Rainbow War
31 Sorria! Você está sendo filmado...
Notas iniciais
Saímos correndo pelo shopping inteiro e não achamos nada! Nem mesmo uma única pista sobre o paradeiro daqueles três. Cada vez que pensávamos ter visto algo que tivesse relevância, alguma coisa invalidava o argumento e voltávamos à estaca zero, onde não havia pistas concretas. Acho que percorremos o recinto umas cinco vezes, mas foi tudo em vão.
– Eles têm que estar por aqui em algum lugar, não é possível que eles tenham desaparecido assim no vento! – Perla estava um pouco desesperada.
– Nada. Eu corri a zona oeste inteira e nada. Acha mesmo que eles ainda estão no shopping? – disse Romolo.
– Acha que eles saíram nessa confusão toda? Vocês estavam dormindo quando encontramos vocês, então como podem saber o que aconteceu? – perguntou Nanda.
– Eu nem sei como consegui pregar o olho! Só sei que de uma hora pra outra me deu um sono horrível e eu nem consegui me manter acordada por mais de dois segundos. – respondeu Perla.
– Não estou dizendo que a culpa seja sua. Longe de mim fazer uma acusação dessas.
– Mas pareceu! – gritou Perla, e logo começou a chorar – Ai, meu Deus! Gente, me desculpem, mas eu estou completamente destruída! Hugo estava sob minha responsabilidade e eu faço o favor de perdê-lo durante um ataque de aliens assassinos e psicopatas! Eu queria tanto meu Huguinho aqui comigo, eu estou tão sozinha.
Nanda fazia muita força para não chorar também, até porque ela devia sentir a mesma coisa com relação à Marie. Eu só espero que ela se mantenha firme e forte diante dos outros… Esperai um pouquinho ai! É claro! Levantei-me e sai correndo, o que chamou os outros a virem ao meu encalço. O shopping é monitorado 24 horas por câmeras de segurança, então, elas devem ter visto o que aconteceu com nossos amigos.
O problema foi achar a sala da segurança, mas depois de algumas voltas malucas correndo que nem desesperados, conseguimos achar a bendita. Adentramos o recinto sem o menor pudor, e começamos a xeretar nas gravações em busca de respostas. Levou apenas alguns minutos até voltar ao momento certo do terremoto, e de lá assistimos o vídeo calmamente até a parte onde Romolo e Perla levavam os outros para algum lugar seguro. Que surpresa!
– Que porra é essa, doido? – perguntei totalmente abestalhado.
– Não sei. Eu juro que não lembro nada dessa parte. – disse Perla, também muito assutada.
– Isso é muito estranho. A última coisa que me lembro é de correr com as crianças pelo shopping, e depois… Nada! Não faço a mínima idéia do que seja isso.
– Chega, gente! Jack, volta essa bagaça pra gente ver de novo. – disse Nanda.
Dito e feito. Mas mesmo assim eu custava a acreditar. Era inacreditável: todos estavam correndo para a saída quando do nada, todos paravam e ficavam congelados em posição de sentido. Então mais do nada ainda, Romolo e Perla se retiravam sem pressa nenhuma, e sem a menor atitude, caiam no chão como se estivessem enfeitiçados. Hikari e Marie são igualmente estranhos: eles fazem uma reverência à Hugo e saem caminhando calmamente para um lado, enquanto Hugo dá meia volta igualmente enfeitiçado e caminha calmamente para longe da câmera.
– Tem alguma coisa errada com eles… Não estão no estado normal. Parecem que foram enfeitiçados por alguém.
– O problema é quem, Jack! Não tinha ninguém perto da gente quando isso aconteceu, e continua não aparecendo ninguém nessa filmagem.
– Concordo com a Perla, mas temos que frisar o comportamento do Hugo. Como vocês mesmos viram, ele foi reverenciado. Tem alguma conexão com ele.
– Romolo está certo – disse eu – Por mais que queiramos achar um culpado, todas as coisas apontam para Hugo. Será que…
– É cedo demais para fazer suposições e mais cedo ainda para teorias! – Perla pareceu se irritar com esse comentário.
– Mas temos que cogitar qualquer hipótese se quisermos ter um provável culpado para essa história. Sabemos que pode ser o Hugo, o Hikari ou mesmo a Marie. Somente os três saíram depois que vocês apagaram, e nada garante que o Hugo seja mal. São só suposições e teorias, amiga! – disse Nanda.
Nanda estava certa. Talvez Hugo seja o netuniano que nos salvou do buraco negro. Existe outra possibilidade, mas isso entraria em confronto com uma antiga teoria que eu não expliquei, e que foi reforçada por um fato que aconteceu no colégio. Vou ter que juntar todas as peças do quebra-cabeças quando chegar em casa, mas por hora preciso ter ao menos uma leve pista do Hikari e dos nossos amigos, antes que seja tarde demais para arrumar uma desculpa esfarrapada.
Então do nada, ouço o barulho de três celulares tocando ao mesmo tempo. Isso podia ser coisa boa ou péssima, mas era sempre bom ser positivo. Peguei o meu, enquanto Perla e Nanda pegavam os seus respectivamente. Era uma mensagem, e o melhor de tudo, do Hikari! Dizia: “Eu estou bem, não se preocupe comigo. Conseguimos sair em segurança e já estou em casa. Não se preocupe, estou bem mesmo! Mas é melhor você vir aqui, preciso muito conversar com você.”
– É uma mensagem da Marie. Ela disse que está bem, que não devo me preocupar, que conseguiram sair em segurança, mas que precisa conversar comigo. – disse Nanda.
– Estranho. O Hugo geralmente é mais carinhoso nas mensagens, mas ele foi tão seco nessa… – disse Perla
– Deixa eu ver os celulares aqui, rapidinho? – perguntei já arrancando o celular da Nanda e da Perla, e colocando ao lado do meu.
Meu coração gelou. As mensagens eram iguais. Não iguais de simplesmente parecidas, mas iguais de iguais mesmo! Todas as palavras, uma por uma, com os mesmos pontos e as mesmas vírgulas.
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