Racers of Life
44 O Resgate - final
Notas iniciais
Shikamaru dirigia a frente dos carros olhando com atenção o caminho. Sinalizava com o pisca alerta onde havia radares e blitz policial. Os amigos o seguiam costurando o trânsito e seguindo as orientações do Nara.
– É melhor a gente chegar antes da polícia. Quero desce o braço em alguém! — Temari diz nervosa segurando os joelhos com força.
– Se preocupa com a sua amiga primeiro. — Shikamaru diz aparentando uma calma que não condiz com seu estado interno.
– É melhor não me segurar quando eu partir pra cima. — ela diz ignorando-o e voltando-se para a janela. — Esteja bem, amiga. — murmura baixinho tirando um sorriso pequeno de Shikamaru.
O rapaz respira fundo tendo em mente a situação problemática que está entrando. Conta que nenhum de seus amigos faça besteira. Estão indo dar apoio e ajudar do jeito que puderem, mas não sera sensato entrar no meio da briga. Justamente por imaginar que eles não teriam culhão pra brigar.
Olhando pelo retrovisor ele vê o Masserati de Naruto, o Porsche de Neji sendo dirigido por Hinata, Ino e Gaara em um Volvo e a caminhonete de Sasori bem mais atrás.
Um helicóptero passa por cima deles e Shikamaru xinga baixo ao reconhecer o transporte de trabalho de seu pai. O helicóptero da Interpol.
– Isso vai dar merda.
***
Tudo foi extramente rápido.
Sasuke viu, em câmera lenta, a porta ao seu lado se abrir, Danzou mover o dedo no gatilho e sentir um empurrão no ombro fazendo-o cair junto com Sakura.
Colocou o corpo sobre ela e não ouviu mais nada.
Só o disparo.
Um gemido e depois silêncio.
Sente o corpo de Sakura convulsionar embaixo do seu e rapidamente se levanta para ver se ele tinha se machucado, mas ela estava apenas chorando assustada.
Quer abraçá-la, mas primeiro precisa desarmar o homem a sua frente.
– Sa...suke.
O gemido chama a atenção de Sasuke que se assusta ao ver o pai caído a seu lado.
Sangue empossa o lado esquerdo da camisa branca.
– Pai? — a voz quase não sai devido ao susto.
A porta é aberta com tudo e muitos homens entram por ela e pelas janelas trajando coletes com o símbolo da polícia e da Interpol.
– Mãos onde possamos ver! — grita um homem careca cheio de cicatrizes apontando uma arma para Danzou.
Sasuke está chocado o bastante para não tirar os olhos do pai.
– Entregue... a ela. -Fugaku retira um envelope com a ponta manchada de sangue e entrega, quase sem forças, ao filho.
– Paramédicos! — grita alguém enquanto Sasuke vê a luz sumir dos olhos do pai aos poucos e tornar-se negro opaco.
– Pai... — sussurra segurando o papel manchado na mão direita.
O mundo não parece fazer muito sentido para ele naquele momento. Aos poucos foi juntando os pedaços e entendo porque seu subconsciente não comemorava a morte daquele homem.
Porque ele o salvou.
Salvou Sakura e ele.
Deu sua vida para que eles tivessem uma chance.
– Paramédicos! — grita novamente alguém.
Sasuke escuta a voz bem distante. Como se algo estivesse entupindo seus ouvidos enquanto o rosto sereno do pai não o deixa desviar os olhos para outro lugar.
– Garoto?
Sasuke sente um mão em seu ombro, mas não esboça reação.
– Sasuke.
A voz trêmula de Sakura o faz virar a cabeça em sua direção. A vê embrulhada em um cobertor sendo guiada por uma paramédica.
Ela o olha contendo as lágrimas ao perceber a situação.
– Meu pai morreu. — é tudo o que Sasuke consegue balbuciar antes de fechar os olhos do pai.
***
Itachi havia perdido o pai de vista no meio de tanta bagunça. Homens saiam de todos os lugares e ele usava a arma que o pai havia lhe dado antes de desaparecer.
Ele tentava atirar em pernas e braços, mas errava quase todos os tiros. Por um milagre não levou nenhum tiro enquanto corria gritando pelo irmão. Diversas vezes saiu no soco com os capangas que aparecia.
– Uchiha!! — ouve o grito às suas costas e vê seus amigos motoqueiros aparecendo com pés de cabra, soco inglês, correntes e gritos de guerra.
– Vasculhem as salas! — Grita Itachi por cima de tudo – Temos que encon...
Um tiro é ouvido e Itachi sente um mal estar na mesma hora.
Paralisa no lugar.
Todos os seus amigos se jogam no chão e logo vários homens fardados aparecem mobilizando-os e gritando ordens.
***
Shikamaru para o carro quando vê a movimentação em frente à uma das chácaras.
Há muitas viaturas, ambulância, o helicóptero e muita gente, desde curiosos à envolvidos.
Pessoas sendo presas e armas sendo retiradas do local pelo pessoal da Interpol.
Shikamaru faz um sinal com a mão para que os outros parem. Temari corre a frente dele tentando pegar informação com alguém, totalmente desesperada.
– Shikamaru! — Naruto grita saindo do carro com um taco de golfe. — Qual o plano?
– Esperar. — responde simplesmente vendo Temari estressar e tentar pular o cordão de isolamento.
– Esperar? Tá maluco? Vamos salvar o Sasuke! — Naruto berra segurando firme seu taco em mãos.
– O Itachi e o pai deles estão lá dentro, todo o pessoal do Road Wings entraram. — Nagato aparece ao lado deles com os braços finos cruzados sob o peito.
– Eu quero participar da ação também! Tenho que salvar meu amigo e a Sakura! — Naruto protesta.
– Você só iria atrapalhar. — Shikamaru se pronuncia olhando à frente a figura do pai.
– Naruto, vamos esperar. — Hinata diz docemente segurando o braço dele. — Eles vão ficar bem.
Naruto suspira abaixando o taco e olhando ansioso para a casa.
(…)
Sasori sai do carro batendo a porta com força e correndo em direção a casa. Ele atropela todos no caminho gritando que sua irmã está lá dentro.
– Você não pode entrar. — um policial mal encarado diz o barrando na corda de contenção.
– A MINHA IRMÃ TÁ LÁ DENTRO, SEU ANIMAL! TIRA ESSA PORRA DA MINHA FRENTE! — grita cuspindo na cara do policial que fecha mais a cara pronto para fazer algo pela falta de respeito do rapaz até que Sasori fica paralisado vendo algo se aproximar.
Kakashi vem trazendo Danzou algemado e todo arrebentado na direção deles.
– Kakashi – chama um agente do FBI às suas costas. — Ele vai no outro carro.
– Não, ele vai comigo. — o grisalho empurra o homem para mais perto da barreira.
Sasori, assim que vê o homem próximo, desfere um poderoso soco no rosto dele fazendo cambalear e quase cair se Kakashi não estivesse segurando-o.
O policial abre a boca surpreso com a cena e pronto para dar uma bronca no ruivo quando vê um sorriso por baixo da máscara do agente acima dele.
– Ops, acho que escorregou. — diz puxando Danzou todo ensaguentado para longe do ruivo e colocando-o no carro certo.
– KAKASHI! A SAKURA... ELA.
– Ela está bem. Os paramédicos estão vendo se a machucaram... — Sasori fez cara de pânico e Kakashi soltou uma breve risada. — Ela não está machucada, é só procedimento padrão. O namorado a salvou, pelo que fiquei sabendo.
Kakashi se vira quando alguém o chama e Sasori pode sentir todo o peso de seu corpo ser deixado e caiu sobre os joelho vendo a irmã sair sendo amparada por um paramédico e Sasuke a seu lado.
– Primo. Tá tudo bem agora. — Man aparece a seu lado o abraçando pelos ombros quando vê as lágrimas caindo dos olhos daquele gigante.
Gritos de uma mulher chamam a atenção dele de imediato e logo vê Mebuki, sua mãe, sendo escoltada aos berros por uma policial irritada.
– VOCÊS NÃO PODEM ME PRENDER! EU SOU RICA! RICA!* — ela grita insana com os olhos esbugalhados e um lado do rosto inchado por um tapa.
Sasori não tem forças para falar mais nada. Só queria ver sua irmã logo e saber que aquele pesadelo acabou.
(…)
2 dias depois...
Sakura acorda no meio da noite tendo o mesmo pesadelo. Passa a mão pelo pescoço e sente a casquinha de ferida que se formou onde sua própria mãe a ameaçou com um canivete.
As lágrimas caem inevitavelmente.
Ela desce as escadas correndo, e entra em seu fusquinha deixando os soluços escaparem num pesar.
A porta a seu lado se abre e ela nem olha para saber que Sasori é quem está ali.
– Já acabou. — ele murmura deixando-a chorar.
– O que vai ser de nós, tato? — Sakura pergunta fixando seus olhos marcados pela dor nos olhos cansados do irmão.
– Vamos continuar como sempre fomos. — ele a abraça e Sakura esconde o rosto em seu peito sentindo aquela segurança familiar. — Nós dois, firmes e...
– loucos. — Sakura completa com um riso anasalado.
Sasori a acompanha afagando o cabelo da irmã. Ele suspira.
– Agora temos mais pessoas pra aguentar nosso fardo, não é? — pergunta engolindo em seco.
– Acho que sim.
– Eu quero trazer a Rin pra morar aqui. — diz mudando de assunto um tanto receoso.
Sakura o encara na mesma hora secando as lágrimas em seu rosto.
– Bom, Kakashi vai se mudar e ela não quer ir junto, então achei...
– É uma ótima ideia, Saso. — Sakura diz com um sorriso gentil.
Sasori a abraça de novo dando um beijo no topo da cabeça dela e não acreditando na conversa que estão tendo.
– E Sasuke? Como ele tá?
– De luto. — Sakura sussurra melancólica – Tá sendo difícil absorver o que aconteceu.
– Imagino...
Os dois ficam em silêncio escutando as corujas piarem do lado de fora e se confortam nos braços um do outro, como sempre fizeram.
– Amanhã eu vou visitar o Sai. — Sakura diz de repente e Sasori tensiona os músculos. — Ele não tem culpa, você sabe...
– Não sei.
– Autismo é complicado, Saso... dá uma chance. Ele queria tanto te conhecer. — Sakura olha suplicante para o irmão e Sasori solta o ar pela boca assentindo. Sakura sorri fracamente encostando sua cabeça no banco.
– Preciso acelerar... — sussurra no silêncio.
Sasori dá um sorriso de lado.
– Acelera.
***
Mikoto está sentada em sua antiga cama de casal, onde não a dividia com seu marido há muito tempo. Olha para a sua foto de casamento sem esboçar nada, como se esperasse encontrar uma resposta para o mistério que foi Fugaku Uchiha.
A porta se abre e Sasuke entra por ela de cabeça baixa, erguendo somente os olhos cansados.
– Sem sono? — pergunta rouco.
Mikoto ergue o olhar para ele e puxa um canto da boca.
Sasuke suspira revirando o envelope com a ponta manchada de sangue em suas mãos. Haviam enterrado Fugaku no dia anterior, e ainda não havia tido coragem de entregar a carta à sua mãe.
Não ia lê-la, mas pelo bem dela o fez e se arrependeu de não ter dado assim que a encontrou aos prantos quando tudo aquilo acabou.
– Ele pediu que eu te entregasse. — estende a carta deixando-a em cima da cama, ao lado da mãe e dando um beijo em sua testa. — Dorme um pouco. — sussurra contra a pele dela e sai do quarto deixando-a sozinha com suas lembranças.
Mikoto olha para o envelope e retira a carta com cuidado.
Ela lê sem esboçar nada até chegar às últimas palavras.
Todas lágrimas que não soltou no enterro caem naquela noite.
Fale com o autor