Rakuen PROJECT I ~ FIRST STAGE [BETA VERSION]

13 CHAPTER #6 ~ Stalkers and Madness Past - Part 1


Notas iniciais
Mais um capítulo, após milhares de anos! Kkkk Finalmente chegando à metade do FIRST STAGE (só terá 12 CHAPTERS e 12 OUTSIDE), tenho mais ecchi, intrigas, mistérios e respostas para satisfazê-los! E, bem, eu dei uma pausa aqui por causa de uma outra fic, Cold Worlds Legend, que será uma CONTINUAÇÃO de Rakuen, porém em um futuro não tão próximo. Tomara que gostem, e sem mais delongas, o capítulo!

[31/05/2013 – FRIDAY – OVERNIGHT]

Mais de um mês se passou desde o encontro duplo que tive com Yui e Hikari-san. Muitas coisas aconteceram depois, mas minha mente permanecia no passado. Todas as noites depois daquele dia eu não consegui dormir, apenas pensando no que Hikari-san me dissera...

[FLASHBACK: ON]

- Deixe os seus problemas para mim. Eu os resolverei para você. [...]

[FLASHBACK: OFF]

Suspirei pesarosamente ao lembrar. Virei para o lado na cama, tentando pegar no sono. De tanto cansaço, apaguei por poucas horas, para acordar logo com o pesadelo. É sempre o mesmo. Tomodachi tentando me matar. Sempre. Não tenho mais paz.

---ABERTURA---

[03/06/2013 – MONDAY – AFTERNOON]

Após as aulas terminarem, eu, Yami-san, Yui, Sho-chan, Chie-sensei, Hikari-san e Toshimi-senpai* fomos juntos ao clube. Chie-sensei parecia animada. A única. O clima estava tenso desde a segunda metade de abril. Ninguém se falava, porém todos queriam questionar o que acontecera naquele domingo. Todos, com exceção da professora e de minha irmã, queriam entender o ocorrido. Tomodachi... tive até vontade de chorar por ele. Por que tudo que ocorre de errado com a gente a pena é dada a ele? Muito injusto.

Ao chegar à sala do clube, Inari, Shinji e Hideo já estavam lá. Inari há muito tempo praticou bullying comigo. Shinji, o irmão mais novo de Inari, sempre o censurou, mas também sofria a implicância. Eles, em conjunto de Hideo, eram os novos membros do clube. Não concordei automaticamente com a entrada de Inari e Hideo, entretanto eles acabaram entrando. Os três nos encaravam, questionando o que iríamos fazer com olhares inquisitivos.

- Vocês devem fazer uma redação – Yami-san revelou.

- Como assim? – Shinji questionou.

- Vocês, kouhais*, devem fazer uma redação – Yami-san respondeu. – Eu preciso conhecer vocês...

- E no que essa porra vai ajudar a gente a pegar mulher?! – Inari esbravejou.

- Ei, se controla, onii-chan! – Shinji pediu.

- Qual o tema da redação? – Hideo questionou inexpressivamente.

Yami-san mordeu um lábio antes de responder. Ninguém no clube ia com a cara daquele estranho quatro-olhos, nem Chie-sensei.

- O tema é: qual foi o pior erro de minha vida e por que eu errei?

Hideo sorriu. Inari e Shinji ficaram boquiabertos.

- Interessante – Hideo comentou.

- Cara, é pra fazer, tá? Senão tá fora do clube! – o coitado do Tomodachi informou animado e zombeteiro.

- Okay, the eyes of Tower... – ele respondeu sarcástico.

- De novo esse nome... De onde eu ouvi ele...? – Tomodachi questionou-se.

- Não tente se lembrar! – gritei. Ele não podia enlouquecer. Não de novo.

- Tá... Que estranho... – ele realmente não se lembrava de nada. Isso era bom.

- Agora que lhes informei o que devem fazer, estão dispensados – Yami-san declarou. – Tenho que ter uma conversa com os mais antigos no clube. Yui, Toshiko-sensei e Toshimi-san, estão liberadas também.

Yui despediu-se rapidamente e se retirou. Parecia ter problemas a resolver em casa. A única a não ir contra a decisão da presidente do clube.

- Mas eu não... – Toshimi-senpai protestou.

- Saia desta sala. Agora.

- Sim... – ela saiu como se tivesse hipnotizada.

- E por que eu tenho que sair? – Chie-sensei questionou.

- Este é um assunto particular. Por favor... – Yami-san insistiu.

- Se você ia falar sobre isso... – Tomodachi puxou as gases de minha testa – ela já sabe. Né, Toshiko-chan?

- V-você devia me tratar com mais respeito! E-e-e-eu sou sua professora!! – ela gaguejou após hesitar por um momento. – Mas sim, você me contou...

Yami-san e eu engolimos em seco.

- E-eu... – a sensei tentou dizer.

- Tomodachi... – interrompi com o chamamento.

- Que foi?

- Saia agora! – gritei irado.

- O quê?

Respirei fundo e diminuí o tom de voz levemente:

- Depois eu quero conversar com você. Mas agora não.

Mesmo contrariado, retirou-se da sala. Suspirei e sentei em uma cadeira. Yami-san também sentou-se. Chie-sensei levantou as sobrancelhas, como se houvesse lembrado algo, e inquiriu:

- Shizuka-kun, posso te perguntar uma coisa sobre isso na sua testa?

- Sim... – respondi.

- Essa marca muda o comportamento das garotas, certo?

- Sim...

- Como? O que ela faz?

- Ela... – fiquei em dúvida se devia falar ou não. Olhei para Yami-san por alguns segundos. Sho-chan, Hikari-san e Chie-sensei franziram o cenho. A presidente fez uma Nice Pose, e acabei sorrindo. – Ela altera o autocontrole das garotas que já têm uma certa paixão por mim, deixando-a loucas por minha pessoa. Simplesmente a marca aumenta o que já existe dentro de vocês.

- Então... estou feliz...

- O quê?

Ela andou em minha direção. Sho-chan deu um passo, e Hikari-san deu dois, formando as garras. Chie-sensei sentou no meu colo e revelou com os lábios próximos aos meus:

- Meus sentimentos por você, desde sempre, foram reais.

Eu estava sem fala. Ela tocou na marca da “maldição do amor” e continuou depois de uma pequena pausa:

- Eu agradeço a ela por isso. Assim posso me aproximar de quem amo...

As garotas atrás dela não aguentavam mais. Quando pensaram em atacar a professora, a presidente do clube interviu com uma pergunta:

- Por que estão tão iradas? Esse é o Rakuen PROJECT, e vocês concordaram com isso...

- Mas... – Hikari-san protestou – Eu não concordei!

- Ao entrar no clube você concorda automaticamente.

- Sua...!

- Mas não concordamos em colocar Chie-sensei no plano! – Sho-chan revelou – Ela seria apenas a conselheira para firmar o clube!

- Não... – Yami-san começou – Você não prestou atenção quando eu disse que ela poderia, quem sabe, participar do plano? Então não dê argumentos imprecisos, pois eles perigosos para você.

Sho-chan mordeu um lábio. Mesmo que Yami-san não estivesse falando a verdade, ninguém gostava de discutir com ela. No diálogo, os argumentos dela sempre ganham. Hikari-san desfez as garras e soltou um suspiro. Por algum motivo, Yami-san voltou atrás:

- Mas sensei... Esse não é um comportamento digno de uma professora...

Ela ficou encabulada e pulou do meu colo.

- Me perdoe, Shizuka-kun... Eu... – ela sussurrou para mim sem conseguir me encarar.

- Eu não tenho direito de escolher quem você vai amar ou não, mas tente esconder de todos se for um romance com um aluno, ok? – Yami-san concluiu.

- Okay... – Chie-sensei conformou-se, sentando na cadeira designada a ela com uma expressão depressiva e constrangida.

- Ah, e Chie-sensei! – chamei-a, lembrando-me de algo – A marca não está mais funcionando desde o meu encontro com a Yui, que foi em abril.

- O QUÊ?! — todas exclamaram.

- Hmmm... Interessante... — Yami-san comentou. – Mesmo que a marca não esteja ativa, todas continuam próximas a você...

Engoli em seco. As garotas arregalaram os olhos rapidamente, mas logo Sho-chan rebateu:

- Mas nós sempre amamos ele! Não é por isso que a maldição funcionava na gente?!

- Sim... E é por causa dela que vocês aceitaram fazer todas aquelas coisas constrangedoras para agradar o Arashi... – Yami-san informou, soltando uma risada fraca em seguida.

As garotas enrubesceram. Após alguns segundos de silêncio mortal, Hikari-san deu um passo para frente e declarou, desviando o olhar e mais corada que as outras:

- Comigo foi diferente... Eu... Não tentei fazer nada pervertido com ele. Apenas... Apenas estávamos juntos...

Ela estava quase chorando. Abracei-a, saindo da cadeira em um salto, e sussurrei em seu pequeno ouvido esquerdo:

- Tudo bem. Você é diferente delas... Se acalme...

Lágrimas quase caíram de seus delicados olhos púrpuras. Ela se sentia culpada, até mais do que as outras garotas. Era para eu ensiná-la sobre as relações entre as pessoas, contudo, os momentos que a menina passou ao meu lado apenas serviram para minar discórdia em minhas relações com as outras garotas do clube, e Hikari-san entendia isso muito bem. Depois que se acalmou e conteve o choro iminente, sugeri que ela se sentasse. A mesmo obedeceu, e então pedi que todas se sentassem também. Obedeceram, e então, após relaxar e respirar fundo, comecei:

- Irei contar para vocês o que aconteceu naquele dia em que eu saí com Yui e Hikari-san...

- Não! – Hikari-san cortou-me, erguendo um braço.

- Eu preciso esclarecer as coisas... Até porque nem mesmo eu entendo o que está acontecendo direito... E nem mesmo Tomodachi pode nos ajudar...

- Nos conte os detalhes – Yami-san ordenou com a voz serena e um olhar inquisitivo e perfurante.

- Tudo bem. O que aconteceu foi...

Contei a elas o que aconteceu, e ninguém me interrompeu...

[FLASHBACK: ON]

[...]

Nesse momento, Tomodachi enfiou os dedos indicador e médio direitos, cada um em um olho.

-O que está fazendo?! – berrei.

-Cuidado! – Jiki gritou [...], jogando-se em cima de mim com os braços abertos e derrubando-me no chão.

Quando caí no chão, Tomodachi disse:

-Não se preocupe, Arashi. Logo resolverei isso...

Ele começou a apertar os dois olhos até um nível em que lágrimas de sangue começaram a escorrer.

-A lente finalmente saiu...

-ABAIXE A CABEÇA! – Jiki ordenou-me.

-Tarde demais – Tomodachi informou. – GEAS!

Uma explosão de luz consumiu o local, e nesse momento perdi momentaneamente os sentidos. Ao recuperá-los, Tomodachi flutuava a poucos metros do chão, e uma espécie de engrenagem de ouro girava lentamente atrás dele. Atrás da engrenagem viam-se milhares de placas brancas formando um cilindro, parecidas com papéis, só que bem grandes. Eu estava dentro de uma redoma de energia, ao lado de Tomodachi. Jiki estava a metros de distância, cheio de cortes e com os óculos trincados e as roupas, rasgadas. Antes eu não havia notado, contudo estávamos envoltos por barreiras, nas quais pareciam limitar o espaço onde poderíamos ir. Só as notei porque, após a explosão de energia, elas racharam.

Jiki levantou-se do chão lentamente enquanto a fumaça envolta de si dissipava-se. Com a queda, ele acabou destruindo a entrada dos banheiros. Mesmo assim, estava sem nenhum osso quebrado. Ao se levantar totalmente e me ver preso na redoma, gritou:

- Solte-o agora! – e ajeitou os óculos quebrados em seguida.

- Ahhn~... – Tomodachi estava com os olhos para cima, sem se mover. Alguns segundos depois, desceu-os, e eles se revelavam vermelhos-sangue. – Vou... TE MATAR!!

Jogou as mãos para frente, e então milhares de lanças e espadas surgiram do nada e voaram até Jiki, que se desviou de todas com uma alta velocidade e estava se aproximando de Tomodachi. Ele estava com uma mão parada com todos os dedos juntos e esticados, como uma espátula. Aquilo não me cheirava bem, por isso gritei:

- Pare, Jiki! Isso... você pretende matar ele?!

- Se ele está tentando me matar...

Repentinamente ele surgiu a centímetros de mim e Tomodachi. Tocou a testa dele, e o mesmo se acalmou. Aos poucos, as engrenagens e as placas foram caindo e sumindo, e no final ele mesmo caiu. Em seguida, senti uma energia se acumulando na mão-espátula de Jiki. Quando ambos pararam de flutuar, Jiki ergueu Tomodachi com uma mão e, com a outra, tentou perfurar o coração de meu melhor amigo. Eu não podia permitir! Nesse momento, palavras vieram a minha cabeça e eu apenas as repeti:

- GEAS in Base Form... AWAKE!

Ocorreu outra explosão de energia, menor que a de Tomodachi, e em seguida consegui usar não só uma como cinco correntes mágicas para segurar Jiki antes de ele perfurar o coração de meu amigo com sua lâmina espiritual.

- Não deixarei que mate meus amigos!

- Mas ele iria te matar a qualquer momento! – Jiki rebateu nervoso.

- Como assim?! – franzi o cenho.

Ele está mentindo, certo?”, pensei.

Entretanto não estava. Tomodachi sorriu, e, ao abrir os olhos, causou outra explosão, e, se não fosse por Jiki, eu teria morrido. Ele correu em minha direção, arrastou-me pela barriga e me levou até o alto da barreira, criando um piso de energia abaixo de nós. No chão, após uma fumaça negra se dissipar lentamente, estava um homem alto, de quase dois metros de altura, totalmente preto como carvão, com olhos vermelho-sangue e uma aura assassina imensa. Ele estava curvado, como se estivesse se levantando. Ao se erguer totalmente, “cortou” a fumaça movendo o braço direito e, após fazer isso, gargalhou macabramente por meio minuto. Engoli em seco. Aquele... era o Tomodachi?!

- Ele não é o Tomodachi que você conhece – Jiki informou. – Na verdade, Tomodachi é só...

- Sim, Tomodachi não existe!! – o ser negro lá em baixo gritou. – Eu sou... Shinraisei Tekki*!

- Tekki?! – estranhei após engolir em seco. – Que contradição ao outro nome...

- Com certeza... – Jiki concordou. – Oh, ele está vindo!

“Tekki”, com apenas um salto, alcançou-nos e destruiu o piso mágico de Jiki com as mãos nuas. Antes de ele chegar, porém, Jiki saltou e me tacou na direção do monstro. Após ele destruir o piso, peguei um estilhaço e guardei em um bolso. Em seguida, usei as correntes para me sustentar e prender Tekki.

- O que deu em você, cara?

Ele riu pavorosamente novamente, e, depois que se acalmou, simplesmente respondeu:

- Eu vou destruir a farsa que me cerca...

- O quê?! – estranhei.

- Eu vou destruir tudo o que me prende... Eu vou matar todos que pertencem a minha falsa realidade! Só assim... – as correntes começaram a trincar e amassar... – SEREI LIVRE!!

Destruindo as correntes, ele começou a cair rapidamente. Entretanto, enquanto caía, agarrou-se a uma de minhas correntes e começou a escalá-las. O olhar dele era assustador. Seu sorriso cínico me fazia tremer. Ele iria me matar. Antes que eu fizesse a corrente que ele escalava desaparecer, Jiki cortou-a com sua lâmina espiritual, surgindo do nada acima de Tekki.

- Seu filho da puta! – Tekki xingou.

- Tenha cuidado ao xingar deuses... – Jiki advertiu.

- O quê?! – ele estranhou, e então a gravidade agiu sobre ele.

E, enquanto caía, um relâmpago surgiu, atingindo-o em cheio. Só pude sentir as correntes mágicas sumirem, e eu ser lançado para longe, além de perder os sentidos por algum tempo. Senti a gravidade me puxando para o solo. Assim que eu batesse, poderia me considerar morto. Talvez eu morresse antes de chegar ao chão. No entanto meu fim não veio tão cedo.

Perto de chegar ao chão, já destruído pela batalha e pelo relâmpago, eu fui salvo por uma garota baixa, de braços finos, e cabelos e olhos púrpuros. Ela estava chorando. Ela pulou, pegou-me no ar em seu colo e então correu um pouco em saltos, deixando-me bem longe de Tekki.

- Desculpa por isso, Hikari-san... Eu...

- Deixe os seus problemas para mim. Eu os resolverei para você – ela interrompeu, sem me olhar diretamente.

- Mas...

Ela formou as garras e, após secar as lágrimas com um braço velozmente, deu um impulso e correu novamente saltitante até Tekki. Era impossível impedi-la. Ou melhor, era impossível eu fazer algo, mesmo usando meu GEAS... Eu... era um inútil. Mesmo assim, Jiki acreditava que eu fosse capaz de algo, pois apareceu atrás de mim e sussurrou:

- Tudo bem... Logo você verá a sua utilidade, Beloved King...

Suspirei e, depois de abaixar a cabeça por alguns segundos, olhei para frente. A fumaça causada pelo relâmpago havia se dissipado, dando lugar a uma luta sangrenta entre duas criaturas selvagens: um ser com uma segunda pele negra em frangalhos devido ao ataque divino, e uma garota púrpura-metálica que lutava freneticamente. Usando os dois braços, Hikari-san aos poucos ia destruindo a carcaça preta que envolvia Tekki. Ao mesmo tempo, a garota perdia a roupa cada vez mais, pois os contra-ataques do albino-negro eram feitos por suas poderosas garras, tais que conseguem passar parte da defesa da poderosa guerreira lolita. A cada golpe deferido contra Hikari-san, eu podia sentir os cortes em minha pele, o frio da seminudez, a vergonha, a valentia... Só de olhar. Com o passar do tempo, os dois começaram a ignorar até mesmo a própria vida, se fosse necessário para derrotar o outro. Com golpes suicidas, ou seja, totalmente livres para o contra-ataque, ambos se trucidavam em uma batalha que deixava um rastro de sangue e cinzas – da carcaça negra – em volta deles. Em certo momento, Jiki arregalou os olhos e me levou até eles. Foi alguns segundos antes de Tekki empalar o abdômen de Hikari-san, que, assim como um gracioso lírio ao morrer, murchou e caiu. Após o espirro rubro poético formar uma poça para o réquiem da jovem, Tekki gargalhou diante do inimigo derrotado com os braços abertos. Naquele momento ele retornara a ser albino totalmente, porque a baixinha não facilitou a batalha para o mesmo. Contudo, ela foi derrubada. Ela quase morreu. Quase. Fingindo-se de morta, o lírio moveu-se sagazmente na hora em que o oponente virou as costas para ela e, puxando-o pelo pé, o mesmo caiu no chão, e enquanto descia, seus olhos encontraram os meus, assustados, apavorados, pasmos. Ele sorriu, e então Jiki me empurrou. Por instinto, coloquei um braço na frente do corpo para não me machucar na queda. A “maldição do amor” reagiu ao GEAS de Tekki/Tomodachi. Ela começou a brilhar e, sozinho, meu braço tocou os olhos dele, e então selos e circuitos mágicos começaram a surgir no chão e no ar a nossa volta.

- Reativar selo: Inversão de personalidade! – Jiki declarou, e então os selos de Tomodachi, que eram as lentes de contato pretas, voltaram aos seus olhos.

Depois que o selamento foi refeito, eu e ele perdemos a consciência. Antes de o mundo se apagar para mim, todavia, vi Jiki sorrindo maquiavelicamente para mim e Tomodachi.

***

Algumas horas depois acordei em minha cama, e Hikari-san dormia ao meu lado, abraçada ao meu braço direito. Ela havia babado nele, e a noite já imperava sobre o Japão. Poucos segundos após eu acordar, Sho-chan, Junko-neechan, Yami-san e até Chie-sensei estavam na porta do quarto, boquiabertas.

- Bonito isso! – Sho-chan exclamou roxa de ciúmes depois de um momento de silêncio.

- E-eu posso explicar! – gritei em resposta desesperado. Meus olhos estavam esbugalhados, e, sem pensar, sentei-me na cama, quase levantando dela, e me desvencilhando dos braços da loli ao meu lado.

Hikari-san acordou por causa do meu movimento, e, após limpar os olhos do sono e das remelas, olhou para frente e viu as garotas furiosas. Ainda inexpressiva, encarou-me algum tempo depois e cutucou minha clavícula.

- O que foi? – inquiri-a curioso.

- Por que elas estão bravas com a gente? – ela questionou naturalmente.

- Ah! – deixei escapar.

- Nós o amamos e nos esforçamos ao máximo para conquistá-lo, e você, que tentou matar ele, consegue dormir junto com ele TÃO FÁCIL! – Sho-chan afirmou com uma fúria, ciúmes e decepção indescritíveis em sua voz e face. As outras garotas assentiram com a cabeça, olhando para o piso. – Você, Ara-kun, é tão... IDIOTA!

Sho-chan avançou em minha direção e iria me socar, entretanto, antes de seu punho me acertar na bochecha, segurei-o em movimento. Ela franziu o cenho. Mudei meu semblante de confuso para sério, retesando os músculos do meu rosto. Olho no olho, invadíamos a mente um do outro, procurando satisfazer nossas dúvidas. Um momento longo de silêncio mortal ecoou pela casa, onde não se ouvia apenas a respiração das pessoas que estavam em meu quarto. Todos estavam tensos. Ninguém ousou dizer uma única palavra. Esperávamos por um desfecho satisfatório, e, quando tomei coragem, quebrei a sinistra magia que rondava-nos com apenas uma palavra.

- Shoujo...

Os olhos de Sho-chan brilharam ao ouvir seu nome próprio. Pela primeira vez a chamei daquela forma, e nunca imaginávamos que iria soar tão bem aos ouvidos.

- Shoujo, eu não sabia que ela estava dormindo ao meu lado. Eu estava no encontro com Yui e ela também apareceu lá... Eu não entendo ela...

Hikari-san arregalou os olhos, e pela primeira vez vi alguma expressão naquele delicado rosto. No entanto aquela não era a das melhores. Ela estava assustada, abismada consigo mesma. Não podia crer no que estava fazendo. A garota sentia culpa. Remorso. Dor. Depois do susto, encolheu-se no canto da cama.

- Eu... atrapalhei tudo... Eu... atrapalhei o amor das garotas pelo Shizuka Arashi... Eu... – Hikari-san começou a sussurrar.

- Hikari-san...! – chamei-a, virando o rosto para ela. A loli pareceu não ouvir meu chamado. Fiquei preocupado.

- Deixe-a para lá – Sho-chan ordenou. – A mesma está assumindo o que fez. Ela tem que ter um tempo sozinha.

- Mas...!

Sho-chan desvencilho-se de mim. Suspirei pesarosamente. Encarei o piso por algum tempo e, depois de pensar em algo, levantei o rosto.

- Shoujo, eu sei que essa idéia de harém é absurda. E... acho que estou desistindo. É confusão demais...

Ninguém reagiu.

- Mas antes disso... – continuei, pausando por um breve momento. – Eu tenho que escolher uma. Eu não sei quem, mas... Acho que já tenho uma ideia.

Puxei o braço de Sho-chan, levantei da cama em um salto e, antes dela cair sobre mim com a surpresa, segurei-a pelos ombros e selei nossos lábios gentilmente, umedecendo-os com minha língua e, lentamente, abrindo passagem para a boca da menina, que, apesar de estar irritada comigo, correspondeu ao beijo em lágrimas minúsculas e frias. As garotas atrás dela arregalaram os olhos e ficaram boquiabertas. Entrelacei a minha língua dela, e a mesma correspondeu, iniciando uma valsa comigo. Nossos batimentos cardíacos, mesmo que gritantes, estavam sincronizados com a dança. Trocávamos fluidos corporais e espirituais. Nossos corpos, cada vez mais unidos por um abraço gentil, se aqueciam em um nervosismo sem fim. Nossas almas estavam conectadas pelo prazer em amor, e não queríamos que aquilo acabasse. A cada movimento, mais sentíamos um ao outro, mais nos entendíamos, mais nos perdoávamos. E, quando estávamos praticamente sem fôlego, separamo-nos lentamente, quebrando silenciosamente nossa ligação física, porém reforçando nossos laços afetivos e invisíveis a todos. Ao recuperar o ar em meus pulmões, anunciei:

- Enquanto eu não me decidir, farei com todas sejam as garotas mais felizes do universo.

Todas sorriram. Sho-chan desviou o olhar, envergonhada e ainda em prantos. O silencioso choro era uma mistura de culpa, raiva e contentamento.

- Finalmente... foi sincero... – ela sussurrou.

- O quê?! – questionei sem entender na hora.

- Nada, nada! – ela disfarçou com as mãos em frente ao rosto em movimento, a fim de esconder seu constrangimento.

Tive um insight, e então descobri o que ela disse, lembrando-me daquele dia em que enlouqueci devido à droga mortal dos Yami... Senti minhas bochechas e maçãs do rosto queimarem e acabei desviando o olhar também.

- Ei, eu também quero um beijo! – Chie-sensei pediu.

- Eu também! – Junko-neechan pediu.

- Hã?! – estranhei, fazendo com que o constrangimento entre mim e Sho-chan passasse. – A sensei também?! Como assim?!

- Ei, ei – Yami-san interrompeu. – Não podemos esquecer que algo aconteceu no encontro de Yui e Arashi. Noivo, me diga o que aconteceu.

O ar dos meus pulmões se esgotou rapidamente, e eu comecei a sufocar. Lembrei-me daquilo rapidamente, e tive uma crise. “Tomodachi tentou me matar. Ou melhor, ele nem é quem eu pensava ser”, esse era o pensamento terrível e assombroso que percorria por minha mente naquele momento. Depois disso, decidimos não falar mais sobre o assunto.

[FLASHBACK: OFF]

- Então foi isso... – Yami-san disse.

- Exatamente, rainha! – uma voz assentiu, e então um par de mãos começou a apalpar os seios dela.

Ela gemeu baixo, e depois questionou:

- Como você consegue ser melhor que o Arashi, Hideo?

Ele parou e saiu de trás dela, mostrando sua face para nós e provando que a intuição de Yami-san estava certa.

- C-como... você adininhou?! – questionei-a.

- Ora, só ele poderia entrar nessa sala sem ser notado! – Yami-san respondeu quase em tom zombeteiro.

- Bem, isso é verdade... – ele concordou. – Enfim, vou explicar para vocês o porquê de a maldição de Arashi ter sido bloqueada.

- E a redação que te pedi?

- Aqui, rainha – ele colocou a folha da redação sobre a mesa dela, completamente cheia de palavras.

Ele escreveu bastante...”, pensei com os olhos esbugalhados.

- E o motivo para ele ter perdido a maldição temporariamente é simples: quando forcei-o a refazer o selo de Tekki-san, simplesmente ele fez um esforço maior do que ele podia. Por isso ele desmaiou e... sua maldição foi trancada por tempo indeterminado para que o corpo de Shizuka Arashi pudesse se recuperar.

- Como assim para o meu corpo se recuperar?

- Todas as vezes que algum amaldiçoado pelas deusas utiliza seu GEAS acaba sacrificando seu corpo e alma no processo. Se usar por tempo demais, você morre. Pelo tempo que você ficou usando, poderia ter morrido. Por sorte não usou muitas habilidades especiais e magias, porque senão... – ele parou, fazendo com que cada um concluísse o final da frase.

Engoli em seco. Não sabia que o GEAS era tão perigoso. E ele não tinha dito isso antes.

- De qualquer maneira... Só as que realmente amarem o Arashi que se manterão nesse clube bizarro... O resto irá sair com o tempo – Hideo concluiu.

Estremeci. Ele disse a mesma coisa para mim, só que de outra maneira, anteriormente. Como esse quatro-olhos pode ser tão corajoso? E... como esse cara pode ter tanta certeza no que fala?

- Como assim?! Isso não é verdade! – todas as garotas berraram em uníssono, menos Yami-san, que estava rindo no fundo.

- E o que VOCÊ faz aqui?! – Sho-chan questionou gritando.

- Estou de olho em Shizuka Arashi, preciso vigiá-lo.

- Por quê?!

- Isso é segredo – piscou em seguida para ela.

Ela rangeu os dentes em fúria.

- Quer saber, já chega por hoje! – Sho-chan gritou furiosa.

- Podem sair... Estão liberados hoje! – Yami-san declarou, e todas saíram.

Enquanto passava por mim, Hideo sussurrou em meu ouvido:

- Lembre-se do que lhe disse ao entrar no clube.

- Sim... – respondi solenemente.

Yami-san arqueou uma sobrancelha em dúvida. Saímos, Hideo sumiu novamente, e, por poucos segundos, vi Chie-sensei parada no meio do corredor, com os olhos vermelhos... Quando me viu, sorriu malvadamente e sumiu, assim como Hideo. Tive um calafrio. Repentinamente Chie-sensei, que saía junto de nós, tocou meu ombro e inquiriu:

- Você está bem?

Encarei-a assustado. Ela não poderia ter se teleportado tão rápido. Não, ela estava do meu lado quando a vi no meio do corredor... Isso não fazia sentido algum.

- Existem... duas de você, sensei?

- O que está dizendo, Shizuka-kun? Eu... – ela parou de repente de falar. Tirou os óculos e então reiniciou a fala. – Shizuka-kun, eu tinha uma irmã gêmea.

Meu sangue congelou na mesma hora. Comecei a tremer de nervosismo.

- Mas... – senti um pequeno alívio temporário. – Ela morreu em meus braços há vários anos...

Os calafrios voltaram, porém mais intensos. Eu não parava de tremer. O terror dominava minha mente e corpo. Eu estava confuso e apavorado.

- A não ser que, na verdade... Ela tenha sobrevivido e... Não, não é possível. Eu fui ao enterro dela e, antes de colocarem o caixão lá em baixo, eu joguei flores para ela!

Engoli em seco e arregalei os olhos por um momento ligeiro.

- Mas por que você perguntou se haviam duas de mim?

Como se um raio me atingisse, meu corpo tremeu inteiro e então, irracionalmente, empurrei-a e saí correndo. Com os olhos arregalados e o coração descompassado, eu... fugia de minha realidade e de um fantasma. Em vão.

- Aonde você vai, Arashi? – Hideo inquiriu quando eu saí do prédio da escola. O mesmo surgiu atrás de mim.

- Para casa... – parei e respondi, ainda trêmulo.

- Está com medo?

O garoto de óculos e cheio de mistérios novamente adivinhou como eu estava, e, ainda sem pensar, corri de sua presença. Em vão.

- Por que está fugindo de mim? – o quatro-olhos surgiu na minha frente com um sorriso folgado na face.

- SAI DA MINHA FRENTE! – gritei em lágrimas e o empurrei.

Corri o mais rápido que pude sem olhar para trás. Enquanto corria, lembrei-me do primeiro dia em que Jiki Hideo, Kakoii Shinji e Kakoii Inari entraram no clube.

[FLASHBACK: ON]

[06/05/2013 – MONDAY – AFTERNOON]

Enquanto Yami-san e Chie-sensei preparavam uma papelada para o festival que estava próximo, e cada um usava seus celulares sem se comunicar; Jiki, o quatro-óculos mais estranho da escola e que induziu a nossa batalha contra Tomodachi, junto dos irmãos Kakoii, Sihji e Inari, entraram na sala do clube.

- O que você tá fazendo aqui?! – questionei surpreso, apontando para Jiki e praticamente gritando.

- Eu serei o novo membro do clube – Jiki respondeu simplesmente.

- Tudo bem! – Tomodachi assentiu, animado por ter um novo membro e sem se lembrar do que aconteceu por causa do selo. – É só fazer uma carta de cadastro no clube!

Yami-san fez uma cara que dizia: “Esse cara é muito suspeito...

É melhor eu deixar ele entrar e só observar por enquanto...”, pensei.

- E vocês, Inari e Shinji, o que fazem aqui? – perguntei-os em seguida.

- Claro que eu vim pra te zoar, seu fodido! – Inari, o cara que me zoou muito no passado, bufou.

- Onii-san, para com isso! – Shinji, o irmão mais novo, passivo e da paz de Inari, interveio. – Fala o que você realmente veio fazer!

- Shinji, você é muito chato – o irmão mais velho rebateu. – Larga disso!

- Mas...

- Vai se foder.

Eles começaram a discutir, todavia logo Yami-san interrompeu-os.

- Parem com essa baderna! Se vão entrar no clube, é para respeitar as regras! – ela apontou para um mural onde haviam algumas regras escritas.

- O quê?! Pode ter “pegação” aqui?! Como assim?! – Inari bufou.

- Esse clube foi feito em homenagem ao meu marido, Shizuka Arashi.

- AH! – deixei escapar. Ela tinha que dizer isso na frente do Inari?!

- Tá mas... – ele começou.

Ele não surtou?! Como assim?!”, pensei confuso.

- Vocês vão mesmo me ensinar a pegar garotas como ele? – Inari questionou levemente constrangido e colocando desprezo no pronome destacado.

Ah, então ele tá carente... Tá explicado!”, pensei aliviado e sorrindo maliciosamente.

- Sim! – Yami-san respondeu. – Venham por aqui para fazerem as inscrições...

Eles preencheram as cartas de inscrição, e então Yami-san os informou que os três deveriam entregá-los na direção. Os três assentiram com a cabeça, sincronizados. Inari e Shinji andavam na frente, e Jiki atrás. Ao passar por mim, ele parou e sussurrou para mim:

- Sua maldição parou por causa daquele dia. Fique atento. Se ela demorar demais, Yami Tsuki ou outra pessoa te matará. Ela... não está do seu lado. Além disso, somente a garota que realmente te ama ficará ao seu lado. Não a perca de vista. E... me chame de Hideo. É mais fácil para nos comunicarmos... Arashi.

Engoli em seco. Ele sorriu maliciosamente e continuou andando.

[FLASHBACK: OFF]

Não sabia em que ou no que confiar. Yami-san, ao me conhecer, me amaldiçoou. Besteira minha pensar que, em algum momento, ela tinha boas intenções. Tomodachi tentou me matar porque todos nós que declaramos como “seus amigos” prendem sua verdadeira personalidade como o selo que eu refiz. Hideo é simplesmente uma Black Box que pode explodir se for aberta. As outras garotas... será que... será que apenas a “maldição do amor” as manipulou e que, na verdade, elas tivessem apenas uma paixão passageira por mim, e por isso foram seduzidas pela marca maldita?

No final das contas, minha vida se tornou uma mentira no dia em que conheci Yami Tsuki.

Ela é a culpada pelo sofrimento de todas as garotas do clube e do meu também.

Ela está fazendo o Tomodachi sofrer também, assim como eu e todos que o cercam e, consequentemente, prendem-no.

Hideo não é a pessoa mais confiável, né? Mesmo assim, ele chegou ao ponto fraco de meu ser no dia em que entrou no clube: eu nunca deveria ter confiado em Yami-san.

Eu não tenho mais ninguém... Para me ajudar a sair dessa. Não, melhor. Eu mesmo escolhi isso... Eu... Eu mesmo me afundei pela minha perversão extrema. Eu... não mereço viver...”, divagava suicidamente enquanto corria do invisível e insistente angústia que batia as portas de minha alma.

---ENCERRAMENTO---

Na porta de minha casa não havia ninguém. Pelo menos eu não vi alguém. Entretanto, com braços quentes e gentis, uma garota de óculos e aparência estudiosa e tímida, com roupas simples e sem ligar para a aparência, além de ser extremamente fofa em seu jeito humilde, abraçou-me e confortou meu ser com uma simples frase em sussurros em meu ouvido:

- Pode chorar em meu colo e peitos, pois eu sempre estarei ao seu lado, Ara-kun.

As lágrimas não resistiram mais. Elas desceram como uma torneira que acabara de ser aberta. Meu coração foi amparado pela verdadeira pessoa que me ama. Eu não deveria decepcioná-la mais do que já fiz.

JIKAI:

Arashi: Em um passado não muito distante, eu conheci a garota que, anos depois, salvaria minha alma. Mesmo assim, eu não a reconheci como “a melhor de todas”. E, por mais que não tenha sido aceita, ela continua me amando...

PRÓXIMO: CHAPTER #7 ~ STALKERS AND THE MADNESS PAST – PART 2

Notas finais
Bem, mudei o termo sempai para senpai, pois o m acabou sendo uma adaptação brasileira ferrada, então é melhor deixar o mais próximo do japonês :P

Vocabulário:

-kouhai: novato em japonês. Contrário de senpai.
-senpai: veterano em japonês.
-Ok, the eyes of tower: Ok, olhos da Torre em inglês.
-Tekki: Inimigo em japonês.