Rain Sound

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Ok, esse capítulo contém meio que um sexo. Não all the way through, mas contém. Lembrando que é Yaoi, o que significa rapazote com rapazote, se não gosta simplesmente não leia, é bem mais sensato do que mandar comentários ofensivos ou praticar sua homofobia desnecessária. É. Enfim, here we go, espero que gostem.

Estava decidido a aproveitar sua companhia no momento e depois voltar ao normal. Percebi que sua mão ainda estava parada na minha coxa quando ela foi retirada de lá, mas não tive muito tempo para reagir porque quando eu menos esperava os lábios de Marco estavam colados nos meus.

~~

Senti a mão dele na minha nuca, me puxando para perto, tentei empurra-lo duas vezes, mas ele era mais forte e lutava pelo controle da situação, Marco sabia que se eu me afastasse começaríamos a brigar. Em algum momento acabei decidindo que o melhor era render-me ao beijo, mas tentar mesmo assim demonstrar controle. Foi uma tarefa difícil considerando que aquele era meu primeiro beijo, mas acho que estava fazendo um bom trabalho até o momento em que Marco percebeu que eu realmente precisava respirar. Demorei para conseguir recuperar o fôlego de vez, mas assim que o fiz abri a boca para começar a gritar com ele.

'O que caralhos?' minha cabeça latejou um pouco, ainda não estava bem e, definitivamente, estava mais confuso do que antes. 'O que que você pensa que tá fazendo?' ele tentava falar, mas aparentemente não conseguia formar palavras, empurrei Marco para fora da cama, ele caiu no chão com força, julguei que havia se machucado pela expressão de dor em seu rosto, mas aqueles olhos continuaram a insinuar dor por bastante tempo, algumas lágrimas se formaram neles, e o moreno apenas permaneceu lá, no chão, caído, olhando para mim com a boca aberta. 'Fala alguma coisa, porra!' berrei com ele.

Provavelmente o que mais me deixava furioso era o pensamento de ter sido tudo uma grande piada, de eu ter sido uma grande piada, de ele e os amigos babacas terem planejado isso tudo. Quem sabe ele tinha realmente me visto olhando para ele pela janela e, com nojo ou qualquer outra coisa, decidiu me enganar e me fazer sofrer mais do que já faziam. Talvez ele tivesse o intuito de quebrar minhas defesas, para eles poderem realmente foder comigo. Porque a única atitude deles que me fodia era a surra que eu levava, mas nunca as palavras ou as provocações toscas. Sentia raiva, queria destruir Marco, mata-lo, corta-lo ao meio. Mas ele continuou calado, eu estava perdendo a paciência, gritava mandando ele dizer alguma coisa, qualquer coisa.

'É melhor eu ir embora...' abaixou a cabeça, encarando o chão, mas não se levantou, eu apenas esperei. 'Me desculpa, por favor. Eu não pensei, eu não queria te ofender, me desculpa.' sua voz parecia tão verdadeira, minha cabeça girava, milhares de coisas passavam por ela, eu estava em agonia então decidi perguntar o porquê. As chances de eu me arrepender disso depois da resposta eram muito grandes, mas eu precisava ouvir, mesmo que fosse aquilo que eu já esperava e que me quebraria. 'Eu gosto de você.' ouvi um som de dor sendo emitido da minha garganta, agora era mais do que obvio que o objetivo dele era me destruir, mas eu não ia deixar, eu ia revidar, Marco não ia conseguir fazer aquilo comigo, e mesmo se conseguisse eu não deixaria aparentar. Abri a boca para falar, mas ele não deixou. 'Por favor, me perdoa. Eu sei que você deve estar me achando nojento agora ou até pior do que isso, mas... Vamos só esquecer isso, ok? Fingir que não aconteceu. Vamos ser amigos e pronto... Por favor.'

'Não. Você faz isso e quer que eu esqueça?' falei atônito. 'Eu quero a verdade. Se isso for um jeito perturbado de vocês do time de basquete tentarem me foder ou me zoar eu juro que não vou mais deixar passar.' Marco subiu rapidamente na cama de novo, segurando meus braços desesperado, tentei me soltar, mas ele era forte e eu ainda estava razoavelmente dolorido de ter apanhado e do corte que tinha feito.

'Me escuta, por favor! Não pensa isso de mim, eu... Eu sei que eu ultrapassei uma barreira que não deveria, mas não quero que você pense isso porque...' ele engoliu em seco. 'Eu realmente gosto de você... Por isso hoje, quando eu vi aquilo tudo acontecer... Foi por isso que paralisei. Ver você naquela situação me fez entrar em choque. Foi por isso que eu te levei para a enfermaria, por isso que eu me preocupei tanto, por isso que eu confisquei tudo o que podia te machucar. Você pode me odiar, pode ter nojo de mim, mas pelo motivo certo.' eu aproximei meu rosto do dele, ele prendeu a respiração e soltou meus braços. 'Eu observo você pela janela faz algum tempo, quando eu te vi no fundo da arquibancada em um dos meus primeiros jogos como capitão fiquei tão feliz que quase explodi em quadra. Eu gosto de você de verdade, me desculpa.'

'Eu não tenho nojo, eu não te odeio, mas se isso for alguma brincadeira de mal gosto...' ele negou, ficamos nos encarando por algum tempo, mas Marco quebrou o contato visual para depositar um beijo no topo de minha cabeça. Fechei os olhos, ele me abraçou e ficamos naquela posição por longos instantes, era confortável estar nos braços dele. Seu tom de voz e seu olhar tornava tudo tão acreditável, por mais que tudo parecesse tão impossível, afinal de contas: na vida real esse tipo de coisa não acontece. O garoto pelo qual eu era apaixonado afrouxou o abraço, ameaçando sair de perto de mim, mas eu o apertei com força. 'Fica assim. Mesmo se vier a ser mentira, tá tão real que eu prefiro ficar assim mais um pouco antes de quebrar aos pedaços.' mas Marco aparentemente ia ignorar meu pedido e me soltar do abraço, só que o que veio a seguir foi tão melhor.

Dessa vez nosso beijo se aprofundou rapidamente, eu não sabia o que fazer e acho que ele percebeu porque eu sentia como se ele me guiasse, nossas línguas se entrelaçando, Marco explorou minha boca com sua língua e depois sugou a minha para dentro de sua boca, tentei imitar o que ele tinha feito e pude sentir um sorriso se formando no canto de seus lábios por milésimos de segundo. Nos separamos tempo suficiente para eu recuperar o fôlego, mas ele me puxou de modo que eu deitasse na cama. Dessa vez a boca de Marco foi explorar meu pescoço.

'Marco...' gemi seu nome quando ele mordiscou perto da minha clavícula sem muita delicadeza.

Senti sua língua percorrer o local onde, provavelmente, havia uma marca de dentes. Sua mão explorava meu abdômen por baixo de minha blusa, eu não conseguia conter meus barulhos, nunca havia sido tocado por outra pessoa na vida, era tudo muito novo. Senti a coxa dele roçar em minha ereção, aquela que nem eu mesmo tinha consciência de existir até aquele momento, e suspirei. Marco sorria para mim, eu pude sentir meu rosto queimando, fechei os olhos e o escondi entre as mãos, ele não as tirou de lá, ficou apenas observando, sentado bem em cima de onde sua perna antes estava, minha calça estava ficando cada vez mais apertada e qualquer movimento que ele fizesse piorava minha situação.

Minha blusa foi levantada e as pontas dos dedos de Marco percorriam meu abdômen, em seguida ele arranhou minha barriga de leve, estremeci inteiro, mordi o lábio inferior soltando um gemido baixo. Quando percebi que ele tinha mudado de posição de maneira que pudesse percorrer meu corpo com sua língua já era muito tarde, eu não conseguia mais faze-lo parar. Aquela provocação estava me deixando louco. Marco se divertia com meus mamilos, mordiscando e lambendo um enquanto torcia levemente o outro entre o polegar e o indicador. Então ele parou, se afastou, sentou ao meu lado e simplesmente parou. Abri os olhos e encarei-o confuso, reclamando com o olhar.

'É a primeira vez que alguém toca em mim de qualquer maneira, me desculpa se minhas reações estão muito exageradas.' ele sorriu e negou, levantei — tirando minha blusa — e abracei-o por trás. Comecei a distribuir beijos por seu pescoço. Eu nunca tinha tido qualquer experiência com isso, mas via Sasha e Connie se "pegando" pelos cantos com frequência e o mesmo para Ymir e Christa então tinha alguma noção de coisas que poderia ser boas. Arranhei de leve as costas de Marco, meu dedo percorrendo da base de sua coluna até a nuca, ele se contorceu por conta do arrepio que lhe foi provocado, eu sorri vitorioso. 'Interessante.' mordisquei seu pescoço como ele tinha feito repetidamente comigo, mas com mais delicadeza, não queria marca-lo porque tinha medo que isso pudesse lhe dar algum problema. Depois levei meus lábios em direção ao ouvido dele, onde mordisquei e sussurrei com a voz rouca. 'Marco... Por que você parou?' rapidamente ele me deitou novamente e estávamos nos beijando mais uma vez. Quando percebi eu estava só de boxer enquanto ele ainda usava sua calça. Sua língua me lambeu por cima do tecido da cueca, eu não conseguia me conter, estava arfando e gemendo.

Marco olhou pra cima como se pedindo permissão e eu assenti, ele abaixou minha boxer e lambeu a cabeça de minha ereção sensualmente, eu gemia seu nome sem parar. Em seguida senti a boca úmida dele em torno de meu membro, ele devorava com gosto, às vezes passando os dentes levemente no corpo do meu pênis, me levando à loucura. Meu quadril acompanhava seus movimentos, meus dedos entrelaçados em mechas de seu cabelo. Avisei que estava perto o ápice e soltei seu cabelo para que ele pudesse sair de lá, mas ele continuou fazendo seus movimentos até que eu atingi meu limite. Marco engoliu até a última gota, não deixando nada escapar. Quando levantou eu pude ver a cena mais sensual da minha vida, meu coração pulou um compasso, eu perdi todo o ar que tinha, ele engolindo o que restava do meu sêmen, me olhando com os olhos cheios de luxúria.

Tive o ímpeto de levantar e começar a tirar o zíper de sua calça, mas ele me parou, sorrindo, me deitou novamente e disse que queria apenas que eu assistisse. Eu corei violentamente, não pelo que estávamos fazendo, não pela falta de ar, eu não tinha me dado conta ainda do que estava acontecendo, corei porque eu sabia fazer aquilo muito bem. Assistir. Diversas noites Marco deixava as cortinas e janela do quarto abertas e eu podia observa-lo jogando videogame, estudando, mexendo no computador ou então... Engoli em seco.

O garoto que estava em cima de mim tirou a calça e a boxer de uma maneira extremamente sensual, eu já estava começando a ficar excitado novamente. Ele segurou sua própria ereção e começou a se masturbar, em pouco tempo eu estava fazendo o mesmo, aquela cena que eu geralmente observava de longe agora estava acontecendo na minha frente, eu sempre conseguia me conter, depois de assistir eu geralmente ia tomar um banho frio ou algo do tipo, eu não era do tipo maníaco sexual que bate punheta observando os vizinhos, mesmo tendo vontade de faze-lo considerando quem era o vizinho.

Eu ouvia da boca dele os gemidos que ele provavelmente escutara da minha minutos antes, só que muito mais contidos e delicados do que os meus. Imaginei que ele tinha experiência, fosse com homens ou com mulheres, ele era o capitão do time de basquete: as chances de ele ser virgem eram quase nulas. Para minha surpresa Marco era bom no que fazia com ambas as mãos, descobri isso quando senti a mão esquerda dele se juntar à minha, imitei o gesto, mas quando o fiz ele trocou a posição de nossas mãos para poder guiar a minha em ambas as ereções. Atingimos o ápice juntos e enquanto eu caí para trás na cama ele caiu para frente, deitando bem ao meu lado. Ele lambeu da mão o líquido pegajoso que estava lá antes de com uma delas acariciar minhas cicatrizes do braço esquerdo e com a outra rever todas as marcas que ele tinha deixado em mim. Marco beijou minha bochecha delicadamente e se aconchegou me abraçando de lado como um travesseiro.

'Quando eu fiz isso...' disse passando a ponta do indicador na provável marca em minha clavícula. 'Você disse meu nome gemendo. Foi a primeira vez que eu escutei você falando meu nome e eu nunca tinha esperado que fosse uma experiencia tão...' hesitou, como se tentando achar a palavra certa. 'Deliciosa.' sorriu pervertidamente, eu apenas corei. 'Ei, você acredita em mim?' não respondi. 'Eu to falando sério, eu realmente... Gosto de você. O que eu posso fazer pra provar isso?' balancei a cabeça, realmente não havia nada que ele podia fazer, minha auto estima de merda não me permitia acreditar no que ele dizia sentir. 'Tudo bem, eu espero até você acreditar em mim. Eu tenho esperado por tantos anos pra ao menos falar com você, posso esperar mais alguns pra você acreditar no meu sentimento. Posso repetir que gosto de você a cada segundo, posso repetir isso que fizemos todo dia se quiser, posso fazer qualquer coisa por você.'

'Marco, não funciona assim...' ele assentiu, ficamos abraçados. 'Eu não sabia que você era assim... Tão...' pensei bem antes de falar, imaginando como isso soaria. 'Pervertido...' ele riu da minha observação de um jeito extremamente fofo.

'Quatro anos esperando por isso, eu acho que mereço tirar proveito da sua inocência um pouco, vai.' ele virou minha cabeça para que eu o encarasse. 'Posso tomar um banho?' eu assenti. 'Quer vir comigo? Você vai precisar de um também porque eu meio que sujei você um pouco.' corei muito, eu devia estar da cor de um tomate por causa das coisas que Marco falava. Neguei, disse para ele ir primeiro, disse que podia pegar uma cueca minha emprestada quando saísse do banho, o mesmo para um pijama.

Fiquei lá, deitado, tentando processar as informações sem trazer à tona as memórias do momento anterior para não ter vontade de esconder minha cabeça na terra e nunca mais voltar à superfície. Nas últimas horas eu tinha apanhado feio, tentado suicídio, me cortado, lembrado o quão sozinho sou porque nem mesmo meus amigos lembram de mim ou se importam comigo, recebido ajuda do garoto que eu era apaixonado por, ouvido uma declaração de amor dele, ficado bem íntimo dele, nada disso necessariamente nessa ordem, mas agora ele se encontrava no meu banheiro, no meu chuveiro, nu, tomando banho. Linha errada de pensamentos porque as memórias começaram a piscar na minha mente quase que instantaneamente e eu me encolhi de vergonha.

Mesmo que tudo fosse mentira, não deixava de ser bom, de ser confortável, não deixava de ser o que eu sempre quis. Fiquei com os olhos fechados e acabei pegando no sono, sonhei com uma vida perfeita, amigos, Marco e eu, todas as coisas dando certo, era o tipo de sonho que eu mais odiava porque quando eu acordava uma tristeza invadia minha alma e eu então tempestuava sozinho no meu quarto. Acordei sentindo uma mão mexendo no meu cabelo, abri os olhos — que tinham algumas lágrimas formadas em — e vi um Marco preocupado me encarando, reparei que ele não usava blusa.

'Tava tendo algum sonho ruim?' balancei a cabeça, seu olho tinha um brilho triste. 'Eu to aqui com você, nada ruim vai acontecer, eu prometo.' eu apenas continuei o encarando, sentindo seu carinho, aproveitando o tempo que nos restava. 'Você precisa de ajuda?' neguei, levantando da cama.

Eu já não doía tanto, minha cabeça era o que mais estava dolorido, mas não latejava como antes, fui em direção ao banheiro, não me apressei no banho nem nada do tipo, não tenho certeza quanto tempo fiquei lá, embaixo d'água. Em algum momento antes de sair do box lembrei que teria de refazer todo o processo dos primeiros socorros, xinguei ao lembrar que a caixa estava no quarto. Saí com uma toalha enrolada na cintura e uma no braço direito, Marco não estava lá. Eu devia ter imaginado que ele iria embora na primeira oportunidade. Suspirei.

Sentei na cama, tentando evitar as evidências de mais cedo, tanto o sangue quanto o sêmen, e comecei a refazer meus curativos, ouvi passos atrás de mim, mas não me preocupei, ele devia ter esquecido alguma coisa e voltado para pegar, minha mãe raramente voltava cedo e o céu ainda estava claro e com poucas estrelas. Ele sentou atrás de mim na cama e me abraçou, paralisei por um segundo, mas voltei a colocar band aids e enfaixar o braço.

'Você tá sem cueca.' afirmou, sussurrando no meu ouvido, eu apenas assenti. 'Depois fala que eu sou pervertido... Você pede pela minha perversão.' riu e se afastou. 'Levanta a bunda daí e me diz onde é que você guarda roupa de cama pra eu arrumar nossa bagunça.' fui até o armário e apontei onde guardava a roupa de cama, peguei a calça de pijama, uma blusa qualquer — não costumava usar blusa em casa, mas ele estava lá — e uma boxer. Me vesti mais rápido do que de costume, mas quando ia colocar a blusa Marco me parou. 'Manga comprida, sério mesmo? Não tem nada aí que eu já não tenha visto.' apenas dei de ombros e joguei a blusa em um canto, ele sentou na minha cama recém arrumada, reparei que tinha uma mochila no canto do quarto e ele vestia uma regata de algum time de basquete e uma bermuda qualquer, pensei que ele devia ter ido pegar coisas na casa dele. 'Eu disse que ia dormir aqui e que conversaríamos seriamente, ué...' disse sorrindo ao perceber que eu observava a mochila, Marco me chamou com o dedo e eu fui. Sentei entre as pernas dele de costas, ele me abraçou, eu deitei a cabeça em seu peitoral e coloquei meus braços em torno dos dele.

'Marco... Eu não gosto de você.' senti seus músculos se enrijecerem atrás de mim. 'Eu te amo, tá? Desde sempre. Desde a primeira porra de vez que eu vi você. E é por isso que eu imploro pra você não partir meu coração. Talvez pra você isso tudo não passe de uma noite só e se esse for o caso eu quero que você diga isso antes que eu crie qualquer esperança falsa.' ele me abraçou mais forte e beijou várias vezes minha bochecha, me fazendo corar. 'Eu to falando sério, Marco... Acho que você percebeu que eu não tenho estrutura pra aguentar um coração partido.' ele só sorriu, fazendo carinho no meu braço, mas não falou nada. 'Eu não consigo parar de pensar em como vai ser amanhã... Fingir que nada aconteceu, que não nos conhecemos.' suspirei.

'Ué, não precisa ser assim. Quer almoçar comigo?' virei a cabeça um pouco tentando olhar para ele surpreso. 'Talvez a gente ainda não possa fazer todas as coisas que eu gostaria de fazer, como por exemplo andar de mãos dadas ou se beijar em público, mas não vejo nenhum problema em ser visto com você. Até porque fica mais fácil de te vigiar e de te proteger.' ele depositou um beijo rápido em meus lábios, mas logo levou a boca à minha orelha. 'Eu nunca quebraria o seu coração, eu também amo você. Eu tinha dito que gostava porque achei que fosse te assustar, só isso. Meus sentimentos por você não são pequenos, sabe...' ele mordiscou o lóbulo de minha orelha depois de sussurrar aquilo, gemi seu nome baixinho, ele riu. 'Faz isso de novo?' pediu voltando a mordiscar minha orelha me causando arrepios, eu continuei gemendo seu nome como ele havia pedido. 'Foi seu primeiro beijo, né... Não quero apressar as coisas, me desculpa, mas é tão bom ouvir você chamando meu nome desse jeito. Sabe, eu imaginei muito esse momento, cheguei ao ponto de não conseguir sair com mais ninguém, ninguém me satisfazia. Quando eu estava em casa e via você pela janela entrando ou saindo do banho ou, no começo, simplesmente sem blusa, ver vídeos não ajudavam em nada, eu precisava imaginar...' imagino que eu estivesse corando violentamente com tudo aquilo, me perguntava como ele conseguia falar aquele tipo de coisa sem ter vergonha, eu só escutando já queria morrer. 'Desculpa, é que eu estou tão feliz! Quero que você saiba tudo sobre mim, sobre como eu me sinto... Quero saber tudo sobre você também! Na verdade eu não sei muito sobre você, mas eu quero saber, quero que você me diga tudo o que estiver pensando, sentindo, tudo.' ele gargalhou, eu ri junto. 'Ok, vou parar de falar, mas vai ser sua vez! Quero que você me conte como começou com esse hábito horrível...' eu assenti.

'Ok, foi mais ou menos no fim da oitava série, quando eu já não aguentava mais minha situação com meus amigos, as surras semanais na escola e... As quase diárias em casa.' Marcou me abraçou forte, relembrar meu pai era uma das piores coisas do mundo. 'Enfim, foi pouco antes do meu pai ir embora de casa, eu cheguei da escola todo dolorido, apanhei mais aqui por ser um "viadinho" — irônico que meu pai só dizia isso porque eu nunca me defendia do time de basquete, ele não tinha ideia da minha orientação sexual -, subi pro meu quarto quando ele disse que eu estava dispensado e fui direto usar o computador. A primeira coisa que eu procurei foi o método mais fácil de suicídio, mas acabei me deparando com páginas e mais páginas sobre a auto mutilação. Eu não queria morrer, então me cortar parecia fazer bem mais sentido. Depois que comecei nunca mais consegui parar, dois anos nessa mesma merda.' eu ri de desgosto e vergonha de mim mesmo, ele beijava meu pescoço docilmente. 'Basicamente isso. Teoricamente meu pai foi embora, mas o resto dos problemas não e depois dele partir minha mãe acabou se tornando mais omissa, o que facilitou muito meu péssimo hábito.' acariciei o braço dele com o polegar. 'Se eu conseguir parar, vai ser um milagre, sei lá... Só sei que essa situação é o mais próximo de amor que eu vou conseguir no resto da minha vida inteira, tenho certeza disso.' ouvi um suspiro vindo dele, Marco rapidamente me virou de frente para ele e me deitou na cama, ficando em cima de mim.

'Eu vou ter de repetir tudo o que eu fiz mais cedo?' meus olhos brilhavam enquanto o encaravam. 'Isso não é próximo de amor, isso é amor. Enfia isso nessa sua cabeça oca.' ele sorriu e deitou do meu lado, olhando para cima. Merda, eu estava começando a ficar excitado, torci para ele não perceber. 'Ok, minha vez de contar alguma coisa... É... Ah, não sei, assim não vou conseguir, você vai ter de perguntar alguma coisa.'

'Com quantas pessoas você já... Ficou... Entende?' Marco riu.

'Acho que...' contou nos dedos. 'Cinco pessoas sem contar você. Três garotos e duas garotas.' fiquei tentado a perguntar mais sobre o assunto. 'Três pessoas são aleatórias, de encontros às escuras ou coisas do tipo, então não adianta perguntar quem são. Porque as outras duas é um se-gre-do.' Marco riu, eu franzi o cenho, havia ficado curioso. 'Não faz essa cara, desse jeito vou ser obrigado a fazer você esquecer disso.' disse encostando o lábio no meu, joguei meus braços em torno no pescoço dele e percorri minhas mãos por seu cabelo, puxando um tufo levemente, conseguindo um gemido baixo dele em resposta, eu sorri. 'Você vai ter problemas com essas marcas todas?' perguntou quebrando o beijo e ignorando meus protestos, eu neguei com a cabeça. 'Tem certeza?' eu sorri, ele preocupado comigo era bom e, apesar de eu ainda estar achando que tudo era um sonho ou uma grande piada, eu não conseguia deixar de demonstrar que estava feliz com aquela situação. 'Você fica tão bonito sorrindo... Não é algo que se vê todo dia.' ele esfregou seu nariz no meu, me dando um beijo de esquimó, meu sorriso se alargou, fechei os olhos. 'Eu te amo.' o puxei de volta, o beijando.

Na minha cabeça eu havia aprendido a fazer aquilo, por um instante cogitei se minha falta de experiência estava incomodando Marco, mas mandei tudo à merda, o virei e troquei de posição com ele. A visão de Marco deitado embaixo de mim me deixava estranhamente excitado, desci meus lábios para seu pescoço, beijando o caminho, chegando lá comecei a mordiscar a região entre beijos, um gemido escapou de seus lábios, minha mão explorava por baixo de sua regata, arranhando levemente sua pele, conseguindo sons maravilhosos como recompensa. Eu estava pronto para começar a tirar a roupa quando meu telefone tocou, xinguei alto, levantei e peguei meu celular da mesa de cabeceira, mas antes olhando para ele. Seu rosto levemente corado, ele estava arfando, procurando por ar, eu sorri e atendi o telefone.

'Mãe?' ele tentou levantar, mas eu coloquei a mão em seu peitoral o deitando novamente. 'Ah, é? Ok, sem problemas.' Marco estava entre minhas pernas, eu estava sentado em cima dele, senti suas mãos percorrendo minhas coxas, uma chegou em minha ereção, tive que tapar a boca e morder a mão para não gemer, ele riu. 'Não foi nada, não teve barulho nenhum... Ah, um amigo meu vai dormir aqui hoje, tudo bem?' ele apertou levemente meu membro, rindo do meu esforço, surpreendentemente bem sucedido, de segurar meus gemidos. Só que aquilo não foi o suficiente para evitar a pontada de dor quando minha mãe pareceu surpresa pelo fato de eu ter um amigo. 'É, eu tenho um amigo, mãe, por mais incrível que pareça.' suas mãos pararam, ele apenas as posicionou em cima de minha perna, sabia que se eu olhasse ele estaria com uma expressão de pena. 'Claro, claro, quando chegar em casa pode vir conhece-lo sim. Tchau mãe.' desliguei e joguei o celular na cabeceira mais uma vez, mas Marco não se moveu. Olhei nos olhos dele, tentando sorrir e mostrar que estava tudo bem, mas não consegui mover um músculo sequer para forjar meu sorriso. 'Ei, não faz essa cara, não quero que você tenha pena de mim...' saí de cima dele e sentei na beirada da cama, senti seus braços me envolvendo.

'Você disse que eu sou seu amigo.' disse, pude perceber um sorriso em seu tom de voz. 'Isso é uma evolução desde hoje cedo.' lembrei de que quando estávamos na enfermaria eu tinha dito para a enfermeira Hanji que Marco não era meu amigo e fechei os olhos. 'Quem sabe até o fim da noite você não comece a me chamar de namorado.' ele riu, tive de acompanha-lo e murmurei um "vai nessa" enquanto ria. 'Ok, quem sabe mais pra frente então... Talvez amanhã de manhã.' gargalhamos mais alto ainda, eu podia ficar para sempre daquele jeito, nos braços de Marco enquanto o tempo passava. Nada mais era importante, eu tinha a sensação de que nada podia me atingir, os babacas do time de basquete, meus "amigos", nem eu mesmo. 'Acho que a gente tava conversando antes de eu interromper tudo, certo?' eu ri, mas não disse nada, ele me abraçou mais forte.

Acabei pegando no sono nos braços dele, mas acordei deitado na cama com alguém batendo na porta, olhei para a janela, já não chovia e era noite, vi Marco sorrindo para mim, com um caderno em uma mão e um lápis na outra, sentado no chão, em baixo da janela. Ouvi minha mãe perguntando se podia entrar, sentei rapidamente e esfreguei os olhos.

'Relaxa, não parece que você tava dormindo.' eu assenti e disse que ela podia entrar, Marco levantou, deixando suas coisas no chão, vi de relance que ele estava desenhando, mas não consegui ver o quê. 'Olá, sou Marco Bodt, muito prazer.' sorriu estendendo a mão para minha mãe, ela apertou e depois olhou para mim, eu estava apoiado com os braços atrás de mim.

'Muito prazer, Marco.' levantou uma sobrancelha para mim, eu forcei um sorriso e disse oi, ela revirou os olhos. 'Você é o vizinho de trás, não? Já te vi algumas vezes, não sabia que vocês eram... Amigos.' disse a palavra de uma maneira esquisita, hesitante, como se ainda não acreditasse que eu tivesse amigos. Minha mãe conhecia Mikasa, Eren, Armin, Sasha e Connie, mas sabia como eles me tratavam. 'De qualquer maneira, seja bem vindo, espero que meu filho seja um bom anfitrião. Estarei em meu quarto, se precisar, Marco.' ela sorriu para ele, me olhou mais uma vez com frieza e saiu do quarto, fechando a porta, suspirei, podendo ficar com os braços à vista novamente.

Marco me encarava com uma sobrancelha levantada, eu ignorei e levantei para pegar seu caderno, ele tentou me parar, mas fui mais rápido, porém no meio do processo ele acabou me empurrando e caí na cama com força. Ele virou de costas enquanto eu observava o que estava desenhado. Era eu, dormindo em minha cama. A semelhança com a realidade era impressionante, eu estava deitado de barriga para baixo, um braço de baixo do travesseiro e o outro abraçado com uma ponta do cobertor, minha boca entreaberta, meu cabelo bagunçado. Comecei a explorar seu caderno, meus olhos se arregalaram aos poucos.

Virei a página uma vez e lá tinha uma versão minha sentado na mesa do refeitório, os fones no ouvido, encarando a janela — onde chovia -, reconheci minhas roupas do desenho, aquilo tinha sido naquela mesma semana, meu moletom cinza sem estampa, meu jeans favorito, minhas olheiras bem marcadas. Na próxima página era eu dentro do meu quarto, estava sem camisa, meus dois braços enfaixados, eu olhava pela janela, parecia tentar me esconder — devia ter sido de uma das vezes que tentei observa-lo pela janela e achava que ele tinha me visto. Todas as páginas cheias de desenhos meus em momentos diferentes, poses diferentes, roupas diferentes. Olhei para Marco, podia ver que ele estava vermelho, voltei a observar os desenhos e engoli em seco.

O primeiro desenho era extremamente constrangedor, tive vontade de sair correndo, joguei o caderno nele e não disse nada, só fiquei lá, parado, morrendo de vergonha. Ele virou, cuidadosamente pegou o caderno do chão, certificou-se de que eu não o havia estragado e o guardou na mala. Ficamos em silêncio por mais algum tempo.

'Marco... Quantas vezes você me viu fazendo aquilo?' perguntei e perdi o ar quando ele disse "várias" em resposta, choraminguei. 'Isso é extremamente constrangedor.' sorri, não fazia sentido eu ficar com tanta vergonha considerando os eventos recentes, ele se aproximou e sentou comigo na cama. 'Ok, ok, eu vou demorar pra me acostumar com tudo isso, é que eu definitivamente não esperava pelo que vi.' eu ri, ele riu comigo. 'Você realmente é um pervertido, Marco. Que tipo de pessoa desenha a outra se masturbando?' ele acariciou meu rosto, seu polegar parando nos meus lábios e os separando antes de sair de lá.

'Eu não podia tocar, tinha que me contentar em observar e imaginar, ué. Vai dizer que você não fazia o mesmo.' eu sorri de volta e assenti. Parecia que nos daríamos bem e eu rezava para que no dia seguinte, quando eu acordasse, as coisas continuassem seguindo aquele caminho insano e sem sentido que estava começando a seguir.

Notas finais
Obrigada por ler, espero que tenham gostado. Próximo capítulo há de ser postado quando eu acabar de escrever o quarto - até porque eu acabei o terceiro faz poucos minutos. Prefiro postar sempre depois de ter um sobrando no pc, não sei... Comentem com críticas construtivas ou qualquer coisa, onegai! Isso ajuda muito qualquer autor no mundo. Feedback é sempre esquema. Gracias, até a próxima ~