Rangers -ordem Dos Arqueiros -a Lealdade
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Capítulo 34
O castelo Araluen estava sombrio. A princesa caminhava por um corredor iluminado por tochas que faziam sombras nas curvas a sua frente. Ela não sabia mais o que queria para a sua vida. Quase todos os convidados para seu casamento já havia chegado e ela não podia desistir agora. Era uma princesa, e as princesas não podem fraquejar. Em breve seria uma rainha, e tinha que aprender a manter a sua palavra.
No dia anterior ela descobrira que a irmã de Gilan havia se casado com um nobre Celta e assim formara mais uma aliança com Céltica. Ela também descobrira que Horace tinha inventado toda essa história só para deixá-la com raiva. “E ele conseguiu”, — pensou a princesa dando um sorriso de amargura. A vida não era fácil e o amor estava querendo falar mais forte em seu coração.
-Não posso. Sinto muito, mas eu não posso – falou em voz alta.
-O que a senhora não pode, princesa? – perguntou uma voz forte atrás de si.
A princesa se assustou com a aproximação inesperada do sujeito e sua mão caiu para o cabo do sabre.
-Ah, Rorick! – ela relaxou os músculos e deu um sorriso para o jovem.
Rorick era um jovem saudável, forte, alegre, alto e de ombros largos. Seu cabelo era loiro e seus olhos azul-claros. Era um cavaleiro de 27 ou 28 anos, experiente e disciplinado. Usava uma túnica vermelha com um leão bordado no peito por cima da cota de malha que reluzia, brilhando como sempre. Uma espada longa estava presa em sua cintura, juntamente com uma adaga curta de lâmina resistente.
-Desculpe, sir – ela pediu com um sorriso envergonhado.
-Tudo bem! – respondeu sorrindo. –Tem alguma coisa que está te perturbando?
-É... – ela exitou –, não.
-Sei – comentou Rorick. –Vamos ao jardim?
-Claro – respondeu a princesa.
Os dois viraram a curva de um corredor escuro e começaram a andar. Os dois estavam em silêncio, mas era um silêncio de cumplicidade.
-Cassandra?
A princesa se virou e viu Duncan parado no começo do corredor.
-Papai – ela foi até o Rei e o abraçou.
-O que foi, filha? – ele perguntou acariciando seus cabelos.
-Eu... – ela não conseguia dizer. –Eu... Papai, não quero me casar...
Duncan olhou no fundo dos olhos da jovem e percebeu que sua filha estava falando com o coração. Ela amava muito Will, mas era um amor de irmão e ele sabia. O que ele poderia fazer? Os convidados já estavam ali, e entre eles estava Alyss. Como ele ia dizer a Cassandra que a esposa de seu noivo está viva?
-O que eu faço? – perguntou Cassandra um pouco desesperada.
-Filha... – Duncan começou, mas não sabia o que dizer.
A notícia da sobrevivência da diplomata que era casada com o arqueiro que estava noivo da princesa se espalhava pelo castelo como fogo se espalha em palha seca. O próprio Duncan não fazia idéia de como sua filha ainda não sabia. Ou será que ela sabia? A verdade era que o Rei estava mais confuso do que a princesa.
-Preciso te contar algo que tem de saber – disse o Rei puxando a mão da filha. -Rorick, fique aqui e não deixe ninguém entrar.
-Sim, senhor – respondeu o jovem cavaleiro.
Os dois entraram em um aposento circular e o Rei bateu a porta atrás de si.
-Cassandra, precisamos conversar – ele puxou uma cadeira ao lado do fogo e se sentou.
-O que aconteceu, papai? – ela também se sentou ao lado da lareira e cruzou as pernas. -O que foi?
Duncan pousou a espada no colo e apertou seu cabo com tanta força, que os nós de seus dedos ficaram brancos.
-O problema é que... – como ele iria dizer? -O que você faria se Will não fosse mais se casar com você?
Cassandra olhou para o PA,i tentando descobrir o que tinha por trás daquele rosto forte e sério. Mas é claro que não conseguiu nada.
-Como assim? – ela perguntou.
-Se de repente Will não puder se casar, o que você faria? – Duncan não estava totalmente certo de que sua filha iria desistir tão fácil.
A princesa ficou em silêncio, e Duncan deixou que ela pensasse por alguns instantes antes de responder. “Com Pauline foi tão fácil”, — pensou o Rei.
No dia anterior ele tinha convidado Pauline para tomar um café depois do jantar, e lá ela ficou sabendo da volta de sua protegida.
-Acho que não vai acontecer casamento algum – comentou o Rei fitando o fogo da lareira.
-Como assim, senhor? – perguntou Lady Pauline sem entender o comentário.
Duncan se remexeu em sua cadeira e olhou fixamente para Pauline.
-Não vai mais haver casamento – afirmou com a voz baixa.
Lady Pauline se ajeitou na cadeira e levantou uma sobrancelha para o Rei.
-Como assim? Não vai mais ter casamento?
-Não – respondeu Duncan.
-Por quê? – perguntou a diplomata.
-Porquê Will não pode se casar se já tem uma esposa – disse ele em tom afável.
-Mas Alyss... – ela ia dizer que a moça estava morta, mas Duncan levantou uma mão para silenciá-la.
-Pode entrar! – o Rei gritou na direção da porta.
A porta de madeira se abriu e uma figura alta e elegante, vestida de branco, deslizou para dentro do aposento.
-Por isso – disse Duncan sorrindo para a mulher mais velha –, Will não pode se casar por que Alyss está viva.
Lady Pauline ficou em pé de um salto. Olhava para Alyss de cima a baixo.
-Você... – conseguiu dizer.
-Eu – respondeu Alyss se aproximando e tocando o rosto da mentora.
-Você está viva! – falou a diplomata sem acreditar.
As duas se abraçaram e choraram por alguns minutos.
-Está tudo bem? – perguntou Duncan cauteloso.
-Está – respondeu Pauline dando um passo para trás. –E agora?
-E agora – começou o rei –, vou ter de procurar outro noivo para Cassandra.
Duncan e Pauline contaram toda a história para Alyss. Contaram da doença de Halt, da expulsão de Will do Corpo de Arqueiros para levar o arqueiro ferido para o norte, contaram que Crowley, depois de ter devolvido a Folha de Carvalho para Will, foi junto com ele e Horace. E, o mais importante: o sofrimento de Will pelo sumiço dela, e de como ele não poderia recusar a proposta de casamento com a princesa de Araluen. Resumindo, a jovem diplomata entendeu tudo o que se passou durante a sua ausência, e não culpava seu marido por falta de amor ou desrespeito.
-Acho que ficaria... feliz – disse Cassandra arrancando o Rei de seus pensamentos.
-Pois pode comemorar – ele disse se levantando –, não irá ter mais casamento.
A princesa ficou perplexa com a súbita revelação do pai. Ela queria adiar o casamento o máximo que conseguisse, mas nunca passara em sua cabeça que o pai iria cancelar o casamento tão de repente.
-Por que não vou mais me casar? – ela perguntou com um tom ansioso.
Duncan foi até a lareira e começou a remexer as chamas com uma vareta meio carbonizada. “Como vou dizer a ela?”, – pensou o Rei sem dar atenção as insistências da filha.
-É que... – ele se virou e encarou a filha.
-É que...? – perguntou Cassandra.
-É que Will está preso por uma cerimônia de estado – respondeu o pai.
-Como assim? Will foi preso? – agora ela não sabia mais o que pensar.
-Não, não! – Duncan foi até a cadeira e se sem prestar atenção nos modos. -Ele está casado.
-Casado? – ela não estava entendendo. -Mas ele estava prometido a mim!
-Não – explicou o Rei –, ele nunca esteve prometido a você, por que ele nunca pôde ser prometido.
A princesa se levantou e começou a andar de um lado para o outro. Ela não estava entendendo nada e seu pai não estava sabendo explicar. Ela foi até a janela e escancarou as venezianas. O vento frio da noite entrou no quarto e a lua iluminou o aposento. Ela respirou e olhou para o pai que ainda estava sentado fitando as traves do teto.
-Explique, papai – pediu ela, fazendo o máximo para não ser descortês.
-Will não pode se casar com você, porquê Alyss está viva e dentro das muralhas deste castelo.
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