Raccoon Disaster: Adams Cut
7 File #05
File #05
Phillips ainda olhava para mim confuso. Feliz em ter encontrado o sujeito, tratei de informá-lo sobre a situação:
Adams --- O oficial Brendon me mandou até aqui. Estamos com um problema no computador do hall e acredito que você possa nos ajudar!
Phillips --- Que tipo de problema?
Adams --- Precisamos da senha para acessar a rede nacional de emergência, único meio de contatar ajuda fora da cidade... Você conhece essa senha?
Phillips --- Sim, mas eu não a memorizei... Deixei anotada no meu caderninho, junto com meu laptop. Eu estava tentando me conectar a Internet por meio dele, mas tudo está fora do ar!
Comecei a ficar frustrado.
Adams --- E onde você deixou seu laptop?
Phillips --- Eu precisava de um local isolado para tentar conectar, a salvo desses zumbis. Por isso fiquei alguns minutos trancado lá na sala do relógio, terceiro andar. Assim que percebi não haver jeito, vim correndo até aqui tentar usar o rádio, e acabei deixando todas as minhas coisas lá em cima!
Era incrível. Realmente Murphy estava contribuindo para que todos nós virássemos comida de mortos-vivos. Respirei fundo e então respondi:
Adams --- Leve-me com você até essa sala do relógio!
Phillips --- Mas é perigoso, há cada vez mais setores da delegacia infestados pelos canibais e...
Adams --- É nossa única chance de sair da cidade! Prefere ficar preso aqui até que os zumbis consigam derrubar a porta?
Ele franziu as sobrancelhas, pensativo. Pelo visto meu argumento foi forte.
O jovem oficial se levantou da cadeira, verificou quantas balas havia no pente de sua pistola e então caminhou até a saída. Segui-o, pronto para começar o caminho até o terceiro andar, qualquer que fosse.
De volta ao corredor, o zumbi gordo e lento ainda se encontrava ali. Pensei em mais uma vez desviar, porém Phillips não quis correr riscos, derrubando o morto-vivo com quatro tiros. Observei por um instante uma poça de sangue surgir sob o cadáver e então avancei com o policial até a outra porta do local, logo após uma curva.
O ambiente seguinte era uma espécie de corredor em “T”, e logo concluí que a porta emperrada vista por mim anteriormente dava ali. Os armários junto a uma parede contrastavam de certa forma com as máquinas de refrigerante e uma prateleira contendo revistas. Conforme nos dirigíamos à entrada seguinte, li a reportagem de capa de uma delas: “Umbrella Inc. contribuindo para o desenvolvimento do Terceiro Mundo”. Impossível ser mais irônico...
Adentramos depois uma ampla e rica biblioteca. Estantes e mais estantes contendo livros dos mais variados tipos e assuntos. Seria interessante dar uma olhada naquele acervo se não fosse tão urgente chegar ao terceiro andar.
Phillips --- Por aqui!
O jovem começou a subir uma escada que levava a uma passarela no piso superior, através da qual se podia acessar uma outra porta. Continuei a acompanhá-lo, esbarrando num grande volume sobre criminalística que devido ao tamanho ficava mais fora da estante do que dentro, e então saímos da grande sala.
Para minha surpresa, estávamos agora de volta ao hall, no ponto mais alto. Do beiral da passagem podia-se observar o lugar em sua totalidade, mas algo me deixou apreensivo: Brendon já não mais estava lá embaixo, junto ao computador. Para onde diabos poderia ter ido?
Ignorei a resposta por enquanto. A meta atual era encontrar o caderninho de Phillips junto ao seu laptop, e com esse fim atravessamos a única porta existente a mais naquela passarela, conduzindo à sala do relógio. O interior dela era rústico e empoeirado, paredes de tijolos nuas, com uma escada de madeira levando a uma parte superior. Subindo-a, encontramos, num canto, em cima do chão de tábuas e perto do complexo sistema de engrenagens do relógio da delegacia, o computador do policial junto com o bloco de papéis contendo, entre outras coisas, a senha para a rede. O rapaz apanhou o caderno, folheou-o por alguns segundos e então exclamou, marcando uma página com dois dedos.
Phillips --- Aqui está! Transcrevi a senha aqui, creio que ainda seja essa!
Assenti com a cabeça e já descíamos os degraus para voltar até o primeiro andar do hall, quando um súbito e forte urro pareceu abalar toda a estrutura do prédio, deixando nossos corações agitados. Havia algum tipo horrendo de monstruosidade com que ainda não tínhamos topado!
Phillips --- Em nome de Deus, o que foi esse grito?
Respondi firme:
Adams --- Não quero ter a experiência de tomar conhecimento! Vamos, tempo é vida!
Assim deixamos a sala do relógio, a porta rangendo até se fechar.
Continua...
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