Notas iniciais
Oi amigos! Voltei com um novo cap prontinho!

Capítulo 33

Um vulto grande se deslocava ensopado no meio da escuridão. Ele sentia as gotas de água descendo por dentro de sua cota de malha, encharcando seu corpo até os ossos. O frio estava de matar. O inverno havia chegado, e o chão estava com uma camada de neve que se estendia por todo o Norte. O vento zumbia em seus ouvidos, fazendo com que colocasse as mãos para tampá-los. A neve tinha parado de cair a algumas horas, e agora caía uma chuva fina e gelada. – O homem começou a subir uma escada em direção ao topo da muralha. Tinha um trabalho a fazer, e não era a porcaria de uma chuva que iria impedi-lo.

Subiu o último degrau e parou. A noite estava sombria, a não ser por um fogo que ardia de baixo de uma tenda improvisada do lado esquerdo da muralha. Dois guardas estavam agachados perto do fogo tentando se esquentar o máximo que conseguissem.

-Boa noite – falou o homem se aproximando.

-Boa noite, senhor – respondeu um dos homens. – Era baixo e atarracado, mas dava para perceber que era forte.

-Noite fria – comentou o homem se agachando ao lado do fogo.

-Congelante – resmungou o outro guarda. – Esse era alto e carrancudo.

-Como o general pode deixá-los aqui esta noite? – perguntou o recém-chegado.

-Ele é um bosta – resmungou o homem mal-humorado.

-Você não gosta dele?

-Não – respondeu. -Paga mal, fala mal, se veste mal e é mal.

-Eu também não gosto – comentou o baixinho. -Ele nos maltrata e manda em nós como se fôssemos cachorrinhos.

-Sei – disse o homem olhando para além das chamas do fogareiro. -Só tem vocês aqui?

-Só – respondeu o guerreiro alto.

-Então – ele disse –, podem descer. Vou assumir a muralha para vocês.

-Mas senhor... – começou o baixinho –, o senhor não foi convocado. Porquê quer ficar de vigília nesta noite congelada?

-Porquê fui com a cara de vocês, e porquê perdi o sono. Podem ir se esquentar.

-Obrigado, senhor – agradeceu o homem. – Se levantou e puxou o braço do amigo. -Vamos, primo!

Depois que os dois guardas desapareceram, Erak apagou o fogo e se levantou. Pegou um garrafão de água e começou a caminhar. Chegou até um canto que levava para a outra muralha, e lá, estava o que procurava.

Mais de 20 barris de cascalhos estavam empilhados de baixo de uma lona. O Escandinavo arrancou a lona e abriu a primeira tampa, despejando uma boa quantidade de água. Ele fez isso com todos os barris. Quando amanhecesse, eles estariam congelados e pesando como um Demônio. “Será uma ótima arma”, – pensou Erak enquanto voltava e reacendia o fogo. Se sentou, e esperou a alvorada aparecer.

Ali, sentado no frio, Erak não se conteve e começou a gargalhar. Hoje seu dia tinha sido muito divertido. Primeiro, o idiota do general mandou que ele matasse um ladrão Escocês, porquê ele tinha tentado roubar um saco de carne de vaca salgada, que por sinal já estava acabando. Segundo, os “exercícios” de Halt e Will na chuva. Foi espetacular. Os dois correram por uns 10 minutos sem parar e a toda velocidade, depois deitaram no chão enlameado e começaram a fazer flexões sem parar. Até aí estava tudo bem. O melhor vem depois. Os dois pararam de fazer as flexões e se levantaram. Aparentemente, começaram a discutir e partiram um para cima do outro. Os aplausos que vieram dos guardas nas muralhas foram ensurdecedores.

“O plano de vocês deu certo outra vez, seus idiotas”, – pensou o Escandinavo com diversão.

Os dois arqueiros foram enfurecidos para a briga, fazendo qualquer um pensar que se matariam quando se encontrassem. Os dois se aproximaram, e Will deu um rápido golpe no estômago de Halt. Esse se virou e atingiu o queixo de Will com o cotovelo. O arqueiro se desequilibrou e Halt aproveitou o momento para passar o braço pelo pescoço do jovem e o jogou de costas no chão. Will estava surpreso com a força do mestre que estava prendendo seu corpo no chão. Ele sabia da tremenda força do arqueiro, mas não imaginava que ele iria colocá-las em prática naquele dia. Ele girou as pernas formando um círculo, e logo as mãos que prendiam seu pescoço se soltaram e Halt caiu desequilibrado em cima do jovem.

-Saia! – Erak tinha ouvido Will gritar. “Isso está maravilhoso”, — pensou o Escandinavo.

Resumindo, a briga entre Halt e Will tinha sido convincente. Os idiotas tinham caído direitinho na armadilha. Ali, sentado na escuridão gelada Erak estava se divertindo. Afinal, seu dia foi perfeito. E o mais importante, ele tinha conseguido fazer seu trabalho sem nenhum problema.

Depois da briga forjada dos arqueiros, Erak inventou uma história de caça a ladrões Araluenses que ele tinha visto vigiando o castelo, e com a permissão de sair das fortificações, tinha ido até o acampamento do exército de Araluenses.

Ele cumprimentou os dois soldados que estavam fazendo a vigia e entrou entre as barracas de acampar de sua tripulação.

-Horace! – gritou ao avistar um jovem guerreiro treinando com o segundo no comando de seu navio.

-Erak! – retribuiu Horace indo em direção a ele. –Como vai?

-Muito bem! O dia foi perfeito! – Erak puxou um banco que estava na porta de uma das barracas e se sentou. –Já contei da briga entre os nossos amigos arqueiros?

-Não – respondeu uma nova voz atrás dele.

-Crowley! – berrou Erak se levantando e abraçando o arqueiro, que estava tentando se soltar dos braços firmes do Escandinavo. -Como está? – perguntou, largando o pobre arqueiro.

Crowley deu um passo para trás e Horace o firmou antes que caísse no chão. O comandante dos cabelos cor de areia estava tentando puxar o ar para dentro de seus pulmões e vendo se todas as suas costelas estavam intactas.

-Você é um monstro! – Crowley tentou gritar.

-Um monstro – repetiu Erak –, mas um monstro que é seu amigo!

-Eu quero morrer seu aliado – suspirou Crowley.

Erak deu uma gargalhada e caiu pesadamente no banco outra vez.

-Como eu ia dizendo – continuou –, vocês tinham que ver a briga de Halt e Will!

-Briga? – perguntou Horace sério.

-Sim! – Erak voltou a gargalhar.

-Halt e Will... – indagou Crowley. -Será que não basta brigar com um castelo com sua guarnição completa? Tem que lutar entre nós mesmos? E pare com essa risada! – Essas últimas palavras foram dirigidas a Erak, que ainda estava rindo sem parar.

-Desculpe – pediu ele tentando respirar entre os soluços do riso. -Eles não estavam brigando. Não de verdade.

-Como assim? – perguntou Svengal, que até então não tinha se pronunciado na conversa.

-Eles fingiram a briga para poder fazer com que os Escoceses abaixassem a guarda com eles. Os dois andam apanhando, e na maior parte das vezes eu não consigo impedir. – os ombros do enorme Escandinavo caíram. -Sinto muito. Mas – ele voltou a por o sorriso no rosto –, eles conseguiram! Fizeram de um castigo na chuva, um meio de praticar seus golpes e exercitar as pernas. Ficaram um tempo correndo a toda velocidade em volta do pátio e depois começaram as práticas.

Erak contou tudo o que aconteceu, e como os guardas aplaudiam e as moedas trocavam de mãos depois de um dos dois arqueiros caírem no chão enlameado.

Quando a história terminou, todos estavam gargalhando juntos.

-Só aqueles dois mesmo – falou Horace a ninguém em especial.

-Só – comentou Crowley sorrindo.

Erak também contou que Halt pediu que ele enchesse com água os barris de cascalhos. Assim, quando a batalha chegasse, eles poderiam usar aqueles barris congelados contra os guardas Escoceses.

-Ótima idéia! – exclamou Malcoln, que tinha chegado a tempo de ouvir o relato de Erak.

Agora, sentado naquelas muralhas brancas de gelo, Erak estava se sentindo bem. Sua mão estava coçando para pegar em seu machado e matar aqueles infelizes, mas estava conseguindo se controlar. Estava dando o melhor de si, e não iria deixar que nada atrapalhasse seus planos. A batalha ia acontecer, eles iriam ganhar e levaria Will para seu casamento no Castelo Araluen. “Will deve estar ansioso para isso”, — pensou o Escandinavo com amargura.

Conforme os minutos se passavam, a alvorada ia saindo no horizonte. Uma mancha pálida no céu.

Notas finais
O que acharam? Bjinhos!