Rainha da Neve
3 Pequenos problemas - parte 2
Notas iniciais
O segundo time se direcionava para o desfiladeiro incandescente para encontrar o deus do fogo, Zig. Atravessaram uma parte do vale da penumbra, que estava absolutamente congelado, sem qualquer sinal de vida, e chegaram ao seu destino: era incrível; todo o fogo e lava que antes tornavam o local uma parte do inferno agora eram gelo, neve e muito frio.
– Isso é impossível... Como alguém tem força suficiente para converter um desfiladeiro em chamas num iglu? – Ryan tremia e sua respiração deixava aquela fumaça branca por causa do frio do ambiente.
– Não parece obra do Veigas... – Lupus comentou na mesma seriedade inabalável.
– Longe disso. – Lin confirmou.
Prosseguiram a passos vagarosos pelo desfiladeiro. De repente, Holy desabou no chão.
– Holy! – gritou Ryan – O que houve?!
O guerreiro laranja se ajoelhara ao lado da amiga e a puxara para perto.
– O que há com ela? – Lupus perguntou.
– Está desmaiada.
Todos rodeavam a paladina, preocupados. Foi então que Ronan viu o pequeno arranhão na bochecha da baixinha de cabelos verdes. Ele tocou de leve no corte e ela abriu os olhos rapidamente.
– O que foi? – perguntou.
– Você desmaiou... Está se sentindo bem?
– C-com frio... Demais. – ela corou um pouco – Q-quem está...? – ela tocou de leve no braço que a envolvia.
– Sou eu, Holy... Ryan.
– Ah... – a pequena pareceu se acomodar no colo do alaranjado.
– Eu acho que ela não está bem. – Elesis sussurrou para Lin.
– Concordo. O olhar dela parece tão distante...
Ryan ajudou a paladina a se levantar. Ela limpou a neve de seu vestido e segurou firme o cabo do martelo, arrastando-o e deixando uma trilha por onde passava. Seguiram sua caminhada até o templo do deus do fogo.
O local, que antes era vermelho vivo, laranja e amarelo, agora era azul e branco, totalmente feito de gelo; devido à intensidade da força do fogo, quem havia feito aquilo no templo teve de usar o máximo de seu poder.
O grupo de Chasers entrou devagar pela porta da frente. Era mais frio lá dentro.
– Estou ficando tonta... Meu nariz arde... M-meu queixo treme... – Lin reclamava baixinho.
– Ora, cale a maldita boca, Lin. – Lupus disse irritado.
– Cale você, que só abre ela pra cuspir besteiras. – rebateu.
Lupus sacou a arma e apontou-a para a cabeça de Lin.
– Atire. – ela exigiu – Atire se é isso que quer.
– Lupus, abaixe essa arma. Agora. – Elesis ordenou.
O temperamento estourado do caçador tornava a convivência com ele algo muito difícil. Mesmo assim, ele respirou fundo e abaixou a arma, abrindo um sorriso torto.
– Eu não mataria minha colega de equipe. – afirmou – Estava brincando.
– Que brincadeira estúpida! – Elesis começou – O que você tem na cabeça para apontar sua arma para alguém que está ao seu lado?!
– Devo ter a mesma coisa que você. – ele se aproximou rapidamente da ruiva – Afinal, quem quase enfiou a espada na Arme hoje...? – ele sorriu, enquanto Elesis permanecia estática – Vamos seguir viagem e fazer de conta que isso não aconteceu.
– Resposta justa. – Ryan sussurrou para Ronan.
– Justa demais, embora eu goste muito da Elesis. – Ronan afirmou baixinho.
Lupus deu as costas ao grupo e recomeçou a caminhar, subindo calmo pelos degraus do templo. Ele era realmente inexpressivo, sempre sem emoções.
Os outros cinco o acompanharam logo atrás, murmurando sobre o que acabara de acontecer.
– Podem me ofender o quanto quiserem, eu consigo ouvir cada palavra, e não me importo com nenhuma delas. – ele disse como se conversasse sozinho.
Os murmúrios aos poucos cessaram. No topo do templo, Zig dormia acorrentado; e diante dele estava alguém, usando um sobretudo azul escuro longo, até os pés, encapuzado e com uma máscara de gato chinesa cobrindo a metade superior de seu rosto – não era possível nem ver os olhos.
– Quem é você? – Lupus perguntou sério, apontando a arma para o ser ali em pé.
Houve o silêncio como resposta.
– Eu te fiz uma pergunta, você não ouviu? – e o silêncio permaneceu – Parece que não sabe com quem está se metendo...
Lupus gingou o corpo para trás um pouco, recuando o braço com a arma, que brilhava intensamente, e logo o estendeu novamente com toda a força, disparando uma única bala na direção do encapuzado.
O disparo foi certeiro, porém, a pessoa ali nem sequer se moveu, e o tiro explodiu na perna do deus adormecido.
– Eu... Eu errei?!
– Quem é você?! – Elesis berrou – Responda!
A ruiva correu em direção ao ser estranho e, com sua espada, começou a golpeá-lo. "HAA-YAA", ela gritava. Elesis errou todos os golpes e o encapuzado nem se mexeu.
Ele finalmente abriu um sorriso e, num movimento invisível aos olhos humanos, agarrou a ruiva pelo pescoço e lançou-a contra Ronan, que no intuito de segurá-la, acabou sendo lançado junto com Elesis para fora do templo, arrombando a parede e despencando daquela altura.
Naquele instante, todos os outros avançaram em direção ao encapuzado, atacando-o ao mesmo tempo em várias direções diferentes. Ele se movia rápido demais, esquivava, saltava, mas não revidava. De repente, Lin sentiu-se agarrada com força pela cintura.
Em um milésimo de segundo, o ser de azul escapou, e levou a reencarnação de Agnécia consigo.
– Não... Lin... – Lupus murmurava – Lin...
– Para onde foi?! – Ryan perguntava confuso.
– LIN! – o caçador berrou, irritado e... Triste?
– Calma, Lupus... Vamos encontrá-la. – Holy fazia o possível para acalmá-lo.
– Precisamos sair daqui. – Ryan afirmou – Esse templo vai abaixo! Olhem as paredes!
As rachaduras se esgueiravam para cima e para os lados. As paredes não pareciam firmes. Os três correram para o buraco feito por Ronan e Elesis e saltaram sem pensar duas vezes.
Antes que pudessem se chocar contra o chão frio, algo os segurou e os colocou de pé, em segurança. Ronan conjurava sua magia arcana.
– Obrigado, Ronan. – Ryan agradeceu.
– Onde está a Lin? – o azulado perguntou.
– Eu gostaria de saber. – Lupus cuspiu – Ela foi levada por aquele gato do diabo.
Houve o silêncio entre eles. Elesis aos poucos despertava; a ruiva se levantou, apoiando-se no ombro de Ronan e observou o rosto triste de seus amigos, e a raiva visível em Lupus.
– Onde est... – ela foi interrompida por Ronan, que pôs a mão devagar em sua boca.
– Não faça essa pergunta, por favor. – ele sussurrou – Não sabemos a resposta.
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