Notas iniciais
Este conto faz parte da mesma história que os contos 4, 6 e 7. O conto nº 7 ainda será adicionado aqui

Estava se remoendo de pavor. Simplesmente não conseguiria entrar naquele local e concluir seu evento.

Entrou na igreja, mortalmente ansioso e envergonhado. O fraque tinha sido feito em um tamanho maior por engano, e a cauda arrastava-se um pouco pelo chão enquanto ele passava.

Nunca tinha ido a nenhum casamento, exceto aquele, o seu próprio.

Se dirigiu ao altar e se postou no lado esquerdo. Caso não seja de eu conhecimento, quem fica do lado esquerdo é a noiva. Ele não sabia disso. Um amigo, sentado na primeira fileira de bancos, o alertou, e foi com uma exclamação e mais vergonha que ele, rapidamente, foi para o outro lado.

Ficaram assim alguns minutos. Pensamentos terríveis rondavam a cabeça do pobre jovem. “E se ela não aparecesse? Seria abandonado ali? Eu não deveria estar fazendo isso, ah, não devia.” Se sentiu, repentinamente, jovem demais para casar, mesmo tendo amigos que se casaram mais novos. Ele não ousava se mover.

Subitamente, um órgão ressoou num canto, afastando-o de seus pensamentos, tocando a Marcha Nupcial.

Ele olhava febrilmente para as portas. A qualquer momento, sua noiva entraria, acompanhada de seu sogro. Os segundos pareciam durar horas. As portas se abriram.

Por um instante, ele imaginou que não havia ninguém no lado de fora, mas era apenas a luz forte do sol, que cegou-o momentaneamente. Ela estava ali, radiante, envergonhada também, mas incrivelmente bela.

Ela caminhava lentamente em direção ao altar. Ele queria que aquilo acabasse logo. Ele não gostava de receber atenção.

Finalmente, um finalmente que parecia ter durado horas, a cerimônia começou. Enquanto o padre falava, eles lançavam olhares e sorrisos constrangidos um ao outro.

Chegavam á parte das alianças. Por um momento, ele quase achou que havia esquecido as alianças, mas se acalmou ao ver sua pequena prima levando os dois anéis dourados numa almofada.

Tão logo as alianças foram postas, o casamento terminava. A sua agora esposa o arrastou para fora da igreja, não por causa de ele não querer sair, mas sim porque o evento o deixara pregado no chão, seja de anseio, vergonha, felicidade ou até os três juntos.

A festa que se seguiu foi simples. Um bolo foi dividido entre os noivos e pelos convidados, conversas animadas se sucederam, e uma breve valsa foi tocada e dançada.

Enfim, o novo casal voltava para casa, ao entardecer. Ansiavam por esse momento desde que saíram do casamento. Enfim, sós.

Ele não falara muito. Ao chegarem em casa, sua esposa perguntou o que lhe acontecera, ele, que sempre fora tão alegre e carinhoso ao lado dela.

Subitamente então, ele explodiu numa crise de nervos. A ansiedade fora tanta que ele se convencera de que casar foi uma má escolha. Foi preciso muita paciência e uma xícara de chá por parte dela para que ele se acalmasse.

Uma vez recomposto, ele apoiou a cabeça no colo de sua esposa, e começou a soltar, mais calmamente, todo aquele sentimento que ele havia guardado, e ela o consolava, falando algumas palavras e afagando sua cabeça.

E eles aproveitavam aquele calmo amor alemão, felizes por estarem um ao lado do outro.