Radioactive
27 Chapter XXVI - All Of Me
Notas iniciais
Chapter XXVI — All Of Me
Jack
Observo o pequeno quarto repleto de suprimentos com orgulho. Nosso hotel estava crescendo mais rápido do que pude imaginar, e isso me deixa animado. Somos fortes, apesar de sermos a minoria. Mas não sabemos o que há pela frente. Passo as mãos pelo rosto, espantando o sono. Não quero nem imaginar o tamanho das minhas olheiras. Fiquei sem dormir por dois dias, pensando em tudo o que tem acontecido com a gente. A queda de Atlantis... Ainda me soa como uma mentira. Ouço vozes no corredor próximo e escoro-me a parede, ouvindo a conversa. O apocalipse não conseguiu tirar minha curiosidade.
– Te vejo por aí, loirinho.– Akay deu um sorriso.
Ai, que bonitinho. Finn está crescendo. Apesar de tudo, eu ainda não perco a oportunidade de zoar com a cara de alguém. Caminho até ele e seguro seu pescoço, bagunçando seus cabelos.
– Huuuum, Akay, hein?
– Vai se foder, Jack. — ele bufou, me fazendo rir — Com um cabo de vassoura.
– Relaxa, loirinho. Não vou mexer com tua namorada, não.
– E nem eu com a sua, Velho. — ele se soltou, com um sorriso malicioso no rosto. Senti minhas bochechas corarem — Ela é uma ótima conselheira, se quer saber.
E saiu andando. Merda, mil vezes merda. Volto pro meu quarto, soltando o ar pela boca. Isso é uma das coisas que me deixa sem dormir a noite. Como... Como posso contar pra ela? Se algo acontecesse a Punzie por minha causa, eu certamente não me perdoaria. Mas guardar isso pra mim... É insuportável. Encaro a parede, pensando no que dizer. Eu preciso de ajuda. Um conselho. E acho que sei bem onde posso encontrá-lo.
XXXXX
– Então você quer minha ajuda?
Alice solta uma baforada, jogando o cigarro no chão e o pisoteando. Ainda estou impressionado pelo fato de ela fumar.
– É.
– Diga, parceiro. Sou toda ouvidos.
– Eu tenho que contar pra Rapunzel que...
– Ok, ok, já entendi. Sem coragem pra dizer o quanto a ama?
– Eu não usaria o termo "sem coragem". Só não... Não consigo.
– Pelo amor, Jack. Apenas diga o que você sente. Ou então espere até você ter um pesadelo com ela morrendo e enfim fale que a ama.
– Acho que vou descartar a última opção. E também achei que teria conselhos melhores pra me dar.
– Bom, eu acho que fiz tudo pra ajudar. Ah, espera aí... Tive uma ideia. Encontre comigo no terraço daqui a uma hora.
Ela saiu, me deixando sozinho. Eu queria ter tido alguma ajuda. Bufo, voltando pro primeiro andar. Pego uma pistola, e subo no muro de trás, onde Akay encara a floresta, com o queixo apoiado na mão. Sento-me ao seu lado, mordendo o lábio. Não posso rir, não posso soltar uma piadinha.
– Eu sei que me viu com Finn, Jack. — ela comentou, se me olhar — Pode rir.
– Não, relaxa. Eu tô no mesmo dilema.
– Ah, é? Você não me parece o tipo de cara que fica nessa zona, amigo.
– Não?
– Não. — ela riu, abaixando a cabeça — Sabe, quando eu terminei minha faculdade de química, eu conheci um cara como você. Ele era legal, mas tava metido com a merda errada. Você é um bom líder, Jack. Tenho certeza que vai se dar bem nesse mundo ferrado em que estamos.
– Não podemos viver sozinhos, Akay. — sorri — No começo disso tudo, antes mesmo de eu encontrar este grupo, tentei sobreviver por mim mesmo, protegendo minha irmã. Eu a perdi, mas ganhei Merida. Ela é minha melhor amiga.
– Ew, essa conversa tá ficando emotiva demais. — ela riu, se levantando e espreguiçando-se — Que tal uma aposta?
– Que tipo de aposta?
– Se você conseguir matar aqueles dois errantes com um tiro só, eu te dou minha melhor arma.
– Aquela metralhadora? — ela assentiu — Cê tá brincando, né?
– Não. Se eu conseguir, você me dá a sua melhor arma.
– Fechado.
Ergui a pistola e mirei na árvore. Meu plano consistia em fazer a bala ricochetear no tronco e acertar os dois ao mesmo tempo. Segurei a respiração e então atirei. O tiro teve um início perfeito, mas o impossível aconteceu. Um maldito pássaro entrou no meio do caminho, sendo acertado no lugar dos mortos. Gritei um xingamento, aceitando a derrota. Não acredito que vou perder minha Magnum 44, cara.
– É assim que se faz, señor.
Ela colocou um joelho no chão e mirou a escopeta em um lugar que não pude descobrir. Com um tiro, a bala ricocheteou no capô de um carro abandonado e atravessou as cabeças dos errantes, levando os dois em direção ao chão com uma facilidade incrível. Ela soprou o cano da arma, girando uma das suas tranças na mão esquerda, com um sorriso vitorioso no rosto. Suspirei, entregando minha Magnus pra ela.
– Cuida bem da minha queridinha.
– Meu Deus, Frost.
– É sério, Aky. Ela tá comigo desde o primeiro dia da infecção.
– Ei, branquelo. — a voz grossa de Dante fez um arrepio subir pelas minhas costas — Alice tá te chamando.
– Uh, quase me esqueci. Até mais, Akay. Cuida bem dessa Magnus!
Pulei do muro, correndo em direção ao terraço. Acreditem, você não quer ver Alice brava por causa de atrasos. Peter quase saiu com um braço quebrado da outra vez. Assim que abri a porta do lugar, apoiei-me nos joelhos, respirando rápido, com a testa encharcada de suor. Não é fácil subir correndo quase treze andares de escada. Tirei o moletom, o amarrando na cintura. Minha camiseta branca estava tão molhada quando meu pescoço. Esquadrinhei o terraço com o olhar, procurando por Kingsleigh, que não estava em lugar nenhum. Ô merda.
– Jack? — a voz doce de Punzie me deixou paralisado por alguns instantes. Esse era o maldito plano de Alice — O que está fazendo aqui?
– A-ah, Alice me chamou aqui.
– Bom, Merida me disse pra subir.
Senti minhas bochechas corarem. Malditas amigas, essas que tenho. Aposto que estão escondidas em algum lugar, olhando pra gente. Coço meu pescoço, olhando para todos os lados possíveis. Que droga. Nunca me senti tão desconfortável na vida.
– Jack, eu preciso te dizer uma coisa.
Ela caminhou até mim e me olhou nos olhos. Suas esmeraldas verdes me hipnotizavam de uma maneira quase sobrenatural, e eu podia sentir meu coração palpitar de forma acelerada e desajustada. Controlo minha respiração descompassada. Rapunzel coloca sua mão em meu ombro, ainda me olhando. Não consigo resistir.
Seguro sua cintura e a puxo pra mim, colando seus lábios aos meus. A quanto tempo anseio por isso? Eu já perdi as contas. Sua língua quente em contato a minha me faz suspirar. A aperto ainda mais, praticamente a abraçando, enquanto Punzie aperta meus ombros com força. Nos separamos devido a falta de ar, e colo minha testa na sua. Encarando seus olhos, sinto que finalmente estou livre de uma das piores amarras da minha vida. Sorrio de lado, a fazendo abrir um amplo sorriso.
– Eu te amo, Jack. Desde o primeiro momento em que te conheci, eu te amo.
– Eu também te amo, Punzie. — a abraço com força — Eu te amo com todo meu ser. E juro que nunca vou deixar nada te machucar.
Palmas e assobios explodem no terraço. Merida e Alice dão pulinhos de alegria e abraçam Rapunzel, enquanto Hiccup e Peter bagunçam meus cabelos, dizendo "nosso menino cresceu". Akay gira a Magnus em sua mão, com um sorriso travesso no rosto, mas me parabeniza com alegria. Finn não perde a chance de me zoar, e eu faço o mesmo com ele. Nossas vidas entram em festa. Dante, então, sobe com algumas latas de refrigerante, distribuindo para todos. Acabamos por acampar no terraço, olhando as estrelas. Pela primeira vez em três anos de apocalipse, eu posso perceber a beleza que o desastre trouxe consigo. Eu finalmente estou vivendo.
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