Rain Sound

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Olá pessoal, eu estou de volta - depois de meses sem postar nada. A vida foi muito complicada, explico melhor nas notas finais, ok? Lembrando que: yaoi. Não curte, não lê. Here we go:

"Dormimos abraçados, de conchinha, e sorrindo. Estávamos felizes e, apesar dos pequenos detalhes, a vida estava boa."

~~

Chovia. E, como sempre, minha atenção estava voltada à chuva. Os números no quadro já não faziam mais qualquer sentido. O professor estava no meio de algum exercício de elétrica — potencialmente a parte mais chata de toda a Física. Senti algo me acertar e, ao olhar em cima da mesa, vi um papel dobrado. Olhei em volta, mas ninguém parecia suspeito o suficiente para levar a culpa instantaneamente.

"Você tá um gato hoje. Almoço mais tarde juntos, delícia?"

Virei para trás novamente e percebi que Bertholdt parecia estar suando mais do que o de costume e Reiner mordendo o lado de dentro das bochechas para não rir. Revirei os olhos e peguei meu celular.

J.K.: Eu to sempre gato, deuso.

Reiner roncou um pouco tentando segurar uma risada explosiva, o que fez a atenção da sala toda ir para ele. Ele repetiu o som mais três vezes.

'Professor, posso ir tomar água? Acho que tem alguma coisa entalada na minha garganta.' disse na maior cara de pau, o que me fez rir baixinho. O professor revirou os olhos, mas assentiu. Reiner ficou o resto da aula fora e meu celular não parou de vibrar nem um segundo em meu bolso.

Decidi que seria mais sensato ignorar as mensagens porque ele provavelmente estaria fazendo piadas e eu não conseguiria segurar o riso e seria punido por atrapalhar a aula — o que não seria uma situação agradável. Joguei o celular na mochila, sem nem olhar direito para onde ele foi parar. Naquele momento a chuva era bem mais interessante. As gotas na janela eram bem mais interessantes. Aquela brincadeira de criança de escolher uma delas e torcer para que ela chegasse primeiro ao fim do vidro, como se em uma corrida, era mais interessante. E menos perigoso para meu histórico escolar.

Quando o sinal bateu eu demorei para sair da sala, estava extremamente distraído com minhas gotinhas d’água escorrendo no vidro da janela para ser imediato. Senti alguém tocar meu ombro e olhei para cima — bem para cima.

'Você nem começou a guardar suas coisas…' disse Bertholdt me tirando de meu transe. 'Quer ajuda?' balancei a cabeça, fazendo uma pilha só com as folhas e livros e meu estojo e o acompanhando para fora da sala.

'Cuzão! E nem olhou seu celular depois pra se foder comigo!' Reiner riu vindo em minha direção, eu sorri. 'Enfim, mesmo você sendo cuzão e tal eu ainda quero falar contigo.' assenti.

Era raro aquilo acontecer. Alguém do grupo sentar separado na hora do almoço porque precisava conversar. Geralmente eramos bastante abertos uns com os outros, então achei estranho o pedido de Reiner, mas o acatei de qualquer maneira. Sentamos bem longe das pessoas, em um cantinho isolado, que não chamasse muita atenção. Fora ele quem escolhera o lugar.

Reiner fazia movimentos mais pesados do que os de costume. Ele estava nervoso. Seu sentar foi brusco, o colocar a bandeja na mesa fez sua maçã rolar pra um pouco longe, o passar a mão no rosto e respirar fundo foi desesperado. E desesperador.

'Caralho, cara, que que aconteceu?' perguntei pegando a fruta e colocando em seu devido lugar.

'Pera.' ele respirou fundo mais uma vez. Levantei uma das sobrancelhas. 'Eu preciso da sua ajuda…' assenti para que ele prosseguisse. Era como se eu pudesse ouvir seu coração batendo mesmo estando numa distância considerável dele. 'Eu queria… É difícil pra mim, muito difícil. Você sabe como eu sou e como eu sempre fui, mas eu queria muito…' ele ficou em silêncio. Esperei que ele continuasse, mas nada aconteceu.

'Queria muito?' o incentivei, ele gemeu baixo, como se estivesse com dor. 'Mano, você tá legal? Quer falar disso outra hora ou sei lá? É algo grave? 'Cê tá me preocupando, velho…'

'Não, não é grave. Não é ruim… É que é difícil.' falou rapidamente, um pouco mais desesperado do que antes. 'Eu e ele.' apontou com a cabeça para a mesa. 'Em público.' arregalei os olhos instintivamente ao entender onde ele queria chegar.

'E como que eu posso te ajudar com isso?!’ perguntei quase rindo do desespero sem motivo de meu amigo.

'Não sei… Mas você e o Marco conseguiram, os pais dos dois sabem, os amigos sabem, vocês saem juntos sem vergonha de serem vistos… O próximo passo é se pegar na escola, sabe… E eu não sei nem como dar o primeiro deles. Não sei nem como chegar nos meus pais — mesmo com toda a história do meu pai ter se apaixonado por outro cara — ou nos pais dele e assumir isso…’ ele respirou fundo mais uma vez e corou um pouco — quase que imperceptivelmente. ‘Até porque eu sempre quis, tipo, pedir a mão dele em namoro direito e tal… E não só chegar, tipo, oi família do Bert, a gente namora faz um tempão escondido, falou. Entende?’

'Você quer pedir ele em namoro na moral? Tipo chegar nos pais dele e tal, tipo: “qual suas intenções com meu filho?” “já realizei todas, pai do Bert.”.?' ele soltou uma risadinha e me chutou por baixo da mesa. 'Não sabia que você era esse tipo, cara.'

'Com ele eu sou… Mas esse não é o ponto. O ponto é que eu preciso de ajuda. E de uma casa pra me abrigar caso as coisas deem errado…' eu sorri e assenti. Reiner sorriu de volta. 'Queria que você soubesse que minha grande inspiração foi você.' sorri mais. Eu sabia daquilo, Marco havia me contado aquela informação alguns dias antes, mas agi como se fosse uma novidade. E, na verdade, sendo ou não: aquilo me deixava muito feliz.

'Eu não sei como eu vou te ajudar, mas vou tentar. E minha casa tá aberta se precisar.' dei uma piscadinha de um olho só. 'Não só minha casa, gato.' isso o fez rir.

'Cala a boca, Kirschtein.' me mostrou o dedo do meio, eu sorri mais.

'Vem calar, Braun.' ele riu novamente. 'Eu fico feliz que você não queira mais esconder quem você é, sabia?' Reiner só continuou sorrindo e corou um pouco. 'É sério, mano. Tipo, o apoio do pessoal você já tem e vai continuar tendo. E eu tenho certeza que vai ficar tudo bem.' ele deu de ombros.

'Não tenho tanta certeza disso…' suspirou. 'De qualquer maneira, quero primeiro contar pros meus pais. Mas eu não sei se devo contar direto que eu namoro faz tempo, sabe? Porque não quero correr o risco de eles odiarem o Bert ou qualquer coisa do tipo…' eu assenti. Realmente compreendia aquele medo, mas eu tinha uma teoria. A de que qualquer pessoa que conhecesse Reiner bem o suficiente conseguiria perceber que ele era apaixonado por Bertholdt. Só não comentei isso porque tive receio que isso o intimidasse.

Passamos o almoço falando sobre como ele poderia ser sutil e fazendo piadas idiotas pra impedir que o clima continuasse tenso como no início. Ainda era um pouco desesperador ver o quão travado ele era quando falava sobre aquilo, especialmente em público, onde qualquer um poderia ouvir. Eu me perguntava se foi daquele jeito que eu fiquei quando Marco e eu fomos à sorveteria juntos com todo o grupo assim que começamos a nos falar.

Reiner e eu combinamos que ele me mandaria uma mensagem mais tarde dizendo como as coisas foram e se foram.

Por conta de nossa conversa eu não falei com Marco no almoço. Na verdade não falei com Marco em momento algum do período escolar, por algum motivo. Toda vez que íamos conversar algo acontecia ou algum professor chamava nossa atenção. Fora a primeira vez que fomos privados de comunicação durante tanto tempo e aquilo era estranho para mim. Especialmente porque não o encontrei na saída, então literalmente fui para casa sem trocar uma palavra sequer com meu namorado. Sendo o tapado que sou, eu não pensei em nenhum instante em tirar meu celular da mala desde cedo.

Cheguei em casa, joguei a mala no chão e deitei na cama por algum tempo. Eu estava com o cabelo um pouco molhado por conta da chuva, mas aquilo não me incomodava. Respirei fundo e passei a mão pelos fios bagunçados, sentindo as gotículas molharem meu travesseiro e minhas mãos. Sorri ao olhar para a janela e ver o vidro todo molhado e mais gotas caírem lá fora.

Decidi que iria tomar um banho de chuva. Havia meses que não o fazia e sentia falta daquilo. Coloquei uma bermuda de tactel e uma blusa qualquer de manga comprida e disparei pela escada. Cada gota que caía no meu corpo fazia eu me sentir mais vivo. Era uma sensação boa. A chuva tornou-se minha única companheira no tempo que fiquei sem falar com minha mãe e no tempo em que tudo de ruim parecia cair na minha cabeça. Minha felicidade durou uma meia hora, aumentou conforme a chuva aumentava e ainda mais ao ver Marco vindo a pé em direção à minha casa, começou a sumir rapidamente quando o céu se iluminou por um breve instante e desapareceu por completo quando eu ouvi o trovão.

O rosto de Marco, que antes parecia um pouco irritado, tomou uma expressão de preocupação assim que o barulho aconteceu. Eu me senti um super herói de tão rápido que corri até ele, peguei seu braço e o puxei para dentro de casa, trancando a porta atrás de nós. Meu coração batia mais forte do que nunca. Mais um trovão, eu pulei pelo susto e xinguei baixinho. Peguei, mais uma vez, a mão dele e o levei, numa velocidade mais normal, para meu quarto. O soltei após fechar a porta.

Peguei meu iPod e meus fones de dentro da mochila, tirei minha roupa molhada e a larguei no banheiro e sentei na cama, só de cueca, me cobrindo com um edredom como se ele fosse uma capa. Marco tirou os sapatos e a roupa, pegando uma calça de moletom qualquer de meu armário e a vestindo. Logo depois ele sentou na cama comigo e fez menção de tirar um dos lados do meu fone de ouvido. Quase dei um tapa em sua mão, mas consegui me segurar e tudo o que fiz foi tocá-la para que não avançasse mais. Ele disse algo, mas não conseguia ouvir por conta da música alta. Marco franziu o cenho e tirou um dos lados do meu fone, bem no mesmo instante em que um trovão soava. Todos os pelos de meu corpo se arrepiaram.

'Cadê seu celular?' perguntou num tom de voz amedrontador. Arregalei os olhos por um instante, percebendo a burrada que havia feito e apontei pra mala. Ele literalmente jogou tudo de dentro dela no chão e pegou o objeto, o entregando a mim. Vinte e três chamadas perdidas e diversas notificações de mensagens e whatsapp. 'Você tem ideia…' respirou fundo, se acalmando. 'Do quão preocupado eu fiquei sem ver você pela janela depois de você passar o dia me ignorando?'

'Eu não…' ele me interrompeu na hora.

'Foi o que pareceu, Jean!' mais um trovão, mas daquela vez ele tinha sido dentro de meu quarto. Meu coração apertou. 'A última coisa que ia passar pela minha cabeça era que você tinha deixado o celular na mala e esquecido dele!’ seu tom de voz aumentava, como se ele competisse com a chuva. ‘Primeiro eu achei que tivesse feito algo errado e que você tivesse chateado comigo e fiquei preocupado, depois pareceu que você tava me ignorando sem motivo e eu fiquei puto. Mas quando eu não te vi pela janela nenhuma vez hoje…’ sua voz falhou no final da frase. ‘Eu achei que você tivesse tido uma recaída, Jean, eu te liguei tantas vezes e você não atendeu e eu quase morri do coração!’ trovões ecoavam tanto do lado de fora quanto do de dentro de meu quarto. A única maneira que meu corpo sabia reagir àquilo era se encolher. Foi o que eu fiz. Fechei os olhos, mordi os lábios e me encolhi.

'Desculpa…' minha voz quase não saía. Outro trovão, o que me fez começar a tremer. 'Marco…' senti os braços dele me envolverem e derramei uma lágrima. 'A gente pode fazer isso depois?' senti ele assentindo e me apertar mais forte. O próximo trovão foi tão alto que me fez soltar um barulho bizarro, um choro estrangulado.

'Tá tudo bem, é só mais uma chuva. E você ama a chuva, não ama? É só uma um pouco mais turbulenta, mas é só mais uma.' suas mãos acariciavam minhas costas. 'Se você consegue ouvir o trovão é porque o raio já passou. Não tem motivo pra ter medo. Além do que: eu to aqui agora. E sempre. Com você. Pra você não ter mais medo.' eu assenti, mas ainda tremia, ainda estava tendo, ainda tinha medo.

Mas também tinha a vontade de não ter mais.

A gente não pode fugir das tempestades, e eu ainda ia aprender isso. A vida é cheia delas. E não é todo trovão que acontece por conta de um raio e nem todo raio cai perto da gente.

Mas eu não sabia daquilo ainda, eu não sabia que tempestades maiores viriam e eu não conseguia lembrar que tempestades maiores haviam passado por mim. Eu só tinha a vontade de não ter mais medo. E a de me afundar nos braços de Marco. Eu me afastei e abri os olhos, lentamente. Nós dois nos olhamos.

Seu cabelo estava bastante molhado e pingava dele algumas gotas direto em minha cama. Outras percorriam o tronco de Marco antes de molharem a calça de moletom vermelha que ele estava usando. Decidi acompanhar com o olhar uma das gotas do segundo tipo. Mordi o lábio inferior com um pouco de força, aquela visão era bastante agradável. Talvez até mais do que deveria ser. Ele levou suas mãos até meu rosto e o levantou, fazendo com que eu o encarasse. O tempo entre ele levantando minha cabeça e colando nossos lábios pareceu eterno enquanto meu coração batia forte. No meio do beijo houve um trovão muito alto e eu soltei um barulho agudo de minha garganta, o que fez Marco rir.

'Você consegue ser tão adorável às vezes, sabia?' dei um tapa em seu braço e ele me abraçou, rindo mais perto do meu ouvido e de um jeito mais grave. 'Jean…' sussurrou arrepiando todos os pelos do meu corpo. 'Eu te amo.' ele mordiscou minha orelha levemente e começou a beijar meu pescoço. Afundei meu rosto em seu ombro assim que houve outro trovão.

'Não vai dar certo, Marco…' ele arranjou um jeito de continuar beijando minha pele sensível. Suspirei quando ele mordeu com um pouquinho mais de força meu ponto mais sensível — bem entre o pescoço e o ombro.

'Você tem que focar no que a gente tá fazendo, não no que tá rolando lá fora.' finquei minhas unhas em sua pele com o próximo trovão. 'Ai! Cacete, Jean!' ele pulou de dor e susto.

'Desculpa…' abaixei a cabeça, mas ele a levantou mais uma vez.

'Presta atenção em mim e só em mim.' seus olhos brilhavam. Aquela mania que ele tinha de querer concertar tudo às vezes me irritava — especialmente com relação aos meus problemas pessoais, meus vícios nada saudáveis -, mas naquele instante ela apenas soava fofa. 'Porque você tá extremamente sensual só de boxer e eu não consigo prestar atenção em mais nada.' eu sorri e me encolhi um pouco, mesmo o barulho lá fora tendo sido bem baixo.

'Talvez se você estivesse só de boxer fosse bem mais fácil.' coloquei a mão na calça, mas ele me parou, rindo.

'Calma, moço. Uma coisa de cada vez. Primeiro vamos deixar você mais calmo, depois a gente aprofunda a brincadeira.' seu sorriso era ao mesmo tempo provocante e doce. Eu nunca entendi como ele tinha aquele poder de ser duas coisas tão distintas ao mesmo tempo, mas ele tinha. E era enlouquecedor.

Era enlouquecedor como ele conseguia falar coisas sujas e quando estávamos de fato as fazendo ele corava. Era enlouquecedor como ele começava uma carícia inocente e segundos depois já a havia transformado em algo malicioso. Era enlouquecedor como ele era tão ele, tão cheio de libido e tão puro ao mesmo tempo.

Marco me deitou na cama delicadamente e jogou meu cobertor no chão. Suas mãos começaram a explorar meu abdômen e a brincar com o elástico de minha cueca. Depois elas passaram direito para minhas coxas, arranhando a parte inferior e as afastando um pouco. Ele sabia exatamente onde tocar e como tocar para me tirar do sério. E sabia também me torturar bastante — o que ele realmente gostava de fazer. Marco foi beijando o caminho até minhas pernas, pulando toda a área que havia tecido. Ele lambeu a parte interna de uma de minhas coxas e eu, involuntariamente, arqueei minhas costas e joguei o quadril para frente, procurando por contato. Aquilo o fez rir, eu corei e fiquei tentado a jogar meu travesseiro nele.

Marco ficou de pé e tirou a própria calça, reclamei — ele sabia que eu gostava de despi-lo — e ele só riu mais um pouco. Sorri para ele e peguei sua mão, a puxando para perto de mim enquanto ele abaixava de volta. A beijei de modo galanteador, Marco corou um pouco, foi minha vez de rir. Ele me beijou mais uma vez. E foi quando nenhum dos dois aguentou mais e começou a aproveitar cada momento em que podia ter contato com a pele do outro. Qualquer toque de qualquer parte de nossos corpos em qualquer parte de nossos corpos nos deixava cada vez mais excitados. Até que eu levantei um pouco a perna e a esfreguei contra seu membro e Marco soltou um gemido baixo em cima de mim. Sua mão direita foi direto para meu pênis, por debaixo da cueca. Nos separamos um pouco, parando o beijo. Imitei sua ação e levei minha mão ao pênis dele.

Aquilo foi intenso, especialmente porque eu não queria ter um orgasmo rápido. Queria que aquilo fosse até o fim. Eu estava extremamente excitado e extremamente afim de fazer sexo com Marco naquele momento, então quando comecei a sentir que ia ter um orgasmo parei de estimulá-lo e tirei sua mão de mim. Ele pareceu confuso.

'Eu quero você.' falei sem qualquer pudor. Havia aprendido que não tinha motivo para tê-lo quando estávamos os dois semi nus e nos tocando. Marco ruborizou um pouco, mas assentiu. Tirei sua cueca, finalmente, sorrindo enquanto o fazia, e depois a minha. Ele abriu a gaveta do meu criado mudo e pegou de lá camisinhas e lubrificante. Abriu o pote um pouco tremulo e lambuzou três dedos com o conteúdo.

A preparação sempre me deixava impaciente. Principalmente quando eu literalmente pedia por sexo. Mas não tinha coragem de fazê-lo sem ela, por mais acostumado que eu pensava estar. Até porque Marco nunca toparia, ele era extra cuidadoso com qualquer coisa que pudesse me machucar. Até na hora de me arranhar ou morder por instinto ele era ultra cauteloso, o que fazia eu me sentir mal quando notava que eu deixava muito mais marcas de unhas e dentes nele do que o contrário. A cada etapa eu ficava mais impaciente, mas não importava o quanto eu pedisse a ele que acabasse logo com aquilo, Marco tinha todo o cuidado do mundo e não dava ouvidos a mim. No fundo eu achava que ele se divertia um pouco com aquela situação, vendo o quanto eu precisava dele. Eu sei que eu me divertiria se estivesse no lugar dele.

Quando Marco finalmente estava dentro de mim eu senti ondas de prazer mais fortes do que as que já havia sentido antes. Acho que aquela fora a primeira vez que nosso sexo foi tão silencioso. Geralmente fazíamos comentários idiotas durante o ato — porque nós dois acreditávamos que quem não está pronto pra rir no meio do sexo e não brochar não está pronto para fazer sexo. Mas daquela vez foi tudo muito intenso. Os únicos sons que ouvíamos eram alguns gemidos e os de nossos corpos se chocando um contra o outro. Não foi o orgasmo mais intenso que eu já tive, mas foi o de Marco. O meu foi bom, sem dúvidas, mas foi normal.

Já quando ele chegou ao ápice, todos os seus músculos contraíram-se e relaxaram intensamente, seu gemido foi mais alto do que o de costume e sua expressão foi perfeita. Não há uma palavra melhor. Há diversas outras que o descrevem bem, em conjunto, mas essa encaixa impecavelmente. O rosto de Marco naquele momento foi também o ápice de sua beleza.

Ele caiu, morto, em cima de mim, mas fez força para levantar e ir jogar a camisinha fora. Tive um pouco de pena dele, mas fiquei feliz quando ele voltou com o rolo de papel higiênico em uma mão e o lixo do banheiro na outra. Marco começou a limpar meu abdômen e alguns lugares na cama e depois jogou o papel fora. Dei espaço para que ele deitasse ao meu lado.

'Viu, você conseguiu parar de prestar atenção nas trovoadas.' disse algum tempo depois de ficarmos em silêncio. Eu assenti, mas logo grudei nele quando ouvi um trovão. Marco riu, mas não de um jeito maldoso e sim como ele ria quando estava feliz. 'Depois disso eu nem vou te dar um sermão de horas sobre você não ter olhado seu telefone e quase ter me matado do coração.'

'Desculpa…' falei me aconchegando em seu peitoral, ele me abraçou com a força ideal. 'Inclusive foi bom você ter ficado puto porque eu preciso ficar de olho no meu celular mais tarde por motivos.' Marco fez um barulho engraçado, fingindo estar ofendido com aquilo, o que me fez rir. Eu sabia que ele estava sorrindo.

'Mas, de verdade, não faz mais isso, tá?' assenti. 'E se for fazer, pelo menos me avisa antes pra eu saber que ta tudo bem.' mais uma vez. Estava com os olhos fechados e ficando bem mole de sono. Ele percebeu e ficou quieto, me deixando apagar em seus braços.

Não foi um sono muito tranquilo porque, em primeiro lugar, estávamos ambos nus e aquela era uma cena que eu não queria que minha mãe visse e, em segundo, porque Reiner me mandaria uma mensagem sobre como havia sido sair do armário. Cochilei por, mais ou menos, quarenta minutos — o que foi quase um recorde de menor tempo de cochilo da minha vida. Eu costumava deitar para ler ou qualquer coisa do tipo e acabar pegando no sono e só acordando três horas depois, sem qualquer noção de quanto tempo havia passado ou até mesmo de quem eu era. A sensação de acordar tão perdido que nada faz sentido no mundo era tão comum para mim que ela acabava por durar pouco.

Acordei ainda abraçado meu namorado e me aconcheguei mais perto dele, sorrindo. Sua respiração estava estável e a chuva do lado de fora da janela estava bem mais tranquila, o que era bom. Aparentemente não haveria mais trovões por algum tempo. Me afastei de Marco lentamente, tentando — e falhando em — não acordá-lo.

'Onde você tá indo?' perguntou um pouco tonto. Ah, a sensação de nada fazer sentido. Sorri para ele.

'Banheiro, tomar um banho antes da minha mãe chegar em casa e me ver pelado na cama com meu namorado.' ele resmungou algo incompreensível, o que me fez rir um pouco, e virou pro lado para dormir novamente. 'Você vai ter que tomar um e se vestir depois também, Marco.' mais um resmungo e eu fui para o banho.

Demorei o quanto eu demorava normalmente, não era como se eu tivesse que me preocupar que faltasse água nem nada do tipo. Muito menos que Marco acordasse e reclamasse de alguma coisa. O máximo que poderia acontecer, mas não aconteceu, era ele se juntar a mim. Nada de importante ou relevante passava pela minha cabeça, eu estava mais focado em sentir a água em mim do que em pensar. O que não era comum, mas acontecia às vezes. Às vezes eu me agarrava com força a toda e qualquer coisa que me fizesse sentir que eu estava vivo.

Eu havia passado muito tempo me sentindo morto e tinha tanto medo de voltar a me sentir daquele jeito que acabei por criar essa mania. Ela não era nociva, então eu não ligava de tê-la adquirido. É bom às vezes se sentir vivo.

Acabei o banho e fui para o quarto. Marco ainda estava dormindo, então fui bastante silencioso ao me vestir. Peguei fones de ouvido, os pluguei ao computador antes de abri-lo, me certifiquei de que meu celular estava só vibrando, o cobri com um lençol — para caso ele não acordasse e se vestisse até minha mãe chegar em casa — e fiquei navegando na internet sem rumo algum. Abri todas as redes sociais das quais eu era parte, abri várias janelas de jogos idiotas de sair de quartos e passei um bom tempo naquelas atividades inúteis. Depois de muito tempo, meu celular vibrou. Era Reiner. E não era uma mensagem de texto.

Saí do quarto para atendê-lo, afinal, ele precisava da minha ajuda, mas meu namorado aparentemente precisava bastante dormir.

’Tá tudo bem.’ ele nem esperou que eu dissesse um alô.’Tá tudo bem, minha família não vai me deserdar. Eles ficaram meio… Decepcionados, talvez… Minha mãe, na verdade. Meu pai ficou de boa, ele só não imaginava isso por eu não ter reagido muito bem quando eles se divorciaram, mas minha mãe… Talvez justamente por essa história toda não seja algo que ela goste de pensar sobre, né... Enfim. Apesar disso ela disse que me ama independente de quem eu amar. Só não acho que ela queira ver o Bert por algum tempo…’ sua voz tremia um pouco e ele parecia, ao mesmo tempo, chateado e aliviado.

'Que bom que deu tudo meio certo, cara. Qualquer coisa to aqui, você sabe.' respondi tentando lhe passar segurança.

’Eu sei, eu to ligado. Valeu, Jean. De verdade’ eu sorri. ‘Enfim, preciso ligar pro Bert pra contar como foi, depois a gente se fala, tá?’

'Tranquilo, vai lá. Até.' e Reiner desligou sem se despedir direito. Aquilo me fez rir baixo. Coitado, ele estava tão nervoso, mas as coisas acabaram sendo melhores do que ele imaginou.

Apesar de eu saber que a decepção da mãe dele o havia deixado chateado, também sabia que seu pai ter aceitado o deixava bastante feliz. Nem sempre as pessoas conseguem ter uma família como a de Marco. Na realidade, geralmente, as famílias não aceitam tanto os filhos quanto a de Marco.

Voltei para o quarto e ele estava sentado na cama, me esperando.

'Que foi?' perguntou, um pouco preocupado. Sorri e fui sentar ao seu lado.

'Ah, era o Reiner. Ele assumiu pros pais e quis me contar como tinha sido. E, aparentemente, foi tranquilo, então não tem nada pra se preocupar com.' umas rugas pequenas que haviam se formado em seu rosto desapareceram. Lhe dei um selinho. 'As pessoas não ligam de chegar em casa e você não estar lá?' ele negou.

'Eles sabem que tem noventa por cento de chance de eu estar aqui. Eles me mandam alguma mensagem e eu respondo dando certeza de estar bem e eles ficam tranquilos.' ele sorriu. 'Meus pais confiam bastante em mim. Isso me deixa feliz.'

'Imagino… Mas você também não dá motivos pra eles não confiarem, né…' suspirei. 'Te amo.'

'Eu também. Muito mesmo.' Marco sorriu e segurou minha mão com força. ‘Preciso tomar banho.’ eu assenti e sorri de volta, sentando onde ele estava e checando meu celular para, de fato, ver tudo o que eu havia perdido de mensagem desde que eu o colocara em minha mochila.

Se eu estivesse no lugar de Marco não sei o que faria. Ele tinha muita paciência. Comigo, na verdade. Com o resto das pessoas era um pouco diferente. Não que ele não fosse paciente pra caramba, mas era diferente.

Conseguia ler a preocupação dele em cada mensagem que ele mandara. Ele havia até perguntado de mim no grupo e ninguém sabia responder como eu estava. Reiner disse que até onde ele sabia eu estava bem, mas Bert comentou que eu estava bastante avoado de manhã na sala de aula. Aquilo, com certeza, foi o que fez meu namorado vir me procurar. Mesmo eu tendo melhorado muito, mesmo minha vida tendo melhorado bastante, eu ainda causava problemas... Suspirei pensando aquilo e balancei a cabeça.

Sabia que se Marco me ouvisse com aquele tipo de pensamento ficaria bastante chateado. Ele não gostava quando eu me colocava como um problema ou quando eu pedia desculpas por algo que eu não tinha controle de. Um sorriso me veio ao rosto quando vi a foto que ele usava no whatsapp. Sempre achei cafona usar foto com o namorado em redes sociais, mas ele usar uma foto nossa me deixou extremamente feliz.

Nós dois abraçados, Marco sorrindo abertamente, com os olhos fechados, e eu dando um beijo em sua bochecha. Foi Christa quem tirou aquela foto. Ela gostava de fotografar tudo o que pudesse quando saíamos e, uma das vezes que fomos à sorveteria todos juntos, ela tirou aquela foto em especial. Uma das mais bonitas que tínhamos juntos.

Na verdade, se não fosse por ela não teríamos muitas fotos juntos. Eu não tinha o costume de tirar selfies nem fotos no geral. Foi nessa linha de raciocínio que tive a ideia de fotografar mais a partir daquele dia. Quando Marco saiu do banheiro, só com a toalha enrolada na cintura, foi surpreendido por um flash vindo de meu celular.

‘Apaga.’ disse sem nem olhar para mim.

‘Mas você saiu tão bonito.’ ele bufou enquanto pegava uma roupa no meu armário. ‘A gente precisa tirar mais fotos.’

‘Pensei que você não gostasse de fotos.’ dei de ombros.

‘Não gostava, mas eu quero ter fotos suas e ter fotos com você.’ ele olhou pra mim sorrindo de uma maneira maliciosa. Engoli em seco.

‘Que tipo de fotos você quer ter de mim?’ largou as roupas no chão e veio em direção a mim. ‘Será que eu corrompi você tanto assim, Jean?’ ele lambeu os lábios e segurou meu queixo entre os dedos. Meu coração batia mais forte. Eu era tão pateticamente fraco com relação a Marco e a Marco me seduzindo.

‘Você é muito babaca, você sabia disso?’ ele riu alto e assentiu, me soltando e me dando um selinho. ‘Não foi o que eu quis dizer e você sabe disso.’ hesitei. ‘Não que eu vá reclamar desse tipo de foto que você tava sugerindo. De jeito nenhum.’ foi minha vez de sorrir maliciosamente.

‘Eu te levei pro mau caminho!’ exclamou rindo e começando a se vestir.

‘É, claro, porque eu realmente não via pornô antes da gente ficar junto.’ ele gargalhou e, ao terminar, sentou do meu lado. Pegou o celular da minha mão e começou a tirar fotos nossas.

Eu levei aquilo bastante a sério, pensando em várias caras para fazer enquanto ele nos fotografava. Marco fez caretas hilárias e deu sorrisos lindos, depois de um certo ponto eu não conseguia parar de contemplá-lo na tela. Ele percebeu e me beijou, mas ainda tirando fotos. Tirei o celular da mão dele e joguei num canto qualquer, iniciando uma sessão de amassos mais intensa.

Uma que não durou muito tempo até estarmos rindo da situação.

‘Você tava tirando aquelas fotos super clichês de casal se beijando.’ lhe dei um selinho.

‘Eu queria ter mais fotos com você. Clichês ou não. Mas você sempre falava que não gostava de tirar foto, então eu respeitei...’ ele sorriu para mim. ‘Eu fiz uma coisa pra você, mas tá lá em casa. É um desenho da foto que eu uso no whatsapp...’ seu rosto corou um pouco. ‘É a foto de nós que eu mais gosto. Provavelmente a foto que eu mais gosto e ponto. Então eu desenhei ela pra te dar. E tem uma cartinha atrás, você vai ver.’ deitamos nos encarando e de mãos dadas. Eu acariciava seu rosto.

‘Você pensa no futuro?’ perguntei um pouco do nada, mas ele não deixou de sorrir. ‘Tipo, no nosso futuro...’ Marco assentiu. ‘O quão longe no futuro?’

‘Bastante... Tipo em nós dois brigando pela cor do nosso quarto na casa que a gente for morar. Ou nós dois discutindo sobre apartamento ou casa porque você vai preferir uma apartamento e eu uma casa, com certeza... Essas coisas...’ seus olhos fixos em mim, claramente procurando por alguma reação negativa quanto a o que ele dizia. Mas, ao contrário do que todos acreditam, eu sempre fui mais romântico e mais apegado do que Marco, eu só não demonstrava tanto quanto ele. Por isso, muitas vezes, até mesmo ele esquecia desse fato. ‘E você?’

‘Eu, com certeza, vou preferir um apartamento. A não ser que a gente decida ter filhos, aí casa.’ ele riu, percebendo que sua preocupação fora idiota. ‘A gente é muito novo pra pensar nisso ainda. E a gente não tá junto há muito tempo, então parece estranho ter esse tipo de pensamento, mas... Sei lá, parece a coisa certa pra mim. Viver uma vida toda do seu lado, envelhecer com você, talvez adotar... Sermos enterrados um ao lado do outro...’ ele ficou sério ao me ouvir, mas eu sabia que não era porque o que eu dizia o desagradava.

‘Mas?’ me pressionou. Era por isso. Porque ele sabia que eu, por mais romântico e idealizador que fosse, era bastante cético quanto a coisas boas acontecendo comigo. Ele sabia que eu queria tudo aquilo, mas não acreditava que aconteceria.

‘Pode ser que um dia você canse de mim. Uma vida toda com alguém que só pensa negativo, que só se coloca pra baixo, não é fácil. A gente já briga agora e não passamos vinte e quatro horas no dia, sete dias por semana juntos...’ ele revirou os olhos. ‘E tudo pode acontecer, sabe. Você pode conhecer alguém diferente e se apaixonar, pode ser que a gente não seja pra sempre. Tudo tem seu tempo e tudo acaba.’

‘Isso é uma frase de Doctor Who.’ seu sorriso voltou. ‘É verdade, Jean. Tudo acaba. Mas eu tenho certeza que eu vou amar você até o último dia da minha vida. E, por mais egocêntrico que isso soe, tenho certeza que você vai me amar até o último dia da sua.’ Marco pegou minha mão e deu um beijo nela. ‘A gente é novo, claro que é, mas... Eu já fiquei com algumas pessoas e nunca me senti assim antes... Eu lembro de conversar com minha mãe quando eu era criança e perguntar como ela soube que meu pai era o cara certo pra ela... Ela me disse que ela simplesmente soube. Que os dois cresceram muito juntos, que ela mudou pra melhor com ele e ele com ela. Isso não soa familiar pra você?’ foi minha vez de apenas assentir. ‘Não acho que a gente tenha que ficar pensando muito no dia de amanhã, mesmo eu pensando às vezes. Pra mim o que importa é o agora. E um dia olhar pro passado e esfregar na sua cara que eu tava certo.’ ele gargalhou, me fazendo rir também.

‘Se daqui a quatro anos a gente ainda estiver juntos... Promete que vai casar comigo?’ perguntei começando a tremer um pouco, com medo da resposta. Ainda era surreal estar com Marco, ser amado por Marco... Meu namorado sorriu.

‘Prometo.’ ele me deu um selinho. ‘Honestamente, se você me pedisse em casamento hoje eu aceitaria. E tenho certeza de que eu não ia me arrepender nunca.’

‘Oferta tentadora, mas acho que seria um choque pros nossos pais.’ rimos juntos. ‘Eu tenho uma coisa pra você também. Tava com medo de te mostrar, mas foda-se. Fica aqui, já venho.’ soltei sua mão e levantei, indo pegar meu violão velho no quarto da minha mãe.

Ao voltar para o quarto o sorriso de Marco cresceu. Ele sabia o quanto significava eu ter voltado a tocar. Ele sabia muito sobre mim, ele sabia tudo sobre mim. E eu sobre ele. As primeiras notas saíram um pouco baixas, eu estava com vergonha, havia anos que não tocava para alguém. Fechei os olhos, respirei fundo e continuei tocando, até começar a cantar.

Aquela era uma das minhas músicas favoritas e todas as vezes que a ouvia lembrava de Marco. Não abri os olhos até o fim dela, sabia que travaria se o fizesse antes de acabar e queria que ele gostasse, não queria estragar aquilo. O abrir os olhos o vi chorando.

‘Jean...’ disse enxugando as lágrimas. Coloquei o violão de maneira delicada no chão e senti seus braços me envolverem assim que levantei. ‘É injusto você fazer isso comigo e não me pedir em casamento logo em seguida.’ disse rindo, mas suas lágrimas ainda molhavam meu ombro.

‘Você gostou?’ perguntei sorrindo e acariciando suas costas. Ele me deu um tapa leve, o que me fez rir.

‘O que você acha?’ respirou fundo. ‘Eu te amo muito. Até o fim.’ dei um beijo em sua cabeça.

‘Eu também, Marco.’ o afastei um pouco para poder enxugar suas lágrimas e sorrir para ele. ‘E eu já expliquei o motivo de eu não te pedir em casamento nesse exato momento. Nossos pais iam surtar. Principalmente os seus.’

‘Então vamos casar escondido. Agora. Só nós dois. Não precisa de mais ninguém que fique sabendo.’ ri de sua ideia. ‘Eu to falando sério.’

‘Me pergunta de novo amanhã. Só pra ter certeza que não é o calor do momento. Se você perguntar a gente pede pra algum amigo nosso casar a gente. Mesmo essa sendo a ideia mais louca que a gente já teve na vida.’ ele sorriu para mim e assentiu.

A porta do meu quarto abriu, interrompendo o clima completamente e me fazendo pular de susto. Olhei para minha mãe, escondendo meus braços atrás de mim o mais rápido que pude – mas não o suficiente. Seu semblante ficou mais preocupado do que anteriormente. Marco me abraçou com força por trás.

‘Você vai precisar dormir no Marco hoje.’ disse tentando parecer calma. ‘Teve um problema no processo do divórcio e seu pai precisou vir pra cá antes do que o que a gente esperava pra resolver tudo, então vai ter que dormir aqui essa noite.’ meu namorado usava uma das mãos para me segurar com força, tentando me acalmar, e a outra para acariciar meus braços. ‘Já conversei com os pais dele, eles estão de acordo com isso.’

‘Não.’ falei tentando sair do abraço de Marco. ‘Ele não vai dormir aqui de novo, não foi o combinado. Eu não quero.’

‘Você não tá em posição de querer ou não alguma coisa, Jean. Não sobre isso. E eu não quero brigas que possam atrapalhar esse processo.’ ela se aproximou de nós dois. ‘E amanhã... Assim que eu voltar do trabalho... A gente vai precisar sentar pra conversar.’ Marco me soltou, ela pegou um dos meus braços e fechou os olhos, respirando fundo. Esperei para que um berro viesse assim que ela abrisse os olhos novamente, mas seu olhar era triste e não bravo. Soltou meu braço. ‘Ficaria bastante feliz se Marco se juntasse a nós para jantar amanhã.’

Marco assentiu. Minha mãe saiu do quarto, claramente segurando o choro. Eu cambaleei para trás, mas ele me segurou e me colocou sentado na cama. Meu namorado começou a fazer minha mala para sairmos logo de lá, porque eu não conseguia me mover. Ficava com a expressão de tristeza de minha mãe martelando em minha cabeça.

‘Ela viu tudo, Marco...’ ele chegou perto de mim e ajoelhou na minha frente, me abraçando. ‘Ela viu as minhas cicatrizes todas.’

Notas finais
Oi, mais uma vez, pessoal. Primeiro quero pedir mil desculpas por não atualizar por tanto tempo. Faz mais de 3 meses que eu não posto nada e eu me sinto na obrigação de explicar. Eu tava bastante mal. Na vida pessoal, I mean. E isso afeta muito meu processo criativo. Eu comecei a escrever essa fic porque eu tava mal com uma coisa que tinha rolado na minha vida. Tanto que eu não ia postar. Mas eu acabei por gostar dela, mudei muita coisa do que era originalmente e postei. Depois de um tempo eu comecei a odiar essa fic. Escrever era um fardo, não mais algo gostoso. Foi quando eu comecei a demorar pra atualizar. Até eu perceber que ela tava perdendo muito em qualidade justamente por eu não ter mais tesão em escrever. Decidi ficar em hiatus por algum tempo, escrever tipo, quatro palavras por dia quando eu escrevia. Como aqui no Nyah! não pode criar capítulo de avisos desse tipo, tive que abandonar vocês na mão mesmo... Mas agora eu to de volta e vou tentar voltar a ter certa regularidade. Vai ser difícil porque faculdade - muita muita coisa pra ler, além de eu sair de casa muito cedo e voltar tarde porque minhas aulas são integrais - e vida. Mas eu vou dar meu máximo! E esperem uma fanfic nova minha - também JeanMarco - para algum futuro, não sei se próximo! HAHAHA Ela já tá em andamento, já to escrevendo o terceiro capítulo. Vai ser bem mais densa e longa - em questão de palavras por capítulo - do que essa. Em segundo lugar quero agradecer vocês por terem esperado, terem sido pacientes e tal. Vocês são amores! Mais uma vez peço desculpas. Vou passar meu email pra vocês, já que tirei todas as minhas mídias do meu perfil: mari.landif@hotmail.com Se quiserem entrar em contato podem entrar por esse email! Até a próxima, lindx!!!! (btw, a música que o Jean canta pro Marco é All About You, do McFLY) ~ chu