Ragnarök: The Gate of the World
1 Os Portões do Mundo
Notas iniciais

Freyja já foi uma linda e misericordiosa deusa que amava a vida, mas tudo isso mudou quando ela descobriu que seu marido, Odin, havia a traído. Tomada pela raiva e desespero, ela se transformou em uma deusa da destruição e jurou destruir tudo que Odin havia criado, incluindo Midgard..
Quando o dia de sua vingança finalmente chegou, foi batizado de “Dia do Desespero”. Ela, junto com suas doze Valkyrias, causaram um grande cataclismo de água e fogo, que quase destruiu o mundo..
Graças a reencarnação de Baldr, o jovem Chaos, que aliou-se a nobres aventureiros que encontrou durante sua jornada por Midgard, Freyja foi selada na dimensão de Vanaheim após uma árdua batalha..
Cem anos se passaram e durante este tempo, os aventureiros descobriram muitos segredos sobre o mundo em que habitavam durante suas viagens. Desde linguagens arcaicas que manipulavam a magia na sua forma mais pura, até raças desconhecidas, civilizações destruídas e tecnologias arcanas, que tiveram grande impacto nos estudos da magia.
A esta altura, a batalha de Freyja com Chaos e os valentes aventureiros se tornou apenas mais uma das várias lendas de Midgard, mas Freyja voltaria, e para evitar que isso acontecesse, um bebê, dito ser outra reencarnação de Baldr, foi tirado de sua família e treinado em um monastério para deter Freyja caso ela voltasse.
Conforme a criança foi crescendo, os monges puderam notar que ele tinha habilidades únicas, sendo capaz de conjurar magias elementais dos Magos, e realizar feitiços de cura dos Noviços, por esse dom, ele foi chamado de Encantador.
Havia treinado suas habilidades mágicas e também aprendera a lutar corpo a corpo caso fosse necessário, deram-lhe um armamento especial o qual ele nunca largava. Assemelhava-se com uma bengala, da qual os nobres usavam, com um orb verde enfeitando sua ponta, mas era na verdade uma bainha que guardava uma lâmina fina e comprida. Aos vinte e um anos, Erwin havia atingido o seu máximo potencial, mas apesar de ter concluído seu treinamento, havia algo que ele ainda tinha que fazer..
...
Eram seis horas da manhã, Erwin levantou-se de sua cama e se deparou com uma caixa branca perto de suas roupas e de sua estimada arma ao qual havia batizado de Behemoth. Se aproximou da caixa e ajoelhou-se diante dela, cuidadosamente a abriu e encontrou roupas novas, provavelmente as roupas que usaria para a missão que foi designado desde seu nascimento.
Elas eram bem elegantes, a primeira que tirou foi a camisa, ela era cavada com plumas nas bordas e tinha uma gola alta, até o tórax ela era dourada com preto, e embaixo, o tecido vermelho era enfeitado com riscos dourados que desciam verticalmente até o fim da mesma. Encontrou também duas espécies de mangas boca de sino que podiam ser fixadas no braço pelos braceletes dourados com runas vermelhas. O shorts que encontrara era marrom com um cinto cuja fivela assemelhava-se a um olho dourado, também havia um par de sapatos pretos com adornos dourados que continham runas vermelhas. E por último, uma calça também vermelha com detalhes dourados e boca de sino com plumas.
Ele as vestiu, pegou Behemoth e encaminhou-se para a porta de seu quarto a abrindo e, antes de fechar, deu uma última olhada para o lugar onde passara noites em claro pensando como sua vida teria sido caso não fosse a reencarnação de Baldr.
Descia as escadas do monastério olhando para o chão, não tinha pressa e aparentemente nenhuma vontade também, mas era algo que precisava fazer. Apenas seus passos eram ouvidos e, por mais leves que fossem, pareciam cortar o silêncio de forma estrondosa.
Em um certo ponto de sua caminhada, se viu em um corredor com buracos em formato de janelas, caminhou até onde parecia ser o centro e então, sentiu o calor do sol nascente esquentar sutilmente sua face, notou também que devido ao sol, seu cabelo escuro havia adquirido uma tonalidade um pouco mais clara de azul. Olhou para o horizonte por alguns segundos e apreciou o nascer do sol.
—“Queria ter um dia de folga..” — Pensou enquanto tirava sua franja do rosto com sua mão, a colocando atrás da orelha.
Após alguns segundos, recompôs-se e voltou a caminhar, não podia se dar ao luxo de ter devaneios em um dia tão importante.
Continuou a caminhar por algum tempo pelos corredores do monastério até que se deparou com grandes portas velhas detalhadas com bronze, ele levantou Behemoth lentamente e o bateu contra o chão, fazendo com que as mesmas se abrissem, revelando uma espécie de santuário em sua frente.
Haviam vários monges de vestes brancas encapuzados e o local era iluminado apenas por velas, parecia ter sido abandonado décadas atrás e podia-se notar algumas vinhas que cresciam pelas paredes.
Erwin voltou sua atenção ao que parecia ser um altar, onde estava o monge que o criara desde que foi tirado de seus pais, e caminhou até ele, ouvia os outros monges encapuzados fazendo sons que o lembravam de invocações mágicas, mas não desviou sua atenção e só parou quando chegou em frente ao altar.
—Erwin.. — Disse o monge no altar, ele tinha longos cabelos brancos amarrados em um coque e barba cheia — Até mesmo em um dia como hoje você vai manter essa melancolia no seu rosto? Lembre-se, você é um herói! E um herói triste não traz esperança para ninguém.. — Ele disse para o jovem que se manteve em silêncio por um tempo.
—Mestre Sigvard, se eu fingir estar feliz não estarei entregando uma falsa promessa de paz? — Olhou nos olhos verdes de Sigvard sem mudar sua expressão — Não estou feliz com a situação. Para mim, indignação é a melhor maneira de demonstrar alguma esperança.
—...Pois bem. — Ele respondeu com um olhar de compreensão e esboçou um pequeno sorriso de canto — Iremos começar o ritual.
Ele se virou e pegou da mesa um cajado de ouro com detalhes em prata que subiam em espiral desde sua base até a ponta, Erwin ajoelhou-se com a perna direita, apoiou uma de suas mãos em Behemoth e abaixou sua cabeça.
—Estamos reunidos aqui diante do receptáculo, fortalecido e aperfeiçoado desde o dia de seu nascimento. — Disse Sigvard segurando com suas duas mãos o cajado e o posicionando em sua frente — Peço-lhes às forças do passado para que possam guiar o jovem Erwin para seu destino, onde poderá reescrever as palavras do dia do desespero, e assim trazer uma nova era de paz.
Os monges atrás dele começaram a conjurar feitiços e encantamentos, fazendo com que um grande pentagrama surgisse aos pés de Erwin e uma forte luz azul subir, então Sigvard começou a conjurar um encantamento.
—Que os caminhos se cruzem, os destinos se tracem, que sua justiça permaneça perene enquanto percorre pelo mal, e assim, mestre e servo serão reunidos quando o mal retornar, e em um, deixarão de existir para que a paz seja alcançada.
Ele levantou o cajado e quando iria bate-lo no chão, um grande estrondo arrombou as portas do santuário revelando vários soldados de armaduras com lanças, espadas e escudos que invadiram o local e começaram a matar os monges.
—Maldição!!! — Gritou Sigvard levantando Erwin pelo braço e gritando — São os seguidores dela!! Corra!! Você é a nossa última esperança Erwin!!
O garoto olhou confuso e um pouco sonolento até que se deu conta do que estava acontecendo. Erwin viu os seus mestres e companheiros serem mortos em sua frente, não podia abandoná-los.
—Não!! — ele gritou se livrando violentamente das mãos de Sigvard — Eu vou matar todos eles!! — Em um pulo, saiu do altar e se dirigiu ao soldado mais próximo.
—Lanças de Fogo!! — Gritou levantando sua mão direita, e com um movimento brusco, mirou no soldado fazendo com que cinco lanças de fogo caíssem de maneira brutal, incinerando o alvo.
Correu para o monge que lutava contra o soldado que acabara de abater e ajoelhou-se perto dele, fechou os olhos e colocou sua mão e a ponta de Behemoth sobre os ferimentos, mas quando ia usar o feitiço de cura, foi interrompido por uma sombra que o cobriu seguido de um gemido, virou sua cara para cima e abriu seus olhos rapidamente, sentindo sangue jorrar em sua face. Um dos monges se fez de escudo humano para que a espada do soldado não o atacasse. Então uma mão o puxou, era Sigvard, que o levava para o altar.
—SEU TOLO! — Sigvard gritou furioso enquanto corriam — Se você morrer, tudo terá sido em vão!! — Erwin estava paralisado com o sangue em sua cara.
Sigvard abateu dois soldados com seu cajado até que chegaram ao altar, onde apertou uma parte da estátua atrás do altar que lembrava um anjo, abrindo uma passagem onde jogou Erwin desesperadamente.
—CORRA!! — Ele colocou as mãos nos ombros do garoto — Corra como nunca correu antes, e só pare quando chegar nos portões do mundo. Erwin, o que foi, o que é, e o que será depende de vo— Uma espada atravessou Sigvard e quase pegou o peito de Erwin.
Desesperado e com medo ele correu pelo túnel, e a última imagem que tinha em sua mente era os olhos de Sigvard se tornando opacos.
Correu por pelo menos trinta minutos pelo túnel, tropeçou várias vezes se levantando o mais rápido possível, ouvia vozes se aproximando e mesmo quase sem conseguir respirar pelo esforço que fazia, continuou correndo, então avistou uma luz, era uma passagem estreita, e se arrastando passou por ela, se vendo em uma floresta ao entardecer.
Continuou correndo em frente e subiu em um morro, então olhou para trás e viu o monastério, sua casa, pegando fogo. As imagens de seus companheiros morrendo tomaram-lhe a cabeça, então ajoelhou-se e colocou a mão em sua boca na tentativa de impedir o choro, mas as lágrimas molharam seu rosto sem sua permissão.
Os soldados passaram pela estreita passagem da qual havia saído, e então ele se levantou e continuou a correr, trombando em algumas árvores. Quando notou que os soldados estavam próximos, virou-se para eles e com um pulo para trás, posicionou Behemoth e sua mão em sua frente.
—TEM.. — Gritou fazendo uma expressão de raiva — PESTAS!!!
Uma onda de fogo foi disparada em sua frente, engolindo os soldados e colocando a floresta em chamas, ele virou-se rapidamente e voltou a correr.
Parou somente quando tinha certeza que não haviam mais soldados o seguindo, olhou para trás e tudo que via era a floresta pegando fogo, escorou-se em uma árvore para recuperar seu fôlego, e então fechou seus olhos e bateu Behemoth no chão, começando a conjurar um feitiço.
—Tudo que procuro é a verdade. — Um pentagrama surgiu embaixo de seus pés — Nela creio, nela eu sigo. Pro destino sou guiado, mas não enxergo-o sozinho, abra os meus olhos, me mostre o caminho.
Abriu seus olhos, que agora brilhavam fracamente, e começou a caminhar, parecia seguir algo, andou por um tempo e então notou que o cenário havia mudado, começaram a aparecer algumas ruínas e esculturas de algum tipo de templo, continuou a caminhar até encontrar uma abertura estreita em uma caverna, agachou e entrou, seguindo o pequeno caminho. Quando chegou ao fim, olhou para cima e viu várias escadas destruídas que levavam à grandes portões.
Seus olhos já não brilhavam mais e a noite já estava quase caindo, subiu com um pouco de dificuldade as escadas, mas conseguiu chegar ao topo, se deparando com os portões que pareciam ter ficado maiores.
Apesar de cobertos de vinhas, eram lindos, pareciam ter sido feitos de prata, mas estavam imundos devido ao desgaste com o tempo, os detalhes eram feitos de um material dourado desbotado, pareciam uma espécie de mural sobre alguma civilização que se conectava com um grande desenho no centro parecido com os que ilustravam a Yggdrasil nos antigos livros do monastério.
Erwin se aproximou e tocou uma das portas com suas mãos, notou uma fraca energia passar delas para seu corpo, então transmitiu parte de sua energia para as portas e algo em seu interior reagir, seus olhos emitiram uma grande claridade e sentiu como se tivesse tomado um choque, fazendo-o cair ajoelhado no chão. Ouviu um grande ruído e as portas lentamente se abriram, ele levantou-se escorando em Behemoth e olhou para dentro dos portões, só havia luz, e nela sentia paz.
Perdera tudo hoje, não sabia o que esperar, muito menos o que fazer, mas se esse era o desejo de seu mestre assim o faria, então adentrou a luz, e os portões se fecharam.
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