, mas lembrou de que quando estava entrando cômodo por cômodo no andar debaixo não existia aquela porta. Pelo jeito não havia notado, mas como podia algo tão grandioso não ser visível? Talvez seja uma entrada secreta e, talvez Emma estivesse ali.

O salão era enorme. Diferente dos demais cômodos onde não havia móveis, aquele havia e muitos. Uma mesa comprida cercada por cadeiras, – igual da sala de jantar, lembrou Aurora – poltronas espalhadas em todo canto, uma cama de casal e uma televisão antiga. Muitas coisas que normalmente pertencia a diferentes cômodos estavam reunidas tudo em um só. Tudo, exceto Emma Swan.

— Não se preocupem — Manifestou Malévola. — Emma está segura.

A loira sentiu-se incomodada. Parecia que Malévola acabara de ler sua mente.

Malévola apontara para duas poltronas de couro preto ao se acomodar em uma poltrona igual, mas posicionada de frente para aquelas. Ambas entenderam e sentaram-se. Dava para perceber que Malévola não sabia por onde começar, porém isso não passara de uma estratégia. As meninas estavam jogando de acordo com o seu jogo e já estava na hora de dar o xeque-mate.

— Teremos uma conversa séria e de acordo com as respostas de vocês, vejo se as libero ou prendo-as. — Cruzou as pernas. — Afinal, vocês invadiram a casa da prefeita.

Seu sorriso fora inevitável. Sentiu o medo tomar conta das garotas e isso a deixava feliz. Era tudo que precisava.

— Vocês invadiram minha residência, por quê?

— Atrás de Emma. — Aurora alterou a voz. — Sabemos que está com ela. Onde Emma está?

— Quem faz as perguntas aqui sou eu queridinha. — Sorriu maleficamente. — Você sempre fora uma garota intrometida, a fim de arruinar tudo que faço não é mesmo Aurora?

— Do que diabos está falando?

— Possamos não ter controle de magias aqui, mas sinto a maldição que apliquei em você e em Storybrooke ela finalmente acontecerá.

Mulan arqueou uma sobrancelha ao olhar para Aurora. Sabia que Malévola estava certa, precisava tirar Aurora da cidade assim a garota não irá adormecer aos seus dezesseis anos.

— Você está com quinze ainda, certo?

Aurora confirmou com a cabeça, confusa.

— Ótimo. — Malévola se colocou de pé dando a volta em sua poltrona. — Mulan pode ir.

Seu corpo estava trêmulo assustada demais e ficou mais ainda ao ver que sua amiga estava sendo liberada e que ficaria sozinha com aquela bruxa. Assim que Mulan se levantou, os olhares das duas se encontraram e Aurora segurou a mão da garota. Sem precisar dizer sequer uma palavra, Aurora sentiu que Mulan não a abandonaria ali e que iria atrás de ajuda o mais rápido possível.

Regina perambulou por horas tentando imaginar um modo de tirá-las dali. Não vinha nada em sua mente que as fizesse sair daquele lugar obscuro e frio enquanto Emma tentara suas formas inúteis de sair.

— Se existe uma forma de entrar, há de existir uma forma de sair.

— Belas palavras Swan.

A morena estava sem paciência e as tentativas de Emma de ajudar não estavam servindo para nada, a não ser deixar mais Regina furiosa. Emma percebera que não adiantava o que dissesse, Regina ficaria mais estressada a cada sílaba dita.

Desistindo, Regina se apoia em uma rocha e leva a mão à cabeça.

Malévola já estava com Aurora e seu tempo estava diminuindo. Precisa sair da caverna o mais rápido possível. Talvez se Regina lembrar de alguém de fora que possa ajuda-la, mas seus anos como Rainha Má na floresta encantada fora aterrorizante para todos e ninguém estaria disposto em prestar condolências naquela altura do campeonato.

A condolência é a comiseração das almas sensíveis e pelo visto o povo de Storybrooke estava feliz em ver Regina Mills aprisionada. Mas talvez uma alma sensível – que ajudou Regina em outro mundo – pudesse ouvir o pedido de ajuda, só precisa de Regina acreditar que ouvirá.

— Tenho um jeito de sairmos daqui. — Finalmente diz se afastando da rocha.

— Como?

— Vamos descer a caverna. — Regina agarra a mão de Emma, puxando-a. — Tem algo lá no fundo que precisamos.

FLORESTA ENCANTADA

Rainha Má apresentara vários fatores que favoreciam a união entre as duas. Tinha certeza que Malévola toparia e que ambas lutariam lado a lado para viverem felizes para sempre no mundo alternativo que Regina está criando, mas, assim como Regina, Malévola tinha seus truques na manga.

O rumo da conversa não estava agradando-a nenhum pouco e sua forma de expressar seu desinteresse foi bocejando e cruzando suas pernas. Regina se sentira ofendida ao vê-la menosprezar sua ideia que a mesma demorou horas e horas para bolar.

— Nós vilãs devemos estar juntas e tenho planos para você no outro mundo. — Regina fica mais séria. — Portanto se não agir ao meu favor seu destino será um desastre, afinal todos os destinos de todos os reinos depende de mim.

Malévola não poupou risos irônicos, o que levou sua barriga doer. Regina não entendeu o motivo de Malévola rir numa situação que a mesma tinha de estar preocupada.

— Você é tão estúpida e idiota que chego a ter pena de você. — A face risonha sumira, assumindo uma seriedade. — Enquanto você está fazendo seu papel de trouxa na minha frente, eu estou cavando sua cova.

A proximidade de Malévola fez seus rostos se colarem e a ameaça da mesma deixou Regina trêmula da cabeça aos pés. Regina conseguira enxergar nos olhos de Malévola chamas e caos. A bruxa estava levando a sério sua vingança e precisava mais do que depressa reverter essa situação. Rainha Má não fazia ideia do que estar por vir e resolve mudar seus planos levando sua conversa para outra direção.

— Me poupe Malévola. Sabemos que suas magias são fracas e que você é fácil de ser persuadida, mas idiota creio que não. — Regina colocou-se de pé. — Qual a melhor opção a não ser se juntar a mim?

Malévola estava farta de ouvir asneiras de Regina e sabia que a mesma não desistiria tão fácil.

Levantou-se, também, perambulou alguns segundos enquanto Regina permanecia seus olhos fixados na mesma. Os olhares das duas se encontraram em algum momento e Malévola soube o que tinha que ser feito.

A bruxa decidiu levantar a bandeira branca, declarar uma trégua entre ambas e com isso fingir estar jogando do mesmo lado que Regina.

— Tudo bem, tudo bem. — Malévola se manifesta revirando os olhos. — Só dizer o que faremos.

Phillip avisara Malévola que Regina estava partindo em uma viagem, mas não disse aonde iria. A saída da Rainha era perfeita naquela ocasião e Malévola ordenou o príncipe procurar em todo castelo algum vestígio da maldição que Regina sempre comenta.

Acatando a ordem da bruxa, Phillip decide começar pelo lugar mais óbvio de esconder algo pessoal: o quarto da Rainha. A porta estava trancada, dificultando sua missão. O jovem príncipe pensou em usar uma de suas armas de guarda do castelo e arrombar a porta, mas para isso precisava fazer um estrago não muito grande para depois a rainha não perceber. Phillip, por fim, pensando melhor consegue abrir a porta do quarto da rainha usando o fecho de seu broche. Girou várias vezes o alfinete dentro da fechadura até ouvir o destranco, deu uma última olhada em volta para ver se alguém estava por perto e adentrou no cômodo.

Precisava começar a procurar o mais rápido possível, mas não fazia ideia do que procurar e sabe se lá onde Regina tenha ido. Pode ter sido a algum reino próximo – que voltaria dentro de algumas horas – ou longe, que retornaria após dias.

Começou a procurar na penteadeira. Sabia que a rainha má passava horas sentada ali de frente para o espelho fazendo sabe se lá o que.

Toda sua preocupação em achar o que Malévola deseja fora desviado em o que ele estará arriscando. Tinha enganado seu pai, o rei, para jogar junto com Malévola e se algo der errado sabia que nunca mais veria seu pai. Também não veria Aurora. Já não sabia onde sua princesa estava e sua vontade era tanta em revê-la que não poderia falhar. Phillip se apressou olhando gaveta por gaveta, porta por porta. Todos os armários foram revistados e o jovem não encontrou nenhum vestígio de magia.

— Gostei da ideia. — Uma voz invadiu o quarto seguido por uma risada perturbadora. — Mas está perdendo seu tempo aqui.

— Quem é você? — Assustado, Phillip tira sua espada da bainha apontando em direção do senhor.

Sentado na sacada Rumpelstiltskin salta quarto adentro, aproximando mais do príncipe.

— Tão ignorante... Vim fazer uma visita à rainha e o encontrei tentando entrar no quarto, então joguei um pouco de magia nessa belezinha aqui — Rumple já perambulava perto do espelho. — para o espelho não te dedurar depois.

Phillip não fazia ideia do que o senhor das trevas estava falando, mas deduziu que estava ali para ajudá-lo, portanto baixou sua espada guardando na bainha. Desviando um olhar confuso entre Rumple e o espelho, Phillip se aproxima mais do espelho tentando enxergar algo por dentro do espelho.

— Acredita que você é o fiel escudeiro de Regina? — Sua risada conturbada fez o jovem se assustar novamente. — Tem Sidney em campo.

— Nunca entendi os vilões e suas manias. — Phillip afasta-se do móvel. — O que você ganha em me ajudar?

Em piscar de olhos Rumpelstiltskin desaparece por segundos e surge atrás do jovem, assustando-o. Phillip começara não gostar nem um pouco do homem cuja risada era irritante como o ser.

— Não estou aqui para lhe ajudar, e sim, ajudar Malévola.

— Em troca de que?

— Toda magia tem seu preço.

O senhor das trevas estava disposto em ajudar Malévola e toda sua encenação em ter Regina fora de seu castelo era parte do seu plano, mas o que Rumple espera receber de Malévola é algo para ser guardado em sete chaves, algo que quanto menos souberem de sua existência melhor.

STORYBROOKE

O caminho pela qual Regina e Emma percorreram fora para lá de cansativo – isso na visão de Emma. Regina fora mais confiante do que nunca, às vezes parando para não perder Emma de vista e nem a mesma se perder dentro daquela caverna. Quanto mais descia, mais Swan acreditava que nunca iria acabar até sentir um chão molhado.

Seu olhar fora direto para seus pés. O que pensava em ser apenas uma poça foi estendendo-se por todo canto formando-se um lago. Ficou perplexa em ver toda aquela água cristalina e Regina agindo naturalmente procurando alguma coisa entre as rochas. Sabia que de alguma forma que era aquela água que tomou quando apareceu naquela caverna, era aquela água que Regina usou para deixar a loira relaxada. Talvez fosse o contato com a água que fez Emma sentir tudo isso, mas depois de pensar seu olhar percorreu o corpo inteiro de Regina observando todas as suas curvas e detalhes.

Sua atenção ficou presa no objeto na mão da mulher que caminhava em sua direção, disse algo parecido com um vamos e começou a subir todo o caminho novamente. Emma Swan não conseguiu perguntar o que era aquilo, pois ainda estava sobre o efeito da água. Ao chegarem ao topo Emma se joga no chão, cansada e exausta enquanto observa Regina entusiasmada com o objeto em suas mãos.

— Esperaremos o dia passar. — Manifesta Regina. — Soltaremos isso à noite através do buraco e saberão que estamos precisando de ajudar.

— Preciso perguntar a respeito disso, mas não consigo fazer todas agora. — Sua respiração estava ofegante e sua tentativa de levantar-se fora malsucedida. — Começarei com “o que é isso?” e “que pessoas?”.

— Isso é um sinalizador.

O olhar de Regina para o sinalizador era uma obsessão, brilhavam de acordo com o reflexo que atingia o objeto avermelhado, então continuou:

— Produzi isso na floresta encantada. Só a pessoa certa poderá ver ao anoitecer.

Emma ficou despreocupada ao ver Regina toda confiante em seu plano de fuga, a loira só torcia para existir realmente alguém lá fora que pudesse tirá-las dali. Sua mente começou a pensar em Aurora. Ficou se perguntando se a garota estava bem, se precisasse de ajuda ou se ainda dormia na pousada já que fazia dias que não retornou para pagar as diárias. Também Emma pensara em Killian, o rapaz de uma mão só que a ajudou em sua estadia na cidade.

Logo adormeceu e não viu o sol se pôr e a lua – junto com as estrelas – chegarem. A loira foi acordada brutalmente por Regina chacoalhando-a. Não conseguiu escutar perfeitamente o que a morena gritava, mas sabia que a mesma não havia dormido desde que estavam com o sinalizador.

— Vamos Emma! Não quer perder o show, quer?

Um sorriso inocente estava pairando no rosto de Regina e Emma sentiu algo em suas entranhas que a fez ficar corada e retribuir o sorriso.

Emma se posicionou ao lado de Regina, que apontava o sinalizador para a fresta logo acima de ambas. Regina oferecera para Emma segurar junto a ela o sinalizador. A loira aceitou fitando profundamente os olhos da sua companheira e agarrou o objeto. Regina, por sua vez, apoiava a base do sinalizador com uma mão e a outra depositou em cima da mão de Emma e, juntas, giraram o objeto fazendo com que produzisse um disparo atravessando o buraco.

— Só aguardar nossa ajuda chegar. — Respirou aliviada. — Não vai demorar.

Ambas permaneceram ali, intactas, uma olhando para a outra com sorriso nos lábios. Emma foi a primeira a ficar corada e sentiu necessidade de desviar o olhar para o destino do sinalizador. Ambas estavam cheias de esperanças.

Notas finais
Espero que tenham gostado *--* Será que Regina e Emma sairão da caverna? Quem as ajudará? Essas respostas e outras no próximo Globo Repórter (capítulo hehe)