Rainbow War
32 Barganha
Notas iniciais
Ta legal, isso realmente está ficando cada vez mais estranho! Hugo, Hikari e Marie mandando a mesma mensagem, e ao mesmo tempo? Qual é a probabilidade de isso ser coincidência? Nove vezes três vai um, mais catorze, dividido por oito vezes seis, noves fora… Ah sim! ZERO!
– Como eles conseguiram mandar a mesma mensagem, ao mesmo tempo, sendo que estão em casas separadas? – perguntou Romolo.
– É isso que temos que descobrir! Hugo não está normal nessa gravação e Marie e Hikari podem ter fugido, mas mesmo assim são tão suspeitos quanto. E essa mensagem agrava a situação de todos os três. Mesmo que um controle o outro, sempre tem o controlado e o controlador. – falei.
– Acho melhor irmos cada um para uma casa e tentar descobrir o que estava acontecendo. – falou Perla.
– Perfeito. Mas temos um problema: o cara estranho com quem eu vi a Tati andando. Acho que seria ótimo alguém pra investigar o caso. – disse Nanda.
– Então eu vou com Perla até a rua do Hugo, lá eu vou ver a Tati e ela vai ver o namorado. Nanda vai tentar se encontrar com a Marie e Jack sabe o que fazer. – disse ele me lançando um olhar penetrante.
Todos nós nos separamos e fomos direto para o estacionamento (Nanda iria comigo, e Perla tinha pegado o carro do pai) para seguirmos para nossos respectivos destinos. Quando consegui localizar Nefertiti naquele mar de destruição, quase cai de joelhos: ela estava intocada pelos destroços. Deus existe. Peguei-a e pus Nanda na garupa enquanto seguia direto para a casa de Marie, e de lá, para a casa de Hikari.
Ganhamos as ruas e seguimos o mais rápido possível que pudemos para a Direita do Pai, que é o bairro onde a Marie mora. Não tive tempo de ver se Perla e Romolo conseguiram tirar o carro ou se tiveram que usar os poderes para encobrir os danos. Sei que voamos noite adentro e enfim chegamos na casa de Marie. A Direita do Pai ficava relativamente perto da Lagoa, mas era menos pobre e mais perigoso, então eu não entendia como um doce como a Marie podia viver ali.
– É ali. Naquela casa branca e azul, do portal cinza. – apontou Nanda.
Encostei Nefertiti à calçada e nos preparamos para bater à porta. Eu estava começando a tremer um pouco e esperava que não começasse a suar, senão a coisa ia feder. Literalmente! Mas Nanda estava tranqüila, e bateu e esperamos até aparecer na nossa frente uma figura absolutamente linda: Marie estava usando um vestido preto soltinho de alcinhas, folgado e curtinho, perfeito para ficar em casa. E mais perfeito ainda para olhar para as pernas maravilhosas daquela deusa!
– Boa noite? O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou ela com uma cara um pouco confusa – Ainda estão preocupados pelo que aconteceu no shopping?
– Mais ou menos, amor. Estamos aqui na verdade, por causa de uma coisa que vimos nas câmeras e que gostaríamos de te perguntar, pode ser? – perguntou Nanda.
– Pode, claro. Querem entrar tomar uma xícara de café com pipoca? – perguntou Marie.
Café com pipoca? Essa é a mais nova invenção da humanidade, mas decidi não me fazer de rogado e aceitei o convite de bom grado, até porque estava chegando perto da hora de jantar, e eu ainda não tinha colocado nada no estomago. A casa de Marie era encantadora, decorada com simplicidade e bom gosto, além de bem clara e iluminada. Gostei imensamente. Fomos direto para a cozinha e ouvimos latidos de cachorros no lado de fora.
– Quietos! Vão já pra casinha, vai, passa! – gritou ela, num tom agressivo que eu nunca esperaria que ela usasse. – São o Jamil, a Patty, a Rosa e o Rikelmy. São nossos cachorros de estimação. Eu cuido do Rikelmy e meus irmãos e minha mãe dos outros três. Só papai que não tem um cachorro próprio.
– Hum, interessante… Mas vamos ao que interessa: qual é a ultima coisa que você se lembra de fazer quando saiu do shopping? – perguntei eu.
Ela fez uma cara meio estranha, mas achei que se devia ao estresse.
– É meio difícil de dizer. Eu não lembro de muita coisa, depois de ter saído do estado de choque. Só me lembro de ter saído correndo com Romolo e Perla, e depois mais nada. Por que?
– Achamos que você pode estar envolvida em uma espécie de conspiração, e precisamos esgotar todas as possibilidades. Não se importa de ser suspeita por um tempo, não é?
– Não mesmo! Não tenho nada a esconder. Eu juro que não lembro! Quando o chão começou a tremer, não tinha nada no que me segurar, e eu fui ao chão. Quando tudo se acalmou, eu fiquei sem reação. Nunca tinha passado por algo assim e fiquei muito feliz que todos nós estávamos vivos, e não sabia mais precisar o que acontecia. Aí eu só via as imagens e ouvia alguns sons me dizendo para me levantar e ir embora. Foi nessa hora que minha Vênus Negra me despertou e eu saí correndo com Perla e Romolo, mas depois disso… Nada! Dá muita raiva!
Ouvi tudo isso atentamente, tentando encontrar um nexo ou uma falha, qualquer coisa que seja. Mas nada! Isso sim que dá muita raiva! Tinha que existir alguma coisa que conectasse a história dela com o vídeo da câmera e com as outras histórias. Mas eu precisava primeiro colher a versão do Hugo e do Hikari, sem contar que a contribuição da Tati seria excelente. Vamos por partes, mas por enquanto, dá pra agüentar sem todas as peças do quebra cabeça.
– Marie, Nanda, eu tenho que ir. Ainda preciso passar na casa do Hikari e meus pais devem estar morrendo de preocupação comigo, então preciso mesmo ir. Obrigado pelo café e pela pipoca.
– Obrigada a você, por nos agraciar com sua presença. Nanda, acompanha ele até a porta?
Era tudo o que eu queria. Quando me levantei, Nanda veio até mim e caminhamos juntos até a porta para conversarmos a sós sobre assuntos indizíveis aos ouvidos da pequena.
– Eu vou colher o depoimento do Hikari e você fica aqui colhendo o depoimento da Marie, pode ser?
– Pode. Qualquer coisa eu peço pra dormir aqui, e como fica perto de casa, mamãe vai entender.
– Ótimo, fica bem, minha pequena. Não se ponha em risco desnecessário, está bem?
Por um segundo, pareceu que iríamos nos beijar, mas duas coisas me impediram de praticar o ato: me lembrar que a dona da casa poderia ver, e a materialização da dona da casa na porta com uma vista cinematográfica para nós dois no portão. Hora de ir embora de uma vez por todas.
Montei em Nefertiti e voei até os bairros mais nobres, onde ficava a casa do Hikari. Sabia muito bem que eu deveria ter cuidado com as palavras que iria usar, mas precisava confirmar uma coisa o mais rápido possível, e eu mais do que ninguém precisava confirmar minha teoria sobre ele. Precisava começar a escolher o que fazer caso eu estivesse certo e refazer tudo desde o princípio caso eu estivesse errado. Isso iria dar um trabalhão! Cheguei finalmente, então bati a porta e esperei por ele.
– Finalmente você chegou, Jack! Eu te esperei a noite inteira! Quer ficar pra jantar e depois a gente conversa? – perguntou ele, me viu ao abrir a porta.
– Pode ser… Tudo bem? – perguntei meio inseguro.
– Está tudo mais que bem! Está ótimo, mas não se preocupe com isso agora, eu te explicarei tudo depois.
Entrei sem a menor cerimônia, e deixei meus sapatos na porta, como é costume japonês, já que Hikari é descendente e praticante dos costumes. Fui percorrendo a casa decorada ao estilo japonês e cheguei à cozinha, aonde estavam os pratos mais gostosos: arroz primavera, bolinhos de arroz, sushi, sashimi, yakisoba, takoyaki e outras coisas de dar água na boca. Não esperei o convite e já fui logo gritando “Itadakimasu”. Estava tudo uma delicia, e eu até repetiria mais uma vez, mas precisava deixar comida pra Hikari.
– E então, como foi lá no shopping depois que nós saímos? Vocês fizeram o que? – perguntou ele, com um falso desinteresse.
– Lutamos contra dois aliens superpoderosos que queriam nosso sangue. E vocês? Como saíram do shopping?
– Sabe que eu nem sei? Quando dei por mim, já estava lá fora. Daí vim direto pra casa, porque noticia ruim corre a cavalo e eu não queria deixar meus pais preocupados.
– Percebo. Não se lembra de nada do caminho do shopping até aqui?
– Não. Eu tento me lembrar, mas é como se alguma coisa tivesse apagado a minha memória. Eu sei que parece estranho e oportuno, mas eu realmente não consigo me lembrar de muita coisa. O máximo que eu me lembro é de correr pelos corredores procurando uma saída, mas, além disso… Impossível.
– Isso é… Muito interessante. Alguma idéia do que pode ter causado essa amnésia?
– Nenhuma. Mas você disse que lutou contra um alien. Como foi a luta?
Olhei-o de modo meio estranho. Ele nunca acreditou nisso e agora do nada, está interessado nas minhas histórias de alien? Onde há fumaça, há fogo. E mais, Darkshadow estava todo calmo e tranqüilo na hora de me fazer uma proposta como aquela, assim como Hikari está agora. Quem não desconfiar, que atire a primeira pedra.
– Foi boa. – respondi, tentando disfarçar a cara de espanto. – Conseguimos um bom empate. Mas desde quando você começou a se interessar por esses assuntos?
– Eu não sei. Acho que eu preciso aprender a respeitar as diferenças entre eu e meu melhor amigo.
MELHOR AMIGO?! COMO ASSIM MELHOR AMIGO?! PRA ONDE FOI O PAPO DE NAMORADO?!
– Como assim melhor amigo? Essa eu não entendi.
– Jack, eu cansei! Não posso mais agüentar essa farsa toda! Nós dois sabemos que mesmo que eu quisesse, jamais poderia me apaixonar por você. Eu só estava te usando pra ter uma experiência, e não é das melhores. Minha bunda ainda está ardendo.
São 23 cm de comprimento por 3 cm de diâmetro, seu imbecil! É claro que arde, mas se ainda está assim, então é o teu rabo que é virgem demais e precisa de mais duas ou três pra se acostumar. Quem me dera poder falar isso na cara dele, mas eu sentia a magia do momento percorrendo todos os lugares do meu ser. Hikari estava terminando comigo por vontade própria e eu não precisava fazer esforço pra nada!
– E depois, somos e sempre fomos amigos mais chegados que irmãos. Claro que eu sempre vou te amar, mas como um irmão de mãe diferente. Não sei se você vai fazer o mesmo, mas pra mim, não faz diferença. Enfim, acho que você está livre de um peso, não é?
Olhei com um misto de desejo assassino e uma emoção belíssima nos olhos. Nunca alguém disse palavras tão belas pra mim, mesmo que eu não quisesse ouvi-las. E ali estava Hikari, terminando comigo, dizendo coisas que tocavam o fundo da minha alma e me fazendo ter certeza de que ele é e sempre será meu melhor amigo. Mas por enquanto, deixe-me sonhar com o dia que poderei voar na cara dele com gosto de gás! Como ele se atreve a me dispensar depois do que fez comigo? Eu deveria sair com dignidade dessa história, como se EU tivesse partido o coração dele, e não como se ele tivesse se… se… se… decepcionado!
– Está dizendo que acabou? – perguntei eu, com a mão tateando a procura de qualquer objeto que pudesse transformar em uma arma.
– A menos que você não queira! – disse ele, me olhando com olhos de terror e tentando esconder todos os objetos pontiagudos da mesa. Não sei o que alertou ele: se foi meu olhar psicótico e tremido ou a boca esgarçada babando saliva e mostrando todos os dentes.
Sabe, no íntimo, nem eu me compreendo. Eu estava feliz por não ter que magoar os sentimentos dele, mas ao saber que ele estava me rejeitando por ter se decepcionado comigo, isso feria o meu orgulho de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Senti muita vontade de matá-lo naquela hora, mas eu me segurei. Imagino que tenha sido minha boa ação do dia. No fim das contas, dei um abraço nele, carinhoso o suficiente pra mostrar que gostei e forte o suficiente para alertá-lo. Infelizmente, ao fazer isso, acabei derramando um copo de chá que tinha para mim.
– Ai não, desculpa cara! Será que mancha? – perguntei um pouco desesperado por ter derramado aquele chá verde numa mesa de madeira japonesa caríssima.
Saí correndo para pegar um pano, mas não achei nenhum na pia. Tive que recorrer.
– Hikari, onde estão os panos de pia?
– Do lado do escorredor de pratos.
Procurei mais um pouco e finalmente encontrei um. Molhei o dito cujo e voei de volta para a mesa, mas ela já estava limpa, brilhante e reluzente, sem nem uma manchinha. Olhei para aquilo durante um tempo, depois olhei para Hikari em buscar de respostas, e ele simplesmente ergueu um guardanapo molhado de chá verde.
– Nossa, muito obrigado por me avisar sobre os guardanapo… Eu realmente me sinto feliz por você ter me avisa pra eu não precisar ficar que nem um doido atrás de pano pra limpar a bagunça. – disse eu, irônico e sarcástico.
– Você perguntou? Não. Então contente-se de ter sido útil pra alguma coisa.
É hoje que eu mato ele!
– Escuta aqui, Hikari… Quem você pensa que é pra falar comigo desse jeito? – perguntei eu apontando o dedo na cara dele.
– Eu sou um ser superior, por isso não vou me trocar com pessoas do seu nível. – disse ele, fazendo cara de madame.
– Tu nem é filho de barão, pra começo de conversa. Como você pode ser superior a mim? Eu sou um Lorde Inglês, ta bom, meu filho?
– Tem razão, eu não sou filho de barão. Sou neto de rei mesmo, eu tinha me esquecido.
– Ai, como tu ta da realeza! Vai à merda, porra! – disse eu sorrindo.
Rimos durante um tempo da palhaçada, mas depois as coisas começaram a ficar mais sérias e o clima começou a pesar. Pensei por alguns momentos em sair por aquela porta e nunca mais voltar pra vê-lo. Pensei mesmo em cortar os laços com meu irmão adotivo, mas realmente valia a pena? Coisas que jamais saberei responder se continuar olhando nos olhos negros dele.
– Jack-nii-san… Se eu fizesse uma besteira enorme, gigante, monumental para proteger alguém que eu amo muito, você seria capaz de me perdoar? – perguntou ele, com ar triste.
Fiquei sem saber o que responder. Todos que me perguntavam aquilo, eu dizia sim na lata. Mas no fundo eu sabia que nem pra todos aquilo funcionava, tinham alguns que era na base da falsidade mesmo! Mas dessa vez, eu realmente estava começando a duvidar se seria capaz mesmo de ser humano com quem cometesse uma besteira desse tamanho. Agora Hikari… Como perdoar alguém que faz o que fez com você, e como não perdoar seu irmão adotivo, que está contigo desde que vocês eram crianças?
– Não sei, Hikari-nii-chan. Sinceramente eu não sei. Talvez eu ficasse com raiva no começo, mas depois que o tempo passasse e minha cabeça esfriasse, acho que eu seria capaz de perdoar. Por que?
– Nada! – disse ele, sorrindo e fechando os olhos. Me deu vontade de chorar.
Levantei-me. Precisava sair dali antes que as lágrimas saltassem pra fora do meu rosto.
– Hikari, preciso ir. Está ficando tarde e meus pais podem brigar comigo por causa do terremoto, afinal eles devem estar pensando que eu estou morto. Tchau!
Sai da casa dele às pressas, e quase me esqueci de pegar meus sapatos de volta. Mas nem me incomodei muito, e sai com os tênis nas mãos mesmo e pus no porta malas de Nefertiti e voei de volta pra casa. Não tinha me sentido nada bem com aquela nova do Hikari e podem me chamar de covarde o quanto quiserem, mas eu estava era fugindo de tudo! Do Hikari, do meu medo de estar certo, do meu medo de estar errado, do meu orgulho ferido, do meu amigo que me traiu… Você decide.
Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi me explicar aos meus pais, o que deve ter levado quase uma hora inteira. Quando finalmente me vi livre, segui para o meu quarto e fiquei mandando sms pro povo. Queria saber os resultados de Romolo, Perla e Nanda. Depois de um tempinho esperando, as mensagens chegam e me dizem exatamente a mesma coisa: todos não se lembram de nada do que aconteceu. Ótimo! Depois de mais algumas palavras trocadas entre nós, me despedi e fui dormir. Sabia que o dia tinha sido péssimo, mas não estou disposto a dar o braço a torcer.
POV netuniano
Eu caminhava pela rua escura, onde não tinha ninguém perto de mim para que eu pudesse me defender. Não tinha líquidos a uma boa distância, o que era de todo ruim. Se eu quisesse me defender adequadamente, teria que andar com uma garrafinha de água ou no mínimo com uma gilete para fazer o sangue escorrer quando precisasse. Caminhei mais um pouco com meus pensamentos até a casa dele. Preparei-me mentalmente para um combate.
Quando cheguei próximo à casa, convoquei um pouco de água do lugar mais próximo possível e um esguicho saiu da torneira do quintal de uma casa atrás de mim. Agrupei-a ao meu redor e usei-a para subir no telhado como me fora indicado na mensagem que eu tinha recebido. Fiquei um pouco molhado, mas tirei as moléculas de água que grudaram na minha roupa e me preparei para usar como arma.
– Fico feliz que tenha chegado! Já estava pensando que você não viria mais. – falou uma voz terrível, mas que não me dava mais medo.
– Como não vir diante de tão persuasivo convite. Você praticamente costurou a idéia na minha cabeça. Mas enfim, vamos ao que interessa. O que você quer de mim – perguntei eu, estreitando os olhos.
– Digamos que eu quero você. Sabia que os netunianos são extremamente poderosos? Eu poderia usar muito bem o seu poder.
– Aí é que está. Você quer apenas me usar como se usa um brinquedo. Acredite meu caro, de brinquedo eu não tenho nem a cara!
– Não precisamos encarar como se eu fosse o seu dono. Você é um ser humano, ou quase isso, e tem vontade própria como qualquer um. Eu seria apenas seu coordenador, que tal?
– Mostre a cara, miserável! Quero saber com quem estou fazendo negócios!
Então, das sombras mais escuras, surgiu a forma de um homem enorme. Era bem malhado e tinha a pele tão negra quanto um chocolate. Ele caminhou até mim e ficou na minha frente, como que para mostrar que ele não queria enganar ninguém, mas mantive total atenção para o que ele poderia fazer comigo naquele momento. Armei a água ao meu redor.
– Abaixe suas armas, Netuno. Ambos sabemos que você e eu não precisamos brigar. Podemos cooperar um com o outro e no final, os louros irão ser divididos igualmente! Não me julgue injusto.
– E você não me julgue ingênuo. Eu vi o que você é capaz de fazer com quem vai contra a sua vontade. Perla e Romolo ainda devem estar com seqüelas pelo “tratamento” que tiveram.
– Águas passadas não movem moinhos, nem no seu caso. Ora vamos, sabe que eu poderia matar todos vocês naquele instante, mas não o quis. Considere: teremos o mundo inteiro nas mãos e você poderá ficar com uma grande parte.
– E Jade, onde ela entra nessa barganha. Claro que ela não vai se contentar em ser uma mera subordinada.
– Subordinada? Quem disse que ela é subordinada? Ela está aqui como sócia minha. E você também pode fazer parte de nossa sociedade, basta seguir minhas ordens.
Olhei-o por um momento, para ter certeza de que ele não estava mentindo. Por um mísero segundo considerei explodi-lo usando a água e o sangue que existiam dentro dele. Seria lindo: sangue e água iriam saltar para fora dele como se tivessem recebido uma pancada!
– Eu não faria isso se fosse você. Vai parecer muito suspeito se meu corpo aparecer nas condições em que você pensou. – disse ele.
Merda!
– Façamos o seguinte: uma troca justa.
– E que troca seria essa? – perguntou ele, subitamente interessado.
– Meus serviços pelo Jack. Eu serei membro da sua sociedade, mas Jack é intocável! Nem você, nem a Jade poderão machucá-lo, ouviu?
– Essa troca está mais do que injusta! Ela me deixa em completa desvantagem! Estou sinceramente ofendido! – falou ele, com a cara fechada.
– É isso ou nada feito! Você escolhe! – disse eu, com um sorriso na cara. Esse ultimato funcionava com todo mundo, e com ele não seria diferente.
Ele pareceu querer me matar por um segundo, mas depois voltou ao estado normal, e pareceu disposto a negociar melhor. Pensei ter ganhado o jogo, mas eu estava completamente enganado. Uma fortíssima pontada na cabeça me fez perceber que aquela barganha sairia bem mais cara!
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