Radioactive

11 Chapter XI: What Doesn't Kill You Makes You Stronger


Chapter XII — What Doesn't Kill Makes You Stronger

Merida

Ah sim, é muito bom estar em movimento novamente. Duas semanas haviam se passado e eu podia rodar pelo Castelo sem mais problemas, e já não mancava e nem sentia as fortes dores de antes. Mas o que realmente me preocupava era o fato de Rapunzel, Jane, Jasmine e Phil não terem voltado. Sentei no muro, de frente para a estrada, com minha besta no chão e um rifle nas mãos. Uma fraca ventania fazia meus cabelos voarem de um lado pro outro, e um leve sereno começava a cair, esfriando um pouco o clima. Linguado sentou-se ao meu lado e me ofereceu um casaco grosso, que aceitei de bom grado.

– Obrigada, Josh.

– De nada. Preocupada com sua amiga?

– Muito. — espiei a estrada — Punzie é uma ótima atiradora e sabe se virar mas ainda sim fico preocupada. Ela é meio lerdinha.

– Ah conheço essa história. — ele riu — Fico pensando se eu e Ariel não tivessemos encontrado Eric. Provavelmente estaríamos mortos.

Demos uma risada, uma dessas que não dava a muito tempo. Continuamos a contar um pouco da nossa vida entre algumas risadas, era muito fácil conversar com Linguado. Uma sensação estranha me atingiu em cheio, e virei discretamente a cabeça para trás. Hiccup estava a alguns metros de nós, encarando-nos com tanto ódio que faíscas poderiam sair de seus olhos verdes. Rolei os olhos e voltei minha atenção para estrada quando um sorriso surgiu no meu rosto.

– ELES VOLTARAM, ABRAM OS PORTÕES!

Mégara me obedeceu e logo a picape negra invadiu o pátio central. Corri até o carro com Linguado no meu encalço, e abracei Rapunzel com força e lágrimas nos olhos. Ela, também chorando, me segurou e logo senti outro peso nas minhas costas. Hiccup me esmagava contra o peito de Punzie, e ele sussurrava coisas melosas de irmãos, e me senti meio intrusa ali. Me desvencilhei dos dois quando ouvi Jane gritar meu nome.

– Merida, me ajude à levá-los pra Ala Médica!

Jasmine apoiava um menino loiro em seus ombros com uma espada vermelha embainhada nas costas e Jane levava uma mulher extremamente pálida com uma motoserra pendurada na lateral do corpo. Um outro garoto, também loiro, porém com a pele amarelada, era carregado por Phil. Corri até o garoto que Jasmine carregava, passei seu braço pelos meus ombros e arrastamo-nos em direção a A.M. Ele era um pouco pesado, mas com esforço conseguimos deitá-lo na cama. Seu rosto estava arranhado, um dos olhos inchado e roxo, sangue manchando suas roupas e corpo. A Princesa do Deserto retirou com cuidado sua espada de suas costas e a colocou junto da motoserra laranja da mulher. Uma tosse rouca preencheu o som e pude ver os cabelos negros levantarem-se com dificuldade da maca.

– Onde... onde estou? Quem são vocês? Onde está Finn? E Jake? E Aurora?

– Acalme-se. Eu sou Jane, estas são Jasmine e Merida. Você está no Castelo Branco, eu e a morena ali salvamos vocês três de uma horda de walkers.

– Você fala das pragas?

– Uhum. Os garotos estão bem, mas a menina não foi encontrada. Aquele cara ali, — Jane apontou com a cabeça para o bode velho roliço — o Phil, a procurou por todo o perímetro mas não havia nenhum sinal dela. Sinto muito.

– Meu Deus... a minha... a minha praginha... ela.... ela se foi? Não, não, não pode ser.

– Agora, preciso que me responda a apenas três perguntas.

– Jane. — coloquei minha mão em seu ombro, chamando sua atenção pra mim — Olhe só pra ela. Acha que ela tem condições de responder qualquer coisa? Deixe os três descansarem por um dia, para colocarem a cabeça no lugar. Eu fico de guarda, sem problemas.

Ela ponderou por alguns segundos e, por fim, balançou a cabeça em concordância. Ela e Jasmine saíram da A.M, me deixando a par com a mulher e os garotos desacordados. Coloquei minha besta no ombro e sentei na cadeira ao lado da maca, onde Hiccup costumava sentar pra conversar comigo quando eu ainda estava com minha perna fodida. Chacoalhei a cabeça levemente, tentando esquecer certos morenos de olhos verdes.

– Consegue me dizer seu nome e o dos garotos?

– Malévola, Finn — ela apontou para o loiro de pele clara — e Jake — o de pele amarelada — Mertens. Eles... eles são meus sobrinhos.

– Olhe, eu sei que não há palavras no mundo que irão suprir a sua dor, porque eu também já passei por isso. Mas ainda sim quero lhe dar meus pêsames. Sabe, pela sua garota.

– Obrigada... Merida. Na verdade eu tenho que agradecer aquela brutamontes, ela salvou a mim e aos meus garotos.

Assenti e a observei deitar-se novamente na maca e pegar no sono rapidamente. Peguei a espada e a motoserra, colocando-as entre as pernas e no ombro livre, e tranquei a porta da Ala com o cadeado mais forte que achei. As janelas tinham barras de ferro, então, menos um problema pra mim. Passei no chalé de Jane e entreguei-lhe as armas dos forasteiros, seguindo diretamente até o meu chalé. Caminhava tão distraída que nem reparei a mão surgindo de um beco escuro e me puxando pro mesmo.

Fiz a menção de gritar, mas quando reparei quem me puxara uma careta de ódio nasceu em meu rosto.

– O que é que você quer Haddock?

– Pode me dizer o porquê da melação entre você e o Linguado?

– Por que eu deveria? — ataquei, cruzando os braços em cima do peito — Pelo o que eu saiba, minha vida e minhas decisões não cabem a você.

– E acha que estou fazendo isso porque estou sem nada pra fazer? — ele se aproximou de mim e estreitei os olhos, um outdoor enorme na minha cabeça berrando "CUIDADO! PERIGO, PERIGO!" — Eu me preocupo com você, Dunbroch.

– Escuta aqui, — eu o cutuquei no peito, afastando-o — eu não preciso disso. Posso me virar muito bem sozinha!

– MAS SERÁ QUE VOCÊ É BURRA?! — ele berrou com tanto ódio que por um segundo senti pânico de Hiccup — Enquanto você estava fodida com essa perna, eu visitava-te todas as noites, pedindo aos céus que você ficasse bem! Passei noites inteiras sem pregar os olhos, assustado! Mas quer saber? Foda-se. Se não precisa de mim e pode se virar sozinha, ou melhor, com o Linguado, não sentirá minha falta.

Ele caminhou a passos duros pra fora do beco. Despertei do transe e corri até o mesmo, segurando seu pulso com força, o impedindo de sair. Hiccup virou na minha direção e eu poderia me afogar na dor e no ódio que brilhavam como labaredas nos seus olhos verde-floresta. Subi minhas mãos até o seu rosto e segurei-o contra minha testa, me sentindo a maior filha da puta de todos os tempos. Por um nanossegundo seus músculos relaxaram, mas logo resetaram-se novamente, e ele se afastou bruscamente de mim.

– Eu vou... vou sair.

E então, sumiu da minha vista. Lágrimas surgiram nos meus olhos e encostei-me na parede, deslizando lentamente de encontro ao chão. Bem antes de tudo isso começar, minha vida era assim, feita de decepções. Decepções que eu mesma causava. Minha família e meus amigos se afastavam de mim graças as merdas que eu fazia, e agora, mesmo com eles todos mortos e vagando por esse mundo, eu não aprendi a lição. Na minha mente, a ideia de simplesmente meter uma flecha na minha cabeça e acabar com todo esse sofrimento roda milhares de vezes ao dia, como um rolo de filme sem fim.

Encarei a besta e as flechas presas na sua base. Ela parecia me encarar de volta, convidando-me a utilizar dela para manchar o concreto de sangue uma última vez. Sangue fresco. O meu sangue. Retirei uma flecha e a girei em meus dedos polegar e indicador, uma bolinha rubra e com cheiro de ferro pulando da minha pele onde a ponta da flecha tocava. Raspei-a em meu pescoço, sentindo o arrrepio subir minhas costas como uma corrente elétrica corre num cabo de aço. Posicionei-a no lado esquerdo da minha cabeça e fitei o nada, ainda em lágrimas, esperando uma coragem para me matar que não vinha — e talvez nem queria — aparecer. Cerrei os olhos e os dentes, pronta pra finalmente morrer, quando a flecha é brutalmente arrancada das minhas mãos e voa longe.

Abro os olhos. Jack está na minha frente, ofegante e vermelho, como se tivesse corrido uma maratona. Seus olhos estão arregalados e escuros, transbordando confusão, preocupação e um mínimo brilho de raiva. Nenhum de nós dois fala nada por uns três segundos, até que ele se senta ao meu lado e abraça-me forte, apertando minha cabeça contra o seu peito.

– Por que Merida? O que você ia fazer?

– Eu quero acabar com isso Jack. Eu não aguento mais. Decepções, sempre decepções. — funguei, escondendo-me no seu peito enquanto encarava um jornal velho, com os olhos arregalados e vidrados — Eu quero morrer.

– Merida, apenas olhe pra mim e me escute. — virei-me para ele — Não podemos, não temos o direito de desistir. Por que desistir agora, olhe só tudo o que nós conseguimos! Não foi apenas eu, nem apenas você, fomos nós, unidos, como uma família. Lembra-se de quando perdi Emma? — assenti vagamente — Eu passava todas as noites chorando, tentando arrancar meus cabelos, dizendo que a culpa era minha. E não vou mentir, ainda temho pesadelos sobre isso, mas agora eu consigo suportar. E sabe por que?

– Por que tem a Rapunzel pra encarar enquanto ela dorme?

– ... Porque eu finalmente aceitei de que a culpa não foi minha. — concluiu, ignorando minha pergunta — O que não te mata, te faz mas forte. Sempre que quiser desistir, lembre-se de tudo o que nós passamos. Porque se você desistir, Merida, eu não consigo continuar a viver.

– Jack, obrigada por existir na minha vida. Eu... eu não seria nada sem você. Eu te amo, irmãozão.

– E eu te amo, irmãzinha.

Notas finais
Yoooo! Novíssimos personagens, os nossos queridos Finn, Jake e Malévola! Não faço a mínima ideia da onde eu tirei a ideia (?) de colocá-los como parentes, mas vamos que vamos! Quero agradecer a todos que estão comentando e acompanhando a fic - que eu achei que não passaria do capítulo 3 - de modo tão dedicado e carinhoso. Meus agradecimentos especiais para a Filha dos Céus (ou como eu a chamo "mineirinha") pela recomendação tão perfeita e diva quanto ela! Mas agora, eu quero agradecer exclusivamente para a pessoa que foi o... hm... "pai" de Radioactive. Ela que me inspirou a escrever essa história bobinha, e que ainda está me inspirando a escrevê-la pelos reviews. Polo, eu sou muito, muito, muito grata pela sua recomendação, porque isso é como um reconhecimento meio que de mestre para aluno. E também fico honrada pelo fato de ter sido sua primeiríssima recomendação. Muito, muito obrigada mesmo. Mas então! Quem quer me apedrejar em praça pública por quase ter feito a Meri se suicidar? ~le desvia de paus, pedras, machados e labaredas de dragões~ Me desculpem amores, mas eu ADORO escrever um drama! Ahhhh, também estava pensando numa coisa meio maluca: eu estou com a ideia de criar um canal no Youtube martelando na minha cabeça e pensei o seguinte; vocês me mandarem perguntas (sobre meus gostos, o que eu curto, se eu gosto de coxinha, sei lá) e eu gravar um vídeo respondendo. O que acham? Deem suas opiniões! Com essa biggest note, eu me despeço! Küsse da GH ♡