Raposa

10 Carne de abate


Notas iniciais
Demorei hein???? MENTIRAAAAA!!!!!!!!!! Quero agradecer ás minha leitoras divas que me fizeram cometer o pecado de postar dois capítulos em uma noite
Aproveitem

Despediram-se do nosso frio e aconchegante Norte? Pois agora, voltamos, estamos na cara do perigo, estamos em King’s Landing, na Baixada das Pulgas, uma rua movimentada de dia, mas todos nos lembramos de que era noite cerrada, quase manhã, nossa raposa caminhava rapidamente pelas ruas e vielas, parando para respirar e lembrar-se de seu treinamento, lembrar-se do por que conheceu e ficou com Gendry, ela fechou os olhos e sua mente a obrigou a visualizar uma das conversas com seu dono:

“-Nosso tão humilde Rei Robert está interessado em uma bela adaga de ouro trabalhada com cobre e prata- Ele sibilou docemente

-Onde quer que eu procure?- Ela perguntou sorrindo

-Hum... –Ele coçava o queixo pensativo- Ouvi dizer que a parte nobre da cidade tem um ótimo trabalho...

-Certo- Sem mais ordens ela correu para a ferraria onde futuramente encontraria seu touro”

A ruiva respirou uma, duas vezes, se apoiou ao muro, sua consciência pesava, a ficha havia caído, ela nunca havia pensado nisso, na mera possibilidade... Outros flashes de memória irromperam sua mente:

“-Então você é o jovem talentoso que trabalha aqui? — Ela perguntava inocentemente- Você é Gendry Waters?

-Bem, sou eu mesmo- Ele sorriu gentil, foi assim que tudo havia começado...”

A moça estava a alguns metros da ferraria onde encontraria o moreno, seu touro que nunca havia de fato recebido seu afeto, ela apressava o passo, sua cabeça latejava, seu dono havia mandado ela para matar o moço que julgava gostar... Ela realmente gostava daquele homem? A raposa escalou o muro e adentrou o quarto onde Gendry ressonava tranquilamente, os olhos cerrados expressavam paz, ela suspirou, iria ao menos se despedir, subiu no garoto e tapou-lhe a boca, ele acordou sobressaltado, mas quando encontrou os olhos da amada se acalmou, afinal era ela que vinha perturbar seu sossego, sacudir seu coração mais um pouco, ela mal sabia que o garoto tinha uma dúvida que virara certeza nesse exato momento:

-Olá- Ela falou baixo e destampou a boca do rapaz que sorriu em resposta e alisou sua cintura, provocando-lhe arrepios- Não!- Disse subitamente- Não posso, vim me despedir- Ela disse para o homem que estava com a cara escondida pela sombra, era impossível reconhecê-lo, mas ela sabia qual era seu quarto...

Gendry apenas colocou as mãos grandes e calejadas no rosto macio da moça como em uma silenciosa súplica, ela fechou os olhos e assentiu, imaginou o sorriso do amado e deixou-se ser beijada, tirou a adaga da bota, tapou a boca de Gendry e cortou sua garganta, o sangue jorrou no vestido de tecido grosseiro que trajava, o cinza da lã crua foi se tornando vermelho e ela percebeu a verdade que se recusava a acreditar.

Tombou a cabeça para trás e permaneceu parada em cima do cadáver, apenas apreciando feito, sentindo o doce frescor de sangue fresco, o alívio do pós-assassinato, tudo enchia sua mente, era tortuosamente bom, ela nem percebeu que sorria, mas por quê? Por que sorria depois de matar sua paixão? Era tão sádica assim? Tão sem sentimentos quanto seu dono falava... Era cruel, má, sádica e, o pior de tudo, astuta. Seu dono a havia treinado bem, o arrependimento passava longe daquele cômodo...

Ela saiu do quarto, escalou o muro e voltou á Baixada das Pulgas, ouvia o barulho dos bares e bordeis tudo misturado ao fedor da cidade, mas nossa ruiva continuava andando calmamente como se não tivesse uma mancha de sangue em seu vestido, sua mente flutuava leve, longe daquela cidade nojenta, ela estava em uma clareira ainda com seu touro. De repente sentiu-se envolvida por braços fortes e grandes, ela sentia o cheiro de bebida que vinha daquele estranho:

-O que temos por aqui?- Ele perguntou com um grosseiro sussurro em seu ouvido, a barba arranhando sua pele macia, a voz áspera e rude estourando seus tímpanos- Que beldade você é, só tem um problema, sabe qual é?

-Não poderia imaginar- Ela respondeu sorrindo, o estranho virou-a para ver seu rosto, o rosto do homem, perdão, o homem era deplorável, um bêbado marinheiro, a barba e bigode desgrenhados e sujos, as vestes piores ainda, a raposa sorriu.

-Esse vestido- Ele falou e gargalhou asperamente, abraçando-a, não, esmagando-a no meio da rua, apertou sua bunda- Fico me perguntando de quem é o sangue nesse vestido...

-Sangue de galinha- Ela respondeu sem nem precisar pensar, mentir era natural, ela respirou para manter a cauda imóvel e as orelhas bem escondidas pelo capuz.

-Mas que mocinha corajosa, quanto cobras?- Ele perguntou sem rodeios, a moça sorriu, estava esperando a pergunta.

-Cinco veados de prata-Ela respondeu gentil.

-O que? Tudo isso?- O marinheiro se exaltou agressivo

-Será o seu dinheiro mais bem gasto, meu senhor- Ela sussurrou e mordiscou o suado e asqueroso pescoço do marinheiro.

-Sim- Ele concordou empurrando-a para um beco escuro, tentou subir-lhe o vestido, mas a jovem desvencilhou-se e sorriu.

-Pagamento adiantado- Ela falou abrindo a mão, o marinheiro colocou três veados de prata na mão da jovem e bufou- Agora sim- Ela andou até ele que ficou parado e sorrindo maliciosamente- Então...

-Eu já paguei, cale a boca- Ele disse grosso e arrancou-lhe o vestido, a moça estava com uma blusa e uma calça marrons, um corpete de couro e a cauda aparecia, laranja como os cabelos da dona, com a ponta branca, o homem ia gritar, mas ela foi mais rápida e tapou sua boca, desferiu um golpe na barriga do homem usando seu joelho, ele arfou e curvou-se.

Ela, não satisfeita, empurrou-o para o chão com a perna e o fez cair deitado, sentou em cima de sua intimidade ainda coberta pelos calções, ela abaixou e tirou a adaga da bota, encostou-s na garganta do homem que se arrepiou, a lâmina estava fria e suja de sangue:

-Desembuche saco de banha- Ela falou rude- Vamos lá, em qual navio você está?- Ele negou com a cabeça, ela estapeou a face dele que tentou segurá-la, mas a mesma levantou a cintura e sentou brutalmente e com força na intimidade do homem que gemeu de dor- Em qual navio você está?- Ele praguejou e ela rosnou ameaçadora com a adaga- Vai me fazer repetir traste?

-Não, por favor!- Ele suplicou choroso- Eu trabalho, digo, vim de um navio chamado Capitão dos Mares

-E o que trouxeram para cá?- A demora da resposta fez a moça apertar a adaga na garganta do marinheiro, fazendo nascer uma fina linha rubra, a cor dos Lannister.

-Trouxemos mercadorias de Lys, por favor, só mercadorias de Lys, eu juro!- O homem falou novamente choroso, a pressão da lâmina diminuiu- Obrigado.

-Calado, só fale quando eu perguntar- A moça analisou o homem- Você vai vir comigo- E então ela deu um murro na face do homem que desmaiou, a moça vendou-o e o arrastou para o quarto do dono.

Quando acordou, o homem estava amarrado a uma cadeira, o ambiente em que se encontrava era belamente decorado, tapetes de Myr, decorações de Pentos, tudo perfeitamente arrumado, o homem finalmente viu a moça, aquela aberração nojenta, ao seu lado havia um homem, vestia uma túnica ricamente trabalhada, tinha nos cabelos castanhos uma parte grisalha, um cavanhaque crescia na ponta do queixo junto com um fino bigode:

-Quem são vocês? Soltem-me!- O marinheiro ordenava

-Vê querida?- O homem falou para a aberração- Sabemos quão estúpido alguém é quando vemos este alguém nos dando ordens, sendo que ele não é ninguém e não está em vantagem... Triste isso.

-Com toda a certeza- A moça girava o punhal com uma naturalidade surpreendente, como se fosse um pedaço de seu braço.

-Perdeu alguma coisa em mim?- Ela perguntou sarcástica

-Sim, meus três veados de prata- Ele disse raivoso, ela riu em uma espécie de latido e agitou a cauda.

-Devolver-lhe-ei se você não mentir em nenhuma pergunta lhe darei um saco cheio de dragões- Ela disse normalmente e mostrou um pequeno saquinho com várias moedas de ouro, o homem sorriu e concordou- Muito bem senhor, temos alguém que colabora.

-Veja quão corruptos somos- Ele fingiu martirizar-se

-Bem, gentil marinheiro, conte-nos tudo o que sabe- Ela disse jogando o punhal para a porta, o mesmo prendeu-se na madeira e produziu um som audível e aterrorizante para o refém que engoliu em seco e começou o pequeno relato.

Notas finais
Foram só quatro páginas, mas ainda sim eu mereço reviews né???? Bem, o próximo vai sair talvez semana que vem e vai continuar em Porto Real e contar a história do nosso marinheiro...
Até lá