Rainha da Neve
2 Pequenos problemas - parte 1
Notas iniciais
O time um se direcionava ao Templo da Luz, onde reside o deus colossal. Conforme caminhavam, sentiam o ar se tornando gélido e a neve começava a cair outra vez; Lass aparentava-se mais pálido que o normal, e aos poucos ele ficava para trás na caminhada, até que Arme sentiu que ele não os acompanhava mais.
– Gente, cadê o Lass? – ela perguntou preocupada.
– Ah, não... – Azin murmurou – Perdemos ele de vista!
– Vamos voltar – disse Edel – Ele não deve estar longe.
– O templo está diante de nós, não podemos perder tempo. – Dio rebateu.
– Lass é nosso amigo, Dio. Deixem as diferenças de lado. – Arme retrucou.
– Ela está certa. – Lire apenas confirmou.
Dio arqueou as sobrancelhas numa expressão raivosa, mas após respirar fundo, voltou à seriedade de sempre. Azin sugeriu:
– Eu e Dio vamos na frente, vocês três vão buscá-lo. Nos encontrem no interior do templo.
– Está bem. – Edel confirmou – Não vamos demorar.
Lire, Arme e Edel – a parte feminina do time – se puseram a caminhar em busca do grisalho perdido. Passados alguns minutos, avistaram um corpo abandonado no meio da neve. Arme tomou à dianteira e correu em direção ao rapaz ali deitado.
– Lass! – gritou – Lass! Me responde, por favor...
A roxa enterrou os joelhos no chão frio ao lado do rapaz e puxou-o para si, envolvendo-o em seus braços. Delicadamente virou o rosto do grisalho e viu um pequeno arranhão em sua bochecha. "Deve ter se machucado em algum galho ou pedra quando caiu" – pensou.
– Ele está bem? – Lire perguntou ao se aproximar.
Edel não perdeu tempo: puxou a mão do rapaz e pressionou dois dedos em seu pulso.
– Está batendo, mas fraco. Ele está muito frio, vai congelar e morrer se continuar assim.
– E n-nós também... – Lire gaguejou, abraçando a si mesma.
– Eu posso resolver.
Arme empunhou firmemente seu cajado, ergueu-o e pediu:
– Espírito do fogo, conceda-nos seu calor.
A ponta do cajado acendeu de laranja e vermelho. Arme o balançou devagar formando um círculo de fogo acima de suas cabeças. No mesmo instante, a temperatura começou a se elevar onde elas estavam: a neve derreteu, revelando uma terra seca e destruída abaixo delas.
– Batalhas aconteceram aqui.
– O solo está infértil. Esse não é um inverno comum. – Edel concluiu.
– Você ainda me assusta às vezes, Edel. – Lire disse suavemente.
– Por quê?
– Você tem um jeito meio fantasmagórico... Mas é legal.
– Ah... – ela sorriu.
Lass abriu os olhos devagar.
– Arme... – sussurrou.
– Lass! Graças aos deuses, você está vivo! – seus olhos se enchiam de lágrimas.
– Estava... Muito... Frio. – ele falava em pausas.
– Tudo bem, agora não está mais. – ela sorria, ainda chorando – Vamos andando, temos que encontrar o Dio e o Azin, eles seguiram para o templo.
O grisalho se levantou, saindo dos braços da pequena de roxo, e esticou o corpo. Seu olhar parecia distante e um tanto vazio. Mesmo assim, os quatro seguiram caminhada em direção ao templo, ainda sob o círculo de fogo de Arme – que os acompanhava.
Havia um silêncio muito estranho no interior do templo. Não havia sinais de Dio ou Azin. Todos os sacerdotes e fanáticos estavam adormecidos... Não, não era sono... Estavam congelados.
– Eles estão mortos?
– A essa altura, sim. Já faz tempo que o ambiente está desse jeito. – Edel afirmou.
– Que horror... – Lire sussurrou.
– Onde estão eles?
– Dio! – Lire chamou – Azin!
Só foi possível ouvir o eco de sua voz. Após alguns instantes em silêncio, ouviram baixinho:
– OOOH... Esfera... Das trevas...! – era a voz de Dio, distante dali.
– Ele está lutando?!
– Vamos seguir a voz! Ele está lá em cima... Será que o deus da luz...?
– Não. – Edel interrompeu – Não é com o deus que ele está lutando. Estaríamos sentindo o templo estremecer por causa do tamanho e força dos golpes.
Eles subiram as escadas do templo a passos rápidos e a voz de Dio ficava mais forte e alta a cada degrau que subiam. Chegando ao topo, tudo o que viram foi um vulto desaparecendo da frente do Asmodiano, que errou o ataque com a garra.
– Fugiu... – ele afirmou – Volte aqui, seu covarde! Essa luta não acabou!
– Dio! – Lire chamou – Você está bem? Onde está o Azin?
– Eu estou bem... Mas aquilo levou o Azin.
– Como assim?
– Fomos pegos de surpresa. Ouvi o grito dele e quando me dei conta, estava sozinho. Ele desapareceu do meu lado... Eu permiti... – Dio cerrou os punhos.
– Não, não foi sua culpa... Vamos encontrá-lo. – Lire tentava acalmar o Asmodiano.
– Não me diga que não foi minha culpa, Lire! – ele estava nervoso – Não consegui evitar a perda de um amigo...
O templo estremeceu.
– O que é isso?! – Arme gritou – É o deus da luz?!
– Impossível, ele está em uma espécie de hibernação, enfeitiçado. Eu vi... – Dio rebateu.
– Feitiços não se desfazem assim. – Edel afirmou – De qualquer forma, este lugar está indo abaixo! Temos que sair daqui!
Dio abriu as asas negras e azuis, segurou Lire com um dos braços e estendeu a garra, envolvendo Arme, Lass e Edel e levantou voo, escapando por uma das vidraças coloridas do templo, quebrando-a em mil pedaços.
Pousaram em segurança no chão nevado. O templo parou de estremecer e permaneceu intacto; Edel comentou:
– Era parte do feitiço. Se não tivéssemos saído de lá, estaríamos mortos em meio a escombros.
Dio soltou os três em sua garra. Lire cutucou o Asmodiano e, corada, lembrou-o:
– Pode me soltar também.
– Ah... – suas bochechas avermelharam – Desculpe.
O demônio devolveu Lire ao chão e os cinco permaneceram em silêncio se entreolhando por alguns instantes. E então, Lass se pronunciou.
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