Rain Sound
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Eu não fazia ideia do porquê, mas Marco nunca havia me chamado de nada. Meu namorado nunca havia dito o meu nome.
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Quatro dias depois e aquilo ainda me atormentava. Eu decidi não tocar no assunto, decidi pensar que era tudo idiotice, porque eu não ia aguentar outra discussão com Marco no momento. Nenhum de nós ia conseguir lidar com mais um problema. Só que na verdade o fato de eu nunca ter ouvido ele dizer meu nome me perturbava bastante e não saía de minha cabeça em momento algum.
O dia seguinte ao nosso acerto de contas foi tranquilo. Nos encontramos em uma das aulas e ele sentou ao meu lado. Na verdade não conversamos muito de início, mas à medida que o almoço chegava mais perto nos aproximávamos mais. Sentamos na mesa dos nossos amigos e combinamos que iríamos comunica-los da nossa decisão de assumir o namoro em público.
'Vocês não acham que é muito cedo pra isso não?' Ymir arqueou uma sobrancelha.
'A gente tá junto faz mais de um mês! Como isso pode ser muito cedo?' perguntei meio surpreso. Para alguém que nunca havia se relacionado com ninguém um mês não era pouco tempo.
'Pra um relacionamento hétero talvez não seja, mas, mano… Vocês vão sofrer com isso. Pra mim e pra Christa é mais fácil do que vai ser pra vocês. Primeiro que a gente não fala com ninguém — em contraste a gente tem o Marco sendo super popular por ser o capitão do time de basquete. E além disso as pessoas objetificam lésbicas então, no fundo, ninguém realmente se importa. Os caras curtem ou não ligam, as meninas ficam distantes, mas a gente não se importa. Agora, quando o casal é de dois garotos a coisa complica.’ ela respondeu ainda coma sobrancelha arqueada. ‘Eu entendo que é uma bosta esconder, é uma bosta esconder quem você é e esse tipo de coisa, mas vocês têm que pensar nas consequências disso. Tipo, eu não to falando pra agir igual a esse babaca agia antes.’ Ymir apontou para Reiner, que pareceu não dar a mínima. ‘Sair batendo nos outros pra defender a heterossexualidade de vocês e tal, mas… Acho inteligente pensar um pouco mais no assunto antes de agir.’
'Olha, eu tenho certeza que ninguém do time vai ligar. Até porque a maior parte dos meninos sabem que você é gay, Marco, e os que não sabem desconfiam, mas eu vou concordar com a Ymir nessa, cara. É foda, é foda de verdade. Há quanto tempo eu e o Bert nos escondemos? Sei que parte disso é porque eu tenho medo de assumir, mas… Você entende?’ o loiro completou o que a morena dizia. ‘Se vocês decidirem assumir a gente vai cuidar de vocês, claro, porque a gente é amigo, mas é um assunto a se pensar.’
'Como sei que ninguém vai se atrever a tocar no assunto vou fazer isso eu mesma…' Annie suspirou. 'Vocês acabaram de sair de uma briga feia. Não é o momento. Vocês claramente não sabem onde tão pisando. É melhor esperar.'
Marco escutou todas as opiniões sem responder a nenhum deles, fiz o mesmo e fiquei em silêncio enquanto todos falavam. Ele segurava minha mão por debaixo da mesa colocando uma pressão considerável nela. O encarei por um instante, ele estava com os olhos encarando o vazio, como no dia que Eren veio falar comigo, mas sem raiva alguma no olhar. Na verdade parecia que ele não se importava muito com o que estavam dizendo.
'Bom…' a voz tímida de Christa me tirou de meus devaneios, olhei para ela rapidamente. 'De qualquer maneira: a decisão é de vocês. Esperamos que façam uma boa escolha e que não tenham problemas, mas estaremos aqui pra qualquer coisa. Vocês sabem…' ela sorriu.
'Eu entendo tudo isso, entendo de verdade, mas qual é o pior que pode acontecer? Ninguém vai se atrever a encostar no Marco. Ele é o capitão do time, o que significa que já é forte por si só e ainda tem vocês todos pra dar uma surra em quem tocar nele. Se ele tiver problema com a família eu entendo e retiro minha proposta, mas se não for isso eu realmente não vejo motivos pra gente continuar se escondendo…’ suspirei, Marco virou para mim e sorriu levemente.
'Então faça o seguinte: não escondam. Só que não sejam explícitos.' Bertholdt sugeriu. 'Eu já passei por isso… Teve uma época em que eu e Reiner brigamos porque eu estava cansado de esconder. No fim eu percebi que a gente não escondia nada, mas também não devia explicações… Então passou.' eu assenti. 'E pensem na possibilidade de assumir pro mundo, mas não pra escola.'
'É! Lá fora foda-se! Vocês não devem nada pra ninguém. Só que aqui dentro é um pouco mais complicado. Vocês podem arrumar encrenca se algum membro dos funcionários for homofóbico, por exemplo.' Reiner completou. 'Eu ia fazer uma piada sobre homofóbicos, mas acho que vinda de mim seria zoado.' ele riu. Aparentemente só eu achei aquilo um bom comentário porque o resto da mesa o ignorou completamente.
Acabamos decidindo seguir o conselho de Bertholdt e Reiner. Lá dentro agir como amigos, no mundo lá fora seríamos nós mesmos e seríamos felizes. Na verdade eu decidi. Marco deixou a decisão por minha conta completamente. Como me pareceu a ideia mais sensata acabei a acatando. E não comentei nada sobre o que me incomodava.
Algum tempo depois de eu chegar em casa Marco apareceu com um cara que arrumaria minha porta.
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O segundo dia foi mais difícil. Porque, ao contrário de no dia anterior, Marco estava falante. Aproveitei para perguntar o motivo de ele estar estranho no dia anterior, ele disse que eu não devia me preocupar. Fiz questão de dizer seu nome o quanto desse, mas ele não pareceu perceber isso.
Marco me chamava de “cara” e “velho” quando as pessoas estavam ouvindo e de “amor” quando ninguém podia ouvir — como nos sms e coisas por escrito no geral.
marco: olhar pra outras bundas enquanto namora é traição?
J.K.: ??
marco: rsrs xD é que tem umas meninas discutindo isso aqui na sala
marco: aparentemente elas acham que sim… eu não… não é traição se nada acontece, certo?
J.K.: Claro.
marco: tá em que aula?
J.K.: Levi. Tentando não ser pego com o celular. Por sinal ainda bem que você disse que olhar pra outras bundas não é traição porque, Marco do céu…
marco: pfff ok, amor, não vou mandar mais nada pra você não correr riscos rs ;)
marco: mas a minha bunda é bem melhor do que a do professor Levi
J.K.: Só se for em sonhos. ♥
marco: tonto ♥
No almoço Marco decidiu levar esse tópico para discussão. Reiner e Ymir concordaram que é instinto, mas que ninguém pode olhar a bunda de seus namorados. Bert ficou do lado de Marco dizendo que não é traição, mas que é um instinto que devia ser contido porque podia levar ao problema. Christa ruborizou e disse que não via problema. Annie declarou não ligar tanto para bundas e decidiu não se pronunciar mais porque, por ser solteira, ela achava que sua opinião não valia muito para o assunto. Eu finalizei comentando que a bunda do professor Levi era bastante bonita. Isso gerou uma certa polêmica.
Esse foi nosso dia: falar sobre bundas. Mais tarde, no grupo que tínhamos no Whatsapp, o assunto bombou novamente. Acabei aprendendo que minha própria bunda era bastante desejável e invejável e que Ymir, mesmo sendo lésbica, observava os glúteos de meninos — sem se sentir atraída por eles — porque “não se pode negligenciar uma bela nádega”. Aquela foi, provavelmente, a melhor frase que eu havia escutado nos últimos meses.
–
No terceiro dia combinamos de ir ao cinema juntos no dia seguinte. Seria um sábado então não teríamos problema com aquilo. Eu e Marco aceitamos contanto que a sessão fosse de tarde para podermos sair à noite só nós dois — primeiro encontro oficial pós reconciliação. Iríamos jantar juntos e depois Marco dormiria em casa porque minha mãe não estaria lá.
O resto do dia se baseou em estudos para mim. Fazia tempo que eu não sentava na cadeira e estudava de verdade — o que eu tinha de fazer de vez em quando para não me ferrar completamente na escola. Fiquei horas em frente ao livro e resolvendo exercícios, no fim da tarde já estava exausto e quase não enxergava porque o sol estava se pondo. Resolvi parar, fui direto para a cama e deitei, pegando o iPod e o celular.
No Whatsapp o grupo com meus amigos tinha seiscentas e vinte e três mensagens e o celular continuava vibrando na minha mão. Decidi ler por cima o assunto porque não teria paciência de ver tudo. Reparei que a primeira mensagem era de uma hora e meia atrás. Eles tinham mandado seiscentas mensagens em uma hora e meia. Fechei os olhos e respirei fundo conseguindo forças para aguentar aquele grupo. Na verdade eu geralmente o deixava silenciado, para não receber tantas notificações, mas o modo silencioso expira depois de um tempo e sempre esquecia de voltar para ele. Tudo começou com Reiner pedindo ajuda em um exercício de física, depois a conversa foi para bundas — o que estava sendo um tópico bastante corriqueiro — e depois para comida. A última mensagem era de Christa dizendo que ela gostava de bolos.
J.K.: Caralho, vocês falam muito.
Silenciei o grupo novamente e chequei as outras duas conversas com notificação. Abri a primeira, as mensagens eram das três e pouco da tarde.
Arlete: eeeei!
Arlete: droga, mexeram no meu celular de novo….
Armin: pronto… enfim…. quando estiver livre me chama!
J.K.: Por que sua foto é o Skinner dos Simpsons, cara?
Tive que rir da situação. Pobre Armin, nossos amigos sempre zoavam com ele em redes sociais. Abri a outra conversa, as mensagens foram mandadas em horários espaçados.
marco: oi (14:56)
marco: ok, você não checa seu celular desde o fim da aula, devo me preocupar? (15:25)
marco: tá, to te vendo pela janela, você tá bem :D (15:28)
marco: tédio…………….. quer vir aqui mais tarde? (16:33)
marco: '-' (17:59)
J.K.: Vou dormir cedo hoje pra acordar bem amanhã e ter pique pra ficar fora o dia inteiro. E mals, tava estudando. (18:03)
Chequei as novas mensagens do grupo. A maioria me mandando a lugares por demorar para responder e por ter dado uma resposta idiota daquelas. Respondi com uma aquela carinha de óculos escuros sorrindo. Armin não checava o Whatsapp desde as quatro e meia, Marco desde as seis em ponto. Travei o celular e o coloquei do meu lado. Acabei pegando no sono.
~~
O quarto dia foi o fatídico. Também foi um dia que precisa ser descrito com mais detalhes.
Minha rotina matinal pode ser privada de detalhes. Depois de estar pronto para sair peguei meu celular e percebi que ainda tinha uma hora livre antes de Marco vir para irmos juntos. Eu iria dirigindo porque sairíamos juntos logo depois do filme e depois viríamos para a minha casa, então não fazia sentido irmos com o carro dele.
Chequei as mensagens perdidas enquanto eu dormia.
Armin: aparentemente o nome dele é Armin Tamzarian….. é, eu também n sabia disso.. coisa do Connie, vc conhece bem a figura (20:01)
Armin: enfim, queria saber se você falou com >ela< sobre >aquilo< (n é seguro eu usar nomes aqui, eu acho… a n ser q eu delete a conversa…. é, vou fazer isso) (20:01)
Armin: vc tá aí??? (20:32)
Armin: me responde quando estiver aqui (21:42)
Armin estava acostumado com o fato de eu quase nunca responder rápido, geralmente nossas conversas duravam dias para ter um fim ou uma mudança de assunto.
marco: ah, ok (18:08)
marco: fala sério, você não pegou no sono CINCO minutos depois de me mandar aquilo, pegou? (18:21)
marco: --' boa noite então, até amanhã (22:22)
Acabei não respondendo nenhum dos dois. Veria Marco veria em pouco tempo e decidi que era melhor não responder Armin porque não poderia dar continuidade à conversa no resto do dia todo. Entrei no tumblr para passar o tempo e só saí quando a campainha tocou. Desci com minhas coisas todas e a chave do carro em mãos.
'To saíndo! Bom jantar hoje a noite!' gritei para minha mãe quando a vi na cozinha. Ela não se deu ao trabalho de responder. Fui pego de surpresa por um selinho quando abri a porta.
'Bom dia, flor do dia!' Marco cantarolou. 'Vou te perdoar por ter me ignorado ontem porque não quero estragar nossa noite mágica.' ele sorriu radiante. Sorri de volta.
'Minha mãe ainda tá em casa, sabia?' ele corou instantaneamente.
'Eu devo dar oi?' dei de ombros. Marco assentiu. 'Vamos?' pegou minha mão. Foi minha vez de assentir.
Tudo foi bastante tranquilo durante a tarde. Nossas conversas foram animadas, sentamos juntos porém com uma certa distância. Os casais um ao lado do outro e Reiner, Bert e Annie juntinhos — o que era, de certa forma, hilário. Tenho de confessar de que não faço ideia de que filme nós fomos ver, só sei que foi um drama que me fez dormir no ombro de Marco já nos primeiros minutos e até o fim. Depois fomos até a sorveteria, Marco e eu não pegamos nada — usaríamos nosso dinheiro de noite.
O pessoal foi embora em torno de umas sete da noite. Marco e eu estávamos usando camisas sociais e jeans escuros, para parecer sérios, já que iríamos jantar fora.
'Vans não é nada formal, sabe…' ele disse quando já estávamos acomodados em nossa mesa no restaurante japonês.
'Claro, porque All Star é o calçado mais formal do mundo.' revirei os olhos. 'Eu quero o rodízio completo, de cara dois temakis de salmão completos e uma Coca, mas traz um canudo ao invés de um copo.'
'Rodízio completo, um temaki de salmão sem cebolinha e um suco de laranja, por favor.’ Marco ressaltou o “por favor” na frase olhando para mim. ‘Em primeiro lugar: seu querido décimo Doctor usa um All Star. Em segundo: você podia tentar ser mais educado, né?’ falou quando o garçom se retirou.
'Você tem um ponto… Não sabia que você curtia Doctor Who. E sobre ser educado: reclama com quem me criou.' ele cerrou os olhos para mim. 'Ok, ok, desculpa, vou tentar.' Marco sorriu, apoiei meu queixo com minha mão. 'E eu prefiro o nono do que o décimo, apesar de gostar muito de todos eles.' quando o cumim deixou nossas bebidas eu agradeci, o que fez o garoto na minha frente sorrir ainda mais.
'Vi alguns episódio faz um tempo porque você foi com uma blusa disso na escola… É legal, mas vi só um episódio por temporada, o que me deixou bem confuso porque as coisas só foram fazer sentido depois de eu ler explicações sobre a série na internet.' ele tomou um grande gole do suco. 'Perfeito! Amo o suco daqui, é o melhor de todos.' foi minha vez de sorrir, ele era adorável. 'Você e sua mãe têm uma relação difícil, né?' respirei fundo com a pergunta. Não era o tipo de assunto que eu queria discutir, mas tínhamos um combinado, então respondi.
'Não muito, pelo menos não hoje em dia. A gente era bem próximo um do outro antes, quando meu pai ainda morava em casa, antes de ele começar a ficar bem violento. Ela basicamente só ignora minha existência então acho que não consideraria isso como difícil. Talvez ruim, mas não difícil.' ele escutava o que eu dizia com muita atenção, percebi que uma de suas mãos estava fechada em um punho bem próxima à minha em cima da mesa. 'Sei lá… Eu amo minha mãe, não sei o que se passa na cabeça dela, mas eu aceito porque não tenho muito o que fazer pra mudar as coisas, né…' sorri levemente, estava sendo o mais sincero que podia sem parecer muito vulnerável em público. 'E você?'
'Ah, lá em casa a gente se dá bem… A pessoa que é mais conflituosa é meu irmão, sabe? Ele brigava bastante com meus pais, mas nunca comigo. É normal, eu acho, às vezes eu discuto com meus pais, mas a gente volta a se falar logo.' falou desinteressado. 'Meu pai não sabe que eu sou gay, não oficialmente, mas acho que ele desconfia. O resto da família quase inteira sabe.' ele estendeu os dedos e encostou timidamente em minha mão, seu olhar preocupado, eu sorri e assenti. Ele uniu nossas mãos em cima da mesa sorrindo para mim. 'Você sente falta de ser próximo dela, amor?' de novo, aquela minha neura voltou à superfície.
'Um pouco, mas como eu falei: não tem anda que eu possa fazer.' o cumim chegou na mesa trazendo os temakis e mais alguns pratos, Marco me soltou rapidamente, assustado. 'Você sabe que não precisa fazer isso, certo? Eu já disse que não ligo que vejam a gente.'
'Hm.' foi tudo o que ele respondeu. Para alguém que não queria segredos entre nós Marco guardava as coisas pra ele mais do que devia. Insisti tanto que ele acabou falando. 'No almoço você hesitou. Quando eles falaram que a gente não devia assumir.'
'Não foi que eu exitei. É que, cara, a gente de fato teria problemas na escola e, desculpa, mas eu não quero depender da proteção do time de basquete minha vida escolar inteira, sabe?' ele cerrou os olhos por um instante, como se analisando se eu dizia a verdade, mas logo depois sorriu. 'Mas aqui fora a vida é nossa, ninguém tem nada a ver com isso.' ele voltou a segurar minha mão feliz. Eu ri. 'Só acho que vai ser um pouco difícil a gente comer assim.' ele também riu e me soltou. 'Depois a gente pode ir até o carro de mãos dadas ok?' Marco assentiu.
Enquanto comíamos conversávamos sobre diversos assuntos. Conversávamos sobre matérias da escola, sobre videogames, sobre assuntos mais pessoais, sobre situações idiotas. Isso era algo que eu gostava muito no meu novo grupo: nós fluíamos. Íamos de uma conversa para outra sem parar, sem terminar a anterior, e o assunto raramente acabava. Com Marco então nem se fala. Era como se nos conhecêssemos há anos, como se fossemos melhores amigos desde pequenos.
Conversa vai, conversa vem, decidimos pedir a conta. Cada um pagou o o seu e fomos para o carro. Os dedos de Marco entrelaçados aos meus me davam uma felicidade enorme. Felicidade daquelas que a gente não acredita que exista até sentir na pele. Daquelas que a gente acha que só existe em ficção porque parece tão distante da realidade. A verdade era que eu já havia sentido aquela felicidade antes, mas elas estava mais distante de mim do que das outras pessoas com quem eu convivia. Decidi parar de pensar em assuntos nostálgicos e dar importância ao momento apenas, aos dedos quentes de Marco segurando os meus fortemente, como se tivesse medo que eu escapasse de perto dele. O presente era bom, então decidi tentar me ater apenas a ele.
'Olha por onde anda, viadinho!' um cara tentou comprar briga depois de esbarrar em Marco. Segurei a mão dele mais forte e apertei o passo, não olhando para a cara do sujeito que gritava conosco. Sabia que se eu entrasse na dele a briga seria feia. 'Ei, seus moleques, voltem aqui!' ele continuou gritando e veio atrás de nós. Ignorei o fato daquela voz me ser, de alguma forma, familiar, abri a porta do carro para Marco e fui quase correndo para o banco do motorista. Ao dar a partida e andar um pouco, já longe o suficiente de lá para não conseguir ver o rosto do cara, olhei para o retrovisor para ter certeza de que o homem não estava nos seguindo.
Ele estava parado no meio da rua, gritando algo que eu não escutava direito, aparência de alguém desgastado, o terno todo amarrotado e sujo, uma garrafa de bebida na mão. Ao seu lado uma mulher de vestido preto o puxava para a calçada. Bufei e dirigi meu olhar a Marco, que estava branco como uma folha de papel.
'Tá tudo bem?' ele assentiu. 'Tem certeza? Quer que eu encoste o carro?' Marco balançou a cabeça negando. Quanto mais eu insistia, mais ele fazia o mesmo. 'Vai realmente querer dormir em casa?'
'Que pergunta tonta. Claro que vou. Eu estou bem, só pensei que você fosse entrar na dele então suas reações foram inesperadas. Não se preocupe com isso, amor, de verdade. Vamos pensar em outra coisa.' ele não precisava ter feito aquele pedido. No momento em que ele me chamou de “amor” meu cérebro voltou automaticamente à minha neura dos últimos dias. Liguei o rádio para tentar desviar meus pensamentos. Marco ficou cantando o caminho inteiro e eu rindo dele.
Em casa fomos direto para o meu quarto. Mesmo minha mãe não estando lá eu resolvi me dar ao luxo de trancar a porta agora que podia. Fiquei lá, parado por um tempo, uma mão na chave e a outra na madeira. Por mais ridículo que fosse aquela porta era importante para mim. Ela significava que não havia mais volta, não havia como eu parar de ama-lo, que eu e Marco já fazíamos parte um do outro. Para mim aquela porta significava que éramos tão reais quanto qualquer objeto daquele quarto, tão reais quanto ela mesma.
'O quão idiota é eu dar tanta importância pra uma porta?' perguntei baixo e rindo de mim mesmo. Encostei a testa na madeira. Senti Marco me abraçar por trás, o que me pegou de surpresa pois não havia ouvido ele levantar da cama e vir até mim. Abri a boca para falar, mas nenhuma palavra saiu.
'Não é idiota. A importância que você dá pras coisas não é idiota. Olha bem pra ela. É uma das únicas coisas no seu quarto que não é cinza. O marrom significa maturidade, sabia?' ele me apertou mais forte. 'Eu queria que você lembrasse de mim, quase escolhi uma porta verde, mas achei que fosse ser muito chamativo.' ele riu e beijou minha nuca. 'Suas simbologias são bonitas. O seu jeito de pensar sobre as coisas é bonito. É um dos motivos pelos quais eu sou tão apaixonado por você. Você é sensível. Por mais que essa sua máscara carrancuda e às vezes esnobe esconda isso, eu consigo ver o quão sensível você é.' ele me virou e me prensou contra a porta. 'Não é idiota. É bonito.' seus olhos brilhavam olhando para mim, eu não respondi, apenas o puxei para perto e o beijei.
Aquele foi, provavelmente, o beijo mais longo que já havíamos dado. Fiquei tão imerso nele que quando nos separamos me surpreendi pelo fato de estarmos os dois sem camisa. Comecei a passar minha mão pelo tronco de Marco, mordendo meu lábio inferior de nervoso, sentindo cada milímetro dele. Não de um jeito libidinoso, mas sim de um jeito afetuoso. Ele percebeu isso e não se moveu, ficou apenas sorrindo para mim. Percebi cada sarda que ele tinha, percebi sua pele, bastante macia, percebi cada marca, percebi ele inteiro. Levantei a cabeça para olhar para ele diretamente nos olhos.
'Você nunca falou meu nome.' minha voz saiu bem baixa, quase um sussurro. 'Eu nunca ouvi você falando meu nome.' Marco juntou as sobrancelhas em uma expressão triste, mas logo depois abriu seu sorriso novamente. Sem responder ele voltou a me beijar e me pegou no colo, me levando até a cama — onde me deitou. Seus beijos e mordidas leves em meu pescoço não me permitiam pensar em mais nada. Foi como se eu não houvesse feito pergunta alguma. Marco tirou minha calça e minha boxer e logo em seguida as dele e jogou as peças no chão do quarto. Ajoelhado em cima de mim ele segurou nossos membros semi eretos e começou a estimula-los. Nossos gemidos quase sincronizados.
Ok, eu sabia que alguma coisa daquele tipo aconteceria. Quando você chega para seu namorado, já tendo feito algumas coisas no sentido sexual, e diz que ele pode dormir na sua casa aquela noite porque sua mãe não estará lá você tem que saber que há a possibilidade de alguma coisa acontecer. Não era como se eu não estivesse preparado — eu estava — era só que eu não estava esperando que fosse tão rápido.
'Você tem…' ele sussurrou em meu ouvido. Antes que ele pudesse terminar a frase eu assenti e apontei para meu criado mudo. Da gaveta ele tirou um pote e um pacote de camisinha. Como eu disse: eu estava preparado. 'Quer trocar de posição? Quer que eu seja o passivo? Eu não me importo.' corei com o quão direto ele havia sido. Marco ficou em silêncio esperando minha resposta.
Na realidade tudo aconteceu muito rápido, mas na minha mente eu demorei horas para pensar. Se há uma verdade irrefutável nessa vida é que não importa se você é quem entra ou quem recebe: se você não é hétero, você não é hétero. Eu amava Marco e eu queria aquilo, disso eu não tinha dúvidas. Só que eu sabia que doeria — eu havia feito minha pesquisa bem o suficiente. Eu já havia pensado sobre aquilo e havia chegado à conclusão de que queria senti-lo dentro de mim, mas também queria saber como era estar dentro dele. Marco estava me oferecendo as duas possibilidades. Era minha escolha. Porque ele não queria me pressionar. Porém meu corpo pedia por ele, minha mente pedia por ele. Naquele momento eu precisava dele em mim, precisava senti-lo dentro de mim como se fôssemos um só.
'Só… Toma cuidado…' minha voz saiu bem fraca, quase inaudível. Ele assentiu sorrindo. Marco abriu o pote e lambuzou minha entrada e sua mão de lubrificante.
'Você precisa relaxar o máximo que pode, ok? Quanto mais relaxado você estiver melhor vai ser pra nós dois, mas principalmente pra você.' assenti. Ele colocou um dedo em mim. Me contraí inteiro — mais pelo susto do que pela dor. Com a outra mão ele acariciava o topo da minha cabeça, entrelaçando fios do meu cabelo em seus dedos. Aquilo, de fato, me deixava um pouco mais calmo, mas o que dói dói e isso não se discute. Ficamos daquele jeito por um tempo, eu fui relaxando aos poucos e ele começou a mexer o dedo dentro de mim. 'Vou por mais um.' avisou depois de eu ter começado a mover meu quadril querendo mais contato. Eu assenti. A dor foi um pouco maior. Ele esperou que eu acostumasse para voltar a movimentar os dedos. Dessa vez ele abria e fechava, me alargando o máximo que podia. Demorou um pouco mais, mas logo eu já estava acompanhando ele com o meu quadril, até que seus dedos roçaram em algo dentro de mim. Meu gemido saiu alto naquele instante, então levei minhas mãos à boca, tentando abafar qualquer som que pudesse sair de lá. Ele sorriu, beijando minha bochecha. 'Aqui é bom, não é?' seus dedos acertaram novamente o local e eu repeti minha reação.
Marco continuou fazendo aquilo mais algumas vezes. Eu estava começando a ficar irritado, cada vez que eu gemia seu sorriso aumentava. Aquilo me deixava irado porque eu sabia que estava completamente à mercê dele. Quem pensa que Marco Bodt é o garoto meigo e fofo que aparenta ser está tão enganado… Ele colocou mais um dedo em mim e eu quase não percebi porque assim que ele colocou o terceiro ele acertou minha próstata. Eu xinguei baixinho, isso o fez rir. Após algum tempo ele tirou os dedos de mim.
'Se quiser que eu pare…' eu neguei. Mais por orgulho do que por realmente achar que aguentaria a dor. Ele percebeu isso, pegou minha mão e a beijou. 'É sério. Se quiser que eu pare ou se quiser trocar de posição me fala, por favor. Eu não quero te machucar, muito menos te pressionar. Pode até ser que seja difícil, mas eu vou parar.' neguei mais uma vez. Dessa vez ele simplesmente assentiu. Colocou a camisinha, levou sua mão ao pote de lubrificante e espalhou bem por seu membro e por minha entrada. Marco se posicionou e começou a entrar em mim. Mesmo depois de toda a preparação ainda doía um pouco. Ele começou a me masturbar, tentando desviar minha atenção da dor, e só parou quando já estava inteiro dentro de mim. 'Tá tudo bem?' eu assenti. Mesmo assim Marco ficou parado, esperando que eu me acostumasse.
Percebi que ele começou a apertar meu quadril com um pouco de força. Devia ser difícil para ele aguentar tanto tempo parado, mas, por mais que eu não quisesse tortura-lo, não queria acabar me machucando. Quando eu já não sentia dor mexi meu quadril um pouco, avisando que estava tudo bem. Marco começou a, lentamente sair de mim para estocar. Aquilo doía. Eu realmente não esperava que doesse, mas doía. E eu tinha que aguentar, se não nós não terminaríamos o que havíamos começado. Não por ele, mas pelo meu próprio orgulho, eu não pretendia parar.
Marco estocou a primeira vez e eu gemi de dor, ele percebeu e parou, mas eu movi meu quadril novamente, pedindo que ele continuasse. Quando ele deu a segunda estocada eu fechei os olhos, apertei bem forte o lençol da cama e rangi os dentes. Talvez fosse porque eu não estava nem um pouco relaxado, mas aquilo estava doendo bem mais do que eu imaginava que doeria depois de Marco ter me preparado tão bem.
'Se você quiser parar fala agora… Porque se a gente continuar eu não sei se meu auto controle vai ser tão forte assim…' eu movimentei meu quadril, mostrando que queria continuar. Marco gemeu e veio me beijar. Enquanto ele me beijava ele começou a estocar em mim e com uma das mãos me masturbar.
Eventualmente a dor se dissipou e tudo o que sobrou foi prazer — bem quando ele acertou meu ponto mais sensível. Meu gemido foi quase um grito, Marco riu. Dessa vez seu riso não me irritou, era de alívio, eu sabia. Acabei rindo com ele, mas assim que ele acertou o mesmo ponto de novo eu não consegui mais rir. Nossa risada foi se transformando em gemidos e seu ritmo começou a aumentar. Eu tentava o acompanhar. Marco soltou meu membro para segurar meu quadril e o movimentar de acordo com suas estocadas. Tudo foi ficando mais intenso, eu chamava seu nome toda vez que ele voltava para dentro de mim, até que eu senti uma onda fortíssima de calor.
'M-marco, eu…' comecei a tentar falar.
'Uhum… Eu também.' ele se intensificou ainda mais. 'Jean!' Marco praticamente gritou meu nome ao chegar no ápice, algum tempo depois eu fiz o mesmo. Ele caiu em cima de mim e ficou algum tempo lá, deitado. Nós dois ofegantes, o cabelo dele grudado em seu rosto por conta do suor. 'Eu te amo.' foi ele quem quebrou o silêncio. Marco levantou, finalmente saiu de dentro de mim e começou a arrumar as coisas. Tirou a camisinha e foi joga-la no lixo do meu banheiro e logo voltou para a cama, com o rolo de papel higiênico na mão. Ele sentou ao meu lado e começou a limpar minha barriga — eu havia me sujado bastante. 'A gente vai precisar tomar um banho.'
'Depois…' eu o puxei para mim, obrigando-o a deitar ao meu lado. 'Agora quero ficar um pouco aqui com você.' ele riu e assentiu, me abraçando de conchinha.
Ficamos daquele jeito por um bom tempo. Quase uma hora. Percebi que estava chovendo, isso me fez sorrir. Eu gostava da chuva, gostava muito mesmo dela. Marco fazendo carinho na minha cabeça e eu em sua mão que me abraçava pelo abdômen. Era confortável. Tentei não pensar muito porque toda vez que eu o fazia alguma coisa dava errado.
'Quer tomar banho junto dessa vez?' perguntei virando de frente para ele. Marco assentiu. 'Mas é banho.’ isso o fez rir.
'Eu sei, eu sei. Essa é a ideia que você tem de mim? Um ninfomaníaco?' eu ri também. Marco levantou e me pegou no colo. 'Não quero que você faça muito esforço agora, ok? Porque você via ficar dolorido por algum tempo, mesmo que pouco.' assenti. Normalmente eu protestaria, mas naquele momento eu não sentia vontade alguma de fazê-lo. 'Tem um banquinho pra você sentar?'
'No canto, perto do armário.' ele me colocou sentado na privada, senti uma pontada de dor, merda. Marco voltou logo com o banquinho e colocou dentro do box. Levantei e me arrependi assim que o fiz. Ele me ajudou a andar até lá e a sentar depois. Meu namorado ligou o chuveiro e deixou água numa temperatura aceitável — não muito quente nem muito fria. 'Eu devia ter aceitado sua proposta de mudar de posição.' brinquei fazendo cara de carrancudo.
'Não foi bom?' ele parecia preocupado, eu sorri e dei um soco de brincadeira em seu braço. 'Ah, na próxima a gente inverte.' ele sorriu de volta entendendo minha brincadeira. Marco puxou o banco para mais perto da água e inclinou minha cabeça para molha-la. Pegou meu shampoo e começou a esfregar no meu cabelo.
'E-ei! Eu consigo fazer isso sozinho.' ele riu e afastou minha mão que tentava o parar, pedindo que eu deixasse ele me mimar um pouco. Fiquei em silêncio, os olhos fechados. De repente algumas memórias vieram na minha mente. Marco chegando ao ápice gritando meu nome. Meu nome… Senti um arrepio percorrendo minha coluna e meu coração bater mais rápido. Merda. Tentei pensar em alguma coisa diferente, mas meu cérebro resolveu não me ajudar.
'Só um banho, você disse?' zombou de mim. 'Acho que eu vou ter que te ajudar com isso aqui também. Neguei.
'Não precisa, vai sumir com o tempo, depois eu ligo a água fria…' podia sentir o quão corado eu estava. 'S-só termina logo o banho…' ele riu e acatou meu pedido. Me acalmei e continuei com meus olhos fechados, se eu visse o corpo dele naquele instante minha ereção voltaria com força total.
Marco desligou o chuveiro, perguntou onde ele podia pegar uma toalha, eu disse que no meu armário. Então ele foi pegar a toalha e roupas no meu quarto. Ele pediu uma cueca emprestada e eu assenti, ainda sem abrir os olhos. Quando ele voltou eu abri os olhos e notei que ele já estava vestido. Meu namorado veio me secar e me ajudar a me vestir. Depois me levou para o quarto e me deitou na cama mais uma vez, me seguindo e ficando ao meu lado. Fiquei virado de barriga para cima, enquanto ele me abraçava deitado de lado.
'Quando a gente se envolveu, depois daquele dia em que eu te trouxe aqui…' ele começou a falar me apertando mais forte perto dele. 'Foi a primeira vez que eu ouvi você falando o meu nome. Eu não sou igual a você, Jean… Não sou alguém cheio de simbologias como você é. É claro que eu dou importância pras pequenas coisas, mas é diferente. Você não. Você dá muita importância pra essas coisas. Eu sou romântico, eu gosto de romance, mas se eu sou assim imagino que você seja mil vezes mais. Porque você é mais sensível do que eu pra esse tipo de coisa.’ ele suspirou.
'Onde você quer chegar?' eu o interrompi.
'Me deixa falar.' ele me sacudiu rido. Ri também. 'Enfim. Eu pensei que se pra mim, que não sou tão romântico e tal quanto você, o jeito que você falou meu nome pela primeira vez importou tanto e foi tão bom, pra você devia ser algo bem mais especial. Então eu guardei a primeira vez pra nossa primeira vez.' Marco encostou sua testa em mim. 'Eu percebi que você tava estranho esses tempos, começou a me questionar sobre eu te chamar de amor… Mas eu sou meio lerdo, não percebi que era por isso. Me desculpa. Eu só queria que fosse especial. Porque eu sei que você gosta desse tipo de coisa… E porque eu percebi, Jean. eu percebi que ninguém te chama pelo seu nome… Nem sua mãe. Sei que eu devo estar sendo cruel falando isso, mas… Eu pensei que se eu fosse a pessoa que te chamasse pelo nome tinha que ser especial. Pra você guardar no coração sempre.' eu virei de lado para encara-lo, Marco tinha o olhar preocupado.
'Obrigado.' dei um selinho nele. 'Você me entende muito, Marco. Obrigado de verdade.' ele sorriu para mim e eu fiz o mesmo. 'Quanto à minha mãe… Eu não quero que você se preocupe com isso. Algum dia a gente pode conversar sobre isso, eu posso te falar como eu me sinto com relação ao jeito que ela me trata agora, te contar como era diferente, mas, enquanto eu não faço isso, não se preocupa, tá?' ele assentiu. Eu sabia que ele ia se preocupar mesmo assim e ele sabia que eu tinha consciência disso, mas naquele momento Marco não ia discutir comigo.
'Eu amo você, Jean. E eu vou estar aqui do seu lado aconteça o que acontecer, tá? Quero que você lembre que pode contar comigo sempre, quero que você lembre que eu vou te ajudar sempre. Eu sei que você disse que o amor não cura algumas coisas, que o amor não resolve alguns problemas, mas você tem que saber que eu quero te ajudar e que eu estou aqui.' apesar de seu sorriso Marco ainda sim parecia preocupado. Franzi o cenho.
'Tem alguma coisa que você queira me contar?' ele negou. 'Marco. Sem mentiras, lembra?' seu olhar desviou do meu e ele abaixou um pouco a cabeça, assentindo. 'E então… O que houve?' os lábios dele formaram uma linha bem fina, percebi que ele estava os mordendo. Marco abriu e fechou a boca umas três vezes antes de conseguir falar qualquer coisa e perguntar o que ele realmente queria.
'O que você faria se o seu pai voltasse pra sua vida?'
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