Notas iniciais
"A primeira rodada de sofrimento começou, boa sorte."

Apesar de eu estar em um sonho, eu não fazia menor ideia porque a garota das alucinações estava no meu sonho, e o garoto que eu mal conhecia, Eirin, estava com a ponta dos pés amarrados e com os olhos tampados com a venda, a garota das alucinações não olhava pra mim, apenas para Eirin.

Isso explicava o motivo de eu não ter acordado ou alguma outra coisa relacionada as alucinações, então, resolvi me aproximar, me aproximei da garota, toquei em seus cabelos, porém ela não teve reação alguma.

–Ei! Garota! Me responda! –Exclamei.

Após alguns minutos, percebi que a minha teoria estava certa, a garota não me via ou ao menos sentia a minha presença, então, fiquei apenas olhando o que iria acontecer, sem fazer nada.

A garota saiu da cabana, após alguns instantes, ela retornou, seu cabelo estava cacheado, ela usava um vestido no estilo princesa bem me quer, mal me quer e segurava dois dados em sua mão direita e três dados na mão esquerda.

–Você foi escolhido pelo destino para este jogo, você não irá fugir e nem ao menos me ver, vai apenas me ouvir. –Disse a garota de olhos vermelhos.

–Ok, eu não tenho escolha, certo? –Disse Eirin.

–Hum, bom mesmo, vejo que não demonstra sentimento algum, porém vou explicar o jogo. –Disse a garota de olhos vermelhos.

Um silêncio na cabana ocorria, só era possível ouvir o barulho do coração de Eirin.

–Bom, o jogo do destino é simples, você só tem sorte, se o destino não o chama para joga-lo, só existe duas maneiras de vencer o jogo, a primeira é acertar os órgãos vitais que cairão nos dados que eu jogar, caso você acertar os dois, suas memórias serão apagadas e nunca lembrará que esteve aqui, caso acerte um e erre o outro, irá perder o órgão que errou e sairá deste pesadelo, caso errar os dois, você perderá ambos órgãos e jogarei os dados novamente. –Disse a garota de olhos vermelhos.

–Certo, e a segunda maneira de vencer? –Perguntou Eirin.

–A segunda maneira, é me matar, porém, mesmo me matando, você perderá a memória deste nosso encontro e ficará com a expectativa de vida reduzida pela metade, além, de que as pessoas a sua volta que mais ama, irão enfrentar este desafio. –Disse a garota de olhos vermelhos.

–Uma coisa eu aprendi com a vida, ...-Sussurrou Eirin.

–Diga mortal. –Disse a garota de olhos vermelhos.

–MORTOS NÃO PODEM AMEAÇAR OS VIVOS! –Gritou Eirin derrubando a garota de olhos vermelhos no chão.

Após ter derrubado a garota, ele tirou a venda e começou a espancar a garota de olhos vermelhos, que por mais engraçado que não seja o acontecido, estava rindo, não uma risada de alegria, mas sim uma risada cruel, fria e maléfica.

–MORRA! MORRA! MORRA! –Gritou repetidamente Eirin.

Alguns instantes depois, Eirin sumiu nas sombras e a garota de olhos vermelhos que aparentava estar morta, se levantou.

–Ah, garoto que só ficou observando o jogo, eu sei que você está aí, e sei que tocou em meu cabelo, porém não irei jogar com você, não agora. –A garota de olhos vermelhos olhou para mim e como sempre, a escuridão obrigou eu fechar os olhos.

Quando abri os olhos, eu estava em minha cama, no meu quarto, eram oito da noite, e alguém batia na porta.

–Pode entrar. –Disse.

–Miyuki! Venha jantar, a comida já está na mesa. –Disse minha avó.

–Já vou vó. –Respondi, encostando a porta.

Esfreguei o rosto e olhei para a máscara na parede, de repente, eu olhei a máscara novamente e percebi que os olhos tinha ficado abertos e a expressão de choro de sangue, não estava mais no olho direito, mas sim no esquerdo também, além de um sorriso.

Após eu ter visto a máscara, sai do meu quarto, só retornei após eu ter tomado um banho e pegado um livro que eu tinha deixado na sala, abri o livro e comecei a escrever, escrevi sobre as alucinações, sobre o sonho e sobre a máscara.

Quando percebi, já eram dez horas da noite, então resolvi dormir, mal eu esperava, que eu veria a garota de olhos vermelhos mais uma vez no mundo dos sonhos, na verdade, foram seis jogos, nos três primeiros acertaram um e erraram outro, eu não sei e nem entendo, porém, o primeiro perdeu um dedo do pé, outro perdeu um olho e o terceiro perdeu o movimento nas pernas.

Já no quarto e quinto jogo, um matou a garota de olhos vermelhos e o outros errou três vezes, perdeu um braço, três dedos do pé, a língua e o órgão sexual, porém, no último jogo, eu não acreditei no que vi, de fato.

–Parabéns, caro mortal, você acertou os dois órgãos dos dados, você agora terá liberdade de mim, porém, terá de enfrentar o beijo do corvo. –Disse a garota de olhos vermelhos.

–Beijo do corvo? O que está dizendo!? Você disse que era só eu acertar os dois órgãos que eu estaria livre! –Disse o sexto jogador.

–Bom, você tem outra opção... –Tentou dizer a garota de olhos vermelhos, mas foi atingida, o sexto jogador tirou as vendas e atirou uma pedra nela, assim como o quarto jogador e Eirin, ele matou a garota de olhos vermelhos e sumiu nas sombras.

–Mortal que já viu vários jogos, aviso novamente, a próxima será sua amiga. –Disse a garota de olhos vermelhos.

Quando acordei, eram cinco da manhã, tomei uma ducha, me arrumei e sai, sai em busca de Yuri, passei pelo centro e perguntei dela para o padeiro.

–Ah, a Yuri? Bom, ela foi fazer uma visita no hospital para o garoto Eirin, ele teve um ataque e teve que ir direto para o hospital, isso ocorreu na tarde de ontem. –Disse o padeiro.

–Obrigado, vou lá agora mesmo. –Respondi e sai correndo pela porta.

Pelo fato do hospital ser em outra montanha, eu peguei o bondinho, ele me deixou na porta do hospital, quando cheguei, eu entrei e fui até o balcão, estava vazio, quando me deparei, a mesma névoa escura das alucinações, surgiu no balcão, uma garota, não a garota de olhos vermelhos, mas sim, um anjo, longos cabelos, olhos azuis, vestido azul como o mar e os olhos como o céu.

–Você não deve ir. –Disse a garota de olhos azuis.

Após isso, meus olhos se fecharam e a frase dela começou a se repetir na minha cabeça, então, resolvi seguir as ordens dela, peguei o bondinho novamente e fui para casa, quando cheguei na rua de casa, a névoa escura apareceu, e no portão a garota de olhos vermelhos estava me esperando.

Eu fui até ela, quando.

–Não olhe para mim! Garoto, não tente avisar o destino dos outros, caso contrário seu destino será pior. –Disse a garota de olhos vermelhos sumindo entre as sombras.

Após isso, o tempo ficou normal e entrei em casa, escrevi sobre todas as alucinações e coisas do tipo, fiquei isolado no meu quarto o fim de semana todo, quando chegou segunda-feira, nenhuma alucinação ou sonho com jogos aconteceu, eram seis da manhã se segunda-feira, eu tinha acabado de acordar, tomei uma ducha, tomei um forte café e tomei rumo ao colégio, apesar de ter sido apenas dois dias, a névoa da montanha tinha sumido.

Quando eu mal percebi, eu já estava no colégio, o clima era totalmente diferente, tinha diversos alunos, eram tantos alunos, que não dava para acreditar que todos eles moravam na cidade.

No caminho para estacionar a bicicleta, eu ouvi passos em minha direção, a névoa escura voltou, a garota de olhos vermelhos estava correndo atrás de mim, porém, como sempre, quando ela olha para mim, meus olhos se fecham e em seguida abrem, caso contrário se abre e se mantem abertos.

–Ei! Você é o garoto novo? –Perguntou uma voz persuasiva e desconhecida.

–Ah, sou sim, prazer, sou Miyuki Kuroki. –Respondi.

–Oh, prazer sou Saku, Saku Yamaguchi. –Disse a voz persuasiva.

–Estamos na mesma classe? –Perguntei.

–Sim, vamos. –Respondeu Saku.

Os primeiros três horários de aula foram rápidos, muito rápidos, quando mal percebi, já era o horário do almoço, como eu não tinha trazido algo de casa, resolvi ir até a máquina e pegar algo, quando cheguei na máquina, encontrei Yuri e a garota do caixa da loja de fantasias conversando no lado da máquina.

–Olá. –Disse.

–Olá Kuroki-kun! –Disse Yuri.

–Eu te conheço de algum lugar. –Disse a garota loira.

–Eu fui na loja de fantasias a alguns dias atrás. –Respondi.

–Ah, é mesmo! Prazer, sou Sarah, Sarah Klein, por acaso gostaria de entrar para o clube de dança? Nosso projeto é sambar este ano. –Disse Sarah.

–Ah, não obrigado, mas boa sorte! –Respondi e tirei um refrigerante da máquina e me retirei.

Depois que comecei o colégio, o tempo começou a se passar mais rápido, quando eu mal percebi, já estávamos no final da terceira semana de aula, pra ser exato na sexta-feira, neste tempo, não recebi nenhuma visita das alucinações ou sonhos com jogos, quando eu achava que tudo isso estava prestes a parar.

Eram nove e meia de sábado, eu estava com sono e fui dormir, olhei a máscara, quando de repente, ela estava com os olhos fechados e apenas o olho direito estava chorando sangue.

Dormi, quando eu mal percebi, eu estava dentro da mesma cabana, sentado no mesmo banquinho e quem era a vítima do jogo? Era Yuri.

Notas finais
Porque a garota de olhos azuis impediu Miyuki de ajudar? Porque o destino é tão cruel? Eirin está bem? Descubra isso tudo no próximo capítulo!