Rasutoreivun - Last Raven
1 First Crow - O acordar das sombras
Notas iniciais
Uma sala escura, iluminada apenas pela luz da janela, com o tempo nublado, duas pessoas estavam conversando entre as sombras da sala, era uma sala de aula.
–Ei, você já ouviu aquela lenda? –Dizia uma voz grossa e baixa.
–Hum, aquela dos gêmeos da lua negra? –Respondia uma voz fina e alta.
O silêncio constante contaminava a sala.
–Sim, essa mesma, você acredita ela? –Dizia novamente a voz grossa e baixa.
–Não, de jeito nenhum. –Respondia a voz fina e alta novamente.
–Você já percebeu, que a minha voz é muito familiar a dele, professor? –Dizia a voz grossa e baixa.
–Não confunda as coisas garoto, você n...-A voz fina e alta sumiu entre as sombras.
–Menos um idiota, as sombras estão novamente a ativa. –Dizia a voz grossa e baixa.
Era uma manhã nublada, eu tinha acabado de me mudar com a minha mãe para uma cidade pequena, do interior, de fato, muito longe do meu “hábitat natural”, eu morava em Tóquio, com meus pais, porém, depois o divórcio, minha mãe juntou as malas e me arrastou junto com ela.
A cidade ficava entre as províncias de “Komoro” e “Saku”, sendo quase invisível para a maior parte dos mapas, não que minha mãe tenha fugido comigo, mas, era a cidade onde ela tinha nascido, então, resumindo tudo, minha mãe voltou para as saias da minha avó e os braços do meu avô.
Eu estava no último ano do fundamental, eu estava estudando para estudar em algum lugar fora do país, porém, meus planos foram por água baixo, eu não liguei, bom, pelo menos eu acho que não liguei.
Era o primeiro dia de aula, mesmo sendo uma cidade pequena, eu tive que andar sete quilômetros de bicicleta da casa dos meus avos até o colégio, foi trinta e cinco minutos, no caminho nada parecia mudar, o clima nublado era devastador.
Quando me aproximava do grande prédio que estava cercado por arvores, eu pedalava em direção ao portão, quando eu achava que a névoa tinha sumido, o pátio central do colégio estava cheio, e não dava para ver ninguém, apenas sombras.
Pelo fato do colégio estar entre uma enorme montanha, névoa é algo normal, estacionei a minha bicicleta e tomei rumo ao prédio principal, quando eu sinto uma mão gelada em meu ombro, eu fechei os olhos...
Quando abri os olhos, virei a cabeça e olhei para trás, era uma garota ela tinha olhos vermelhos, pele pálida, tinha vestes escuras que se esconderam na névoa, que ficou escura, seus cabelos não eram possíveis de ver, pois a névoa ficou forte e acabei fechando os olhos novamente.
Quando abri os olhos novamente, vi uma garota de cabelos negros e longos, com pontas roxas, tinha uma maquiagem sombria, como sua aura também, estava usando o uniforme do colégio porém, sua saia era preta e ela usava meia calça, nos colégios de Tóquio isso era proibido, mas acho que aqui as regras eram diferentes.
–Olá, você deve ser o Kuroki-kun? Certo? — Dizia a garota que se parecia gótica, que tinha uma voz suave e calma.
–Olá, sou eu mesmo, Miyuki Kuroki, quem é você? –Respondi para garota.
–Eu sou Roxy, Roxy Yuri, prazer em conhece-lo, sou da sua turma, porém, vim avisa-lo que as aulas voltaram apenas na semana que vem, por causa da névoa. –Dizia Yuri.
–Ah, sério? Eu achava que a aula seria normal, mas obrigado por me avisar. –Respondi.
–Você é novo na cidade, não é? Gostaria de ir até o centro? –Dizia Yuri.
–Oh, claro, porque não? –Respondi.
Após a conversa, tomamos rumo ao lado de fora do pátio, disse a ela que tinha uma bicicleta, ela disse que não era muito longe, mas insisti e peguei a bicicleta, ela sentou na frente e descemos a montanha.
Apesar da cidade ser pequena, boa parte dela é dividida em três montanhas, por exemplo os colégios, são três, cada um representado uma montanha e um deus antigo, no topo de cada montanha também tem um templo, não tem casas nas montanhas, pelo fato de ter muitas arvores, resumindo, as montanhas são baseadas em colégios, templos e algum órgão público adicional, por exemplo um hospital.
O caminho para cada montanha é longo, por isso muitos usam bicicletas ou carros, porém o bondinho é o principal meio de transporte da cidade, ele liga uma montanha a outra e ainda passam pelas três avenidas principais, onde se encontram os centros e alguns condomínios.
Quando eu descia na pequena estrada, a névoa sumia aos poucos e o cheiro do perfume da garota exalava, era um cheiro de hortelã, de fato muito forte, mesmo minha mãe sendo dona de uma rede de perfume de Tóquio, eu nunca tinha sentido um perfume tão forte.
No final da estrada, era possível ver todas as arvores ao redor e uma placa bem grande escrita, “Seja bem-vindo ao centro Konarim o primeiro centro da cidade.”
É claro que no caminho ficamos conversando, porém o silêncio residiu uma boa parte dos quinze minutos que pareciam durar anos, quando chegamos no centro, estacionei a bicicleta e fomos andando.
–Kuroki-kun, se importa em eu te chamar de Roki? –Perguntou a Yuri.
–Ah, sem problemas. –Respondi prendendo a bicicleta.
Cruzamos a rua e já estávamos em uma das avenidas principais, apesar de ser uma cidade pequena, tinha várias luzes, e lojas muito parecidas com as de Nagoya, que passei no caminho para cá, além de ter uma cafetaria com o cheiro de café bem forte, que todo mundo gosta, mesmo que não goste de café.
–Vamos ao café? Devem ter pão quentinhos, estou com fome. –Dizia Yuri indo em direção ao café.
–Ah, vamos. –Respondia seguindo Yuri.
Quando chegamos, abri a porta para Yuri entrar, como um cavaleiro deve fazer, quando toquei na maçaneta para fechar a porta, a minha mão começou a tremer, e meus olhos fecharam.
Quando abri os olhos, eu vi a mesma mão que tinha tocado no meu ombro naquela hora no colégio, eu virei e atrás tinha a mesma garota, que balançava a cabeça, quando uma voz fina e suave começou a acompanhar o barulho de portas rangendo e as luzes piscando, a cidade limpa começou a ficar cheia de névoa, da névoa negra, que forçara meus olhos fecharem, a voz dizia.
–Ela é a próxima, ela é a próxima a brincar. –Repetia umas três vezes a voz fina e irritante.
Abri os olhos novamente pela terceira vez no dia isso me acontecia, pensei que eram alucinações.
Entrei na cafeteria, que estava normal, e me sentei ao lado de Yuri, que estava sentada de uma maneira bem confortada, lendo o menu da cafeteria, peguei um menu e fiquei olhando, quando me decidi.
–Vou querer uma xícara de café e umas rosquinhas, pode pedir o que quiser, é por minha conta. –Disse eu.
–Oh, de jeito nenhum! Eu pago o meu. –Dizia Yuri.
–Não se preocupe, eu pago. –Respondi.
–Ah, se você insiste. –Dizia Yuri.
Yuri pediu um suco de frutas e um pedaço de bolo, enquanto ela tomava o suco no canudo, o barulho me fazia lembrar da minha alucinação de mais cedo, porém esqueci, enquanto ela contava uma história sobre o clube de basquete do colégio.
–Incrível, vocês ganharam o nacional nos últimos três anos? –Disse.
–Sim, e o clube de beisebol não está para trás, estão quase cinco anos indo até a semifinal do nacional, mesmo sendo uma cidade pequena estamos sempre nos esforçando para competir. –Dizia Yuri.
–Incrível, espero poder participar de algum clube, o último ano que competi foi a dois anos, eu jogava futebol. –Respondi a Yuri.
–SÉRIO!? NOSSO CLUBE DE FUTEBOL ESTÁ NA PROCURA DE MEMBROS. –Exclamava Yuri.
–Oh, será uma honra fazer parte dele. –Respondi.
Depois que saímos da cafeteria, fomos até a livraria, apesar de ser pequena, tinha uma variedade de livros, inclusive lançamentos em Tóquio, os moradores da cidade tem um enorme gosto pela leitura.
Quando saímos da livraria, ficamos caminhando pela rua, quando comecei a ouvir passos, virei para trás, porém, só vi a névoa e meus olhos se fecharam mais uma vez.
Abri os olhos novamente e quando percebi, a névoa estava escura novamente, as portas rangendo, as luzes piscando e a as sombras se aproximando, cada vez mais rápido, quando vi aqueles olhos vermelhos e aquela pele clara, a névoa já obrigava eu fechar meus olhos novamente.
Esfreguei o rosto e abri os olhos infelizmente mais uma vez, olhei para Yuri e para frente, era um garoto, tinha cabelos loiros e era alto, estava recuperando o folego, quando começou a falar com Yuri.
–YURI! PRECISA VIR RÁPIDO, EMERGÊNCIA NÍVEL H. –Dizia o garoto.
–Nível H, é de fato rara, bom, Roki, você sabe voltar pra casa? –Yuri perguntou.
–Ah, sei, pode ir! –Respondi.
–Vamos Eirin! –Respondeu Yuri correndo atrás do garoto que já tinha sumido na névoa.
Depois que Yuri se foi, voltei a andar pelo centro, passei por diversas lojas, e começo a me lembrar em memórias da minha infância, lembrei do meu falecido tio, nas fotos, ele parecia comigo, e morreu quando tinha a minha idade, era gêmeo da minha mãe.
Eu não entendo, mas, depois que pensei nisso, um corvo pousou na frente de uma loja de fantasias, eu me aproximei da loja e observei o manequim que estava na vitrine, tinha uma peruca loira, olhos que estavam mal pintados, quase sem tinta e uma face corada.
Olhei para a porta da loja, que começou a se mexer, esfreguei os olhos, de repente, a névoa começou a ficar escura novamente, da porta, saia a mesma mão pálida, ao fundo o mesmo olhar vermelho e penetrante, o barulho de luzes piscando e o ranger das portas continuava, quando tentei continuar a olhar, a névoa escura obrigou os meus olhos a se fecharem.
Quando abri os olhos, vi uma garota, ela era totalmente o oposto da minha alucinação, loira, de olhar azul, a única coisa que se mantinha era a pele pálida, a névoa voltou ao normal e era possível ver coisas ao próximos duzentos metros de distância, como de costume, e o ranger das portas tinha sumido, como o barulho das luzes piscando.
–Ei, você gostaria de alguma fantasia? –Perguntou a garota.
–Ah, não, estou apenas dando uma olhada, obrigado. –Respondi.
–Sendo assim, fique à vontade. –Respondeu a garota.
Entrei na loja, e comecei a ver a diversidade de fantasias, fiquei admirado com uma máscara, era a face de um garoto, ela era branca, tinha olhos fechados e aparentemente no olho direito, parecia chorar sangue, fiquei impressionado e resolvi leva-la.
–Ah, por favor, gostaria de levar essa máscara. –Pedi a garota.
–Oh, claro. –A garota descia uma escada com um vestido branco, e pegou a máscara.
A garota tomou rumo ao caixa e colocou a máscara no balcão, olhou a máscara e embrulhou-a em um pacote marrom.
–São quinze reais. –Dizia a garota.
–Ah, certo. –Peguei a carteira e entreguei uma nota de vinte reais para a garota.
–Hum, estamos sem troco no caixa, poderia esperar um instante? –Disse a garota.
–Ah, claro sem problemas. –Respondi.
–Fiquei à vontade para continuar a olhar a loja. –Disse a garota que subia as escadas novamente cantando alguma música em inglês.
Continuei a olhar as máscaras e roupas de fantasia, era de fato uma loja de fantasias bem grande, quando me reparei, a garota já estava descendo as escadas, do nada, pisquei os olhos, a névoa escura invadiu a loja, o vestido branco da garota mudou, ficou preto, os cabelos dela também tinha se camuflado na névoa e os olhos ficaram vermelho e como sempre, penetrante, além do barulho de portas rangendo e a luz piscando.
Pisquei os olhos novamente, a névoa sumiu, a garota continuava a ser loira de olhos azuis com seu vestido branco, o barulho de luz piscando e o ranger das portas pararam, quando a garota voltou ao caixa com uma nota de cinco reais.
–Bom, seu troco. –A garota me entregou a nota.
–Ah, obrigado. –Respondi.
–Desculpe-me, por acaso você é novo por aqui? –Perguntou a garota observando minha face.
–Ah, sim, eu já passei algumas férias, mas nunca morei por aqui. –Respondi.
–Interessante, bom, volte sempre que precisar de alguma fantasia. –Disse a garota.
–Oh, claro, pode deixar. –Respondi saindo da loja.
Depois que sai da loja de fantasias, passei na cafeteria e peguei mais alguns pães, peguei minha bicicleta e tomei rumo a casa dos meus avós, a casa deles como todas as outras, ficam entre os grandes centros, no pé das montanhas, fazendo avenidas secundárias terem sua atenção, mesmo sendo apenas casas.
Passei por diversas casas iguais, da mesma cor, do mesmo tamanho até que cheguei na única casa diferente daquela avenida, a casa de parece como uma casa de Londres, com um portão meio medieval.
Abri o portão, entrei e estacionei a bicicleta, fechei o portão, abri a porta de casa com a chave e peguei a máscara, entrei em casa, porém não tinha ninguém, tirei os sapatos, subi as escadas e me tranquei no quarto, pendurei a máscara e deitei.
Quando me deparei, eu estava no mundo dos sonhos, eu estava descendo uma montanha, no caminho, estava a névoa, eu só conseguia ver o raio de uns cem ou duzentos metros a minha frente, mesmo sabendo do risco, acelerei nas pedaladas, em uma curva, passei por um buraco.
Esse buraco parecia ter sido preparado para mim, passei da pequena estrada, para a grama, bati em uma arvore e a bicicleta travou, resolvi andar pelo bosque, quando de repente.
–AHHHHHHHHHHHHHH! ME SOLTE! –Uma voz desconhecida gritava, gritava por liberdade.
Eu corri atrás da voz, de repente, a névoa ficou escura, e avistei uma pequena casa, parecia acabada, porém, continue correndo em direção a ela, quando cheguei, abri a porta, que sumiu ao meu tocar.
Olhei para dentro, era o garoto alto e loiro, Eirin, ele estava com as pontas dos pés amarrados e com os olhos tampados com uma venda, quando olhei para as sombras, eu vi, a mesma garota, a garota das alucinações.
Fale com o autor