Rascunhos De Capítulos

2 #4: "Sabe o que é isso?"


Notas iniciais
Esse conto faz parte da mesma história do conto 6, já adicionado, e dos contos 2 e 7, que ainda não foram adicionados.

Ele tocou a campainha e retirou o chapéu que usava, aguardando a dona da humilde casa, sua namorada, aparecer.

Ele estava realmente muito elegante. Uma camisa, gravata vermelha, terno marrom, combinando com uma calça. Além do chapéu já mencionado, uma fedora marrom, com uma faixa vermelha.

Sua namorada abriu a porta e, espantada, perguntou-lhe o que fazia vestido tão bem.

“É melhor você ter um vestido chique, vai precisar dele no lugar onde vamos.” Foi a resposta enigmática do namorado, que adentrava na casa.

Sem entender muito, ela foi se arrumar, se utilizando de seu vestido mais bonito, que usou em seu aniversário de 15 anos e surpreendentemente ainda servia.

Seu companheiro aguardava sentado no sofá, segurando o chapéu no colo. Era mesmo um belo chapéu. Ela ficou se indagando onde ele havia o arranjado, quando ele se levantou, vendo que ela já se arrumara.

Colocando o chapéu de volta na cabeça, ele olhou para o relógio na parede, murmurou algo para si mesmo e elogiou a mulher, em seguida, abriu a porta da frente e pediu a ela para que entrasse no carro.

Mal ele deu a partida, ela perguntou onde iriam. A resposta não foi muito clara:

“Faz seis meses que planejo fazer isso e só arranjei dinheiro e coragem pra isso agora.”. Ele falou bem baixo, como se falasse mais para si do que para a amada.

Em não muito tempo, eles chegaram onde ele pretendia: Um dos restaurantes mais chiques da cidade.

Eles entraram e ele foi conversar com o maítre, enquanto ela ficou observando a galantesa do lugar.

Após acertar as coisas a respeito da reserva com o maítre, ele pediu a ela que o acompanhasse. Sentaram-se em uma mesa e ficaram conversando.

Mesmo ela insistindo para que ele contasse o que fariam ali, ele falava nada que tinha muito a ver com o assunto. Ela deixou a bolsa numa cadeira naquela mesma mesa, e o chapéu dele ficou encarapitado no topo da bolsa.

O garçom apareceu, eles pediram uma sopa. Esta chegou relativamente rápido.

Ela começou a tomá-la, sem se preocupar muito com o por que de seu parceiro não estar comendo. Ele retirou alguma coisa do bolso do paletó, mas ela não viu o que era.

“Pode me dar sua mão, por favor?” Ele pediu á namorada. Ela largou a colher e lhe estendeu a mão. “a mão esquerda.” Ele continuou. Ela trocou de mão e aproveitou para tomar mais uma colherada da sopa. A sopa estava realmente muito boa.

“Sabe o que é isso?” ele perguntou. Ela ergueu os olhos e quase cuspiu a sopa. Com a ponta dos dedos, seu namorado segurava uma aliança prateada. Após engolir a sopa, ela deu um pequeno gritinho e levou a mão á boca. O gritinho chamou a atenção das mesas próximas. Com a mão na frente da boca, ela balançou a cabeça para os lados, quase não acreditando.

“Não me respondeu ainda. Sabe o que é isso?” ele ficou com o semblante sério desde que chegou na casa dela.

“S-sim.” Ela respondeu, comovida.

“E você aceita?”

Ela balançou a cabeça afirmativamente.

Ele colocou, suavemente, o anel no dedo dela, e sorriu pela primeira vez no encontro. As mesas ao redor aplaudiram.

Sem ligar muito, ele começou a tomar a sopa.

E quanto a ela, mal conseguia se concentrar na comida, só observava o lindo anel prateado em seu dedo.

Após terminarem o jantar, ele pagou a conta e os dois saíram, mas diferentes de quando entraram.

Quando entraram, eram dois seres diferentes. Agora eram apenas um só, e simbolizaram isso saindo de mãos dadas.

Ele colocou novamente seu chapéu, para lhe dar altura. Ele era baixinho, realmente.

Era mesmo um belo chapéu.