Rainy Days
1 Dia 1
Notas iniciais
Dipper olhou pela janela do taxi, pouco entusiasmado. Pelo formato das nuvens e a temperatura lá de fora, iria chover. E com certeza não seria uma chuva leve. Apoiou o braço na porta do carro e afundou um pouco mais no banco. Por sorte, havia trazido livros suficientes para passar o final de semana inteiro. O feriado na piscina na casa de férias emprestada da tia Maggie não estava arruinado afinal.
Ao seu lado, Mabel usava o vidro da janela como espelho para arrumar os longos cabelos ondulados enquanto cantarolava qualquer música de uma banda adolescente nova e ruim. Já estava na hora dela melhorar um pouco o gosto musical para algo além de “caras perfeitos rebolando”. Tinham idade suficiente para começar a pensar na faculdade que fariam, afinal. E isso assombrava Dipper quase diariamente. Sua irmã, porém, parecia não se importar tanto com a possibilidade de não ser aceita em lugar nenhum.
Notou que nunca tinham conversado sobre isso. Não estiveram conversando sobre muitas coisas ultimamente, na verdade. Forçou-se a lembrar de quando o clima estranho tinha começado, sem conseguir chegar a uma conclusão imediata. Talvez no segundo ano quando ela começou seu primeiro namoro de verdade, que durou aproximadamente um mês... Aquilo o havia incomodado consideravelmente, sem sombra de dúvidas. Ou talvez aquele dia que decidira convidar Amanda Jones para sair na noite de maratona de Breaking Bad que Mabel havia combinado há semanas, o que lhe rendeu uma irmã irritada e o maior fora de sua vida.
Mas não. Ainda que as vidas amorosas de ambos fossem algo além de frustrante, não podia aceitar isso como o principal motivo. Pensou em algo que, concretamente, poderia afastá-lo de Mabel. Algo que o prevenisse de se aproximar demais de sua irmã. Subtamente a Imagem dela andando pela casa de pijamas lhe veio à mente. Pernas completamente a mostra, devido ao pequeno short de listras rosa, o pequeno pedaço de barriga aparecendo quando se espreguiçava, nenhum sutiã em baixo da camisa... Um calafrio lhe percorreu a espinha enquanto seu estômago revirava.
Não. Não não não não, definitivamente não. Coçou a cabeça, tentando afastar qualquer tipo de imagem como essa de seus pensamentos. A presença de Mabel ao lado parecia mais evidente do que nunca, de modo a fazê-lo enterrar o rosto na mão apoiada, mirando a paisagem lá fora até as bochechas esfriarem. Se ela o vira corar, não disse nada. “Isto também não é uma possibilidade, Dipper”. Refletiu sobre o que já estava classificando como pensamento doentio devido ao estresse. Sim, aquilo era apenas estresse. Tinha que ser, ok?
No fim das contas, preferia acreditar que estavam crescendo um pouco estúpidos, afinal. Será que Mabel se importava tanto com isso quanto fazia há alguns anos? Definitivamente eles precisavam conversar assim que chegassem e tivessem um tempo sozinhos. Seus pais iriam chegar apenas no dia seguinte devido ao trabalho, lhes garantindo um bom tempo para se acertarem. Assim esperava.
Um vento frio o fez se encolher assim que saiu do carro. Mabel, logo atrás, teve a mesma reação. Caminharam cabisbaixos até a mala, onde o taxista já estava desembarcando suas coisas com pressa e quase nenhum cuidado. Dipper lutou contra a careta se formando no seu rosto ao ver sua bagagem sendo jogada no chão. Abriu a boca para reclamar, quando sua irmã resolveu falar primeiro.
— Cuidado aí! – Ela levantou uma mala cilíndrica com estampa de girassóis o mais rápido que pôde, encarando o taxista. – Tem coisas que quebram aqui dentro.
— São cento e vinte dólares. – O homem respondeu carrancudo.
— Cento e vinte? – Dipper piscou surpreso. Só podia estar de brincadeira. – Isso é extorsão.
— São cento e vinte dólares. – Ele repetiu, encarando-os.
Mabel parecia atordoada, dividindo o olhar entre o irmão e o taxista com uma expressão que se dividia entre confusa e indignada. Dipper enfiou a mão no bolso da bermuda, irritado e buscou a carteira. Abriu-a para se deparar com o pouco dinheiro dado pelos pais para passar o fim de semana com a irmã. Tirou a quantia exata e a estendeu.
— Ótimo. – Disse secamente. – Está aqui seu dinheiro.
Sem mais conversa, o taxista pegou o conteúdo da mão do jovem e o contou meticulosamente. Depois entrou no carro e foi embora, deixando as malas restantes no chão. Dipper as pegou, com um suspiro. Bela forma de começar o fim de semana prolongado. Mabel colocou a mão na cintura assim que ele se virou.
— Não acredito que você deu o dinheiro para aquele cara. Essa viagem vale uns cinquenta dólares no máximo.
— E o que mais eu podia fazer? – Dipper respondeu sem disfarçar a frustração da voz.
— Chamar a polícia, talvez? – Ela pegou uma bolsa das mãos do irmão, deixando-os com pesos equilibrados. – Ou... – Olhou para cima, enfatizando o tom sugestivo.
— Ou o que? -- Dipper perguntou com meio sorriso. Mabel e sua estranha capacidade de soar divertida em qualquer hora.
— Ou... Você poderia ter usado esse belo conjunto de músculos para dar uma surra nele. Sabe como é... Lutar pela sua honra, jovem guerreiro – Ela apontou com a cabeça para um dos braços do irmão, que acompanhou o olhar e sorriu.
— Você viu o tamanho daquele cara? Meu belo conjunto de músculos iria ser moído em questão de segundos.
— Onde está a autoconfiança inabalável do meu irmãozinho? – Mabel o cutucou com o cotovelo, fazendo-o se encolher em um riso sufocado.
— Foi embora junto com aquele taxista infernal. – Uma súbita onda de alegria o preencheu ao escutar a gargalhada da irmã. Há quanto tempo já não se divertiam juntos daquela forma? Chutou uma pedra no chão e continuou – Mas é sério, não valia a pena discutir mesmo.
Mabel o encarou. Naquele instante, era como se ela o estivesse vendo completamente. Sua expressão, algo como divertimento foi gradualmente mudando para algo mais sério e caloroso. Talvez... Carinho? Dipper se viu paralisado, sem conseguir desviar o olhar nenhum segundo. Se havia muitas caras de sua irmã que não conhecia antes, aquela com certeza era uma delas. Sentiu o coração acelerar sem nem saber o motivo. A garganta parecendo mais seca do que nunca.
— Você amadureceu. – Ela disse, finalmente olhando para o chão.
Antes que pudesse saber o que diabos ela quis dizer com isso, Dipper a viu girar em seus calcanhares e entrar porta adentro. Acompanhou-a, analisando cada possibilidade de significado possível e impossível para uma simples frase, enquanto Mabel tecia comentários despreocupados sobre como a tia era obcecada por Feng Shui e o famoso armário de bichos de pelúcia, que não deveriam ser tocados em hipótese alguma, no quarto do primeiro andar. Colocou a bolsa pendurada no cabide e olhou para trás, sorrindo imediatamente.
— Silêncio todo mundo. – Mabel gesticulou para o vazio como se ali realmente houvesse uma multidão. – Dipper está fazendo essa coisa de Dipper dele e precisa de espaço e ar fresco antes dos miolos derreterem. -- Ele a encarou inexpressivo. Se pelo menos ela soubesse que era o motivo da confusão, talvez fosse mais fácil de resolver. Mas provavelmente já nem se importava mais com o que havia dito há cinco minutos. – Que tal darmos uma olhada no quarto onde dormiremos nos próximos dois dias, viajante? Colocar as coisas nos lugares, decidir quem vai ficar com qual cama, esse tipo de coisa?
Dipper concordou com um aceno de cabeça breve e subiu as escadas de madeira clara. No andar de cima, havia três portas em um corredor estreito. Provavelmente o quarto principal, o quarto de visitas, onde ficariam, e o banheiro. Mabel girou a maçaneta com cuidado e entrou no cômodo, acompanhada de um irmão curioso. Suspiraram juntos de surpresa ao ver, em vez de duas camas, como haviam imaginado, um belo e luxuoso beliche. Se encararam por um segundo, tendo certeza do que o outro estava pensando.
— Eu fico com o andar de cima.
— Eu fico com o andar de cima.
Mas é claro que, em menos de dez segundos, Mabel já havia largado a sua mala com “coisas que quebram” no chão e estava sentada no beliche com os braços levantados e uma expressão de vitoriosa.
— E He! Rainha do segundo andar!
— Não é justo. – Dipper protestou, pegando a mala da irmã e colocando ao lado da cama junto a sua.
— Aprenda a perder, senhor Dipstick. – Ela apontou o dedo do alto. – A gêmea alfa está de volta e com tudo em cima. Bem aqui em cima. No andar de cima. Entendeu?
— A há, engraçado. – Dipper rolou os olhos. – Achei que a gente já tinha superado o fato de eu crescer um palmo a mais que você desde o ano passado...
— Pode chorar a vontade. Mas nada vai superar o fato de que eu fui mais rápida.
— Eu sei que não.
Dipper a estava encarando mais uma vez. Não conseguiu evitar de pensar como ela era linda vista daquele ângulo. Na verdade, Mabel era linda de qualquer ângulo. Não a garota mais bonita da escola ou coisa assim, mas definitivamente ela tinha suas qualidades. Opa, esse deveria ser um pensamento estranho, Dipper. Precisava manter o foco. Mas os olhos dela pereciam querer outra coisa, algo que fazia seu coração acelerar demais para seu gosto.
De novo, Mabel foi a primeira a desviar o olhar, encarando o travesseiro. Aquilo eram bochechas coradas? Não podiam ser. Não deveriam ser. Definitivamente não eram. “Ela é sua irmã Dipper. E você está tendo uma fantasia um tanto quanto real demais.” Foi o que conseguiu pensar antes dela se pronunciar.
— Eu preciso trocar de roupa.
Dipper piscou por um instante até entender do que se tratava. Rapidamente deu dois passos para trás e saiu pela porta apressado, quase esbarrando na soleira, sem dizer mais nada. Desceu as escadas e foi parar na geladeira, de onde tirou uma garrafa d’água e encheu o copo, esperando acalmar tanto o corpo quanto a mente.
Escutou os primeiros pingos caírem para logo se transformarem em uma chuva forte e consistente. Pela primeira vez percebeu que a cozinha cheirava a ervas e olhou em volta. Sua Tia tinha uma pequena plantação vertical na área de serviço. Através da grande janela, que quase ocupava toda a parede da sala, podia ver a piscina descoberta. imaginou como seria o dia se não estivesse chovendo... Era decepcionante afinal.
Pegou um livro já começado em sua bolsa pendurada por Mabel no cabide e afundou no sofá com as pernas apoiadas em um pufe preto redondo. Aos poucos, começou a se deixar levar pela leitura e seus pensamentos já não estavam mais voltados para o estranho acontecimento de agora pouco. O herói estava prestes a chegar à caverna, quando a voz de Mabel o interrompeu com uma canção brega. Dipper levantou os olhos para encontrar sua irmã usando apenas um biquíni no meio da sala. A cena poderia até ser tensa se não fosse confusa o suficiente.
— O que está fazendo? – Dipper perguntou atordoado e precisou lutar contra o pensamento que veio a seguir, “não, amigo, ela não está vestida assim para você.”
— Estou indo a piscina, ué. – Mabel colocou as mãos na cintura. – Vamos, por que ainda está de blusa?
— Mabes... – Dipper colocou o marcador e fechou o livro em suas mãos. – Não sei se você percebeu, mas está chovendo...
— Ora, como se a água da chuva fosse te molhar diferente da água da piscina. – Mabel mostrou a língua. – Bom, não sei se você vai ficar se “divertindo” com suas histórias de dragões o dia todo, mas EU vou me divertir de verdade, com ou sem chuva.
Sem esperar resposta, a garota saiu pela porta dos fundos e caminhou até o deck da piscina. Boquiaberto, Dipper acompanhou seus movimentos até escutar o splash, mais alto que o barulho da chuva. Colocou o livro no canto e começou a tirar a blusa sem pensar muito no que fazia. Era loucura. Certamente uma grande loucura. Mas não iria ver sua irmã na piscina enquanto ficava em casa. Definitivamente fora de cogitação. Esvaziou os bolsos e correu em direção ao lado de fora, pulando na água sem cerimônia. Levantou a cabeça para encontrar Mabel sorrindo. A água batia em seus ombros.
— Desistiu do livro? – Ela perguntou com um tom sarcástico divertido evidenciado pelo fato de que tinha que gritar para ser ouvida na chuva.
— O livro pode esperar. – Dipper respondeu sorridente. A água estava morna e agitada o suficiente para ele não sentir frio. Talvez tenha sido uma boa escolha afinal...
— Talvez eu receba uma carta de Mermando qualquer hora dessas. – Mabel disse em um tom um pouco menos sarcástico. Um tom que Dipper não gostou.
— Ainda está pensando nesse cara, Mabel? Ele se casou com um leão marinho assim que foi embora, você sabe disso. – O rapaz não conseguia segurar a frustração e raiva em suas palavras. – Sabe que eu não gosto dele.
Mabel o encarou. E pelo seu olhar, Dipper sabia que se tratava de uma brincadeira. Ela estava curtindo com a cara dele e ele mordeu a mosca perfeitamente. Cruzou os braços emburrado, se sentindo mais idiota do que nunca.
— Ora se o meu irmãozinho não é um bobo ciumento. Será que algum dia você vai gostar de algum NAMORADO meu?
— Não.
Dipper respondeu sinceramente, se arrependendo logo após aquela palavra ter saído de sua boca. Como assim não? O que ele estava pensando que queria? Antes que seu rosto começasse a queimar, foi atacado por uma onda empurrada pela Mabel. A risada de sua irmã ecoava alta pelo quintal. Estava lhe fazendo de bobo outra vez. Ela sempre fazia isso, afinal. Empurrou água de volta, atingindo-a em cheio no rosto. Logo uma guerra começou em que os dois riam e engoliam água ao mesmo tempo.
Mabel afundou na piscina para não ser mais atacada, deixando-o rindo sozinho. Sorriu com a pequena vitória. “quem é o gêmeo alfa agora?” Pensou contente. A água turva não permitia que se visse algo além da superfície azul esverdeada. Alguns segundos se passaram e ela ainda não havia emergido.
Dipper trocou o riso pela preocupação, quando quase um minuto começou a parecer muito mais tempo. Tateou o vazio, gritando pela irmã algumas vezes até que um corpo pulou de desde algum lugar do fundo, desequilibrando-o. Uma perna de cada lado de seu corpo o fez afundar, engolindo água. Dipper levantou a cabeça tossindo.
— Mas que droga foi isso? – Perguntou ainda nervoso. – Queria me matar afogado ou do coração? Quase achei que tivesse se afogado...
— Não, você se afogou. – Mabel mostrou a língua. --Dipper eu faço natação há anos. É sério que estava preocupado comigo assim?
— Mas é claro!
Ele estava com raiva. Com raiva de verdade por ter tomado um susto bobo daqueles. Mabel podia passar dos limites às vezes, mas deixá-lo daquele jeito era demais. Olhou em seus olhos, encontrando apenas confusão e divertimento. Mas é claro que ela não iria entender... Seu coração batia forte e rápido demais para pensar ao mesmo tempo em que não conseguia deixar de olhá-la. Bela hora para outro episódio estranho de estresse acontecer. Três em um dia, estava se superando.
Mabel continuava o encarando. A essa altura, ela já deveria ter desviado o olhar e dito algo estranho. Mas não. Ela fez algo pior, desceu o olhar para seus lábios, exibindo uma expressão diferente de tudo o que já a vira fazer. Então ele percebeu. Percebeu que estavam grudados pelos quadris, que ela tinha a respiração acelerada, tanto quanto a dele. Percebeu que estavam a centímetros um do outro. E então não percebeu mais nada, até que seus lábios estivessem se tocando, com tanta vontade, que ele precisou segurá-la pela cintura e apertá-la contra si e a parede da piscina. E ela fazia o mesmo com as pernas. E era maravilhoso.
Sentiu a língua pressionando seus lábios e abriu espaço para que encontrasse com a sua própria. Tinha gosto de bala de melão, que Mabel passara o dia inteiro mastigando para compensar o almoço perdido. Então ela começou algo como uma guerra de espadas entre línguas, que não fazia sentido algum. Dipper teve vontade de rir. Afinal de contas, não esperava menos. Era a sua irmã quem estava beijan... Espera um pouco. Que droga eles estavam fazendo?
Afastou-a rapidamente, sem conter o espanto. Mabel parecia compartilhar da opinião de que aquilo era minimamente estranho, pois tinha olhos tão grandes quanto os dele. Distanciaram-se algo como um ou dois metros. Um clarão se espalhou pelo céu, seguido por um grave relâmpago, que desviou a atenção de Dipper novamente para a chuva. Ainda ofegantes, sentiam o frio causado pela ausência do toque ao mesmo tempo em que o beijo ainda pulsava em seus lábios.
— P... Precisamos entrar. – Disse o rapaz, notando que Mabel apenas acenou com a cabeça em resposta. Era algo idiota para se dizer a alguém que tinha acabado de beijar. Mas a situação não era normal, ok? Nada estava exatamente normal aquele dia. E olha que ele convivia com a rainha da estranheza.
Saiu da água e logo se arrependeu de ter tido a ideia de entrar em primeiro lugar. O vento gelado em suas costas o fez tremer violentamente. Mabel abraçava o próprio corpo, tentando esquentar o que conseguia. Andaram em direção a casa o mais rápido que conseguiram. Parecia que seus queixos batendo estavam competindo para ver quem batia mais alto.
Subiram as escadas, deixando pegadas molhadas pelo chão. A porta do banheiro já estava aberta. Pegaram as toalhas azuis que a tia havia deixado nas prateleiras pintadas de branco. Tinham cheiro muito forte de desinfetante, que preencheu o ar. Ainda que estivessem próximos, era como se o silêncio mórbido abrisse um buraco entre eles. Tomavam todo o cuidado do mundo para não se tocarem ao se enxugar.
Dipper arriscou uma olhada rápida, para logo se arrepender. A visão de Mabel de costas, secando os cabelos enquanto usava apenas um biquíni vermelho o prendeu. Como se sentisse o olhar sobre si, ela virou o rosto, encontrando um irmão seminu, com os cabelos molhados e braços pendendo ao lado do corpo. Sentindo-se péssimo consigo mesmo, Dipper mordeu os lábios e mirou o tapete.
— Precisamos conversar. – Ele constatou, engolindo seco.
— Ora, se precisamos. – Mabel coçou a nuca. Um suspiro escapou de sua boca, atraindo a atenção do garoto. – Mas antes eu preciso tomar um banho... Sabe, esfriar a cabeça dessa coisa toda que aconteceu... Está acontecendo, não sei... – Ela esboçou um meio sorriso forçado. – Desse jeito parece que eu vou explodir...
Dipper forçou uma risada para a explosão mental que ela simulou com os dedos.
— Tudo bem. Eu só preciso tirar a bermuda e já vou sair.
Ela concordou, mas mesmo assim virou de costas novamente, cobrindo-se com a toalha. Mabel estava mais do que acostumada a vê-lo apenas de cueca pela casa aos fins de semana. Por que agora a sensação era tão estranha? Arrependido, tentou tirar o pé de dentro da roupa o mais rápido que pôde e correr para fora daquele banheiro. E correr para sempre daquele lugar.
— O que está acontecendo com a gente? – Mabel o puxou para a realidade outra vez. Percebeu que ela tremia, mas não podia dizer se era de frio.
— Não sei...
Dipper mal conseguia respirar. Seu cabelo formava ondas em torno do rosto, pingando no chão de azulejo branco. Abaixou-se para pegar a bermuda, sentindo o estômago revirar. Mabel virou um pouco o rosto, chamando sua atenção. Levantou os olhos, confuso.
— Você está usando uma cueca não está?
— Mas é claro. – Respondeu apressado, franzindo as sobrancelhas. – Mabel, você está com medo de mim?
Mas é claro que ela estava com medo. Até ele estava com medo de si próprio. Queria poder dizer que estava tudo bem, mas o volume entre suas pernas e a constante vontade de pular em cima da irmã o assustavam de verdade. E aquilo com certeza não era estresse. O mais bizarro é que ele não queria que fosse estresse, na verdade.
Levantou as costas, pronto para finalmente sair, mas notou que Mabel havia se virado completamente em sua direção. Trancou os dentes ao ver aquela mesma expressão estranha da piscina. Ela o escaneou com os olhos, parando mais tempo na parte que menos deveria, e então de volta ao rosto do irmão. Dipper engoliu seco.
— S-Sabe há quanto tempo... Eu tenho imaginado isso? – Mabel disse com uma voz tão baixa e rouca que pareceu um sussurro.
— Isso? – Dipper inclinou o corpo para trás, quando sua irmã deu um passo à frente.
— Quer saber? Dane-se o banho.
Ela deu um segundo passo, ficando a apenas alguns centímetros do outro. Perto demais. Perto o bastante para que ele sentisse a necessidade de apoiar as duas mãos em seus quadris. Dipper sabia que não conseguiria mais parar. E ela parecia querer isso. Parecia desejá-lo assim como ele o fazia desde... Desde quanto tempo ele a desejava tanto? Não queria saber. Não lhe importava mais nada além do rosto de Mabel tão perto do seu que podia sentir a respiração ofegante, o cheiro de água de piscina com melão, a tensão de quando ela mordeu os lábios.
Puxou-a para si, colando-se completamente àquele corpo quente e molhado. Mabel o envolveu com os braços ao redor do pescoço. Seus lábios se tocaram com a tensão de toda a necessidade que sentiram durante aquele dia. Um beijo forte, nervoso. Uma mordida no pescoço a fez soltar um gemido fino. Dipper percorreu o lóbulo de sua orelha com a língua, ouvindo-a fazer barulhos que o enlouqueciam.
Tateou as costas nuas da garota com uma das mãos até encontrar o fio que amarrava a pequena peça de roupa. Puxou-o para que o laço se desfizesse e o biquíni afrouxasse. Encarou-a, como um pedido de permissão. Mabel levantou as mãos e passou a roupa pelo pescoço esboçando um sorriso bobo. Um par de seios grandes apontava na direção de Dipper, que a encarou imitando o sorriso. Linda.
Ergueu-a pela cintura, fazendo-a se sentar na bancada de mármore, derrubando alguns perfumes e cremes. Mabel riu da bagunça, jogando a cabeça para trás. Aproveitando a oportunidade de beijá-la desde o pescoço até o meio dos seios. Tomou-os nas mãos e os apertou, observando a reação da garota a cada toque. Quis cobri-la de beijos e descobrir tudo o que ela gostava. Desvendar o corpo de sua irmã era sua nova obsessão.
A calcinha era a única coisa que o impedia de prosseguir. Mabel ajudou-o a descê-la pelas pernas. Seus olhos se encontraram, quando Dipper tocou-a com os dedos finos. Não sabia direito o que fazer ou se poderia talvez... Machucá-la. Provavelmente ela percebeu a confusão se formando em seu rosto, pois colocou a mão por cima da do irmão.
— Aqui. – Guiou-o com a ponta do próprio dedo em cima do dele e moveu-o. – Desse jeito, não precisa apertar muito.
— Assim?
Ele imitou o movimento, incerto. Mabel confirmou com a cabeça, enquanto soltou um pequeno gemido. Confiante, Dipper a roubou um beijo, sem parar de mover a mão. Ela o encarou, parecendo surpresa.
— Na verdade... É melhor quando você faz... – Dipper não respondeu, apenas continuou observando-a tentar falar entre gemidos. Imaginou quantas expressões novas iria ver sua irmã fazer hoje. Expressões que eram só dele. – Eu imaginava... Como seria... Eu... Pensava em você...
— Quantas vezes? – Ele perguntou, beijando-a no pescoço até os ombros. Era para ser estranho saber que sua irmã se tocava pensando nele? Agora não parecia nada mais que divertido.
— Muitas... – Mabel gemeu mais alto, conforme a velocidade dos dedos aumentavam. – Muitas.
Dipper queria mais. Queria tudo que podia ter. Aquela era uma das melhores experiências da sua vida. Ver o corpo de Mabel tremer ainda não era o bastante. Abaixou-se, até ficar de frente com o que buscava. Tocou-a com a língua, buscando o movimento ideal, enquanto olhava para checar se ela gostava.
Mabel era incrível. Linda, divertida, meiga. E dele. Naquele instante, onde suas pernas moviam involuntariamente e seus gemidos se tornaram mais altos, Ela era apenas dele e ele apenas dela. Não havia qualquer indício de mundo externo além da voz da irmã chamando o seu nome. Chupou-a o mais rápido que conseguia até que os gemidos ficaram entrecortados, e Mabel arqueou as costas violentamente.
— Não para. – Ela gritou, quando Dipper levantou os olhos.
E ele não iria parar. Sentiu a tensão no corpo de Mabel aumentar, até que seu nome ficasse incompreensível através dos lábios da garota. Ela mal conseguia controlar as pernas, enquanto contorcia-se, derrubando o que restara em cima da bancada. E então, seu corpo relaxou. Como se toda a tensão tivesse dado lugar a algo diferente. Algo novo. Dipper afastou-se. Mabel tinha um sorriso no rosto.
— Tudo bem aí?
— Se está tudo bem? – Mabel lutava para que as palavras saíssem, mesmo que o sorriso continuasse. Levantou o polegar no ar. – Tudo MA-RA-VI-LHO-SO. Se eu soubesse que o bobo do meu irmão podia fazer isso desde o começo, eu não teria perdido tanto tempo...
Encararam-se em silêncio, sorrisos bobos se formando no canto de suas bocas. Dipper levou a mão à nuca, sentindo-se estranho por não ligar mais. Ok, ele estava apaixonado pela própria irmã. E super ok, ela estava apaixonada por ele de volta. Muitas coisas poderiam dar errado, muitas pessoas iriam odiá-los caso descobrissem. Teriam que manter o namoro em segredo, não é? Estavam namorando, não é? Tinham tanto para discutir...
— Quer tomar seu banho agora? – Dipper ajeitou carinhosamente os fios de cabelo que cobriam o rosto da irmã. – Eu posso esperar lá no quarto...
Mabel concordou, fazendo com que o rapaz fosse até o quarto sozinho. Pegou uma roupa de baixo limpa e vestiu. Sentou na parte de baixo do beliche, constatando que era baixo demais para sua altura, então resolveu deitar e esperar. As cenas que acabara de viver ainda fortes em sua cabeça lhe tiraram um sorriso do rosto.
“Você provavelmente é doente, Dip” Pensou consigo mesmo. Mas já não se importava mais, pois ela o desejava e isso era o que valia a pena. Escutou o barulho do chuveiro ligando e desligando, conforma Mabel terminava o banho. Viu-a entrar no quarto usando apenas uma calcinha e sorriu. Era isso. Eles não iriam conversar agora, iriam?
— Olá, Lord Dipper do primeiro andar. – Mabel fez uma reverência exagerada.
— Olá Rainha Mabel do segundo andar. – Dipper estendeu o braço. – Quer se juntar a mim no meu reino?
Ela segurou a mão estendida e o toque macio fez Dipper querer entrelaçar os dedos. No lugar disso, puxou Mabel inteira diretamente para um abraço. Ela fez um barulho de assustada ao cair sobre o irmão e logo depois uma risada, quando ele rolou para cima, apoiando os braços um de cada lado da cabeça da garota. Seu cabelo se espalhava em cachos longos ao redor de toda a cabeça. Ela levantou uma das mãos e, com o dedo indicador, tocou o nariz de Dipper.
— Boop!
Tocaram os lábios calmamente, sem mais nenhuma pressa ou agonia. Teriam o resto do dia todo. Apenas eles e o reino do primeiro andar.
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