Rain Sound

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Fanfiction yaoi. Isso significa que rapazes mantém relações mais íntimas, sejam apenas românticas não-platônicas ou apenas sexuais ou ambas. É. Enfim, se não você não gosta desse tipo de fanfic sugiro que não leia ;3 Como eu tinha avisado: o capítulo demorou pra sair. Mais de mês. Sorry... Espero que gostem da leitura, vamos lá:

Naquela noite não havia chuva que acalmasse a tempestade. E eu sonhei com ela toda.

~~

Sendo bastante direto e sincero: o dia seguinte foi uma grande bosta. Pelo menos o período escolar.

Resolvi que seria melhor me isolar em todas as aulas — porque eu era esse tipo de pessoa imatura. Graças a seja lá o que vocês acreditem, Eren foi esperto e decidiu não direcionar nenhum olhar a mim, nem a Marco — o que, no momento, eu achava mais importante ainda. Percebi que Mikasa e Armin não estavam falando com ele direito, nenhuma palavra além do necessário, e que, eventualmente, um dos dois me olhava como se pedindo desculpa pelo amigo idiota. A culpa não era deles, eles não precisavam fazer aquilo, mas entendia o sentimento de vergonha deles. Por outro lado Marco e meus novos amigos não desgrudavam os olhos de mim em momento algum. Pareciam todos extremamente preocupados. Notei que o olhar de Marco se direcionava principalmente para meus braços. Ele encarava tanto que comecei a me perguntar se estava evidente a todos o que eu havia feito na tarde anterior.

Eu estava vestindo uma blusa de manga comprida preta e meu moletom extremamente largo, mais no que o necessário, cinza por cima. Aquela era minha roupa que melhor escondia o estrago e eu estava decidido que valia a pena passar calor se isso significasse que ninguém notaria meus machucados.

Nada do que os professores falavam entrava em minha cabeça, era inútil prestar atenção. Mais uma vez eu teria de correr atrás das matérias para não ter risco de me ferrar na escola. Bufei, irritado comigo mesmo, e isso fez a atenção dos outros em mim dobrar. Escondi meu rosto enterrando-o em meus braços, que estavam cruzados em cima do tampo da mesa.

Resolvi que não almoçaria aquele dia. Em primeiro lugar: seria muito estranho decidir onde sentar. Na mesa de Marco? Na de Eren? Sozinho? Achei melhor me poupar de mais um estresse. Além disso eu não estava com um pingo de fome ou de vontade de comer, então era melhor não ir para o refeitório e, consequentemente, não arriscar tornar a situação mais desagradável do que já estava. Eu odiava, sempre odiei, ser o centro das atenções nesse tipo de situação. Acabei trancado na mesma cabine de sempre no banheiro perto do refeitório. Alguém bateu na porta algum tempo depois de eu ter chegado lá. Ignorei.

'Abre essa porta, Kirschtein.' a voz que eu, provavelmente, menos esperava ouvir me chamou. 'Sai daí ou eu arrombo.' ele não parecia tão irritado quanto normalmente. 'A porta, claro.' a piada — horrível, diga-se de passagem — me fez esboçar um sorriso e abrir a porta da cabine suspirando. Reiner tentava sorrir. 'Quer conversar?' neguei, ele encostou no batente e cruzou os braços, me encarando fixamente. 'Bert foi o outro cara que Marco pegou.' ele fez uma pausa. 'Aí quando eu fiquei sabendo eu fiquei puto. Fiquei puto e não entendi o motivo de estar puto, o que me deixou mais puto ainda. Acho que os detalhes dessa situação não vêm ao caso agora, mas, em resumo: fiquei puto, tão puto que eu fiz o Bert escolher. Era ou Marco ou eu.' o loiro suspirou. 'Pelo olhar dele eu tinha certeza que tinha perdido meu melhor amigo na hora, sabe? Aí foi nosso primeiro beijo. Ele ia me beijar e ir embora porque ele achava — e eu também — que eu era cem por cento hetero e... Enfim...'

'Onde caralhos você quer chegar?' eu o cortei rapidamente, não estava com cabeça para ouvir contos. Reiner revirou os olhos.

'Eu retribuí, a gente acabou ficando junto e ele me explicou tudo. Ele me explicou que gostava de mim havia um tempão e que achava que eu e ele nunca íamos acontecer e que, eventualmente, ele comentou isso com o Marco e eles tinham isso em comum. Isso de gostar de alguém e achar que nunca seria recíproco, eu quero dizer. Aí eles ficaram juntos por alguns meses, até eu descobrir e surtar.' o loiro respirou fundo. 'Enfim, ele me escolheu, Marco aceitou na boa porque pra ele não era o Bert. Pra ele era você... Sempre foi. Enfim, o que eu to tentando dizer é que eu sei que você tá puto, Kirschtein, eu entendo isso e acho que você tem esse direito. Eu sei o que você tá pensando, você tá pensando que eles podem voltar, tá pensando sobre o quão longe eles foram, tá pensando tudo o que não devia. Tá pensando como se eles ainda estivessem juntos. E aí é que tá o detalhe, Kirschtein: se Marco diz que ficou no passado é porque ficou.'

'Você veio me dar lição de moral? É sério mesmo?' perguntei incrédulo.

"Não, porra. Eu vim porque achei que a gente devia conversar.' respondeu da maneira mais grossa possível. 'Eu to tentando ajudar, cara, to tentando fazer as relações todas ficarem mais leves. Eu sei que eu sou um bosta contigo e tal, mas eu to tentando. Talvez até pareça que eu to tentando só por causa do Marco, mas não é só por isso...' ele levantou uma sobrancelha e massageou entre os olhos. 'Marco é confiável. Se ele diz que passou é porque passou. E se você gosta dele você tem que confiar. Se você quiser saber a história direito eu posso até te contar, mas acho que é algo que você tem que ouvir dele, assim como eu ouvi a história dele com Bert direto da boca do meu namorado.' encarei o chão novamente. Eu queria saber. Queria muito, mas precisava de um tempo... 'Você odeia ele?' Reiner perguntou um pouco temeroso. Neguei rapidamente, mais rápido do que havia negado qualquer coisa na casa de Jaeger. 'E você odeia o Bert agora que sabe que ele já pegou o Marco?'

'Óbvio que não. Que pergunta idiota, eles não estão mais juntos. Ele não tem culpa de nada, ele tá com você agora.' percebi o que tinha dito e olhei para um Reiner que sorria. 'Mas o ponto não é esse, Braun! O ponto não é quem Marco pegou ou deixou de pegar. Pelo menos não só isso... O buraco é bem mais fundo...'

'Eu imagino que seja mesmo, cara, que seja coisa sua, daí de dentro, mas... Você tem que dar uma chance, tá? Dá uma chance dele se explicar, dá uma chance dele provar pra você que ele pode tentar te ajudar a tapar seja lá qual buraco for. E não só ele, sabe? Se você precisar de mais ajudar tem todos nós... Inclusive eu..." levantei uma sobrancelha para o loiro que estava à minha frente.

'Você é estranho, eu não te entendo. Uma hora você me odeia, me olha como e fosse arrancar minha cabeça fora e outra hora quer me ajudar, vem atrás de mim todo cheio de coisas pra dizer...' ele sorriu para mim.

'Eu acho que você parece muito comigo em alguns pontos, isso me incomoda um pouco. Além disso: minha relação com Marco é bastante próxima, ele já me ajudou muito. E ajudou muito Bert também. A gente deve muito a ele, então eu sinto a obrigação de protege-lo sempre e você era uma ameaça. Eu não tinha como saber suas intenções com ele...' assenti para ele. 'Mas gente vai se resolver, você vai ver... Qualquer dia a gente senta pra conversar sobre nossas diferenças e semelhanças. Eu, você, Marco e Bert, se quiser. Mas não hoje. Hoje é você e ele.' Reiner tirou uma maçã do bolso e me entregou. 'Pra você não morrer de fome.' rimos juntos. 'Só tenta não machucar muito ele... Pelo menos não emocionalmente, porque fisicamente já não dá mais, né.' corei ao lembrar que havia socado Marco. Reiner riu e me estendeu a mão para que eu levantasse. 'Olha, antes de decidir qualquer coisa escuta ele, tá? Depois disso faz suas decisões de cabeça fria.' assenti mais uma vez. Saímos do banheiro sem falar mais nada.

Continuei me isolando no resto das aulas, mais pela vergonha e pelo orgulho do que por qualquer outro motivo. Eu estava puto com Jaeger, isso não ia passar tão rápido, mas não com Marco. Jamais com ele. A real era que eu sabia que tinha passado do ponto, sabia que eu havia exagerado e isso me deixava com mais vergonha, mas eu era daquele jeito. Eu explodia, fazia a merda e depois me arrependia e tinha vergonha de voltar atrás. Mais um dos meus muitos defeitos...

Ao fim dos períodos fui embora direto, sem falar com ninguém. Vi Reiner, Marco e Bertholdt no estacionamento, o loiro me olhou triste, engoli pesadamente quando percebi que o mais alto enxugava as lágrimas de Marco e segui para meu carro. No caminho de casa tentei não pensar, só prestar atenção nas músicas que tocavam em meu rádio, nas melodias e nas letras. Parei em casa antes para refazer os curativos e me preparar emocionalmente para qualquer coisa que pudesse vira acontecer.

Minhas mãos suavam e eu tremia um pouco quando toquei a campainha. Esperei alguns minutos até ele abrir a porta e me deixando entrar, fechando-a logo em seguida. Não tive coragem de olhar em seus olhos, mas percebi o lado direito de seu rosto um pouco inchado por conta de meu soco. Marco me levou até seu quarto, segurando em minha mão, e, chegando lá, sentou na cama e pediu que eu sentasse ao seu lado. Fiquei quieto, alternando meu olhar entre o chão, seus lábios e o lado direito de seu rosto, esfregando uma mão minha na outra e também em minha calça, ainda tremendo um pouco, esperando que ele dissesse alguma coisa, qualquer coisa. Marco apenas ficou lá, calado, olhando para mim. Abri a boca e fiquei tentando articular alguma coisa, um pedido de desculpa ou pelo menos um "oi", mas nada saía de mim. Estávamos os dois começando a ficar impacientes com aquilo tudo. Levantei minha mão lentamente e fui a aproximando do lado roxo de sua face. Antes de encostar nele pedi permissão com meu olhar. Marco balançou a cabe levemente me concedendo o aval. Coloquei minha mão em seu rosto e o acariciei com meu polegar, ele fechou os olhos, tirei a mão e depositei um beijo lá, depois encostando minha testa na dele.

'Me conta?' pedi em um sussurro, cerrando os olhos. 'Por favor... Eu... Eu quero saber... Desculpa.' minha voz estava saindo mais trêmula do que eu queria e também estava quase inaudível.

'Eu sempre gostei de você.' respirou fundo. 'Eren descobriu em algum momento, quando éramos mais novos, e veio falar comigo sobre o assunto. Eu não sabia esconder direito, eu acho... Por isso ele percebeu. Ele falou que também gostava de você e afirmou que você gostava da Mikasa com extrema convicção, o que me deixou bem mal. Aí a gente foi se aproximando com o tempo e ele acabou sugerindo que a gente tentasse te superar juntos... Eu tava sozinho, apesar de já ter dado meio errado aqui antes eu acabei aceitando. Depois de um mês, quando a gente começou a ficar mais íntimo...' ele fez uma pausa, eu mordia meu lábio inferior, tentando ouvir até o fim sem reagir à ideia de ele e Eren juntos. Marco segurou minhas mãos mais uma vez, apertando levemente — acho que para me acalmar um pouco. 'Bom... Depois de um mês eu terminei tudo. Porque ele não era você... E eu não queria intimidade com outra pessoa. Só que ele não gostou disso, ficou muito bravo, falando que eu tava sendo idiota, que você nunca ia gostar de mim e que eu tava jogando fora uma chance de ser feliz. Ele tentou me convencer, mas... ele não era você. Eu nunca tinha entendido o porque de ele ter ficado tão irado comigo... Agora acho que as coisas fazem mais sentido pra mim.' tentei me focar no cheiro de Marco para me acalmar e não o interromper até o final. Respirei fundo e me aproximei mais um pouco dele, ainda com os olhos fechados e nossas testas encostadas uma na outra. 'Foi mais ou menos isso. Eu pensei que ele ainda gostasse de ti e por isso eu não queria que você ficasse sozinho com ele. Porque eu tava com medo... Eu nunca ia imaginar que era de mim que ele gostava... Eu confio em você, mas não nele e...' me afastei e abri os olhos para encara-lo diretamente.

'O quão íntimos?' perguntei sério. Marco corou violentamente. 'Quando eu penso em nós... Eu vejo ele... Eu preciso saber.'

'Bem menos que a gente. Eu nunca cheguei a tocar nele, eu... E-eu não me sentia confortável... Porque eu não queria o Eren.' Marco gaguejou um pouco, assenti para que ele não se estendesse, ele tremia. 'Se você não quiser mais nada... Eu sei que não vou poder fazer nada e eu vou tentar entender, mas... pensa bem. Porque eu juro, sabe... Eu juro que não tem mais nada. Eu não posso falar que não significou nada pra mim porque foi uma parte da minha vida e foi importante pra me ajudar a perceber o quanto eu amo você, mas eu posso garantir com todas as minhas forças que não existe nada pra mim além de você. Principalmente agora que a gente tava junto e...' eu o calei com um selinho. 'Eu ia te contar... Eu juro...'

'Sh... Eu sei, eu sei. Desculpa, Marco, me perdoa. Eu fui infantil, eu não consigo me controlar.' mais um selinho. 'Eu fui orgulhoso...' ele assentiu e mordeu o lábio inferior, segurando o choro. Suspirei e acariciei sua bochecha direita com o polegar novamente. 'Não importa com quem você se relacionou no passado. Porque já foi, certo? Eu confio em você. Meu problema é comigo, não com você... E se você quiser alguém pra amar, ainda...' ele me abraçou.

'É só você. Quem eu quero é só você.' ficamos abraçados por uns instantes. Enterrei minha cabeça no pescoço de Marco, sentindo o cheiro que exalava dele. Tão confortável... Claro, eu ainda estava puto com Jaeger, demoraria algum tempo para eu conseguir superar, processar e compreender tudo o que havia acontecido. 'Vamos fazer um acordo? Sem mais segredos. Se um perguntar o outro responde... A gente precisa se conhecer melhor, se entender melhor e o passado é importante pra isso.' franzi o cenho. 'O quê?' balancei a cabeça, ele me deu um tapa de leve. 'Acabei de falar que sem segredos!' riu levemente.

'Tem coisas que eu não quero falar sobre. Pelo menos ainda não. Coisas do meu passado, coisas sobre meu pai, principalmente...' respirei fundo e soltei o ar como se soltasse um peso de mim. 'Desculpa, eu só não to pronto pra falar sobre esses assuntos, eu acho.' ele assentiu. 'Mas tirando isso eu falo qualquer coisa.'

'Eu não quero forçar você a falar nada. Até porque não é saudável, mas, de resto... Temos um acordo?' passei minha mão pelo cabelo e mordi levemente o lábio inferior, franzindo o cenho, mas depois de um tempo assenti. 'E agora?' eu ri levemente, o abracei e deitamos na cama. Eu o envolvia com meus braços, foi a vez dele afundar o rosto em mim.

'Agora a gente fica junto bem quietinhos por um tempinho, só aproveitando o momento, que tal?' ele assentiu. Fechei os olhos para tentar senti-lo melhor perto de mim. Passei uma das mãos por seu cabelo, extremamente macio, o que fez seu cheiro se intensificar no quarto.

Marco estava com o braço direito por cima de mim, fazendo carinho nas minhas costas e, às vezes, segurando com força meu agasalho. Nossas pernas entrelaçadas, sua cabeça afundada em meu peitoral e a minha em seu cabelo. Queria ficar daquele jeito para sempre com ele, queria estar com Marco daquele jeito mais vezes. Percebi o quão bom qualquer toque dele era para mim. Podia ser um abraço, o ato de segurar minha mão, um beijo na bochecha, uma cutucada quando ele queria chamar minha atenção de alguma forma. Qualquer toque, qualquer proximidade, qualquer ação ou palavra dele me acalentava. Lembrei de Eren apontando o quão fácil para mim havia sido negar minha relação com Marco e quase deixei uma lágrima escapar. Consegui me segurar antes disso.

'Marco, você assumiria um namoro comigo?' ele segurou com mais força o pedaço do agasalho que estava entre seus dedos. 'Tipo, na frente de todo mundo. Um namoro sério, igual ao de Ymir e Christa...' ele não respondeu a princípio, só afastou a cabeça para trás e olhou no fundo dos meus olhos, como se tentasse ver se eu estava falando sério. Lentamente um sorriso foi se formando em seus lábios ao perceber que eu não estava brincando e ele me beijou rapidamente.

'Não é uma situação hipotética? Você tá realmente propondo isso?' eu assenti, sorrindo timidamente de volta. 'Óbvio que sim! É o que eu mais quero!' abracei-o com mais força, seu tom de voz tão feliz me deixava extremamente animado. 'Mas você não vai ter problemas com isso? Tipo, com sua mãe ou sei lá?' suspirei.

'Ok... Não é algo que eu gosto de falar sobre, mas, na real? Minha mãe nem fala comigo, Marco. Se ela tiver algum problema com isso vai ser bastante fácil mandar ela à merda, pra ser sincero...' fechei os olhos novamente e me aconcheguei mais perto dele. 'Você é mais importante do que isso. É mais importante do que tudo.' respirei bem fundo, tentando me encher com o cheiro dele. 'Sobre as coisas que eu falei ontem, no banheiro...' senti Marco tensionar os músculos. Eu já esperava por isso, deve ter sido uma cena extremamente desagradável para ele. 'O jeito que eu falei foi duro e eu sei disso, mas é a real. O motivo pelo qual eu não tinha feito nada antes é que nada tinha me magoado tanto, nada de ruim tava acontecendo na minha vida. A gente tava bem, eu tinha amigos novos bons. As coisas ruins tavam começando a sumir.' estava tentando ser o mais delicado possível. 'Essa ideia de que o amor cura tudo... Ela não é real, eu já te disse isso outras vezes. Eu sou fodido, eu sou aquilo que você viu ontem e não tem nada que você possa fazer quanto a isso... Me desculpa...'

'Eu posso ficar do seu lado, eu posso tentar... Eu quero tentar.' ele me cortou rapidamente. 'Você tá cheio de problemas e você tá mal, eu entendo isso, mas eu preciso que você confie em mim pra eu poder tentar te ajudar. Se você não permitir que eu te ajude você vai ficar sempre no mesmo lugar. Eu vi como você tava ontem, eu vi o quão mal aquilo te faz. Não adianta negar pra mim, eu entendo essa situação. Meu irmão passou por isso, lembra?' eu apenas assenti, não retruquei. Marco havia me visto no meu momento mais vulnerável, eu não tinha como argumentar contra ele. 'Aquilo que eu vi ontem não é você. Foi só uma recaída, você é bem mais do que isso. Você é uma pessoa, não um momento.' ele me apertou bem forte, tentando me dar força.

Esse era um traço da personalidade de Marco que me deixava encantado com ele. Sempre que alguém precisava ser acalmado ou acalentado ele ajudaria a pessoa em questão. Qualquer um que fosse. E isso era lindo da parte dele. Era algo que eu não conseguia fazer, eu não conseguia ser bom com todo mundo. Eu chegava a ser arrogante em algumas situações. Talvez até meio que por auto defesa.

'Marco...' chamei com a voz um pouco falha, ele me encarou novamente. Acabei me perdendo em seus olhos. Por algum tempo fiquei observando, pensando sobre ele, sobre mim, sobre nós. Enquanto eu pensava, enquanto eu percebia mais detalhes sobre ele, enquanto contava mais uma vez as sardas espalhadas por seu rosto, fui me aproximando dele, até não haver mais distância alguma entre nossas bocas.

Passamos o resto do dia juntos, deitados na cama de Marco. Na maior parte do tempo ficamos em silêncio, bem grudados um no outro, apenas apreciando o estarmos juntos. Os raros momentos de diálogo eram sobre coisas banais, conversas leves sobre, por exemplo, jogos de videogame e músicas. Estávamos cuidadosos, estávamos nos conhecendo. Parando para pensar direito: a verdade era que nós não nos conhecíamos. Tudo o que sabíamos um do outro era o que todos sabiam e o que nós mesmos havíamos idealizado. Eram poucas as informações realmente íntimas que sabíamos um sobre o outro.

Tudo seguiu tranquilo depois de nossa reconciliação. Quando escureceu decidi ir para casa. A primeira coisa que fiz ao chegar foi comer, estava morrendo de fome porque não havia almoçado. Fiz um ovo mexido com queijo e peguei um copo de suco de maçã. Depois fui para meu quarto. Encarei minha porta que ainda estava no chão, como Marco havia deixado, e suspirei. Resolvi todos os problemas de necessidades fisiológicas que eu tinha no momento, escovei os dentes, coloquei meu pijama, peguei meu iPod, coloquei ele e meu celular para carregar e deitei em minha cama. Com os fones enfiados no ouvido e a música no volume máximo resolvi mandar uma mensagem para Marco.

J.K.: Sem querer ser chato, mas sendo......

J.K.: Minha porta tá como você deixou.

Cliquei na foto dele e a fiquei admirando enquanto esperava ele responder. A última vez que ele tinha aberto o Whatsapp fora no horário de aula. Para minha surpresa a resposta não demorou muito.

marco: é... desculpa por isso... :(

J.K.: Tudo bem ahahhaa. Mas eu realmente vou precisar que você conserte isso, tá? haha

marco: eu sei, eu sei... vou consertar. amanhã a gente resolve a porta, nem tem o que fazer agora, né...

marco: quero agradecer por ter me escutado hoje

J.K.: Sem problemas. Era o mínimo que eu podia fazer, cara.

marco: a gente tá quite então. eu quebrei sua porta e você quebrou minha cara xD

J.K.: Desculpa por isso. To me sentindo mal.

marco: pff, relaxa, só tá inchado. vou ficar bem. eu me machuco de jeitos piores no basquete, amor.

J.K.: Amor?

marco: ?

J.K.: Você me chamou de amor.

marco: é. não quer?

J.K.: Não é isso... Só foi estranho. Você nunca tinha me chamado de amor antes.

Fiquei encarando aquelas mensagens por algum tempo esperando que ele me respondesse. Marco não mandou nada de volta, embaixo de seu nome continuava escrito "online". Em momento algum apareceu que ele havia fechado o aplicativo ou que havia começado a digitar. Esperei por cinco minutos e voltei a chamar por ele.

J.K.: Marco?

marco: diga

J.K.: Nada... Vou dormir. Até amanhã, Marco.

marco: vai lá. boa noite :)

"Amor".

Por que aquilo tinha me incomodado tanto? Ele só estava me chamando de um jeito carinhoso. Eu mesmo já havia chamado Marco de amor antes. Não só de amor, mas de outros apelidos — não tão carinhosos aos olhos das pessoas no geral, mas que carregavam meu afeto de um jeito que só ele sabia. Tentei não pensar muito no assunto, então larguei o celular e virei de lado, mas foi inútil. Revirei na cama até me render a mim mesmo e pegar o celular novamente.

Reli cada conversa que já tínhamos tido, no Whatsapp, chat do Facebook, por sms. Tentei lembrar quando foi a última vez que ele havia me chamado de qualquer coisa. Foi então que o motivo pelo qual eu me sentia tão incomodado se fez aparente, mas não fazia sentido algum. Não fazia sentido aquilo ser um motivo. Eu não fazia ideia do porquê, mas Marco nunca havia me chamado de nada. Meu namorado nunca havia dito o meu nome.

Notas finais
Heey! Espero que tenham curtido!!! Ok, primeiramente vou pedir desculpa por demorar tanto.... Eu já disse que estava (ainda to, mas vamo levando como dá, né, ferasss heheh) com problemas pessoais para resolver e etc, mas me sinto mal quando demoro pra postar ;-; a/w... Encurtei um pouco o capítulo pra poder postar logo, espero que não tenha ficado mal resolvido entre si ou mal escrito por conta disso... Em segundo lugar: quero agradecer a Bubys e a Flu porque sem elas esse capítulo não sairia tão cedo.... Vocês são duas lindas que pra botam pressão e mostram que são tigr- ok, piada ruim... Também quero agradecer a vocês todos que leem. Do fundo do coração. Comentando ou não, só de saber que tem gente que não é meu amigo íntimo lendo uma fanfic minha eu já fico felizona *-* Queria pedir que vocês deixem feedback, seja positivo ou negativo, pra mim aqui como review ou no meu tumblr em anônimo se vocês preferirem (somepeoplearebiggerontheinside.tumblr.com). Falando em redes sociais: minhas redes sociais estão no meu perfil se for do interesse de alguém hahaha Tentarei agilizar o sétimo capítulo voltar pros tamanhos originais de capítulo (porque eles tão saindo tão curtos, shisus, tá até doendo a alma......) e postar em um intervalo de tempo menor do que um mês ;-; (pfvr não me odeiem D:) Mais uma vez: espero que tenham gostado e muito obrigada! Beijos ~