Notas iniciais
Hellooooo :) Aqui estou eu, novamente! Primeiro de tudo preciso agradecer pelos reviews incríveis que vocês deixaram... E PRINCIPALMENTE a queridissíma Cristina que fez uma supresa incrível (aka essa capa nova e maravilhosa que vocês estão vendo na fanfic), muito obrigada ♥♥♥ Esse capítulo é dedicado a você! Ahhh vi que duas pessoas favoritam a fic, um agradecimento especial para vocês também!! Boa leitura :)

Um mês para o solstício — Achlys

O único som que a deusa escutava era um ruído extremamente frágil e descompassado. Com surpresa percebeu, alguns segundos depois, que era o som da sua respiração. Ainda de olhos fechados, tentava lembrar do que tinha acontecido, mas sua mente estava preenchida por um vazio assustador.

Estava receosa em abrir os olhos e descobrir que, na verdade, havia sido capturada pelo exército de Cronos. Se isso fosse de fato verdade, o Olimpo estava condenado sem a sua principal estrategista e agora Cronos teria vantagem sobre Zeus.

Atena fez um esforço descomunal para abrir os olhos, sentia-se extremamente fraca. Suspirou em alívio ao ver que não estava em nenhum calabouço com instrumentos de tortura, ao menos aquilo não se parecia em nada com um. Tentou se ajeitar na cama que era deliciosamente macia, para enxergar melhor, mas seus braços cederam. A deusa revirou os olhos, Campe estúpida, odiava ficar debilitada daquele jeito.

Com os olhos metódicos, Atena examinou cada centímetro do ambiente no qual se encontrava. Era fino, a parede era de um tom de claro de azul repleta por quadros delicados com molduras de mogno. O chão era revestido por um mármore que contrastava com a parede. Os móveis, assim como as molduras dos quadros, eram de mogno escuro. O quarto era simples, apesar de elegante. Atena percebeu pelo canto dos olhos, que havia uma pequena janela do lado esquerdo da cama.

Vamos lá Atena, você consegue.

A deusa mordeu o lábio inferior e com toda força que conseguiu reunir impulsionou-se para cima. O mundo começou a rodar ao seu redor quando sentou-se na cama. Respirou fundo algumas vezes pronta para tentar ficar de pé quando ouviu vozes que a fizeram estancar.

"Eliot tente ficar quieto, di immortales!"

"Você é sempre tão mandona, Dafne."

"Shiuu""

Então a porta se abriu, revelando uma garota com longos cabelos castanhos e um garotinho, de aproximadamente sete anos, com cabelos loiros, empurrando-a para tentar enxergar.

— Oh — a garota arregalou os olhos em animação e abriu o mais sincero sorriso — Você acordou!

Atena franziu o cenho tendo certeza que jamais havia visto aquelas crianças na vida. O que está acontecendo aqui?

— Você tem que deitar! — em apenas alguns segundos, a garota havia atravessado o quarto e segurava Atena delicadamente pelos ombros, forçando a deusa a deitar. — Ainda está muito fraca.

A deusa fez uma careta com a palavra fraca.

Eliot, vai chamar a Helena.

O garotinho nem mesmo hesitou e saiu correndo apressado. A deusa voltou os olhos para a garota que a observava com seus grandes olhos extremamente exóticos, um tom de castanho quase vermelho. Apesar do rosto jovem, Atena chutava dizer que tinha pelo menos dezesseis anos.

— Eu sou Dafne — sua voz era suave assim como o toque de suas mãos nos ombros de Atena.

— Onde, onde eu estou? — A deusa sentiu dor ao falar, parecia que alguém havia enfiado um metal fervendo por sua garganta.

Serena desviou os olhos, com uma expressão apreensiva.

— Não se preocupe com isso agora, você está bem.

Atena não ficou nem um pouco tranquilizada com a resposta evasiva, onde será que ela estava?

— O que, o que aconteceu?

— É claro que a deusa da sabedoria faria tantas perguntas, me alertaram sobre isso.

Alertaram?

Quem?

Ignorando-a por completo, Dafne se inclinou para pegar alguma coisa na cabeceira ao lado da cama, que Atena identificou como um kit de primeiros socorros.

— Eu venho aqui sempre cuidar dos seus machucados, sabia? Eu ou Helena.

A mente de Atena estava a mil, queria fazer tantas perguntas, no entanto sabia que ela não responderia. Era frustrante.

— Por que? — Ainda assim foi inevitável que a pergunta escapasse de seus lábios. — E quem é Helena?

Dafne não respondeu, como Atena suspeitava, ao invés disso começou delicadamente a remover os curativos antigos da deusa e refazê-los. Ainda que buscasse por respostas, a deusa não conseguiu evitar sua distração devido a curiosidade. Seu olhos acizentados vasculhavam cada centímetro de sua pele sendo tocado pelas mãos delicadas de Dafne. E nossa, como estava machucada!

Arranhões com pequenas cascas escuras revestiam seus braços descobertos, assim como hematomas esverdeados e nada uniformes. Atena se assustou com a familiaridade com que a menina limpava todas as feridas abertas, garantindo que não infeccionassem, como se tivesse feito aquilo por dias. E pelo o que havia lhe contado, tinha mesmo passado parte de seu tempo cuidando dela.

Estava tão ferida ao ponto de ainda não ter me curado completamente?

— A quanto tempo estou desacordada? – se a menina fosse evitar perguntas sobre onde estava, talvez Atena teria mais sorte interrogando sobre sua saúde.

— Três dias — manteve seus olhos fixos no machucado perto do ventre, enquanto as mão fervorosamente trabalhavam em limpar a ferida com delicadeza — Imagino que tenha sido uma luta e tanto.

Então a garota sabia que eu havia lutado, bom qualquer idiota concluiria isso com os meus ferimentos. Mas se ela sabe que sou a deusa da sabedoria, saberia também que eu havia lutado no Olimpo? Droga, onde é que eu estou?

Você devia ver a outra adversária — retrucou presunçosa, Atena ansiou pelo o que Dafne diria a seguir.

— Bem, até onde eu sei Campe foi parar no Tártaro — ela lhe deu um meio sorriso — Acho que seus ferimentos valeram a pena.

Ahá! Então a garota, de fato, tinha que estar me espionando. Parando para pensar não era muito sensato que uma adolescente estivesse de olho nela para Cronos, muito menos cuidando de seus ferimentos. Mas alguém andou me observando ou se não como saberia do duelo?

Antes que a Deusa conseguisse lhe lançar a próxima pergunta novamente a porta foi aberta e uma jovem ruiva de cabelos trançados entrou apressada.

— Então é verdade, você está mesmo acordada. — ela exibiu um singelo sorriso no rosto enquanto servia néctar em um copo na cabeceira ao lado da cama.

— Hum, talvez para conversarmos seria bom que me dissessem quem são e o que eu estou fazendo aqui. — retrucou a deusa de forma irritada, mas aceitando de bom grado a bebida já que precisava se sentir melhor.

Helena arqueou a sobrancelha com um sorriso de canto.

— Uau, será que todos os deuses são arrogantes assim mesmo?

Que mortal insolente.

Conhece outro deus além de mim então — Atena estreitou os olhos e ficou satisfeita ao ver que a garota ruborizou e arregalou os olhos.

— Isso não vem ao caso — sorriu novamente para se esquivar, como se não houvesse acabado de cometer uma falha, o que irritou profundamente a deusa da sabedoria — Eu trouxe uma muda de roupa e o banheiro é por ali, Dafne vai te deixar no convés depois.

E então deixou a sala, não antes de dar um olhar de advertência a Dafne “cuidado com o que você fala”, Atena teria ficado intrigada se não estivesse tão chocada com a informação que lhe fora revelada. Convés. O que eu estou fazendo em um barco?

[…]

Negar que banhos fossem talvez a coisa que a deusa mais amasse no Universo, seria mentira. E apesar de querer passar horas e horas debaixo da água e se perder totalmente nos seus pensamentos, sua curiosidade fez com que ela tomasse o banho mais rápido de sua vida. Estava chocada com o quanto seu corpo ainda estava dolorido, mas esse não era o motivo de sua cabeça estar a mil por hora.

Detestava não saber das coisas e nesse segundo tinha tantas perguntas que sentia-se angustiada.

Quando saiu do banho, vestindo a roupa que lhe havia sido dada, Atena entrou em estado de alerta. A mortal, Dafne, estava sentada em sua cama olhando distraidamente pela janela.

A deusa remexeu desconfortavelmente nos cachos molhados e então olhos castanhos rapidamente repousaram sobre ela.

— Vamos, então — sorrindo levantou da cama em pulo, como se estivesse animada demais com alguma coisa.

Atena não conseguia entender o que, exatamente, havia para estar tão animada sobre. Mas a cada segundo que passava estava cada vez mais convencida de que Cronos não tinha nada a ver com isso, mas o que mais poderia ser? A vida inteira da deusa tinha sido sobre aquela guerra, pensar em alguma coisa que não estivesse relacionado aquilo parece irreal demais para ela. Não fazia sentido.

Seja lá de quem for esse navio, é enorme.

Os corredores que passavam eram todos de alguma madeira escura, longos e largos demais para um navio comum, repleto de quadros e ramificações até onde Atena pode observar.

Quantas portas essa porcaria de navio tem? Nunca vi tantos corredores também, deve ser encantado com algum tipo de magia antiga.

Quando finalmente emergiram em um convés, Atena teve que colocar a mão na altura dos olhos pelo sol escaldante. Antes que Dafne pudesse dizer alguma coisa, a deusa estancou no lugar.

Havia pessoas ali. Muitas pessoas. Andando para cima e para baixo, circulando com pesadas caixas ou puxando cordas e içando velas. Parecia um navio comum. Sem conter a curiosidade, Atena se debruçou na beirada e ficou, maravilhada talvez? Estavam em pleno alto mar. Nenhum centímetro de terra se quer. Incrível e apavorante ao mesmo tempo.

— Lady Atena — ouviu Dafne tocando seu ombro com delicadeza, parecia ter medo de fazer movimento abruptos perto da deusa — preciso que venha comigo.

— Ir para onde? — a deusa se desvencilhou dela — O que está acontecendo?

— Pelos deuses! — ela escutou uma voz mais rouca, vinda de cima da cabeça dela — Ela acordou!

A deusa ergueu os olhos, estreitos como os de uma águia que enxergou sua presa, deparando-se com um homem de aproximadamente 20 anos com uma faixa vermelha amarrada na cabeça pendurado de cabeça para baixo numa corda. Mortal. Com uma espada na bainha da cintura, lado esquerdo.

— Arg, eu exijo que vocês me digam o que está acontecendo, agora! — a deusa vociferou, já estava perdendo a sua paciência.

Que estupidez é essa? Pelo amor de Zeus, eu tenho coisas a fazer! Será que esses mortais imbecis não sabem que estamos em guerra?

O mortal, em um pulo, desceu da corta se pondo entre a deusa e Dafne e então lhe deu um sorriso torto.

— Perdão Lady Atena, onde estão meus modos? — ele fez uma reverencia um pouco debochada — Meu nome é Rato, à suas ordens.

A deusa nem mesmo esperou, ágil e precisa como seus instintos a permitiam ser, Atena com um movimento tirou a arma da cintura do mortal e segurava-a apontada diretamente para garganta dele. Dafne soltou um grito, levando as mãos até a boca e de repente o navio inteiro tinha parado para assistir a pequena cena deles.

— Você vai me dizer o que está acontecendo — ela apertou mais a espada contra o pescoço dela — E vai dizer agora.

Sua voz era fria como a própria lâmina que segurava. E ainda que estivesse machucada, não havia perdido em nada sua imponência. Mas pelo jeito, ser insolente era um pré-requisito para se estar abordo naquele navio porque Rato apenas riu despreocupado.

— Vá chamar o capitão, Dafne — ele virou a cabeça para enxergar a garota que estava estancada atrás deles, com os olhos arregalados em medo. — Pode ir, está tudo bem.

A garota disparou entre a multidão.

— Se eu fosse você eu não teria tanta certeza disso — Atena podia sentir seu rosto vermelho de raiva, sua cabeça doía como o hades em pessoa e seu corpo todo gritava em alerta.

— Com todo respeito Lady Atena, você não quer fazer isso.

— Cortar membro por membro do seu corpo para obter respostas? — ela estreitou os olhos — De fato, não quero, mas irei se for preciso.

Nem assim o mortal parecia preocupado, talvez tivesse muita certeza de que o “capitão" fosse resolver a situação. Nesse caso, deveria ser alguém tão poderoso quanto ela ou mais.

— Acho que isso não são jeitos de tratar as visitas — uma voz grossa se destacou na multidão que pouco a pouco abriu passagem para que ele passasse.

Trajava calças pretas e botas que iam até o joelho, a blusa branca de algodão contrastava com a pele morena típica de marinheiros que passavam meses no mar, os cabelos eram longos, negros e indisciplinados. Atena reconheceria aqueles olhos verdes em qualquer lugar.

Com um movimento rápido, ela derrubou Rato com o cabo de suas espada, apenas forte o suficiente para que ele cambaleasse para longe dela e apontou sua espada para o deus que havia acabado de chegar. Ah sim, um deus. Sua aura era tão forte, o poder tão intenso que Atena engoliu em seco. Não que ela fosse desistir de uma luta caso chegasse a isso.

Você— ela deu dois passos para frente na direção dele, com a espada a postos — Foi, você que me tirou do Olimpo.

O Deus arqueou as sobrancelhas, provavelmente com a audácia dela em levantar a espada para ele.

— E aqui está você, me agradecendo por ter salvo a sua vida, apontando uma espada para mim e destratando os meus convidados. — se a a sua aura não disse a Atena que era um Deus, sua voz imponente certamente diria.

— Quem é você? Tenho certeza que não te conheço.

— Talvez, primeiro você deveria mostrar um pouco mais de educação — sua voz soou ríspida e ele abaixou a espada dela com a ponta dos dedos — Não se deve negar a hospitalidade de um Deus, ainda mais de um dos três grandes.

Parecia que havia tomado um soco no estômago e todo ar havia escapado de seus pulmões. Poseidon. Só podia ser… Ela não podia acreditar no que havia acabado de escutar.

O deus dos mares a encarava sério, apesar de manter a calma não havia gostado nada da postura agressiva da deusa com a sua tripulação.

Incredulidade. Confusão. Raiva.

— Então você é o deus irresponsável que é incapaz de ajudar a sua família em tempos de guerra — ela praticamente cuspiu as palavras que pareciam estar entaladas em sua garganta por tanto tempo — Quer dizer, isso se não for um traidor que está do lado de Cronos.

A ira parecia vir em ondas tomando todo o seu corpo em questão de segundos. Poseidon nunca foi conhecido por sua paciência e muito menos por sua tolerância a desaforos, mas seu auto controle parecia estar em alta naqueles dias. Limitou-se a estreitar os olhos.

— Eu sou um dos três grandes e exijo respeito, olha bem como fala comigo Atena! — a voz dele, no entanto indicava que estava perto de perder o controle. Aquilo era um aviso.

A tripulação parecia chocada como se ninguém pudesse acreditar que alguém teria a audácia em falar com ele dessa forma. Atena sabia melhor, ele é mais poderoso que você, mas aquele assunto era pessoal demais para ela.

Você não merece o meu respeito, não quando vive se escondendo nesse navio brincando de Deus poderoso que destrói vilas mortais por puro prazer! — a deusa manteve a voz fria apesar de estar ciente de que estava mexendo com fogo — Enquanto isso nós lutamos por você, pelo Olimpo, você não passa de um covarde, Poseidon!

Com apenas três passadas ele estava frente a frente com a deusa da sabedoria e com violência segurou seu braço, o tridente já em mãos. Seus olhos verdes estavam quase negros de tanta fúria e o deus tinha plena noção de que a segurava com força. Ninguém falava com ele assim.

Mas a deusa da sabedoria também tinha lá suas reputações e demonstrar fraqueza era uma falha que ela não tolerava, por isso continuou com a cabeça erguida, fitando-o da maneira mais séria e cortante que poderia conseguir.

Escuta bem aqui — sua voz não era mais alta do que um sussurro e ainda assim era mais ameaçadora do que qualquer coisa que Atena já havia ouvido na vida- Você, sua deusinha petulante, não faz a menor idéia do que está falando. E se você quer me ver como um monstro, ÓTIMO É ASSIM QUE EU VOU TE TRATAR!

E como se estivesse puxando uma pena, Poseidon arrastou-a até o outro lado do convés e jogou-a dentro de uma espécie de prisão, um cômodo cercado com grades com apenas um colchão velho no chão. O baque da porta foi tão alto que Atena se perguntou como não quebrou.

NINGUÉM, abre essa porta! Me ouviram bem?

E deu as costas para ela, saindo do seu campo de visão. Atena com duas passadas largas colocou cabeça contra as grades apenas para ver Poseidon se trancando no que ela imagina ser sua cabine. A tripulação ainda parecia assustada com o que haviam visto, mas aos poucos retomaram seus afazeres, algumas pessoas a olhavam com pena, outras com olhar de reprovação.

Grossos pingos de chuva molharam seu rosto e ao erguer os olhos, a deusa se surpreendeu em ver que o céu antes azul estava preto e cheio de nuvens carregadas. Não era preciso que olhasse para o mar para ter certeza que estava turbulento e que as ondas estouravam perto do navio.

— ARGH. — e tentando descontar a sua raiva bateu com toda força que podia na grade. — ESTÚPIDO!

Notas finais
Então meus amores, agora realmente começamos a fanfic! Sei que dei uma enrolada nos outros capítulos, mas foi para situar todo mundo... POSEIDON FINALMENTE APARECEU *-* Gente, imagina o quão incrivelmente sexy ele não deve parecer vestido de marinheiro... Ai ♥ Não sei vocês, mas escrevendo esse capítulo só conseguia pensar BELA E A FERA! Juro, já acho esse casal incrivelmente parecido com a história, nesse finalzinho então que eles discutem e ele tranca ela... AI ♥ Preciso confessar que tenho um amor imenso por personagens coadjuvantes então esperem vê-los aparecendo bastante na fic e sendo super valorizados ♥ Espero que vocês amem eles tanto quanto eu... Enfim, então foi isso hahaha. Ansiosa para ver o que vocês acharam... Beijinhos e até o próximo!