Rainha De Copas
10 capítulo dez
O jantar aconteceu em um das muitas salas de jantar, não muito grande, mas nem de longe pequeno, do palácio onde uma mesa retangular cruzava o salão se encontrava. Das paredes bandeiras brancas se penduravam atrás de armaduras de soldados já falecidos, era uma decoração recorrente no palácio. Na ponta encontrava-se o rei de copas que ao me ver abriu seu magnífico sorriso e levantou-se.
—--Ah senhorita Ive, espero que tenha descansado bem, sente-se, por favor.
Fui acomodada na cadeira da cabeceira por um dos servos que a puxou para mim. A sós o rei ainda sorrindo disse.
—-- Espero que possamos nos conhecer melhor, senhorita. Estou muito curioso sobre você
—--Curioso? ---perguntei timidamente, não havia nada de curioso em mim, eu era bem comum, minha aparência assemelhava todas as outras meninas de prata, talvez com a diferença que eu ainda conservava uns traços infantis, minha personalidade não era de ser orgulhar, meu irmão sempre disse que deveria ter mais autoconfiança, acho que a única coisa que me destacava era ser irmã de um de sangue, mas aqui isso de nada serve, não faz diferença, o que é bom e ruim, pois sou apenas mais uma agora. --- Não há nada de especial em mim.
Ele riu.
—-- Deixe que eu julgue isso, sim? Além do mais você é especial, senão não estaria aqui, acredite.
Queria perguntar em que seria especial, mas temi que ele estivesse apenas me consolando e pondo contra a parede revela-se isso. Durante o jantar logo servido, conversamos sobre meus hobbies, sonhos, qual era minha cor favorita, se eu gostava de animais e etc e tal. Ele prestava atenção em cada palavra que eu dizia mesmo quando gaguejava, não mostrava em nenhum momento falta de interesse.
—--Esta cansada minha flor?-- Já no fim do jantar depois de horas conversando ele me perguntou, vendo obviamente meus olhos ficando miúdos com o sono.
Sem querer parecer criança que dorme cedo disse que não e que estava tudo bem, mas em meio à frase um bocejo indesejado surgiu me entregando completamente.
O rei riu mais uma vez.
—-- Fico feliz que tenha gostado de nossa conversa, mas teremos o resto de nossas vidas para nos conhecer e conversar, por isso vá descansar sem preocupação.--- Levantando veio em minha direção, deu um beijo em minha testa e um boa noite, fui novamente guiada para meu quarto por uma serviçal.
Percebi que nenhum momento tinha perguntado nada sobre ele, toda a conversa tinha ficado em vota de mim, eu mudaria isso pensei determina. Amanhã descobrirei sobre meu futuro marido.
Acordei de manha com um convite especial de sua majestade para acompanhá-lo após o café em um a passeio pelo belo jardim do palácio.
A serviçal ofereceu ajuda para escolher a melhor roupa para o passeio e dessa vez aceitei, não tinha idéia qual dos vestidos que abarrotavam meu closet era apropriado.
Com um vestido cumprido leve cor de jade. Encontrei-me com o rei no pátio de trás do palácio, ele vestia uma calça preta com uma blusa branca cumprida com o desenho de copas nas costas. Seu cabelo molhado como se recém saído do banho, parecia radiante o que era um estado permanente dele.
De braços dados, caminhamos pelo jardim decorado de rosas brancas, e passamos pelo labirinto de arbustos bem aparados que circulavam a propriedade até chegarmos em uma fonte de marfim muito parecida com aquela do centro da cidade, no topo o coração branco se mostrava triunfante jorrando água.
Durante o passeio todo falamos sobre amenidades, mas quando sentamos e ele tocou meu rosto com as pontas de seus dedos soube que era importante o que queria me dizer.
—-- queria marcar nossa data.
Disse casualmente. A Data era o momento final quando tudo se consumaria e eu realmente me tornaria a rainha e mais importante estaria casada. Pelo menos na época era muito importante para mim, se eu soubesse.
—-- Para quando meu senhor?--- perguntei ansiosa. Ele sorriu ainda mais vendo meu estado.
—-- Para o fim do mês que vêm, isso dará tempo o suficiente para os preparativos. Afinal há muitas escolhas para você fazer.
—-- Eu?
—-- Claro! Não quer ter o casamento de seus sonhos? Terá que dizer o que deseja nele.
“O que eu desejo” eu fazia a mínima idéia, a verdade que casamento nunca passou por minha cabeça, não era como as meninas que sonhavam desde pequena com seu príncipe, mesmo tendo ganhado um.
—-- Eu... hum...---- não sabia como dizer que estava perdida, mas não era necessário, o rei muito perspicaz percebeu. Colocou umas das mechas de meu cabelo para trás de minha orelha e sorrindo disse.
—-- Não se preocupe, a senhorita não fará isso sozinha, eu pedi ajuda da duquesa de copas para que ela te guie e auxilie no que puder. Você vai conhecê-la amanhã.
Nossa conversa voltou para as amenidades, e continuou por horas a fim até a hora do almoço quando nos dirigimos para tal, consegui descobrir mais sobre ele como a cor favorita e seus hobbies, era um progresso. Durante todo o mês foi dessa maneira passávamos varias horas conversando nos conhecendo ou ele me ensinava um jogo, como o críquete. Era momentos maravilhosos, ser o centro das atenções de alguém tão carinho.
Na manhã seguinte a duquesa apareceu. Era pequena de 1,57 encorpada, mas não gorda. Olhos retangulares, boca carnuda, cabeça arredonda e nariz arrebitado. Dava a idéia que poderia ter sido uma mulher bonita outrora, mas agora seu rosto estava endurecido pela vida e parecia tão amargurada que seus olhos estavam sempre semi serrados como se desaprovasse o que viam, sua boca fazia uma curva para baixo de desgosto e seu belo nariz vivia enrugado. Devo acrescentar que a duquesa tinha apenas 35 anos que fiquei sabendo depois, mas na hora não se percebia.
—-- Eu sou a duquesa de copas. O rei me ordenou a ajudá-la. ---disse secamente. Antes mesmo de poder me apresentar se pôs a andar. Apertei o passo para acompanhá-la. Fomos até uma das salas, já estava preparado o chá e guloseimas para nós. ---sente-se, sim?
Sentei de imediato, me sentindo como criança ordenada pelo seu tutor.
—-- Bem já separei algumas das coisas essenciais em um casamento, a senhorita escolherá as cores e o tipo de flores. Lembre-se que terá muito branco, obviamente, a cor do país. --- Sua voz severa não deixa espaço para questionamentos. Era obvio que não estava feliz por estar ali. --- Bem, mais uma coisa, deseja convidar alguém em especial?
Na hora meu coração se encheu de alegria, poderia convidar meu irmão. Vê-lo novamente e assegurá-lo que eu estou bem.
—-- Sim, meu irmão e meu tio. ---não sabia se o tio viria, mas devia muitas coisas a ele e era claro que devia convidá-lo.
—--Seu tio... e seu irmão....--- começou a anotar,mas parou no meu irmão. ---seu irmão não era acusado de cometer um crime aqui na capital?
—-- Ele é inocente, sua majestade inocentou.
—-- Isso não quer dizer que é inocente. ---- fiquei de boca aberta com a audácia daquela mulher. ---- entretanto não acredito que sua majestade vai querê-lo em seu casamento, terá que pedir a ele primeiro.
—--Eu irei, sei que ele vai deixar.--- disse impaciente.
—--duvido. ---respondeu com desdém e levando a xícara aos lábios.
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