Rangers -ordem Dos Arqueiros -a Lealdade
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Capítulo 24
–Corram! Gritou Crowley.
Eles estavam começando a entrar na floresta Grimsdell. Atrás deles qualquer um que não fosse surdo conseguiria escutar os cascos dos cavalos de seus perseguidores a trote rápido.
Por insistência de Halt e Will, os três tinham se separado para conseguir tirar Orman, o senhor do castelo, do meio do campo de batalha. Só que para isso, ele teve que pedir ajuda para Horace.
Agora eles estavam indo para a clareira de Malcoln, levando o máximo de feridos que conseguissem carregar.
Crowley escultou um farfalhar de folhas do seu lado esquerdo e se virou na direção do barulho.
–Horace! Chamou o arqueiro.
O jovem guerreiro tinha ficado alguns metros para trás cobrindo a retaguarda, enquanto o grupo se embrenhava na mata.
–Crowley, corra! Berrou o guerreiro.
Três ou quatro homens tinham tido coragem suficiente para entrar na floresta e estavam com espadas e bestas.
–Vá com os outros e me espere na clareira, ordenou o comandante dos arqueiros. -Vou dar uma pequena surpresa para os nossos novos visitantes.
–De jeito nenhum! Retrucou Horace. -Passei tempo suficiente com Halt e Will para aprender a não me mexer como as pessoas comuns!
–Tudo bem, mas fique escondido. E retirando o arco da sela, entrou no meio das árvores e desapareceu.
–Ainda não me acostumei com essa coisa, resmungou Horace tentando enxergar o arqueiro.
Crowley andava silenciosamente por entre os grossos troncos de árvores, agradecendo por eles estarem lá para dar maior esconderijo para ele. Assim, poderia se aproximar de seus alvos sem ser visto ou ouvido, não dando espaço para fuga. O arqueiro olhava para o chão antes de dar um passo se quer, tomando cuidado para não fazer algum barulho que avisasse os inimigos de sua presença.
Ele chegou até a beira de um pântano, e viu os homens se acotovelando assustados a 200 metros a frente.
Crowley colocou o arco dentro de sua capa e se deitou no chão. Ele começou a rastejar de barriga para baixo até ficar a 100 metros do inimigo, e se levantou com tanta rapidez que os homens se assustaram e a besta de um deles disparou.
Antes que o dardo atingisse a árvore ao lado do arqueiro, o homem que estava recarregando a besta caiu com uma flecha vermelha em seu ombro. Um espadachim que estava ao seu lado começou a avançar na direção da pequena figura, mas antes que desse três passos, Crowley atirou novamente e o homem caiu morto com uma flecha no pescoço.
No meio da confusão, um dos homens passou por trás de algumas árvores e conseguiu se aproximar do arqueiro por trás.
–Cuidado! Berrou Horace quando o homem estava descendo a espada na direção do arqueiro.
Crowley se jogou para a direita e saiu rolando para longe do homem.
Horace, que viu o amigo precisando de ajuda, desembainhou sua espada, encaixou o escudo no braço e começou a correr na direção da luta. Ele atingiu o único homem que tinha deixado a espada cair no chão em forma de rendição, e o homem caiu sem vida de cara no chão.
“Largou a espada... sem coragem e assassino”, pensou o guerreiro levantando a espada na direção do atacante de Crowley.
O homem bloqueou o golpe de Horace e deu um passo para trás. Horace porém não ia dar descanso para o homem.
–Vai me matar, garoto? Perguntou o assassino.
Crowley, que estava em pé vendo a luta escutou as palavras do homem e sua espinha gelou. Ele sabia que o inimigo iria perceber o erro fatal que cometera tarde de mais, assim como todos os homens que tinham pronunciado essa palavra antes.
–Você é um homem morto, resmungou o arqueiro.
Horace estava com o rosto vermelho de raiva. “odeio essa palavra”, pensou enquanto bloqueava um golpe fatal da espada do inimigo. ele De repente escutou a voz de Halt dentro de sua mente: “Nunca deixe que o inimigo veja os seus sentimentos, ou ele irá descobrir seu ponto fraco e passará a atacá-lo com ele. Mantenha o rosto impassível e ataque”.
Horace se sentiu um pouco mais forte com isso, e quando o homem viu que sua provocação não tinha dado resultado, ficou distraído. Só foi por um segundo, mas era tudo que Horace precisava.
O homem atacou com toda a força, mas a ponta de sua espada prendeu na borda do escudo de Horace, e enquanto o assassino tentava retirá-la, o guerreiro levantou a lâmina reta de cavaleiro e desceu com todas as forças que seu braço e seu corpo inteiro permitiram.
A espada do cavaleiro fez um estrago do ombro esquerdo até o umbigo do homem.
–Quem é o garoto agora? Perguntou ao cadáver no chão.
–Halt me disse que você era brilhante em batalha, mas eu sempre quis ver com os meus próprios olhos.
Horace se virou e viu Crowley parado atrás de si.
–Ele me chamou de garoto! Falou Horace incrédulo.
–E você lidou muito bem com isso, respondeu Crowley.
–Lembrei das palavras de Halt. Ele disse para eu e Will nunca deixarmos os nossos sentimentos aparecerem em batalha.
–Ele está certo, concordou Crowley. -Tenho certeza de que vocês dois aprenderam. Ah, obrigado por salvar a minha vida.
Horace sacudiu os ombros despreocupado.
–Tudo bem. Já estou acostumado a salvar vocês arqueiros de perigos, que insistem em se meter.
Crowley lançou um olhar de advertência ao jovem.
–Crowley... eu sinto muito, disse ele envergonhado.
–Eu acho bom mesmo, retrucou o arqueiro se esforçando para não rir. -Ah! Deixe isso pra lá! Vamos voltar até a clareira e dar um jeito de resgatar Halt e Will do castelo.
Os ombros do jovem caíram ao ouvir essas palavras.
–Então eles foram pegos, disse ele a ninguém em geral.
–Sim, respondeu Crowley. -Eu vi quando derrubaram Will e quando Halt foi ajudá-lo, os escoceses cercaram os dois. Depois disso nós tivemos que correr e não consegui ver mais nada.
– Eu preciso tirar os dois de lá! gritou Horace desesperado. –Halt fez um estrago no exército deles... as flechas dele estavam por todo lado! Com Will não é diferente... vão querer castigar Halt e ele não vai deixar!
–Horace! Interrompeu Crowley. -Calma. Respire, e vamos voltar para a clareira. Nós vamos tirar eles de lá, tudo bem?
–Eu... começou Horace, mas alguma coisa no olhar do arqueiro o fez se sentir mais encorajado. -Tudo bem.
E assim eles montaram em seus cavalos e seguiram em silêncio, cada qual pensando em como iriam resgatar seus amigos.
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