Rapunzel Prostituta
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Estava decidido. Nada poderia fazer eu me render aos encantos de Killian. Ok, eu não estava sendo rendida a encanto nenhum, até porque ele não tinha lá grandes coisas. Além de ser um completo idiota metido a besta e ter uma confiança nas pessoas que acabara de conhecer. Ah, ele também era bipolar. Mas tirando isso ele até que era gatinho.
Depois do incidente no almoço, o pessoal ficou aqui em casa até mais tarde. Killian e Dan viviam sussurrando coisas um para o outro, mas não me dei a liberdade de ouvir, até porque, eles pareciam querer sigilo. James e Branca foram os primeiros a ir embora sabe-se lá para fazer o que, mas sei que você deve estar pensando no mesmo que eu, ai ai... Fiquei jogando conversa fora com Thiago e descobri que era ele o meu cliente de mais tarde então as coisas acabaram ficando mais fáceis.
*Cliente nº 158*
Nome: Thiago S.
Idade: 24 anos.
Atributos: Irmão do Dan e uma maravilha na cama também...
Sexo(em estrelas): *****
Top nº: 5
Depois que todos foram embora, comecei a arrumar a casa, mas tocaram a campainha. Eu, fui andando que nem uma lesma, pensando que era algum daqueles inúteis, mas minha boca caiu quando abri a porta.
– Emma Swan? — perguntou um idoso de cabelos brancos e várias marcas e manchas da idade avançada. Ele me olha dos pés a cabeça, em forma de análise. — Mais bonita que dá ultima vez que a vi.
– O que você quer? — pergunto.
– Podemos conversar? — ele expande a mão para dentro de minha casa. — Ou a senhorita está ocupada? — pergunta, erguendo uma das sobrancelhas.
– Não, não to ocupada. — digo, abrindo o caminho para aquele cidadão entrar. Como ele está diferente! — O que você quer conversar?
– Preciso da sua ajuda. — diz, estalando os dedos.
– Seja mais rápido. Não tenho o dia todo. — digo, revirando os olhos. — Não sei se percebeu, mas a casa está uma zona e preciso arruma-lá.
– Vá em frente Emma. — ele diz — Não quero atrapalhar. — e limpa a garganta, buscando as palavras. O que ele quer tanto me falar que não pode esperar uns minutos? — Bom, vou tentar resumir a história. Antigamente eu fiz algo cruel, mas não me arrependo. Sei que estou sendo investigado e a qualquer momento serei penalizado. Graham não está comigo e eu preciso do seu suporte.
– O que você fez? — pergunto, juntando os pratos.
– Não posso entrar em detalhes, mas eu matei minha mulher. Isso foi uma das coisas.
– Oi? — falei assustada. Senti minhas pernas fraquejarem e meus olhos quase fecharem, mas respirei fundo e tentei me manter forte.
– Não posso explicar muita coisa. Não agora. Eu só preciso do seu...
– Eu não posso lhe dar apoio se você não pode me dizer o que se trata. E eu já não lhe daria apoio só pelo fato de você ter matado sua mulher. — digo.
Saio andando pela casa, procurando minhas algemas. Ele acabou de confessar um crime e precisava ser punido. Não me interessa quantas coisas mais ele fez.
Acho as algemas e a pistola, pego-as e busco-o pela casa, mas não o acho mais em lugar algum. Sinto uma pancada na minha cabeça e vejo tudo rodar e escurecer. Ô merda.
*
– Emma! Emma! O que aconteceu com ela? — vozes reconhecidas me gritavam de todos os lados. O que aconteceu? Onde eu estava?
Comecei a abrir os olhos e veio um clarão. Tentei me mover e aaaaai, que dor! passar uma dar mãos pela minha cabeça, provavelmente aberta, já que doía tanto, mas fiquei presa por algo que não fazia ideia do que era.
– Quando você chegou lá, tinha alguém na casa, além dela? — disse, provavelmente, algum doutor. — Olhem, ela está acordando. — falou o mesmo, me percebendo. Amém!
– Emma. — disse Dan, apertando minha mão. Era ele que estava me gritando. Ele e... Killian, que estava sentado no sofá, meio ausente. — Killian, ela acordou. Vem cá.
– Eu só encontrei ela. — disse Graham. Então era ele que tinha me salvado? Um ponto para meu fiel escudeiro. — Suas mãos estavam com a pistola e as algemas, tinha uma panela perto dela, só que no chão. — ele me olha e desvia rapidamente. — E as roupas estavam todas jogadas, rasgadas. — sou encarada novamente. Um olhar triste que não tem nada a ver com ele. — Ela estava seminua quando eu entrei na casa, digo, — minha boca estava aberta e meus olhos arregalados, com certeza. Aquele monstro se fazendo de bonzinho! Ele poderia ter pedido. Pensando bem, não poderia não. — seu vestido estava jogado de um lado e o resto das roupas, do outro. A única peça no corpo da Emma era o sutiã. — ele me deu um beijo na testa.
– Eu fui estuprada? — perguntei, gaguejando. Meu rosto queimou de raiva e senti lágrimas cairem, mas não me importei. Quem foi o monstro que fez isso? Ou será que foi o...?
– É o que parece, srta. Swan. — disse o doutor. — Você lembra de alguém que falou por último, que possa ser a pessoa? — ele perguntou.
– Lembro. — falei, fechando os olhos com força para tentar lembrar de algo, em vão.
– E quem é? — Killian se pronuncia, pela primeira vez. Ele aperta minha mão junto com Dan.
– Rumpelstiltskin. — digo com pesar.
Os olhos dele se arregalam e sua mão fica fria, até ele soltar. O doutor me pergunta umas coisas, mas não dou atenção nenhuma para ele. Dan estava sussurrando novamente com Killian e este, por sua vez, anda de um lado para o outro, nervoso. Eu nunca o vi assim.
– Emma, preciso que me responda esse questionário para eu lhe dar alta. — disse o doutor. — Eu já volto.
– Em, eu tenho que ir. — pronuncia-se Graham, que estava bem quieto. — Não posso deixar esse monstro à solta. — ele olha de relance para Killian e Dan, que, ao mesmo tempo, confirmam de leve com a cabeça. — Fique bem, tire uns dias de folga. Sei que você não gosta quando lhe dou essa folga toda, mas você é ótima e a cidade nunca teve muito perigo. — ele depositou um beijo na minha testa e saiu após se despedir dos meninos também.
Peguei o questionário e comecei a respondê-lo. Não tinha muitas coisas, apenas alguns complementos de dados pessoais meus, o que eu estou sentindo, se há participação de alguém no que houve, coisas desse tipo. Respondi em menos de 5 minutos e o coloquei no lugar. Olho ao redor e apenas Killian estava na sala junto comigo.
– Tá tudo bem? — pergunto à Killian, que observa Storybrooke pela janela do hospital. Esse cara tem mania de olhar a vista, por acaso?
– Eu que deveria perguntar isso, não? — ele diz ao se aproximar. — Aquele filho da puta não tinha o direito de tocar em você. — ele bagunçou os cabelos, nervoso.
– O que você tem contra ele? — pergunto.
– Tudo Swan. Ele é perverso, não mede o que faz e faz de tudo para conseguir o que quer. É um merda. — ele puxa uma cadeira e senta ao meu lado, acariciando as costas da minha mão. — Ele é tão repugnante, tão... — ele respira fundo e aproveito para falar.
– Ok, eu já entendi. — tento sorrir. — Tá tudo bem, quer dizer, bem melhor. E você tem razão em dizer que ele é tudo isso, pois ele é mesmo.
– O que ele estava fazendo na sua casa, Emma? — Killian perguntou parecendo preocupado.
– Ele tocou lá. — digo, suspirando. — Contou uma ladainha, mas confessou um crime que fez. Confessou ter matado a mulher.
– E o que você fez? — agora sua expressão era mais de surpresa e curiosidade, ao mesmo tempo.
– Foi quando eu fui atrás da algema. Quando voltei a sala, onde estavámos conversando, não o vi. Depois só senti uma pancada forte na cabeça e tudo ficou escuro.
– E você acordou aqui depois. — ele sorriu de lado e fez uma careta.
– Exatamente. — me ajeitei na cama. — Eu não acredito que ele pode fazer aquilo. — senti meus olhos arderem e as lágrimas ameaçarem cair novamente, mas quem liga? Nesse momento eu era aquela menininha orfã que foi abandonada no tapete do orfanato quando pequena.
– Ei, — Killian se levantou. — não fica assim. — e veio limpar minhas lágrimas. Pude sentir seu perfume delicioso. — Já passou. — ele me abraçou de lado e me deu um beijo estalado na bochecha.
– Eu não acredito. — arregalo os olhos. — Se eu tivesse apenas desmaiado, teria acordado com o sexo, não? — digo, pensativa.
– Ah não ser que alguém tenha lhe dopado. — diz Killian, também surpreso.
– É o que parece. — diz o doutor, surgindo no quarto. — Bom, de acordo com os exames de sangue. — ele balança umas folhas presas e depois me entrega as mesmas. — Eu já volto, pode ver. Qualquer dúvida, me chamem. — guardo as folhas para outro momento.
– Onde foi o Dan? — pergunto (ainda) nos braços de Killian, que não quero mais sair. Em algum momento eu disse que amava abraços? Não? Ok então agora você sabe.
– Comprar alguma coisa para comermos. — ele sorriu fraco. — Sabia que nós dois ficamos aqui a noite toda esperando notícias suas?
– Já tá de noite? — pergunto, com os olhos arregalados. Killian faz que sim, praticamente gargalhando. Ainda bem que meu quarto é particular, tenho medo do que as pessoas pensariam de mim se ouvissem essa conversa. — Porque vocês ficaram aqui?
– O Graham te trouxe e ligou para o Dan, que estava comigo e com o resto do pessoal. Eles ficaram aqui e essa demora do Dan — ele revira os olhos — provavelmente é porque ele está avisando que já está tudo bem. — Killian beija minha testa e se afasta do abraço. Tenho uma leve vontade de gritar "Volta aqui", mas é (claro) que não faço isso.
Ele anda pelo quarto e ficamos em silêncio por alguns minutos.
– Emma. — Killian diz, me tirando de um desvaneio.
– Oi.
– Sabe aquele dia que eu dormi na sua casa e depois fui embora sem me despedir? — ele pergunta e o vejo olhando para o chão.
– Sei... — digo. — Não faz nem dois dias. — endireito meu corpo.
– Então, desculpe. Eu queria poder ficar para tomar um café, mas tive um contratempo. Eu tive que sair.
– Um contratempo... — repito suas palavras. — Porque não consigo acreditar nisso?
Vejo Killian se aproximar com rapidez e sua cara não é das melhores.
– Olha, você não precisa acreditar em merda nenhuma, ok? — ele diz, aproximando-se ainda mais. — Eu estava com um problema, que não vem ao caso e tive que resolver. Foi mal por ter sumido do nada, mas foi isso que aconteceu. — ele segura meu braço com força e gemo baixinho ao ver nosso rosto tão próximo. — Entendeu?
Faço que sim com a cabeça, balançando de modo nervoso. Era a segunda vez que Killian era frio e me machucava de alguma forma. Eu não estava gostando nada disso.
– Tem algum problema aqui? — diz uma voz reconhecida e vejo Killian suspirar fundo e se afastar.
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