Rainha De Copas

11 Capitulo onze


Capítulo 11

Era um belo dia as folhas balançavam suavemente com o vento, o sol iluminava o dia azul e sua majestade fazia sua jogada.Foi em um jogo de críquete que finalmente tomei coragem.

—-- majestade...

—-- hum? ----tinha acabado sua vez e ao meu chamado se virou para mim. ---o que foi minha flor?

—-- estava conversando com a duquesa sobre a lista de convidados e... bem... eu --- meus pés pareciam interessantes naquele momento.--- gostariadeconvidarmeuirmão.

—-- hum? Desculpa flor não entendi. Você o quê?

Respirei fundo, apertei minhas mãos,não sabia por que era tão difícil;

—-- queria convidar meu irmão.

—-- não. --- com essa simples palavra ele esmagou minhas esperanças. Vendo meu rosto, ele suavizou seu tom severo.--- minha flor seu irmão é um criminoso nos olhos do povo mesmo que eu tenha inocentado, seria inconveniente tê-lo na festa.

—-- Mas ele é inocente. ---disse em suplica.

—-- Só você acredita nisso meu bem. Lamento mas a resposta é não. --- preparei-me para falar novamente---Pense nele também, não será bem recebido aqui, ele teria que aturar só para o seu bem.

Isso me calou por completo.Meu coração pesou, seria eu a causa de mais sofrimento para ele? Por um motivo egoísta? Meu irmão tinha passado por tantas coisas e a cidade de copas era sua esperança de fuga agora nem isso ele tinha, “ele já deveria saber”pensei “tola eu que não percebi, desculpe Leif”.

—--acho que tem razão.--- cedi. Ele se aproximou e beijou minha testa.

—--sue coração esta no lugar certo, minha flor. ---eu também achei.

Os dois meses passaram rápido em um piscar de olhos já era hora dos preparativos finais. E foi em um encontro com a duquesa que acertávamos a tão terrível lista de convidados, eu tinha postergado isso por todo o tempo possível enrolando a duquesa dizendo que ainda não tinha pedido ao rei, não queria da razão aquela mulher ranzinza.

—--- então quem você deseja convidar, senhorita? --- seus olhos fixos no caderno em suas mãos.

—---meu tio. ----isso fez ela levantar os olhos, e com uma expressão desdenhosa perguntou.

—--e seu irmão? ---“maldita seja”.

—--só meu tio. ---seu olhar ganhou uma expressão convencida, mas nada mais foi tido a respeito.

Em meio à conversa ela foi me explicar o ritual de casamento de copas o que eu deveria ou não fazer, quem estaria do meu lado e etc e tal.

Quando fomos interrompidas por um gato na janela, era o terceiro andar como ele subiu? O gato era estranho, cinza com listras pretas no dorso e olhos vermelhos, mas o que chamava a atenção era o sorriso que ele estampava em seu rosto.

—-- ah cheshire! Que bom que você veio. –disse em um tom amável com um sorriso no rosto, parecia outra pessoa.

—--pensei que queria companhia mais agradável, minha senhora.--- o gato respondeu. Naquele momento eu estava com o queixo no chão não sabia o que era mais absurdo o gato ou a duquesa. O gato pulou da janela até o colo da duquesa e se aninhou lá, ainda sorrindo fez um carinho nas costas do bichano.

—--seu...seu gato fala! ---meu grito lembrou os dois que eu estava no quarto. Como flor seca seu sorriso murchou.

—--sim, fala. E ?---levantou a sobrancelha como desafiasse dizer algo de ruim sobre o gato.

—--tenha pena da menina duquesa, não é todos os dias que se vê algo tão belo como eu.--- sua voz era aveludada e preguiçosa.

—--verdade, meu bem. ---acariciou sua cabeça. --- cheshire é um gato especial, enfeitiçado para poder falar.

—--oh..ah... prazer em conhecê-lo.--- “magia” mais uma vez ela batia em meu rosto com força, me surpreendendo sobre sua existência.

—--o prazer é meu, nova rainha.

—--ah eu não sou rainha ainda.--- o titulo me deixou desconcertada.

—---mas você será, e se der tudo certo ajudará seu povo nas provações que estão por vir.

—--provações?

—--não é o momento, meu bem.---- interrompeu duquesa.--- vamos focar no que temos que fazer não?--- disse severamente olhando para mim.

E assim o assunto do gato sorridente foi deixado para lá junto com as futuras provações.

Provações essas que já estavam em formação.

Foi em uma manhã de folga que os cavalos de ouros chegaram invadindo as pequenas vilas que ficavam ao redor das importantes campos de plantação, soldados atingiam aqueles que corriam e os que paralisadas de medo não fugiam, arrombaram casas, saquearam-nas queimaram os pequenos altares dedicados a Vida e quando saíram deixaram para trás casas em chamas e famílias destruídas.

Com o ataque um problema começou a surgir, a fome. Com a destruição dos campos que estavam prontos para a colheita fez os estoques caírem significativamente, o povo da cidade de copas passou a sentir as conseqüências aos poucos, na época de meu casamento ainda havia estoques de comida, mas a fome já estava presente na população, fome essa que nunca chegou ao castelo.

O casamento se tornou uma boa distração para todos, esquecer a falha do exercito de copas em proteger seu povo.

Os preparativos do meu casamento era o assunto que ocupava mente sofrida da capital, quem seria a nova rainha? Apenas especulações e fofocas vindas do palácio eram as fontes de sabedoria sobre o assunto.

A rainha era uma princesa do oeste, de um desses povos bárbaros ou uma aristocrata dos aliados do norte, meus cabelos pratas os deixavam na duvida, ambos possuíam pessoas com essas características na região.

Nas aldeias em que a noticia do casamento já tinha chegado foi recebida com indiferença, estavam muito distantes e muitas delas feridas com o ataque para se importar com tal coisa.

E a vila de prata? Bem ela não foi atacada obviamente, mas sobre meu casamento também foi indiferente já que não sabiam quem era a nova rainha. Para todos, eu tinha sido despachada pelo meu tio para me casar com um qualquer de uma vila qualquer.

Enfim enquanto a nobreza se entretinha com o casamento a população cada vez mais achava difícil comprar alimentos devidos a escassez e os preços exorbitantes, era uma situação difícil.

Eu estava alheia a tal coisa. Sabia mais ou menos do ataque, mas suas repercussões eram obscuras a mim. E ficando trancada entre os muros do palácio não ajudou nem um pouco. Já que fartura era algo que não faltava no alto circulo. Banquetes eram dados sem se importar com a situação.

Para mim só tinha uma preocupação, o casamento.