Rascunhos De Capítulos

1 #6: Testamento e últimas palavras de...


Notas iniciais
A história mostrada neste conto faz parte da mesma história que os Rascunhos de Capítulo nº 2, 4 e 7, que serão adicionadas em breve.
Eu comecei pela história nº 6 porque é a mais bem elaborada que eu digitei até agora.

Lágrimas caíam dos olhos dela enquanto escrevia aquilo. Como sempre. Achou melhor parar de chorar e se concentrar em escrever.

Parou um pouco e começou a reler o que já havia escrito, para ver se não havia nenhum erro.

Um acesso de tosse lhe atacou. Estavam se tornando cada vez mais frequentes desde que ela foi informada da triste notícia.

Desejou que seu filho estivesse ali, para lhe dar apoio. Mas sabia que ele só poderia visitá-la de noite, o que pesou em seu coração.

Respirou fundo, limpou as lágrimas, que novamente lhe molhavam as faces, outrora coradas, agora pálidas. Voltou a escrever.

Enquanto escrevia, começou a devanear e a relembrar de alguns eventos.

Lembrou-se de quando seu filho se escondeu no porão dos vizinhos por uma semana. Como ele se alimentou durante aquele tempo, só Deus sabe. Ela tinha ficado muito aflita, mas quando viu ele saindo do corredor, sujo, mas são e salvo, ela percebeu o quanto ele era importante para ela.

Ela já havia perdido um filho antes e não queria perder ele também.

Lembrou-se de quando seu filho arranjava brigas na escola. Só não foi expulso porque ela implorou para que não fizessem isso com ele.

Apesar de parecer maleável e muito sensível, o que ela era, era também muito rígida. Por muitas vezes se viu obrigada a bater em seu filho para que ele aprendesse as lições que teria que aprender por bem ou por mal: Não se meter em brigas. Podemos dizer que ela fracassou nesse tópico, pois mais tarde o filho encomendaria briga ás pencas.

Aceitando o fato de que tinha fracassado, ela tentou voltar a escrever. Não conseguiu. Os bons momentos que passou com seu marido e seu filho que lhe vieram á memória fizeram-na chorar de novo. Ela teve de largar a caneta para poder tentar se controlar.

Ah, seu marido. Uma figura muito irritada mas também muito gentil, fora levado cedo demais. Eles tinham apenas 4 anos de casados quando ele sucumbiu á morte.

Ela conseguiu finalmente parar de chorar, um novo acesso de tosse a atingiu. Após controla-lo, ela ficou quieta. Se sentia sozinha. Queria alguém para abraçar, para desabafar todo aquele sofrimento guardado. Alguém que confiasse. Alguém de sua família.

Sua irmã, além de morar um pouco longe, tinha torcido um tornozelo e agora deveria estar como ela: Deitada numa cama. Mas não escrevendo, graças a Deus. Portanto, não poderia visita-la. E seu filho, como já dissemos, só poderia vir á noite.

Pegou um copo e tomou um pouco de água, que tinha numa jarra em cima da mesa de cabeceira. Sentindo-se mais calma, ela recomeçou novamente o texto.

Finalmente, terminou-o. Assinou no final e esperou uma enfermeira entrar no quarto. Quando esta entrou, ela perguntou se poderia dar um telefonema. Pacientemente a enfermeira colocou o telefone, também na mesa de cabeceira, ao alcance dela. Deu alguns medicamentos e saiu.

Ela tirou o telefone do gancho e discou um número, com sua mão tremulando. Falou com alguém e pediu que viesse o mais rápido o possível. Outro acesso de tosse. Por mais irritantes que eles pudessem ser, também doíam um pouco, fazendo o sofrimento dela ser ainda maior.

Alguns minutos se passaram. Ela releu o que escrevera milhares de vezes, sua caligrafia redondinha que ela conservou desde os 12 anos, sua assinatura cheia de floreios no final... Aquelas lembranças todas de repente lhe pesaram muito na consciência.

Tempos depois, quem ela havia telefonado chegou: O advogado. Depois de se tornar a par da situação, ele perguntou por qual motivo ela havia o chamado ali. Após uma breve explicação, algumas lágrimas da parte dela e um consolo bem desajeitado do advogado, ela lhe entregou o testamento recém-feito. Outro ataque de tosse, mais lágrimas e um pouco de conversa, e então o advogado foi embora.

Ela, com o coração batendo rápido e novamente sozinha, adormeceu, esperando o filho chegar.

Acordou a tempo de ver o filho entrar acompanhado por um médico. Decerto ele já havia informado o rapaz. Ela o chamou e pediu que se aproximasse.

Notas finais
A mulher em questão estava na casa de seus 60 anos, e sofria de Pneumonia, num estado bem grave. Claro que ela é fictícia, mas apenas coloquei essa nota para demonstrar que eu já havia planejado/escrito essa história antes, e que ela tem um contexto bem diferente.
Caso estejam interessados, o nome da mulher é Elisabeth.