Notas iniciais
Hum... não sei se devo pedir desculpas, mas mesmo assim... Desculpem-me pelo atraso e espero que tenham uma boa leitura. Me custou muito para conseguir escrever este capítulo então espero de coração que gostem dele.

Capítulo 11 – Ligação

Estava acordado fazia meia hora. Seu coração estava acelerado e ele resistia à vontade de olhar para o rosto de Raiane. Suspirou levemente enquanto controlava sua respiração. Quando acordou e viu Raiane deitada em seu tórax achou que seu coração iria explodir.

Ismael olhou finalmente para baixo e sentiu-se um pouco aliviado – e decepcionado – ao encontrar uma massa de cabelos negros. Sua mão direita parecia mover-se contra sua vontade e tocou o cabelo dela. Eram macios, mas não brilhava, ele reparou e assim que moveu seus dedos o cheiro do xampu dela encheu suas narinas.

Eu poderia ficar assim para sempre, ele pensou e percebeu que seu coração não batia tão rápido agora. Ele não sabia por que, mas Raiane tinha um efeito calmante, mas ao mesmo tempo conseguia elevar a adrenalina de seu corpo o que tornava sua existência um paradoxo.

Fechou os olhos novamente imaginando como teria sido sua vida até agora sem Raiane. Como uma mulher mudara sua vida tão drasticamente a ponto de ele não conseguir se imaginar sem ela?

Ismael não tinha certeza de qual era a resposta e, sinceramente, ele não se importava nem um pouco.

– Estou acordada, sabia? – ela murmurou e Ismael tirou sua mão da cabeça dela imediatamente. – Isso não quer dizer que precisa parar.

Ismael havia sido pego e estava muito surpreso, mas voltou a mexer nos cabelos dela. Ele a sentiu suspirar e se questionou que tipo de suspiro teria sido aquele, mas antes mesmo de chegar a uma conclusão ele sentiu seus olhos pesarem novamente.

– São sete horas da manhã ainda – ela disse e levantou a cabeça de modo que seus olhos se encontrassem. – Pode dormir novamente.

Ele respirou fundo, passou a mão no rosto e piscou algumas vezes. Esperou alguns segundos e disse com uma voz pesada.

– O que vai fazer?

– Tenho que adiantar algumas coisas já que faz alguns dias que não vou a faculdade – ela se levantou e sorriu para ele (um sorriso lindo) – vou fazer algumas ligações também, mas não farei muito barulho então volte a dormir.

– Mas... – ele foi interrompido pela mão de Raiane tampando sua boca.

– Sem “mas” – ela disse arqueando uma sobrancelha. – Apenas faça o que estou mandando... Pirralho.

Ismael franziu o cenho em resposta ao apelido e antes que pudesse retrucar ela saiu do quarto deixando-o com seus pensamentos a mil. Ismael suspirou e sorriu enquanto fechava os olhos. Ela está sorrindo muito mais.

...

– Ok. Mas poderia acelerar este processo, por favor? Estou atolada com tanto material e preciso desta lista o mais rápido possível – ela apoiou os cotovelos na mesa. – Sim, agradeço a atenção.

Desligou o celular e xingou mentalmente todos os responsáveis pelo atraso das documentações que a estão atrasando. Levantou-se da mesa da cozinha e pegou a torrada e a colocou num prato. Seu celular tocou e não olhou o número simplesmente foi falando.

– Já está pronto? Isso foi realmente rápido, obrigada.

– Raiane?

Ah merda. Era a sua mãe. Raiane vinha ignorando todas as ligações dela e tinha jogado todo o seu trabalho pelo lixo.

– Estou ligando desde as oito da manhã e sempre desliga!

– Desculpa mãe, estou ocupada fazendo algumas ligações para a faculdade – não era mentira, mas também não era verdade. Tinha desligado por que queria.

­– Hum... Entendo ­– houve uma pausa desconfortável até que Raiane perguntou o porquê da ligação. ­– Eu só queria saber se estava bem.

– Apenas isso? – este não era um bom motivo. Sua mãe nunca ligara apenas para saber se estava bem.

– E para lhe pedir algo. ­– Ah. Agora sim. – Você ainda está com aquele menino?

Menino? Deveria estar falando de Ismael, não conseguia lembrar-se de mais nenhum menino.

– Fala do Ismael?

– Sim, ele está ai? – Raiane negou, não era mentira. Ele não estava na sala. – Ufa, achei que estivessem morando juntos. – Opa. – Bem, eu gostaria de pedir para que não a visse mais.

Mais que pedido idiota era aquele? Não fazia sentido algum e que motivo ela teria para pedir algo assim? A única vez que tinham se encontrado foi no funeral e... A menos que Ismael tenha falado algo. Droga.

– Não vejo sentido neste pedido, mãe – respondeu mantendo sua voz calma como sempre. Não sabia ela que Ismael tinha acordado e estava escutando a conversa. – Não vejo motivo algum para não vê-lo.

– Talvez você não perceba Raiane, mas aquele garoto só quer seu mal!

– Mas o que... – ela não estava entendendo nada que sua mãe estava falando e isso começou a irritá-la. Quem ela pensava que era para dizer algo assim?

– Você não percebe, pois é muito ingênua! Não sabe nada da vida, nunca teve um namorado que prestasse e agora que encontrou um menino mais novo, bonito não consegue ver suas verdadeiras intenções.

Raiane estava muito abismada com o que estava ouvindo e sentiu suas bochechas queimarem diante de tal insulto.

– E que fundamentos você tem para dizer isso!?

– O... O que? Fundamentos?

– Sim – Raiane estava muito irritada. – A senhora sabe o significado de fundamentos, não é?

– Bem... Eu...

– Ué? Deve haver algum, não é? Ou só por que ele é mais novo do que eu você acha que não há possibilidade, chance alguma de se interessar por mim? É isso, não é?

– Eu... – a voz de sua mãe começou a fraquejar. – Eu apenas quero o seu bem.

– Mas que... – Raiane não conseguia acreditar no que ouvia. – Mas que ultrajante!

– Raiane, não percebe que mudou depois que...

– Não se atreva a dizer que ele me mudou! – Raiane teve vontade de socar algo. – Você nunca reparou em mim para ter o direito de fazer alguma comparação!

Ismael havia saído de trás do batente da cozinha e começou a observar Raiane. Queria interferir (estavam falando dele, afinal) , mas não tinha o direito de fazer isso. Não podia fazer isso.

– Está dizendo que não a amei o suficiente? – sua mãe gritava.

– Eu nunca disse isso! Você que está falando isso! Nunca reclamei e nem pretendo fazer isso. Virei-me muito bem com a ajuda que tive de vocês e agradeço o que você e o pai fizeram. Afinal, deve ter sido horrível ter uma filha doente que não servia pra nada, certo?

– Raiane!

– Me criei sozinha desde os quinze anos e cheguei até aqui com a ajuda de Tália e não a de vocês! Então não me venha dizer com quem eu deveria sair ou por quem me apaixonar!

Raiane queria chorar, mas em vez disso fechou sua mão e socou a pia. Doeu e foi um ato patético, mas estava com raiva demais para que reparasse nisso.

– Eu e seu pai sempre a amamos vocês duas igualmente!

– Eu não duvido que tenham me amado, mas não seja tão hipócrita ao dizer que me amaram do mesmo modo que Tália. Ela sim me amava. – Raiane soltou um riso de escárnio. – Mas não admiro a sua surpresa. Eu sempre fui à filhinha doente e deixada de lado, não há como alguém realmente gostar de mim, é isso que está pensando?

– Eu... – a mãe de Raiane gaguejou novamente.

– Eu não estou dizendo que ele gosta de mim, sei que não posso afirmar isso, mas... – Raiane mordeu o lábio inferior. – Eu gosto dele e não por sua causa que vou me separar dele. Não posso dizer que ele gosta de mim, mas ele nunca teria intenções tão fúteis e vulgares. Você não faz ideia do que ele passou... E nem do que eu passei! Então não venham dar opinião em uma vida que não é sua.

Raiane começou a tossir fortemente e ouviu sua mãe a chamar do outro lado da linha, mas não a respondeu, pois Ismael entrou na cozinha desligando o telefone e segurando Raiane.

– Estou bem – ela repetia, mas ele não parava de fazer perguntas sobre o que estava sentindo. – Ei, a enfermeira aqui sou eu.

– Ah sim, tem razão – ele estava envergonhado e quis fugir quando Raiane percebeu (de verdade) a sua presença ali.

– Perae. Você estava escutando a conversa?

– Bem, eu...

– Você... – Raiane sentiu seu coração quase parar. Ele havia escutado. – Eu... Eu não quis...

– Não quis dizer que gosta de mim? – ele a olhou tão intensamente que ela teve vontade de se esconder.

– Eu... Eu gosto de você – ela não disse, ela sussurrou e Ismael abriu um sorriso imenso. – O que há de tão engraçado nisso?

– Só estou admirando.

– Admirando?

– Como podem haver tantas coincidências neste mundo – ele se aproximou dela e seus narizes tocaram. – Afinal, eu também gosto de você.

Raiane não teve tempo de retrucar. Ele a beijou, ou talvez tenha sido algo mutuo, mas não importava. Ele havia finalmente beijado ela e sentiu seu corpo arrepiar quando sentiu as mãos gélidas dela em sua nuca.

Sentia um alívio em seu corpo e ao mesmo tempo uma felicidade crescente.

Esperava ele que tudo desse certo. Para sempre.