Notas iniciais
Este conto faz parte da mesma história dos contos 2, 4 e 6, e do conto nº 7, que ainda será adicionado (pois eu ainda não o revisei e passei para o computador)

Era um sonho tão bom... Ele se sentia leve, livre para voar... De repente, uma sirene invadiu o sonho, e ele foi acordado pela mãe.

Um bombardeio.

A mãe dele estava apavorada. Lágrimas corriam de seus olhos. Ela rapidamente o levantou da cama e o arrastou até a porta, e disse a ele que ficasse quieto, enquanto andavam até o esconderijo.

Ele andava atrapalhado, de chinelos, na grama do quintal. Finalmente, adentraram o esconderijo.

Era um quarto subterrâneo apenas, com um armário, uma cama de casa e dois beliches, alguns sacos de alimento no canto, e uma luz fraca. Os vizinhos, que dividiam o esconderijo, já estavam lá.

Após irromperem pelo quarto, a vizinha disse que “graças a Deus, já chegaram”.

Depois de se certificarem de que todos estavam bem e que a porta estava trancada, se sentaram os cinco na cama de casal e fizeram silêncio, para escutar o que acontecia na rua, lá em cima.

Gritos e marcha de soldados, um estrondo –E nessa hora um pouco de poeira caiu do teto –, mais gritos, portas sendo arrombadas, casas sendo invadidas. Finalmente, o silêncio.

Ele perguntou á mãe se já podiam sair. Ela o alertou que era melhor esperar um pouco mais.

Ele olhou para os lados. A filha dos vizinhos tentava dormir em uma das camas. Os outros dois preparavam algo para comer.

O garoto se sentou novamente na cama, enquanto sua mãe tirava do armário agulhas de tricô e alguns novelos de lã. Ele então se aproximou da mãe e perguntou o que ela ia fazer. Ela respondeu:

–Tricô, oras. O que mais eu iria fazer com agulhas de tricô?

–Me ensina a tricotar? –Ele disse, então –Eu não tenho nada pra fazer.

A mãe suspirou:

–Certo, então.

A lição começou. A mãe tentava ser paciente e ensinar o filho direito. Em pouco tempo, ele sabia o básico.

O tempo foi passando, e o silêncio lá em cima continuava. Subitamente, o que parecia ser um carro passou, lentamente, enquanto a voz de um guarda dizia “Já é seguro sair dos esconderijos subterrâneos. O perigo já passou.”

A filha dos vizinhos foi acordada, eles se despediram e saíram. A mãe guardou as agulhas, os novelos e o produto do tricô no armário, pegou o filho pela mão e saiu do quartinho. Subiram as escadas, e agora estavam no quintal. Em seguida, entraram em casa, e agradeceram por não terem invadido ela. Então, a mãe o tranquilizou, o colocou na cama e foi se deitar. Ficou tudo calmo de novo.

Um sonho novo. Ele se sentia livre. Livre para voar, para brincar, para ser feliz. Um sonho aconchegante e acolhedor.

Essa foi só a primeira de muitas situações semelhantes.