Radioactive
12 Chapter XII: You Saved My Ohana
Chapter XIII — You Saved My Ohana
Hiccup
Sentei no lado leste do muro, o mais distante de todos. Precisava pensar, colocar meus pensamentos confusos no lugar, tentar me acalmar, mas principalmente pensar na puta burrada que eu havia acabado de fazer. Eu não sei o que deu em mim, simplesmente vi os dois em cima do muro cheios de palhaçadas e fiquei enfurecido.
Não, não é essa palavra. A palavra mesmo é enciumado.
Eu sei, eu sei, Merida não é absolutamente nada minha, além de amiga. Que até isso devo ter perdido graças a abrir a porra da minha boca e falar o que me veio a cabeça. Ainda podia sentir seus dedos esguios massagearem minhas têmporas e o calor da sua testa em contato com a minha. Eu fora um completo idiota. Merecia ser jogado para os walkers. Apanhei um galho duro e comecei a fazer desenhos involuntários no chão, e mal percebi que uma mensagem se originava no chão de terra arediça.
"Eu vou dar uma volta pelo perímetro. Não me esperem acordados, talvez nunca mais volte. Pensando bem, talvez seja assim que aconteça. Se eu morrer, que me deixem para os mortos.
Hiccup H. Haddock II."
Tinha duas pistolas e uma machadinha no cinto, além de munições e carne seca na bolsa do couro que carregava. Subi o muro pelo lado mais baixo e examinei o lado de fora: haviam apenas dois walkers vagando abobadamente pela ruela, às vezes atropelando jornais amarelados e latas vazias enferrujadas. Pulei a arrebentação do muro e cai silenciosamente do outro lado, tirando a machadinha do cinto e caminhando lentamente até o primeiro. Este usava uma roupa florida, com um chapéu de palha na cabeça. A carne podre pendurava-se por um fio pelo pescoço, dando sua Aorta por aparecer, assim como as primeiras vértebras da coluna. Com um golpe, arranquei-lhe a cabeça, que continuava a morder o ar inutilmente.
Encarei o segundo walker, que devorava um outro corpo no chão. Uma ideia brilhou na minha mente e dei meia volta, subindo o muro e pegando a corrente que havia ali.
Gritei, fazendo o morto vivo caminhar rapidamente até mim. Com um golpe estranhamente certeiro, consegui arrancar a mandíbula podre, fazendo-a cair com um único baque mudo. Dei um suspiro entrecortado e arranquei seus braços, prendendo o aro de ferro no seu pescoço. Visualizei meu trabalho, com um sorriso orgulhoso no rosto. Voi a lá, tenho um modo de me disfarçar entre os mortos.
Guardei uma segunda corrente na bolsa de couro, e guiando meu walker, comecei a seguir pelos arredores do Castelo Branco. O vento rodopiava em meus ouvidos, meus cabelos sendo jogados de um lado para o outro, e podia ouvir as batidas do meu coração. E eu o sentia pesado, culpado. Merida, de fato, não devia absolutamente nada a mim, então por que eu tive aquele ataque? Em toda a minha vida, fui um cara racional, aqueles que pensavam antes de falar ou agir, sempre calculando o próximo passo e suas consequências. Balancei a cabeça, vim aqui fora pra esquecer, não me lembrar.
Todos os carros estavam destruídos e enfileirados na Interestadual 537, que levava a Columbia. O grunhido dos mortos era abafado pela distância, tornando-o em apenas um sussurro carregado pelo vento. Segui ao leste, sempre tendo em mente que o Castelo ficava ao sul, e caminhei por algumas horas, vez ou outra dando puxões na corrente, para manter meu "escudo" a minha frente. O Sol começava a baixar, pintando o horizonte de um alaranjado perfeito. Prendi a corrente numa árvore e sentei em cima de um carro próximo, encarando aquele pequeno quadro natural.
O que Astrid faria se estivesse viva? Não consigo imaginar nenhuma de suas possíveis ações, ela era imprevisível. Sempre era capaz de me surpreender, desde marcar um encontro em cima da hora ou trazer seus pais à minha casa sem mais nem menos. Se parar pra pensar, ela e Merida são iguais, metafóricamente falando. Nunca consigo decifrar o que se passa em seus olhos, em sua mente. Nunca pude descobrir quais segredos elas escondiam. Se Astrid estivesse viva, ela e Dunbroch seriam melhores amigas.
Ou talvez, piores inimigas.
O walker acorrentado se agitou, tentando caminhar em direção à floresta. Franzi o cenho e pulei do carro, tirando a calibre 32 do cinto e a empunhando. Ele rosnou para algo que estava no chão, se arrastando. Me aproximei e agachei-me ao lado da coisa, que agora estava imóvel. Mas, definitivamente, não era outro walker. Era uma mulher. Ela respirava com dificuldade, vestindo apenas um sutiã preto e uma calça jeans, e estava descalça e desarmada. Sua boca estava entreaberta, sugando ar para os pulmões. Completamente ferida, ela parou de respirar.
Sem pensar duas vezes, tapei seu nariz e fiz um boca-a-boca, seguido de uma massagem cardíaca. Assim que ela voltou a respirar, a apoiei no tronco de uma árvore, camuflada. Corri de volta a estrada e procurei qualquer carro que funcionasse. Uma picape Dogde verde água ligou assim que girei a chave. A gasolina estava no reserva, mas era o suficiente para levar a mulher até o acampamento. Voltei a floresta e parei quando vi meu walker. Precisava daquela corrente. Saquei a machadinha e cortei-lhe sua cabeça, pisoteando-a em seguida. Arranquei a corrente do seu corpo e a joguei na bolsa, correndo até onde a mulher se encontrava.
A segurei no colo e corri novamente até a picape, colocando-a delicadamente no banco de trás. Pulei no banco do motorista e arranquei, deixando poeira no ar. Algumas horas depois, com a gasolina quase no fim, consegui entrar no acampamento, saindo do carro e pegando a mulher no colo. Quem abrira o portão fora Ariel, que quando viu a desacordada em meus braços abriu a boca e juntou as mãos em forma de concha sobre ela.
– Precisamos levá-la a Ala Médica.
~XxX~
– Eu a encontrei na estrada, quase morta.
– E o que você fazia lá fora? — Punzie acusou, cerrando os olhos.
– Precisava sair, pensar. Mas quem é ela?
Pocahontas, que tratava dos ferimentos da desmaiada, sorriu de forma doce. Ela deveria sorrir mais, afinal, tem um belo sorriso.
– Ela é o motivo de estarmos sempre saindo. Rapunzel, pode chamar Lilo pra mim?
A loira assentiu com a cabeça, saindo da A.M. A índia pediu para que eu saísse, já que iria vestir a mulher descentemente. Comecei a vagar pela base, sentindo um cansaço repentino. E aquela dor no peito ainda não havia passado. Voltei até o muro por onde havia saído, a mensagem que deixei havia sido pisoteada. Escutei um grito abafado vir do lado de fora e subi no muro. Cachos ruivos eram sacudidos violentamente de um lado para o outro, sangue manchando o chão, corpos caindo um atrás do outro, num único baque mudo. Ali havia uma fera, e que estava furiosa, rasgando as cabeças daqueles que um dia fora gente.
– Merida?!
– Haddock!? Como você entrou?! Eu ia... — ela desviou dos braços estendidos de um morto — ... procurar por você!
– Acabei de chegar! Anda, vem logo, saí dai!
Ela acertou outro morto e correu até o muro, jogando a besta pra cima. Ainda de costas, ela pulou e segurou-se numa das tábuas de madeira livres, dando um mortal pra trás. Ela se agachou pra recuperar o fôlego, e com a mão esquerda, limpou o sangue que escorria da sua boca, que tinha um sorriso de lado denpente. Encaramo-nos por algum tempo, sem saber o que fazer ou falar. Eu me sentia envergonhado.
– Merida, eu...
– Não. — ela se levantou e segurou minhas mãos — Eu é quem devo pedir desculpas. Não devia ter te tratado assim. É minha culpa, eu explodi. Só... bom, não há explicações pras minhas atitudes.
– Sabe, se minha ex-namorada estivesse viva, vocês duas seriam melhores amigas.
– Sério?
– É. Ou piores inimigas.
Ela riu e me deu um abraço, os dedos esguios acariciando meus cabelos. Se eu fosse um gato, provavelmente estaria ronronando. Nos separamos quando pude ouvir um grito de alegria vindo da A.M. Eu e Meri trocamos olhares, e corremos até lá. Lilo e seu cachorro, Stitch, estavam junto da mulher que eu havia salvo. A garota chorava e a abraçava, enquanto o cão latia extremamente feliz. Entramos e ela largou a moça, vindo até mim e me abraçando com força. Merida sorriu carinhosa como se dissesse "Não sei o que fez, mas foi algo muito bom. Parabéns."
– Obrigada Hiccup.
– Pelo o que?
– Por ter salvado Nani. — ela fungou, me soltando e voltando a mulher na maca. Ela segurou sua mão e virou-se de volta pra mim, sorrindo agradecida — Você salvou a minha Ohana.
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